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Grotesco e Desconcerto do Mundo

O Desconcerto do Mundo é o meu primeiro vídeo. Seguiram-se outros, mas é deste que gosto mais. Foi apresentado no seminário internacional O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo, no Mosteiro de Tibães, em Braga, no dia 19 de Abril de 2005. Dura 38 minutos. Este exagero é compensado pela originalidade, pela variedade e pelo encanto das imagens e dos sons. De espanto em espanto, o tempo passa.

Michel Maffesoli, José da Silva Lima e José Bragança de Miranda. Seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo, Mosteiro de Tibães, 2005

Organizei muitos encontros, mas o seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo destaca-se na minha memória. O Moniz Sodré veio do Brasil, o Michel Maffesoli e o David Le Breton, de França… O vídeo O Desconcerto do Mundo foi concebido para ser projetado durante os intervalos. As pessoas interromperam a saída para assistir. Recordo, em particular, a expressão de espanto e admiração do Michel Maffesoli. No artigo seguinte, para saborear aos poucos.

O Desconcerto do Mundo. Tendências do Imaginário, 31.08.2012

Semelhanças entre homens e bestas

“A associação entre as morfologias humana e animal remonta, pelo menos, à Antiguidade. Às respetivas afinidades corresponderiam semelhanças ao nível das tendências de carácter.

Imagem: Ticiano – Alegoria da Prudência, ca. 1565-157

Por exemplo, nariz em forma de bico de corvo significaria descaramento; de galo, luxúria; e de águia, generosidade. Por sua vez, olhos de carneiro revelam depravação; os de cervo, espiritualidade; e os de burro, loucura.”

Homens e bestas. Tendências do Imaginário, 26.08.2012
Homens e bestas 2. Tendências do Imaginário, 27.08.2012

Uma perdição!

À Minda

Ano após ano, reuni centenas de imagens de livros de oração medievais. Constituem um dos principais repositórios fantásticos da humanidade. Não foi fácil seleccioná-las. Quanto às músicas, ainda foi mais complicado: destacaram-se duas cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, interpretadas pelo Clemencic Consort. A meu ver, a música é a parte mais preciosa do vídeo. 

Há treze anos, no dia 23 de agosto de 2013, coloquei o vídeo “Imagens de Salvação”, com iluminuras e músicas medievais. Uma montagem que me deixou duplamente satisfeito: pelo resultado e pelo prazer. Mais palavras para quê?

Imagens de Salvação. Tendências do Imaginário, 23.08.2013

Filis a cavalo de Aristóteles

Hans Burgkmair (1473–1531) - Aristotle and Phyllis. The Metropolitan Museum of Art

“Na lenda de Fílis e Aristóteles, o amor e o erotismo vencem o político e o sábio. A imagem de Fílis a montar Aristóteles, com trejeitos de sadomasoquismo, tornou-se célebre, em particular, na Idade Média e, sobretudo, no chamado Renascimento do Norte.”

Imagem: Hans Burgkmair (1473–1531) – Aristotle and Phyllis. The MET

O imaginário medieval é fantástico!

Morte, erotismo e política. Tendências do Imaginário, 21.08.2016

Reciclagem de moscas

Rutland Psalter. Manuscrito iluminado do século XIII (por volta de 1260), feito em Londres
O papa-moscas. Tendências do Imaginário, 20.08.2019

Nascer na publicidade hipermoderna

MTS. Internet Baby. Creativeland Asia. Índia, 2014

Comparando as imagens do parto medieval com os vídeos actuais, constata-se uma mudança do olhar. As iluminuras medievais são sérias e realistas, os vídeos são fictícios e cómicos. Na Idade Média, o parto não dava vontade de rir. O parto bem-disposto é apanágio da Modernidade Avançada (…) Na Idade Média, tinha-se medo de não ter filhos e temia-se a morte durante o parto. Na modernidade, tem-se receio de ter filhos e os riscos de mortalidade durante o parto são ínfimos…

Seguem quatro anúncios deveras delirantes no artigo O parto na Modernidade Avançada, colocado no dia 18 de agosto de 2015.

O parto na Modernidade Avançada. Tendências do Imaginário, 18.08.2015

Divindades irregulares

Depois das aberrações (Arte indigesta), dos humanóides e dos hinos (A resistência dos humanoides), da devoção (Internet, Humor e Estilos de Vida) e da oração (Oremos! Religião, Desporto e Jornalismo), proporciona-se a música de Kevin Penkin, recomendada pelo Fernando.

Kevin Penkin (Perth, 22 de maio de 1992) é um compositor australiano.[1] Ele é conhecido por ter sido o compositor da adaptação para anime do mangá Made in Abyss, que ganhou a categoria de “melhor anime do ano” na edição de 2017 do Crunchyroll Anime Awards.[2] Penkin atualmente compõe trilhas sonoras para jogos eletrônicos e animes. (Wikipedia, 17.08.2026)

Kevin Penkin – Irregular God. Tower of God (Original Series Soundtrack), 2020
Kevin Penkin – Transcendance and Hanezeve. Dawn of the Deep Soul (anime). Made in Abyss Vol 2, 2022
Kevin Penkin (ft. Takeshi Saito) . VOH. TV Series Made in Abyss: The Golden City of the Scorching Sun, 2022

Oremos! Religião, Desporto e Jornalismo

William Turner, Death on a pale horse, c.1825-30. Tate Modern, London

O artigo A Cruz (17.08.2016) ilustra o caldo que a publicidade consegue cozinhar com a religião, o desporto e o jornalismo. Uma vez que convoca a oração, e Marcel Mauss, acrescento o artigo Resistência e impotência (28.11.2018).

Acontece o Tendências do Imaginário, uma espécie de diário, entreabrir frestas por onde se insinuam estados de alma (e de corpo). Afigura-se-me ser o caso do artigo Resistência e impotência, escrito num período de crise pessoal. Importa recordar o passado, principalmente quando não passou.

A Cruz. Tendências do Imaginário, 17.08.2016
Resistência e impotência. Tendências do Imaginário, 28.11.2018

A resistência dos humanoides. Desvio e conhecimento

HR Giger. Exhibition at the Lentos Kunstmuseum Linz, 2013

O desvio é uma forma de fazer caminho. Em temos de conhecimento, pode não implicar separação, mas alargamento ou aprofundamento [de uma parte). Eventualmente para comparação. Creio ser o caso da invocação de quatro hinos da resistência europeia a partir do trailer ” We All Lift Together”, da Warframe.

“Os trailers dos videojogos situam-se na vanguarda da estética e do imaginário contemporâneos. Chamam a si os maiores recursos e os melhores profissionais e criativos. No trailer We All Lift Together, do videojogo Warframe, criaturas, mistos de máquinas e seres humanos, surgem como guerreiros do trabalho, num estaleiro amplo, composto por partes metálicas e partes líquidas. / Lembra as canções de resistência.” (Apagar o inferno, 17.08.2018).

Imagem: HR Giger

Apagar o inferno. Tendências do Imaginário, 17.08.2018

Arte indigesta

Tenho alguns pequenos princípios de estimação. Por exemplo, ofereço o que gosto, não o que gosta necessariamente quem recebe. Partilhar uma parte de mim, não dele. Faço-o sem qualquer intenção de converter. Não tenho costela de missionário.

O público do Tendências do Imaginário mostra menos aptência pelos artigos dedicados à arte. Pelo menos, imediatamente. Preferem música e publicidade.

Hoje, nos artigos Dar à luz na “idade das trevas” e Varas há muitas, a arte veio ao de cima. O resultado não surpreende: quebra nas visualizações. Pois insisto, como quem não nota, correndo o risco de exasperar.

A obra Zdzislaw Beksinski é francamente indigesta. Não se presta nem para aperitivo, nem para digestivo, nem para refeição. Perturbadora, estranha-se e volta a estranhar-se. Deixei a publicação do respetivo artigo, Filhos do Apocalipse, para esta hora, entre o jantar e a ceia.

Zdzislaw Beksinski (1929-2005) [é] um dos principais, senão o principal, artista polaco contemporâneo. Classificou-se a si próprio, numa primeira fase, como barroco e, em seguida, como gótico. Não obstante, é um expoente da arte grotesca, o mais estranho e visceral que se pode conceber. As suas obras, além de desconcertantes, são tenebrosas. Na sua pintura, o morrer sobrepõe-se à morte, num mundo moribundo, sem remissão. Um mundo em que nem sequer a morte redime. As figuras, simultaneamente mortas e vivas, são amálgamas, fluídas e deformadas, de carne, ossos, ramificações e excrescências.

Anexo, também, o artigo Greve da escrita, de 2016, para tentar desanuviar um pouco. É certo que a pintura “Dustheads”, do Jean-Michel Basquiat, não ajuda a desvanecer, mas as canções e a voz de Lizz Wright são capazes de fazer milagres.

Filhos do Apocalipse. Tendências do Imaginário, 16.08.2018
Greve da escrita. Tendências do Imaginário, 16.08.2016