Archive | Imaginário RSS for this section

Nascer na publicidade hipermoderna

MTS. Internet Baby. Creativeland Asia. Índia, 2014

Comparando as imagens do parto medieval com os vídeos actuais, constata-se uma mudança do olhar. As iluminuras medievais são sérias e realistas, os vídeos são fictícios e cómicos. Na Idade Média, o parto não dava vontade de rir. O parto bem-disposto é apanágio da Modernidade Avançada (…) Na Idade Média, tinha-se medo de não ter filhos e temia-se a morte durante o parto. Na modernidade, tem-se receio de ter filhos e os riscos de mortalidade durante o parto são ínfimos…

Seguem quatro anúncios deveras delirantes no artigo O parto na Modernidade Avançada, colocado no dia 18 de agosto de 2015.

O parto na Modernidade Avançada. Tendências do Imaginário, 18.08.2015

Divindades irregulares

Depois das aberrações (Arte indigesta), dos humanóides e dos hinos (A resistência dos humanoides), da devoção (Internet, Humor e Estilos de Vida) e da oração (Oremos! Religião, Desporto e Jornalismo), proporciona-se a música de Kevin Penkin, recomendada pelo Fernando.

Kevin Penkin (Perth, 22 de maio de 1992) é um compositor australiano.[1] Ele é conhecido por ter sido o compositor da adaptação para anime do mangá Made in Abyss, que ganhou a categoria de “melhor anime do ano” na edição de 2017 do Crunchyroll Anime Awards.[2] Penkin atualmente compõe trilhas sonoras para jogos eletrônicos e animes. (Wikipedia, 17.08.2026)

Kevin Penkin – Irregular God. Tower of God (Original Series Soundtrack), 2020
Kevin Penkin – Transcendance and Hanezeve. Dawn of the Deep Soul (anime). Made in Abyss Vol 2, 2022
Kevin Penkin (ft. Takeshi Saito) . VOH. TV Series Made in Abyss: The Golden City of the Scorching Sun, 2022

Oremos! Religião, Desporto e Jornalismo

William Turner, Death on a pale horse, c.1825-30. Tate Modern, London

O artigo A Cruz (17.08.2016) ilustra o caldo que a publicidade consegue cozinhar com a religião, o desporto e o jornalismo. Uma vez que convoca a oração, e Marcel Mauss, acrescento o artigo Resistência e impotência (28.11.2018).

Acontece o Tendências do Imaginário, uma espécie de diário, entreabrir frestas por onde se insinuam estados de alma (e de corpo). Afigura-se-me ser o caso do artigo Resistência e impotência, escrito num período de crise pessoal. Importa recordar o passado, principalmente quando não passou.

A Cruz. Tendências do Imaginário, 17.08.2016
Resistência e impotência. Tendências do Imaginário, 28.11.2018

A resistência dos humanoides. Desvio e conhecimento

HR Giger. Exhibition at the Lentos Kunstmuseum Linz, 2013

O desvio é uma forma de fazer caminho. Em temos de conhecimento, pode não implicar separação, mas alargamento ou aprofundamento [de uma parte). Eventualmente para comparação. Creio ser o caso da invocação de quatro hinos da resistência europeia a partir do trailer ” We All Lift Together”, da Warframe.

“Os trailers dos videojogos situam-se na vanguarda da estética e do imaginário contemporâneos. Chamam a si os maiores recursos e os melhores profissionais e criativos. No trailer We All Lift Together, do videojogo Warframe, criaturas, mistos de máquinas e seres humanos, surgem como guerreiros do trabalho, num estaleiro amplo, composto por partes metálicas e partes líquidas. / Lembra as canções de resistência.” (Apagar o inferno, 17.08.2018).

Imagem: HR Giger

Apagar o inferno. Tendências do Imaginário, 17.08.2018

Arte indigesta

Tenho alguns pequenos princípios de estimação. Por exemplo, ofereço o que gosto, não o que gosta necessariamente quem recebe. Partilhar uma parte de mim, não dele. Faço-o sem qualquer intenção de converter. Não tenho costela de missionário.

O público do Tendências do Imaginário mostra menos aptência pelos artigos dedicados à arte. Pelo menos, imediatamente. Preferem música e publicidade.

Hoje, nos artigos Dar à luz na “idade das trevas” e Varas há muitas, a arte veio ao de cima. O resultado não surpreende: quebra nas visualizações. Pois insisto, como quem não nota, correndo o risco de exasperar.

A obra Zdzislaw Beksinski é francamente indigesta. Não se presta nem para aperitivo, nem para digestivo, nem para refeição. Perturbadora, estranha-se e volta a estranhar-se. Deixei a publicação do respetivo artigo, Filhos do Apocalipse, para esta hora, entre o jantar e a ceia.

Zdzislaw Beksinski (1929-2005) [é] um dos principais, senão o principal, artista polaco contemporâneo. Classificou-se a si próprio, numa primeira fase, como barroco e, em seguida, como gótico. Não obstante, é um expoente da arte grotesca, o mais estranho e visceral que se pode conceber. As suas obras, além de desconcertantes, são tenebrosas. Na sua pintura, o morrer sobrepõe-se à morte, num mundo moribundo, sem remissão. Um mundo em que nem sequer a morte redime. As figuras, simultaneamente mortas e vivas, são amálgamas, fluídas e deformadas, de carne, ossos, ramificações e excrescências.

Anexo, também, o artigo Greve da escrita, de 2016, para tentar desanuviar um pouco. É certo que a pintura “Dustheads”, do Jean-Michel Basquiat, não ajuda a desvanecer, mas as canções e a voz de Lizz Wright são capazes de fazer milagres.

Filhos do Apocalipse. Tendências do Imaginário, 16.08.2018
Greve da escrita. Tendências do Imaginário, 16.08.2016

Varas há muitas

“Segundo uma tradição antiga, depois da morte de São Joaquim, Maria teria chegado à idade de casar. Os pretendentes teriam sido chamados ao Templo, levando cada um uma vara. A vara de José teria milagrosamente florescido, enquanto as outras permaneceram secas. Esse prodígio teria sido interpretado como sinal da escolha divina de José para esposo de Maria. Daí vem a representação de São José com uma vara ou cajado florido, normalmente com flores brancas.

Imagem: Josefa de Óbidos – São José e o Menino, 1670. Museu Nacional de Arte Antiga

Em Portugal, a flor pode aparecer identificada com a açucena/lírio, símbolo de pureza e castidade (…) Com o passar do tempo, a vara florida tornou-se praticamente um atributo iconográfico de São José. O lírio branco passou a representar a sua pureza, mas também a sua dignidade e santidade. Por isso é frequente encontrar São José representado com o Menino Jesus num braço e uma vara florida na outra mão. (ChatGPT, 16.08.2026).

Mas nas pinturas contempaladas no artigo A vara do noivo, colocado no dia 16 de agosto de 2014, a vara aparece com uma pomba branca. Porquê?

A vara do noivo. Tendências do Imaginário, 16.08.2014

Dar à luz na “idade das trevas”

Iluminura do século XV com o nascimento de São Edmundo (rei da Ânglia Oriental). Contempla a preparação do parto e o período pós-parto

Em 16 de agosto de 2015, publiquei o artigo O parto na Idade Média. Volvidos dois anos, em 2017, recoloquei-o revisto. Um bom exemplo de como uma revisão pode tornar-se recriação.

O novo artigo, O parto na Idade Média (revisto), é, até hoje, o segundo mais consultado do Tendências do Imaginário: desde 3 de setembro de 2017, soma 15615 visualizações (a primeira versão: 3985; as duas: 19600). Recoloco-o a pensar em quem possa ter interesse em ver ou, eventualmente, rever com outros olhos.

O parto na Idade Média (revisto). Tendências do Imaginário, 16.08.2017

Por uma Sociologia da Beleza

William Blake – A Noite da Alegria de Enitharmon, 1795. Tate Britain, London

Por que motivo não existe uma sociologia da beleza? A sociologia engloba tantas especialidades: o corpo, a moda, o lazer, o desporto, o quotidiano, a família, o género, a educação, a arte, a cultura, o poder, as desigualdades, o envelhecimento, a comunicação, as minorias… E não sobra um lugar para uma sociologia da beleza.
Sinto a falta de uma sociologia da beleza. Ajudaria a perceber, por exemplo, o anúncio “Encontro”, da empresa brasileira Marisa (…) Tanta beleza! Só beleza. Com preguiça mental, deduzo que aquela roupa exibida pelos modelos se destina a mulheres igualmente belas. Será que a beleza das modelos influencia a escolha das pessoas? Por toque de beleza? Um “não-sei-quê” que faz a diferença? Por magia? A beleza é dúctil como o ouro.

Um toque de beleza. Tendências do Imaginário, 16.08.2019

Humanos e animais: afinidades fisionómicas e morais

Adidas – Instinct takes over. Agosto 2014

Hoje, 15 de agosto, é dia da Assunção. No Tendências do Imaginário, assiste-se, depois de alguma dormição, a uma ascensão da arte a tema de eleição. Colocados no mesmo dia, com um ano de intervalo, os artigos Arquitectura de Paisagem na Geometria Maneirista, de 2013, e Chuteiras bestiais, de 2014, dialogam entre si incluindo obras de arte dos séculos XVI e XVII.

Peter Paul Rubens (atribuído a). Estudo de um homem barbudo e cabeça de uma criatura. Théorie de la Figure Humaine, 1773

Após uma breve desconversa ritual, o artigo Chuteiras bestiais entrega-se a duas operações a que, sempre que se proporcione, raramente resisto:
1) Cotejar realidades distintas e distantes. Neste caso, a publicidade do século XXI e a pintura dos séculos XVI e XVII;
2) Rasgar horizontes, abrindo “portais” (links) para entidades diversas. Neste caso, o anúncio, fantástico, “Instinct takes over”, da Adidas, acaba por convocar mestres da pintura e da gravura, tais como Giambattista della Porta (1535-1615), Ticiano Vecellio (c. 1485-1576), Peter Paul Rubens (1577-1640) e Charles Le Brun (1619-1690.
O resultado manifesta-se deveras curioso.

Chuteiras bestiais. Tendências do Imaginário, 15.08.2026

Pneus futuristas

Guilherme de Santa Rita – Orfeu nos Infernos, ca. 1904

No próximo ano letivo projeto abordar o movimento futurista na disciplina de Estéticas Contemporâneas e Sociologia do Imaginário, na Academia Sénior do Município de Braga. O artigo Pneus Olímpicos /Futurismo poderá servir como introdução.

Pneus olímpicos / Futurismo. Tendências do Imaginário, 14.08.2016