Desafio

culturepub é um arquivo de publicidade excelente onde se descobrem anúncios que não não se consegue encontrar noutro lado. Por exemplo, o anúncio italiano Freedom, da Vodafone, estreado em 2008. culturepub acompanha os anúncios com palavras-chave. Neste caso, escolheu as seguintes: Animal; Apartamento: Árvore; Bem-estar; Felicidade; Sapato; Joaninha; Esquilo; Fauna; Flor; Flora; Fio elétrico; Natureza; Borboleta; Guaxinim; e Cidade. Quase todas símbolos de liberdade. Esqueceu-se, contudo, de, pelo menos, um tópico, omnipresente e, porventura, o mais marcante. Qual é? Se descobrir, tornar-se-á tão evidente que saberá que acertou.

Para aceder ao anúncio na página culturepub, carregar na seguinte imagem (recomendo resolução 1080p).

Marca: Vodafone. Título: Freedom. Agência: Mercurio cinematografica (milan). Itália, 2008.

Sinais de vida

Vamos andar sem sair do lugar! Seguem três músicas do álbum Signs of Life, dos Penguin Cafe Orchestra: Perpetuum Mobile; Dirt; e Southern Jukebox Musc. Lembram-se?

Penguin Cafe Orchestra. Perpetuum Mobile. Signs of Life. 1987.
Penguin Cafe Orchestra. Dirt. Signs of Life. 1987.
Penguin Cafe Orchestra. Southern Jukebox Music. Signs of Life. 1987. Live From The Royal Festival Hall, United Kingdom/1987 / 2008 Digital Remaster. 2008.

Melgaço: Destino turístico sustentável

Melgaço. Peneda-Gerês. Paisagem. Fonte – Município de Melgaço.

“Melgaço recebeu o selo Prata da EarthCheck – órgão acreditado pelo Global Sustainable Tourism Council – GSTC para certificar destinos turísticos, tornando-se assim destino turístico sustentável certificado.”

Melgaço + sustentável. Melgaço: destino turístico sustentável certificado | Certified sustainable tourist destination. Município de Melgaço / Discover Melgaço. IPDT Tourism Consultancy. Junho 2022.

Expo diabólica

Expo diabólica. Cabeceiras de Basto. Até setembro. Fotografia: Sara.

A seguir ao Museu Alberto Sampaio, a Expo diabólica desloca-se para a Casa do Tempo, em Cabeceiras de Basto.

“A Casa do Tempo de Cabeceiras de Basto acolhe entre os meses de maio e setembro a ‘Expodiabólica’, curiosa e admirável exposição de diabos que o investigador vimaranense Fernando Capela Miguel idealizou em desenho e que veio a materializar em belíssimas peças de cerâmica concretizadas por renomados oleiros de Barcelos. / O imaginário popular do Minho é retratado nesta ‘Expodiabólica’ que dá ‘voz’ à cultura popular e a crenças antigas envoltas em misticismo” (Presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto).

Expo Diabólica – Uma Expressão da Cultura Popular no Museu de Alberto Sampaio. Uma coleção particular, pertença de Fernando Capela Miguel.

Balões reprodutores

Veet. OOdyssey. Junho 2022.

O anúncio OOdyssey, da Veet, convida o olhar a acompanhar a odisseia estética de dois balões genitais, sem, ao contrário dos touros de reprodução, patas, nem pelos, nem cornos. Aprazíveis, macios, lentos e deambulantes, como ditam os novos tempos e os novos estilos de vida, promovem uma higiene íntima masculina eficaz e amigável.

” What are those two round shaped objects in the sky? Balloons? Chewing gum bubbles? Soap bubbles? / No. They are flying balls happy to be hair free thanks to Veet Men (…) / Because when men’s private parts are free from body hair, completely smooth, with no unpleasant side effects, they feel things differently, they feel free to explore and enjoy more of life” (https://www.adsoftheworld.com/campaigns/oodyssey).

Marca: Veet Men. Título: OOdyssey. Agência: BETC. Direção: Camille + JB. França, junho 2022.

Os avatares do Tendências do Imaginário

Tetramorfo. Símbolos dos quatro evangelistas – humano, S. Mateus; leão, S. Marcos; touro, S. Lucas; águia, S. João. Livro de Kells, por volta de 800.

“Car je est un autre” (Arthur Rimbaud, carta a Paul Demeny datada de 15 de maio de 1871).

Tenho três avatares: o Dionísio, o mais trágico e cínico; o Porfírio, o mais prometeico e entusiasta; e o Amâncio, o mais poético e sensível. Cada um é responsável pelo que assina e todos me fazem companhia. Seguem três exemplos de assinaturas:

– Uma máxima do Dionísio:

                “Nunca desvalorizar os seres humanos, mas descrer sempre deles”.

– Um anúncio que convence o Porfírio:

Marca: Ariston Aqualtis. Título: Underwater World. Agência: Leo Burnett Italia, Milan. Direção: Dario Piana. Produção: FilmMaster, Milan. Pós-produção: BUF, Paris. 2006. Prémios: Gold Lion at the Cannes Lions International Advertising Festival in 2006; Grand Clio Award in 2007.

– E um vídeo musical que comove o Amâncio:

Vangelis. Ask the mountains. Pulse. Voices. 1995. Fonte: Akeldama חקל דמא.

Canções de luto por vivos

Nos últimos tempos, o Tendências do Imaginário tem-se sintonizado, enfadonhamente, na mesma onda: o alheamento. É assim! Quando encontro um novelo deixo-me enroscar nele. Em vez de o exorcizar, desfio, uma a uma, as pontas. Até surgir outro novelo. Importa libertar-me deste que é pouco compensador. Abrir-me, quem sabe, ao tema do reencontro. Para apressar, em vez de desfiar uma ponta por artigo, passo a juntar várias num único.

Assim como existe a expressão “viúvas de vivos”, avanço uma homóloga: “fazer o luto de vivos”. De tão satisfeito com a fórmula, vou patenteá-la! Fazer o luto por um vivo é encetar um processo mediante o qual o outro, embora vivo, passa a assumir, sem traumas, o estatuto de morto. Costuma dizer-se: “Para mim, está mort@!”.

Vou alinhar várias canções, todas de despedida, segundo uma ordem que as aproxima cada vez mais de um exemplo de luto por um vivo.

A canção Le Moribond, de Jacques Brel (1961) é uma despedida da vida/anúncio de morte. Conheceu várias retomas em língua inglesa. A versão mais célebre é, porventura, Seasons in the sun (1974), do canadiano Terry Jacks, influenciado pela leucemia de um amigo. Conheci-a em meados dos anos setenta quando comprei um single com a canção Where do I begin, de Andy Williams, inspirada no filme Love Story, também uma canção de despedida. A canção de Terry Jacks, se bem me lembro, vinha no lado B. Ao arrepio do expectável, existem muitas canções de luto de vivos por vivos. Retenho duas em língua francesa: On Ne Vit Pas Sans Se Dire Adieu, de Mireille Mathieu (1974), e Adieu, de Lynda Sherazade (2020).

Tenho que me entreter com qualquer coisa! E nunca enjeitei os assuntos mais incómodos. Acolho-os harmoniosamente, como estas canções. Coloco apenas uma condição: gostar dos conteúdos partilhados, no presente caso, das canções, que, sendo cinco num único post, ninguém vai visionar.

Jacques Brel. Le moribond. Marieke. 1961.
Terry Jacks. Seasons in the sun. Seasons in the sun. 1974.
Andy Williams. (Where do I begin) Love Story. 1971.
Mireille Mathieu. On ne vit pas sans se dire adieu. On ne vit pas sans se dire adieu. 1974.
Lynda Sherazade. Adieu (fit Dadju). Papillon. 2020.  

Repetição e variação

M. C. Escher, Cisnes, 1956.

Quando a paisagem humana se encolhe e se repete, o melhor é recorrer ao que pode variar. Por exemplo, a música. Seguem duas interpretações do California Guitar Trio: o medley Ghost Riders on the Storm, a partir dos Shadows e dos Doors; e o cover de Echoes, dos Pink Floyd.

California Guitar Trio. Ghost Riders on the Storm. White Water. 2004. From the DVD “At Home With the California Guitar Trio”. 2010.
California Guitar Trio. Echoes. 2008. Ao vivo. Red Clay Music Foundry. 2018.

Insensibilidade

The Worst Feeling Isn’t Being Lonely, It’s Being Forgotten by David Debono.

See Me / Feel Me / Touch Me / Heal me (The Who. Tommy. 1969).

Corpo ausente, câmara fria / Laços líquidos, passos perdidos / Memória leve, exílio forçado / Ponte quebrada, rio seco / Vazio social. Alguém consegue ver, sentir, tocar, cuidar? Always listening to you!

The Who, 43 anos após a estreia da ópera-rock Tommy.

The Who. See me, feel me, listening to you. Tommy. 1969. Glastonbury Festival 2015.

O amor pela dúvida

Supradyn. Supradyn memory test. 2022

Geniais! O anúncio e o teste. O valor reside na ideia; a técnica acompanha. O teste é duplamente virtuoso: como revelação e como comunicação: cada um convence-se a si próprio.

O que significa o resultado do teste? Herança de uma história que reservou o acesso à notoriedade aos homens? Uma memória coletiva seletiva que retém os nomes masculinos? Por que não, também, uma idiossincrasia pessoal?

Segue o anúncio Supradyn Memory Test, da Supradyn, bem como uma canção muito especial, com uma letra também inspiradora: Les gens qui doutent, de 1974, por Anne Sylvestre.

Marca: Supradyn. Título: Supradyn Memory Test. Agência: MullenLowe UK. UK, abril 2022.
Anne Sylvestre. Les gens qui doutent. Anne Sylvestre. 1974.

Les gens qui doutent – Anne Sylvestre (Paroles)

J’aime les gens qui doutent

Les gens qui trop écoutent

Leur cœur se balancer

J’aime les gens qui disent

Et qui se contredisent

Et sans se dénoncer

J’aime les gens qui tremblent

Que parfois ils nous semblent

Capables de juger

J’aime les gens qui passent

Moitié dans leurs godasses

Et moitié à côté

J’aime leur petite chanson

Même s’ils passent pour des cons

J’aime ceux qui paniquent

Ceux qui sont pas logiques

Enfin, pas “comme il faut”

Ceux qui, avec leurs chaînes

Pour pas que ça nous gêne

Font un bruit de grelot

Ceux qui n’auront pas honte

De n’être au bout du compte

Que des ratés du cœur

Pour n’avoir pas su dire :

“Délivrez-nous du pire

Et gardez le meilleur”

J’aime leur petite chanson

Même s’ils passent pour des cons

J’aime les gens qui n’osent

S’approprier les choses

Encore moins les gens

Ceux qui veulent bien n’être

Qu’une simple fenêtre

Pour les yeux des enfants

Ceux qui sans oriflamme

Et daltoniens de l’âme

Ignorent les couleurs

Ceux qui sont assez poires

Pour que jamais l’histoire

Leur rende les honneurs

J’aime leur petite chanson

Même s’ils passent pour des cons

J’aime les gens qui doutent

Mais voudraient qu’on leur foute

La paix de temps en temps

Et qu’on ne les malmène

Jamais quand ils promènent

Leurs automnes au printemps

Qu’on leur dise que l’âme

Fait de plus belles flammes

Que tous ces tristes culs

Et qu’on les remercie

Qu’on leur dise, on leur crie :

“Merci d’avoir vécu

Merci pour la tendresse

Et tant pis pour vos fesses

Qui ont fait ce qu’elles ont pu”