O delírio da dádiva

“Accepter quelque chose de quelqu’un, c’est accepter quelque chose de son essence spirituelle, de son âme / Aceitar alguma coisa de alguém é aceitar qualquer coisa da sua essência espiritual, da sua alma” (Marcel Mauss, Essai sur le don, l’Année Sociologique, seconde série, 1923-1924).

Imagem: Marcel Mauss

Os anúncios de Natal da John Lewis, maravilhosos, mágicos, sentimentais e, eventualmente, nostálgicos, marcam a abertura da publicidade da época. Este ano, a estreia aconteceu anteontem, 14 de novembro.

Desta vez, sinto que exagerei a expectativa. The Gifting Hour resulta perfeito, belo e mágico, mas quanto ao resto… Falta, sobretudo, a lentidão propícia ao desenrolar vagaroso do encantamento. Assevera-se, porventura, mais realista, mais ajustado ao afogadilho atual. Os sentimentos aparecem como flashes de uma pulsação taquicardíaca. Como se já não houvesse tempo para, como diria Marcel Mauss, a alma se sedimentar na prenda!

Dominado pelo hábito, prefiro o anúncio do ano passado, The Perfect Tree, que, na linha do estilo tradicional da marca, logra aproveitar, in crescendo, compassadamente, os quatro minutos da praxe. Mas em casa há quem, com um olhar mais fresco, seja de outra opinião.

Marca: John Lewis & Partners. Título: The Gift Hour. Agência: Saatchi & Saatchi. UK, 14.11.2024
Marca: John Lewis & Partners. Título: Snapper -The Perfect Tree. Agência: Saatchi & Saatchi. UK, novembro 2023

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