Ramalhete de músicas portuguesas

“Em período de férias, aumentam as festas (…) A minha praia anda demasiado ruidosa. Anteontem, os metal, ontem, os indie, hoje os tecno. Apetecem-me outras músicas. Dedico este ramalhete de músicas ‘tradicionais’ portuguesas aos visitantes dos demais países. A selecção é arbitrária, incompleta e a meu gosto.”
Nascer na publicidade hipermoderna

Comparando as imagens do parto medieval com os vídeos actuais, constata-se uma mudança do olhar. As iluminuras medievais são sérias e realistas, os vídeos são fictícios e cómicos. Na Idade Média, o parto não dava vontade de rir. O parto bem-disposto é apanágio da Modernidade Avançada (…) Na Idade Média, tinha-se medo de não ter filhos e temia-se a morte durante o parto. Na modernidade, tem-se receio de ter filhos e os riscos de mortalidade durante o parto são ínfimos…
Seguem quatro anúncios deveras delirantes no artigo O parto na Modernidade Avançada, colocado no dia 18 de agosto de 2015.
A resistência dos humanoides. Desvio e conhecimento

O desvio é uma forma de fazer caminho. Em temos de conhecimento, pode não implicar separação, mas alargamento ou aprofundamento [de uma parte). Eventualmente para comparação. Creio ser o caso da invocação de quatro hinos da resistência europeia a partir do trailer ” We All Lift Together”, da Warframe.

“Os trailers dos videojogos situam-se na vanguarda da estética e do imaginário contemporâneos. Chamam a si os maiores recursos e os melhores profissionais e criativos. No trailer We All Lift Together, do videojogo Warframe, criaturas, mistos de máquinas e seres humanos, surgem como guerreiros do trabalho, num estaleiro amplo, composto por partes metálicas e partes líquidas. / Lembra as canções de resistência.” (Apagar o inferno, 17.08.2018).
Imagem: HR Giger
Parto pela boca

Não é raro deixar-me tentar por temas estranhos que não lembram ao diabo. Cuido, contudo, de os abordar com um mínimo de sobriedade.

Grotescas, as gárgulas incarnam o pecado, em acto ou em expiação. Constituem exemplos a evitar. Muitas gárgulas com figuras humanas são frades ou freiras que caíram na tentação da carne, da luxúria e da gula. Várias freiras têm manto, mas subido ou aberto, exibindo os peitos e as partes genitais. Umas estão com as mãos juntas, em sinal de arrependimento, outras com as mãos em partes impróprias. Por vezes, aparece uma criança, de corpo inteiro ou só a cabeça (no peito, no ventre…). Há quem associe estas figuras de mulheres devassas com criança a freiras que tiveram filhos, nomeadamente com autoridades da comunidade eclesiástica. (Paródia disparatada, Tendências do Imaginário, 13.08.2014).
Dar a volta por fora

“O teatro tece o quotidiano”. O anúncio “Adultério”, da Câmara Municipal da Maia”, é uma raridade ousada e preciosa. Mostra como superar uma crise dando a volta por fora. “Dar a volta por cima” e “dar a volta por fora” constituem duas virtualidades da “força dos fracos”. (Anúncio português vintage 8. Adultério, 10.09.2025)
Imagem: Estátua do lidador. Maia
Gárgulas obscenas

Acontece investir mais num artigo. É o caso de Gárgulas Impúdicas, de 10 de agosto de 2014, revisto posteriormente em 23 de novembro de 2021.
Em 2017, decidi elaborar uma antologia, intitulada A Morte na Arte, com uma trintena de artigos do Tendências do Imaginário. Embora tenha revisto uma boa parte, com as vicissitudes da vida, acabei por suspender o projeto. Sinto, contudo, o dever de o reassumir.
O artigo que recoloco é o revisto: Gárgulas Impúdicas (para o livro A Morte na Arte. O link para o artigo de 2014 é https://tendimag.com/2014/08/10/gargulas-impudicas/




