Formiguinha autocarregada

Hoje, pareço uma formiguinha atarefada a carregar artigos do passado para o presente. Entre 2012 e 2020, publiquei muitos artigos dignos de resgate. Já “despachei” quatro. Seguem mais dois dedicados à música: Contudo, tu moves-te!, de 2013, com os Pink Floyd, e Ler também cansa, de 2018, com Ennio Morricone. Lá para a meia-noite, talvez coloque um derradeiro. O mais sério de todos.
A invenção do presépio

O primeiro presépio foi concebido por São Francisco de Assis em 1223 em Greccio, na Itália. As figuras eram seres humanos. Entre os artigos que contam a história, retenho “Assim Francisco inventou o presépio”, de Roberto Allegri (texto) e Nicola Allegri (fotografia), em italiano, mas a tradução automática para português funciona bem.
Imagem: Bonaventura Berlinghieri – São Francisco e cenas de sua vida, 1235, a mais antiga pintura representando São Francisco.
Para aceder ao artigo, carregar na imagem seguinte.

O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 3
Com estas três parcerias de 2024, concluo este devaneio domingueiro acompanhado pela voz de Ekaterina. Desejo uma boa semana de trabalho, que, segundo alguns entendidos, o trabalho configura uma potencialidade do ser humano. Mudando de assunto, que este oferece-se resvaladiço, porventura mais consensual, a minha bisavó não se cansava de repetir: se perseguires o belo, talvez encontres o prazer!
Na canção e no vídeo “Stand Still”, vocacionada para uma conexão com a natureza, ela é o vento e ele a árvore.
Ekaterina Shelehova & Thom’Art Raidho – Stand Still. Stand Still, 2024
O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 2
A primeira é a preferida do Fernando; a segunda, minha; a terceira, não sei!
O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 1
À São, à Beatriz, à Minda,
à Paula e à Fátima,
estrelas deste deserto
Quando tudo é belo e sublime, a intérprete, a voz e a execução, convém sentir mais do que ser. Ekaterina Shelehova, canadiana, de origem russa, a viver em Itália, revelou-se durante o Got Talent de 2022 búlgaro. Desde então, de en-canto em en-canto, abraçou uma carreira de merecido, embora não ofuscante, sucesso.
Sur-preso por uma promessa incomensurável de prazer, que fazer? Tornar-se, como diria Pascal, infinitamente pequeno e infinitamente grande, microchip e parabólica, para sentir concentrado, intensamente, e aberto, extensamente. Depois, agradecer e partilhar alegre e humildemente.
Proponho-me dedicar três artigos a Ekaterina: o primeiro realça a qualidade da voz e da interpretação; o segundo retém algumas canções preferidas; o terceiro contempla parcerias.
A cor do vento

Estou ocupado a escrever um artigo por encomenda. Para não variar, adiei a tarefa até terminar o prazo. Para este post, recorro, assim, à ajuda de uma amiga, fonte inesgotável de partilhas originais e cativantes. Hoje, calha a sorte ao cantautor “histórico” italiano: Fabrizio de André. Nascido em 1940, faleceu em 1999, com 59 anos, vítima de um cancro do pulmão. Seguem três canções interpretadas ao vivo um ano antes da sua morte.
A lenda da massa carbonara

A duração conta. Muitas vezes, para saborear um alimento, uma ideia ou uma imagem convém dedicar-lhe tempo. Reserve o visionamento desta curta-metragem das massas Barilla para quando lhe puder conceder dez minutos de atenção. Já agora, se não conseguir, talvez seja a hora de reconsiderar o que é ser pobre neste mundo.
Origem da massa carbonara
Tal como a maior parte das receitas tradicionais, origem deste prato é incerta, existindo diversas lendas. Refere-se que possa ter sido criada na região italiana do Lazio, na Roma antiga, sendo uma possível evolução da pasta (massa) cacio (queijo de ovelha ou cabra) e ova (ovo).[8] Como o nome deriva da palavra italiana para carvão, alguns acreditam que tenha sido uma refeição suculenta para os carvoeiros na Itália (carbinai).[8] Outros dizem que antigamente era feita sobre grelhadores de carvão. Ainda outros sugerem que as manchas pretas de toucinho e pimenta se assemelham a pequenos pedaços de carvão, o que poderia explicar o nome. Também foi sugerido que poderia ter sido inventado pelos membros da Carbonária, uma sociedade secreta italiana.
O prato não era conhecido antes da Segunda Guerra Mundial, não estando presente no livro clássico da culinária italiana La Cucina Romana, da autoria de Ada Boni, datando de 1927. Pensa-se que terá tido origem em zonas montanhosas fora de Roma e não dentro da cidade, mais concretamente nos montes apeninos. A sua popularidade começou após a Segunda Guerra Mundial, quando muitos italianos comiam ovos e toucinho fornecidos por tropas norte-americanas. Também se tornou popular entre as tropas norte-americanas estacionadas na Itália. Quando regressaram a casa, tornaram a receita popular nos EUA.
Outras teorias apontam que o primeiro a dar-lhe um nome foi o escritor culinário napolitano Ippolito Cavalcanti, que publicou a receita pela primeira vez no ano de 1839, no seu livro Cucina teorico-pratica. Uma outra hipótese indica que o prato pode ter tido origem em Carbonia, uma povoação a oeste de Cagliari, fruto da criatividade de um cozinheiro talentoso, que acabaria por se mudar para Roma, à procura de trabalho. Diz-se que o prato teria tido tanto sucesso que o cozinheiro, talvez por timidez, lhe acabaria por dar o nome da sua terra, em vez do seu. (Wikipedia, https://pt.wikipedia.org/wiki/Carbonara, consultado em 12.09.2022)
Ação de graças

Apetece-me dar graças disposto a retomar caminho, com a máxima de Ticiano no quadro Prudência (1565-1570)
” EX PRAETERITO /PRAESENS PRVDENTER AGIT/ NI PVTVRA ACfIONE DETVRPET, “Do passado, o presente age prudentemente para não estragar a ação futura”.
e ao ritmo do Andante con moto e poco rubato, de George Gershwin.
Volvido apenas um dia após a publicação deste artigo, entendo por bem acrescentar o texto, rigoroso e agradável, que Erwing Panofsky (1892-1968) dedicou ao quadro Alegoria da prudência, de Ticiano: “A Alegoria da Prudêcia de Ticiano – um pós-escrito”, capítulo 4 do livro Significado nas artes visuais, editado pela primeira vez em 1955. Autor clássico, Erwing Panofsky é um dos mais proeminentes historiadores e sociólogos da arte. Pierre Bourdieu redigiu o posfácio da publicação francesa do livro Architecture Gothique et Pensée Scolastique (Éditions de Minuit, 1967). Segue o pdf:
















































