Fetal / Fatal

Uma coisa é uma estação ferroviária na qual passado e futuro são comboios que deslizam um contra o outro, provocando o movimento relativo que gosto de chamar agora. Esse agora é muito diferente do agora pontual de um relógio. Os relógios e a metafísica alimentam a ilusão de que o agora é uma espécie de ponto ou átomo, pré-embalado, predefinido. Mas, num certo sentido, não há presente, nem presença, exceto esse agora cintilante causado pelo deslizamento do futuro sobre o passado, sem se tocar (Timothy Morton, “From Things Flows What We Call Time,” in Olafur Eliasson et al., eds., Spatial Experiments: Models for Space Defined by Movement, Thames and Hudson, 2015, 349-351. M.T.)

Onde o ninho, o abrigo, o jazigo? O início, o presente, o fim? A forja, o anel, a (j)unção?

Palavras, palavras, só palavras.

Mais gemido do que sentido.

Desencontro. Uma dança a solo.

Francis Bacon, Portrait of Isabel Rawsthorne Standing in a Street in Soho, 1967. Photo by Prudence Cuming Associates Ltd

Ólafur Arnalds – This Place Was A Shelter. Living Room Songs. 2011
Billie Eilish, Khalid – lovely. 13 Reasons Why (Season 2). 2018
Dança: Kayla Johnson – Not My Responsibility – Senior Solo. Música: Billie Eilish, álbum Happier Than Ever. 2021

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