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Herança cultural e identidade de proximidade

Paul Gauguin. Arearea – Joyeusetés, 1892. Musée de Orsay

O oráculo das boas causas (09.07.2016; restaurado)

Rafael – Os Querubins de Rafael. A Madona Sistina (detalhe], entre 1513 e 1514. Gemäldegalerie Alte Meister. Dresden

Bater-se por uma causa justa é já uma vitória (Anónimo).

Marca: Nikon. Título: Not Just Pictures. Produção: Quad. Direcção: Alejandro Toledo. 2004. [Recuperado]

Identidade e convívio (09.07.2026)

O anúncio “Inzalo Yelanga” mantém uma linha de comunicação que a Castle Milk Stout tem vindo a desenvolver há vários anos: usar a publicidade não apenas para promover a cerveja, mas também para refletir sobre identidade, herança cultural e relações familiares. A própria marca descreve o filme como um convite a “passar tempo com aqueles que amamos, fazendo aquilo que realmente importa, valorizando o tempo que temos e estando verdadeiramente presentes no momento”…
Ao longo da vida, as pessoas passam grande parte dos seus dias preocupadas com trabalho, obrigações e distrações, acreditando que haverá sempre outra oportunidade para estar com a família ou para dizer aquilo que realmente importa (…) O verdadeiro legado de uma pessoa não é aquilo que possui, mas sim o tempo que dedica aos outros e as memórias que ajuda a construir…
O filme mostra momentos aparentemente simples — encontros familiares, conversas entre gerações, crianças e adultos a partilhar o quotidiano — sugerindo que são precisamente esses instantes que acabam por definir uma vida (…) A cerveja surge apenas no final, integrada como símbolo de convivência e celebração, e não como protagonista da história…. (ChatGPT, 08/07/2026)

Castle Milk Stout – Inzalo Yelanga. Agência: Joe Public. Direção: Zee Ntuli. África do Sul, julho 2026

A expressão “Inzalo Yelanga” vem das línguas nguni e evoca ideias como: os filhos da luz; aqueles que pertencem a uma mesma linhagem ancestral; a continuidade da vida através das gerações; e o legado transmitido entre avós, pais e filhos (…) O título “Inzalo Yelanga” funciona em dois níveis ao mesmo tempo:
Pessoal, porque fala da família, dos filhos e do legado que deixamos às pessoas mais próximas.
Civilizacional, porque sugere que todos fazemos parte de uma corrente muito maior, recebendo um património cultural dos nossos antepassados e tendo a responsabilidade de o transmitir às gerações seguintes.É precisamente essa dupla leitura que torna o título tão poderoso: o anúncio parece falar apenas de momentos familiares, mas, no fundo, está a refletir sobre o que significa pertencer a uma linhagem e sobre a forma como o tempo transforma presença em herança (ChatGPT, 08.07.2026).

Folhas perpétuas

Candido Portinari - Circo, 1958
Candido Portinari – Circo, 1958

Continuo empenhado na recuperação de artigos remotos. Hoje, a seleção impôs-se sem grandes hesitações. Seguem os dois artigos que se destacam claramente: Portinari e o burro montado às avessas, colocado em 8 de julho de 2017, e As Folhas Mortas, em 8 de julho de 2013. O primeiro remete para arte, o segundo, para a música, domínios privilegiados do Tendências do Imaginário.

Não resisto a citar um comentário ao artigo sobre o Portinari. O blogue suscita raramente interação. Quero, contudo, crer que este testemunho dá voz ao silêncio de muitos seguidores. Seria, de outro modo, difícil compreender as cerca de 400 visualizações diárias alcançadas em média pelo Tendências do Imaginário, a maioria proveniente de 4 países: 41% do Brasil, 32% de Portugal, 8% dos Estados Unidos e 8% da China e Hong Kong (dados respeitantes ao mês de junho de 2026).

Encontrei teu blog por acaso, estava pesquisando de quem era o trípidito O juízo final, e o Google images me trouxe até aqui. Estou absorta em teus escritos. Obrigada por compartilhar teus pensamentos. (Nicole Munhoz, 24-07.2017).

O burro e a cenoura de geração em geração

Cartaz do Carnaval de Loulé de 2014

Recupero dois artigos: “O burro e a cenoura”, de 7 de julho de 2018, e “Entre gerações”, de 6 de julho 2017. O primeiro vale pela provocação, o segundo, pela música.

Des-graças

Francisco de Goya – Duelo a garrotazos, 1820 – 1823. Museu do Prado

Continuo pouco criativo. Nem sequer adianto um prefácio urgente. Entretenho-me a repescar “artigos do dia”, com dificuldade de amostragem. As flores do mal, de 2019, encerra um isco que me assombra: a ambivalência do mal. Adiciono, a preceito, a curta-metragem disfórica The Gloaming (14 minutos), extraída do artigo Descontrolo, de 2012.

The Gloaming. Curta-metragem dirigida por Nobrain e produzida por Autour de Minuit. França, 2010

Surrealismo grotesco

Durante a sunset party da Academia Sénior do Município de Braga. Fraião, 27.06.2026. Fotografia de Maria Afonso

Ontem, selecionei quatro “artigos do dia” (27 de junho). Recoloquei apenas dois: “A roseira dos cravos”, de 2014, e “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter”, de 2016, ambos com imagens medievais. Divertido numa sunset party com os alunos de Cidadania, da Academia Sénior do Município de Braga, adiei “Matar o vício”, de 2018, e “A ceia dos pobres (eventualmente chocante)”, de 2013, para o dia seguinte. Ainda considerei colocá-los fora de horas, enquanto Portugal empatava com a Colômbia, mas sabia que arriscava provocar pesadelos…

“Matar o vício” e “A ceia dos pobres” relevam de uma espécie de surrealismo grotesco, mais próximo da conceção de Wolfgang Kayser (Das Groteske. Seine Gestaltung in Malerei und Dichtung, 1957) do que da de Mikhail Bakhtin (A cultura popular na Idade Média e no Renascimento, 1941).

Na versão de Wolfgang Kayser, o grotesco gera um sentimento corrosivo de estranheza, em que o mundo familiar se revela, insolitamente, ameaçador e inquietante. Sério e visceral, provoca confusão, desorientação, mal-estar e angústia. Os quadros da chamada fase negra de Francisco de Goya representam um bom exemplo.

Em Mikail Bakhtin o grotesco é, pelo contrário, carnavalesco, animado por um movimento de rebaixamento coletivo, cómico e regenerador. Embora fantástico, desconcertante e excessivo, tende a resultar afirmativo e esperançoso.

Os vários livros de François Rabelais com os gigantes Gargantua e Pantagruel como protagonistas oferecem-se, agora, como um exemplo eloquente.

Em “Matar o vício”, o ambiente dos anúncios da revista Men’s Health é fantasmático, claustrofóbico e sinistro, com a figura do duplo, o outro eu, a insinuar-se como um intruso ambíguo, perturbador e ameaçador, senão fatal.

Com “A ceia dos pobres”, transitamos da publicidade para o cinema. O filme Viridiana (1960), de Luis Buñuel, encena uma paródia da Última Ceia, de Leonardo da Vinci, que frisa a blasfémia.

O filme Um Cão Andaluz (1928), de Luis Buñuel e Salvador Dali, destaca-se como um marco incontornável da história do cinema. Não se pode afirmar que propicie boa disposição. Deveras criativo, desconcerta e impressiona, cravando-se, indelével, na memória. Um cúmulo emblemático do surrealismo grotesco ao jeito de Kayser. Não aconselhável a pessoas sensíveis.

Surrealismo grotesco, eis uma noção que pode manifestar-se interessante!

Imagens fantásticas de um manuscrito medieval

À Graça

Resgato o artigo “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter, acrescentando-lhe dois vídeos: um primeiro junto ao link da apresentação Luttrel Psalter. Excertos a facilitar a respetiva visualização; logo seguido por um segundo a preceder a galeria de imagens.

A Paixão da Roseira que dá Cravos Vermelhos

Para entender a roseira que parece dar cravos na pintura O Jardim do Paraíso, do Mestre do Alto Reno, não basta ver com o coração, como é proposto no artigo “A roseira dos cravos” (27.06.2014). Importa recorrer também à razão: as flores e os frutos vermelhos, neste caso rosas ou cravos, bem como o pintassilgo (próximo na imagem), costumam funcionar como imagens-signo que aludem à Paixão.

Imagem: Mestre do Alto Reno – O Jardim do Paraíso, 1410-20. Städel Museum. Detalhe

A nostalgia dá um passeio de bicicleta

Desde 2012, escrevi, no dia 25 de junho, vários artigos que estimo dignos de releitura. Relevo, especialmente, “A Nostalgia do Invisível”, de 2018, que se disingue, sobretudo, graças à inclusão do trabalho prático “A nostalgia do invisível – Memória e imaginário”, da autoria de Vanessa Caroline de Almeida e Alcântara, aluna do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

Imagem: Corinna Luyken. O Livro dos Erros. Ed. original, 2017. Detalhe

Não sei se a aluna é uma extensão do professor ou o professor, da aluna. Salomonicamente, diria que ambos são, como resulta agora dizer-se, agência, logo extensões recíprocas.

O conceito de “extensão do homem” costuma ser atribuído a Marshall McLuhan, mas, na linguagem de Louis Althusser, não ele foi quem o “descobriu”, “inventou-o”; propôs a respetiva construção teórica. A realidade já era observada, pelo menos, desde Aristóteles: a roda em relação aos pés; a roupa, à pele… Em 1858, Maurice Leblanc, já escrevia, no livro Voici des Ailes (66 anos antes do understanding Media: The Extensions of Man, publicado em 1964), o seguinte a propósito da bicicleta:

Um aperfeiçoamento do próprio corpo, o seu acabamento. É um par de pernas mais rápidas que lhe é oferecido. O homem e a máquina são um só. Não são dois seres diferentes como o homem e o cavalo, dois instintos em oposição. Não, é um só ser, um autómato feito de uma só peça. Não há um homem e uma máquina. Há só um homem mais rápido (citado por Manuel Ferreira da Costa no livro A Póvoa de Varzim na Belle Époque: panorama da vida cultural e do turismo balnear, no prelo, pág. 231, que tenho a honra de prefaciar).

O 25 de junho parece ser um dia particularmente inspirador. Embora “A nostalgia do Invisível” seja o artigo que mais me sensibilizou, não resisto a acrescentar, como lembretes, mais três: “Miragem com falo à vista”, de 2012; “Epidemia de dança”, de 2013; e “Sombras”, de 2014.

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Noite de S. João e São João do Churrasco

É necessário que ele cresça e que eu diminua. (O testemunho de João Batista acerca de Jesus – João 3:30)

Desgastam-se pilares seculares e projectam-se castelos de areia, versão digital! Pelos vistos, a tradição mora, agora, no futuro, de braço dado com o vazio identitário. Até dói o pensamento. (Albertino Gonçalves, 2016)

Seguem os artigos “Noite de S. João” e “São João do Churrasco” publicados no dia 23 de junho de 2016 e 2019.

Com sombra de pecado. Sexo angelical (20.03.2016)

Confesso a Deus todo poderoso
E a vós irmãos e irmãs
Que pequei muitas vezes por pensamentos
Palavras, atos e omissões…

Andrea del Verocchio – Tobias e o Anjo, ca. 1470 a 1475. National Gallery

Os anúncios “Little angel” e “The Nuns”, no artigo Sexo angelical (20.03. 2016), são uma delícia: duas maçãzinhas, senhor, [da porta] do paraíso.