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Desilusão a conta gotas / Carta de Pierre Bourdieu

Abóboras. Por altura do regresso a Braga em 1982. Fotógrafo: Álvaro Domingues

Há dias, submetive-me a uma plataforma “administrativa”. Foi complicado provar quem era e de onde vinha. Não o fazia há décadas. Não encontrei nem diploma de doutoramento nem certidão de agregação. A maior parte dos papéis dormiam em caixotes por motivo de obras em casa e não me dispus a acordá-os.  Encontrei um certificado do doutoramento e desisti de ser agregado.

Há males que vêm por bem! Tive a fortuna de deparar com uma carta tresmalhada do Pierre Bourdieu, que anexo. Compensou, mas também ensimesmou. Não consegui evitar uma pergunta recorrente:

O que me motivou, em 1982, a regressar a Braga para marinar profissionalmente durante 39 anos numa desilusão a conta gotas?

Calhaus e areia. Aposentado. Fotógrafo: Miguel Bandeira

Convidado em 1981, resisti. Em Paris, tinha emprego, estava a fazer doutoramento e acalentava boas perspetivas.

Em 1982, acabei por seguir as pegadas de centenas de milhares de compatriotas. Mas esta resposta genérica não me satisfaz. Cada um é um caso e existem nadas que fazem grandes diferenças: os tais “efeitos borboleta”. Por exemplo, desamores lá e amizades cá.

Carta de Pierre Bourdieu a Albertino Gonçalves. 27.02.1986

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Manuel Freire – Pedro Só. Da banda sonora da longa-metragem de Alfredo Tropa, “Pedro Só, de 1972. Poema de Fernando Assis Pacheco e música de Manuel Jorge Veloso

Tendências do Imaginário. Avaliação pela IA

Há 7 anos, “quis saber a posição do Tendências do Imaginário no conjunto das páginas da Internet a nível mundial”. Reincido com a ajuda da Inteligência Artificial, que, embora saiba que dispenso adulações, não resiste, por vocação, a tentar-me com o pecado capital da soberba.

Junto com o artigo 1 696 382 páginas na Internet, de 2019, segue o balanço produzido, hoje, pela IA.

Um ano do blogue Margens

O blogue Margens, irmão do Tendências do Imaginário, completou um ano de existência. Momento oportuno para esboçar um breve balanço, que se quer crítico e instrutivo. Pode aceder a esse balanço carregando na imagem ou a partir do seguinte endereço: https://margens.blog/2024/03/06/margens-um-breve-balanco/.

Imaginação

Nescafé

O anúncio da Nescafé, Those few people, é original. Uma tentação bem gizada. Faz sentido o exercício proposto. Eloquente, mas impossível. Parte das pessoas que nos comoveram não pode sentar-se num anfiteatro. Mas o exercício não perde o voo. É didáctico, mas continua impossível! Confrontado com uma realidade que te embaraça, imagina, sonha uma realidade que te liberte. Vê com o olho interior. Imagina! Para Albert Einstein, a imaginação é mais importante que conhecimento. Imagina!

“Se sonhássemos todas as noites a mesma coisa, ela nos afectaria tanto quanto os objectos que vemos todos os dias; e, se um artesão estivesse certo de sonhar, todas as noites, durante doze horas, que é rei, creio que ele seria quase tão feliz quanto um rei que sonhasse, todas as noites, durante doze horas, que era artesão” (Pascal, Blaise, 2002, Pensamentos, eBooksBrasil.org, Artigo XX: XIII).

A música do anúncio é um cover do Stand by me, do John Lennon, por coincidência o autor da canção Imagine.

Marca: Nescafé. Título: Those few people. Agência: Publicis (London). Direcção: Henry Mason. Europa, Outubro 2017.

John Lennon, Imagine. Imagine, 1971