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A Arte de Ser

Fazer a barba de manhã é mais do que uma rotina? E a nossa imagem facial dispensa o nariz? Os anúncios Exprésate todos los días (2012), da Philips, e I Love Chanel (2012), da Chanel, ilustram a arte de ser, com barba ou sem nariz.

Imagem: I Love Chanel bottle Graffiti – Fred Meurice, 2023

Expressão. Tendências do Imaginário, 29.08.2012
A fuga do nariz. Tendências do Imaginário, 29..08.2012

Herança cultural e identidade de proximidade

Paul Gauguin. Arearea – Joyeusetés, 1892. Musée de Orsay

O oráculo das boas causas (09.07.2016; restaurado)

Rafael – Os Querubins de Rafael. A Madona Sistina (detalhe], entre 1513 e 1514. Gemäldegalerie Alte Meister. Dresden

Bater-se por uma causa justa é já uma vitória (Anónimo).

Marca: Nikon. Título: Not Just Pictures. Produção: Quad. Direcção: Alejandro Toledo. 2004. [Recuperado]

Identidade e convívio (09.07.2026)

O anúncio “Inzalo Yelanga” mantém uma linha de comunicação que a Castle Milk Stout tem vindo a desenvolver há vários anos: usar a publicidade não apenas para promover a cerveja, mas também para refletir sobre identidade, herança cultural e relações familiares. A própria marca descreve o filme como um convite a “passar tempo com aqueles que amamos, fazendo aquilo que realmente importa, valorizando o tempo que temos e estando verdadeiramente presentes no momento”…
Ao longo da vida, as pessoas passam grande parte dos seus dias preocupadas com trabalho, obrigações e distrações, acreditando que haverá sempre outra oportunidade para estar com a família ou para dizer aquilo que realmente importa (…) O verdadeiro legado de uma pessoa não é aquilo que possui, mas sim o tempo que dedica aos outros e as memórias que ajuda a construir…
O filme mostra momentos aparentemente simples — encontros familiares, conversas entre gerações, crianças e adultos a partilhar o quotidiano — sugerindo que são precisamente esses instantes que acabam por definir uma vida (…) A cerveja surge apenas no final, integrada como símbolo de convivência e celebração, e não como protagonista da história…. (ChatGPT, 08/07/2026)

Castle Milk Stout – Inzalo Yelanga. Agência: Joe Public. Direção: Zee Ntuli. África do Sul, julho 2026

A expressão “Inzalo Yelanga” vem das línguas nguni e evoca ideias como: os filhos da luz; aqueles que pertencem a uma mesma linhagem ancestral; a continuidade da vida através das gerações; e o legado transmitido entre avós, pais e filhos (…) O título “Inzalo Yelanga” funciona em dois níveis ao mesmo tempo:
Pessoal, porque fala da família, dos filhos e do legado que deixamos às pessoas mais próximas.
Civilizacional, porque sugere que todos fazemos parte de uma corrente muito maior, recebendo um património cultural dos nossos antepassados e tendo a responsabilidade de o transmitir às gerações seguintes.É precisamente essa dupla leitura que torna o título tão poderoso: o anúncio parece falar apenas de momentos familiares, mas, no fundo, está a refletir sobre o que significa pertencer a uma linhagem e sobre a forma como o tempo transforma presença em herança (ChatGPT, 08.07.2026).

Amor de filha

Às vezes, felizmente cada vez menos, ainda me dá para escrever artigos com trejeitos académicos. Estou convencido que a ideia e o sentimento passariam melhor com meia dúzia de versos bem cantados. A transbordar inspiração e ternura, o anúncio polaco “Masquerade”, colocado em julho de 2017, merecia outra abordagem, mas nem sempre o violino está à mão ou, então, anestesiado, desafina.

Paula Rego – Happy Family – Mother, Red Riding Hood and Grandmother, 2003

Somos o que deixámos de ser

A ubi vinimus?

De onde viemos? Em “Immortal: Nature’s Symphony”, o Royal Ontario Museum convida-nos a testemunhar a história do mundo através da experiência de um chimpanzé que não para de cantar uma ária da ópera italiana L’elisir d’amore. Uma maravilha!

Anunciante: Royal Ontario Museum. Título: Immortal: Nature’s Symphony. Agência: Broken Heart Love Affair/Toronto. Produção: Revolver Films. Efeitos especiais: Chemistry Film. Direção: Rune Milton. Canadá, novembro 2024

O delírio da dádiva

“Accepter quelque chose de quelqu’un, c’est accepter quelque chose de son essence spirituelle, de son âme / Aceitar alguma coisa de alguém é aceitar qualquer coisa da sua essência espiritual, da sua alma” (Marcel Mauss, Essai sur le don, l’Année Sociologique, seconde série, 1923-1924).

Imagem: Marcel Mauss

Os anúncios de Natal da John Lewis, maravilhosos, mágicos, sentimentais e, eventualmente, nostálgicos, marcam a abertura da publicidade da época. Este ano, a estreia aconteceu anteontem, 14 de novembro.

Desta vez, sinto que exagerei a expectativa. The Gifting Hour resulta perfeito, belo e mágico, mas quanto ao resto… Falta, sobretudo, a lentidão propícia ao desenrolar vagaroso do encantamento. Assevera-se, porventura, mais realista, mais ajustado ao afogadilho atual. Os sentimentos aparecem como flashes de uma pulsação taquicardíaca. Como se já não houvesse tempo para, como diria Marcel Mauss, a alma se sedimentar na prenda!

Dominado pelo hábito, prefiro o anúncio do ano passado, The Perfect Tree, que, na linha do estilo tradicional da marca, logra aproveitar, in crescendo, compassadamente, os quatro minutos da praxe. Mas em casa há quem, com um olhar mais fresco, seja de outra opinião.

Marca: John Lewis & Partners. Título: The Gift Hour. Agência: Saatchi & Saatchi. UK, 14.11.2024
Marca: John Lewis & Partners. Título: Snapper -The Perfect Tree. Agência: Saatchi & Saatchi. UK, novembro 2023

Castro Laboreiro – identidade em fuga

Por Álvaro Domingues

Legenda: Da capa do livro

Lançado há duas semanas, no dia 31 de julho, Quem Somos Os Que Aqui Estamos: Castro Laboreiro e Lamas de Mouro é o quinto livro publicado no âmbito do projeto homónimo Quem Somos Os Que Aqui Estamos? associado ao MDOC- Festival Internacional de Documentário de Melgaço, promovido pela Associação Ao Norte e pela Câmara Municipal de Melgaço. Conta com o contributo de vários autores: Álvaro Domingues, Dulcelina Fernandes, Valter Alves, Natália Fernandes, Albertino Gonçalves, Américo Rodrigues, José Domingues, Daniel Maciel e João Gigante.

O Margens compraz-se em partilhar o capítulo “Castro Laboreiro – Identidade em Fuga”, da autoria de Álvaro Domingues. Como complemento acrescenta a Ficha Técnica, o Índice e a Introdução do livro, bem como uma pequena galeria com uma dúzia de fotografias selecionadas de um conjunto que ultrapassa a centena.

Está prevista uma apresentação do livro segunda dia 14 de agosto, às 22:00, no Centro Cívico de Castro Laboreiro, com a presença dos autores.

Capítulo

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Ficha Técnica, Índice e Introdução

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Galeria de Fotografias

Identidade, alteridade e virtualidade

René Magritte, Decalcomania, 1966,

A publicidade pode ser instrutiva. Acontece com os anúncios “New Dawn”, da Hyundai, e “Un-Australia”, da Meat & Livestock Australia, que ilustram duas noções elementares das ciências sociais, que passo a resumir.

O valor de uma palavra provém do carácter distintivo dos seus usos virtuais. Simplificando, uma palavra vale quando permite dizer algo que as outras palavras não conseguem (a partir de F. Saussure, Cours de Linguistique Générale, 1916).
A identidade não remete para uma essência mas decorre da relação com os outros, com a alteridade. Simplificando, somos o que somos menos pelas semelhanças e mais pelas diferenças (a partir de C. Lévi-Strauss, L’ Identité, 1977).

Marca: Hyundai. Título: New Dawn. Agência: Innocean UK. Direção: Jeroen Mol. Reino Unido, Reino Unido, janeiro 2023
Marca: Meat & Livestock Australia. Título: Un-Australia. Agência: The Monkeys. Direção: Yianni Warnock. Austrália, janeiro 2023

A identidade e o selo postal

Selo português. Cavaleiro. 30 centavos. 1953

Quanto mais ínfimas e exclusivas, pequenos restos de um nós menor, se revelarem as memórias mais nos resguardam do tédio e do apagamento. Paradoxalmente, quanto mais nossas, maior gozo dá partilhá-las. Como selos postais carimbados pelo destino. A música propicia-se a este contrabando miúdo.

Seguem três canções interpretadas por Willy deVille (1950-2009): Heaven Stood Still; Let It Be Me; e Night Falls.

Willy deVille. Heaven Stood Still. Willy DeVille (live). 1993
Willy deVille. Let it be me. Ao vivo em 2002.
Willy deVille. Night Falls. Miracle. 1987. Ao vivo em 2002.

Paródia culinária

Movistar. Tenemos la receta para lucharla hasta el final ¡Vamos Perú! 2022

Segue uma receita peruana de um bom prato de futebol, com tribalismo, religiosidade, heroísmo e emoção. De rapar o tacho.

Anunciante: Movistar. Título: Tenemos la receta para lucharla hasta el final ¡Vamos Perú! Agência: 121 Perú. Perú, março 2022.

Harmonium: Histórias sem palavras | Como um tolo

Harmonium (1972-1978)

Tenho uma memória instantânea de grilo ou, se se preferir, de galinha. Em contrapartida, não me queixo da memória que apelido subterrânea, arqueológica. Os fantasmas do mais recôndito purgatório do passado acodem-me à consciência como pirilampos, emergindo sem convite nem cerimónia.

Acaba de acontecer com os Harmonium, um grupo francófono do Québec (Canadá), criado em 1972 e ativo até 1978. Publicaram três álbuns de estúdio: Harmonium (1974); Si on avait besoin d’une cinquième saison (1975); e L’Heptade (1976). O rock progressivo dos Harmonium aproxima-os de bandas tais como os Camel ou os Renaissance, mas com muito menos reconhecimento. À semelhança de outras bandas, reuniram-se cerca de quarenta anos depois, já mais amadurecidos, para reeditar álbuns e tocar em concertos ao vivo. Seguem: 1) um pequeno excerto do concerto sinfónico Harmonium Symphonique, publicado em 2021; 2) a interpretação integral ao vivo, em 2017, da música Histoires sans paroles (original de 1975); e 3) a canção Comme un fou, remasterizada, do álbum L’Heptade (1976).

Muito poucos conhecerão a música dos Harmonium. Passados tantos anos, reconheço-me nela. Acredito que nos identificamos menos pelo que comungamos e mais pelo que nos distingue.

Histoires sans paroles (excerto). Harmonium Symphonique / Histoire sans paroles, 2 CD, 2021.
Harmonium. Histoires sans paroles. Si on avait besoin d’une cinquième saison. 1975. Ao vivo em St. Hilaire, 2017.
Harmonium. Comme un fou (remasterisé). L’Heptade. 1976.