O parto na Idade Média

Birth of Esau and Jacob (illumination circa 1475–1480 by François Maitre.

Birth of Esau and Jacob (illumination circa 1475–1480 by François Maitre.

Há 25 anos, numa praia alentejana, um amigo brincou com o teste de gravidez: “Que vais fazer a Odemira? Urina em água com camarões; se morrerem, estás grávida!” Assim se arremedavam as artes de divinação do Antigo Egipto, cujo teste consistia “em urinar durante alguns dias para cima de sementes de trigo ou de cevada, se a cevada crescesse nasceria um rapaz, se crescesse o trigo, seria uma rapariga. Se não crescesse nada era porque a mulher não estava grávida” (http://apontamentoshistoriamedieval.blogspot.pt/2010/10/gravidez-na-idade-media.html).

The Rosegarden for Pregnant Women and Midwives, written by Eucharius Rosslin, early 1500s.

The Rosegarden for Pregnant Women and Midwives, by Eucharius Rosslin, early 1500s.

Na Idade Média, também existiam “testes de gravidez”. Tão infalíveis como o dos camarões. A fecundidade era um valor prezado pela sociedade, sendo mais desejado um rapaz, um varão, do que uma rapariga. A ausência de filhos era uma falta próxima do pecado. A culpa era sempre da mulher. Não faltavam as mezinhas, mais ou menos mágicas, para engravidar. Por exemplo, deitar-se rodeada de bonecas.

Chaise obstétricale, A. Paré, Œuvres, 1585.

Chaise obstétricale, A. Paré, Œuvres, 1585.

A gravidez era encarada como uma situação excepcional, de ordem sagrada. Isentava a mulher grávida de obrigações, tais como assistir às cerimónias religiosas ou ser citada, ou castigada, em justiça.

N. Senhora do Ó, ou da Expectação. Portugal, séc. XIV. Museu Nacional de Arte Antiga

N. Senhora do Ó, ou da Expectação. Portugal, séc. XIV. Museu Nacional de Arte Antiga

Eram correntes os partos em posição sentada. Por vezes, a parturiente permanecia de joelhos ou, eventualmente, de pé. (http://www.racontemoilhistoire.com/2014/09/02/devenir-mere-au-moyen-age-croyances-rituels/). Havia cadeiras próprias para o efeito. Durante a gravidez era habitual a devoção a Nossa Senhora do Ó, a “Virgem barrigudinha” (http://silentstilllife.blogspot.pt/2010/05/o.html). Esta devoção justificava-se. Naquele tempo, era mais arriscado parir do que guerrear. A mortalidade era elevada, para a mãe e para o filho.

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One response to “O parto na Idade Média”

  1. Beatriz Martins says :

    O parto como tantas outras práticas, evoluem e regridem ao longo das épocas, retirando-lhe o misticismo, é sim um fenómeno natural, que a ciência complicou no processo de o conceber.

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