Experimentar algo diferente
Nem só de música e imagem vive o ser humano. O Thomas Lima ousou sonhar diferente. E nasceu o Palatial Restaurant em Arcos, Braga, um espaço de sabor requintado. Segue uma reportagem do Porto Canal. Para aceder, carregar na imagem seguinte:

Acudiu-me, a propósito, algo apetitoso e refinado: a série de anúncios, iniciada nos anos oitenta, da Ferrero Rocher com o Ambrósio e a Madame.
Enfim, se dispuser de seis minutos e estiver interessado na história de um caso extraordinário de empreendedorismo, pode assistir a este pequeno documentário da Culture Pub sobre a família Ferrero, criadora de produtos/marcas de sucesso tais como Nutella, Tic Tac, Kinder (vários), Mon Chéri e, naturalmente, Ferrero Rocher. Carregar na imagem seguinte para aceder.

O humano nas alturas

Ontem, socializei! Visitas ao almoço e ao lanche. Ao entardecer, o magnífico concerto na Igreja dos Congregados dedicado às “Lamentações para a Semana Santa”, do compositor belga Joseph-Hector Fiocco, pelo Ensemble Bonne Corde, com Diana Vinagre, violoncelo barroco e direcção artística; Ana Quintans, soprano; Rebecca Rosen, violoncelo barroco; Marta Vicente, contrabaixo barroco; e Miguel Jalôto, órgão. Tantos talentos jovens!

À noite, explorei imagens da Virgem Maria para um texto que estou a escrevinhar intitulado “A Cruz e o Cálice” onde abordo as figuras de Cristo como proeminência e Maria como recetáculo. Bafejado pela sorte, descortinei um detalhe inesperado com o momento em que a pomba do Espírito Santo penetra na auréola/corpo da Virgem, num painel da Oficina de Llorenç Saragossà, datado por volta de 1365.
Por último, o habitual momento de recolhimento quotidiano. Coloquei um vídeo com a música My Heart’s in the Highlands, do Arvo Pärt (na imagem), e, reclinado, deixei-me planar pelas alturas, como quem se aproxima do divino neste mundo.

Adiamento da apresentação do livro Em Torno da Mobilidade e da homenagem à Profª Maria Beatriz Rocha-Trindade
Atendendo à evolução dos riscos de contração de gripe A, covid-19 e pneumonia, a apresentação do livro Em Torno da Mobilidade, programada para o dia 12 na livraria Centésima Página, em Braga, e a homenagem à Profª Maria Beatriz Rocha Trindade, programada para o dia 13 na câmara municipal de Melgaço, resultam adiadas para data mais propícia. Pedimos desculpa por eventual incómodo.
Entrevista de Maria Beatriz Rocha -Trindade ao LusoJornal (04/01/2024)
Para unir é preciso amar, para amar é preciso conhecer-se, para se conhecer é preciso ir ao encontro do outro. (Cardinal Mercier)
Cumpre-me a honra e o prazer de participar na apresentação do livro mais recente da Maria Beatriz Rocha Trindade, Em Torno da Mobilidade – Provérbios, Expressões Idiomática, Frases Consagradas (editora almaletra, 2023), sexta, dia 12, às 18:30, na Livraria Centésima Página, em Braga, e sábado, dia 13, às 11 horas, no Salão Nobre da Câmara de Melgaço, durante a homenagem que o município lhe vai dedicar.
Sei que não parece, mas costumo preparar-me, bem ou mal, para este tipo de exposição. Neste caso, com particular empenho: a Maria Beatriz Rocha-Trindade é uma das minhas principais, por sinal raras, referências da sociologia portuguesa, como cientista e como pessoa. Neste exercício, deparei com uma entrevista dada ontem, dia 4 de janeiro, ao LusoJornal. Uma hora, nem mais nem menos, de uma “conversa solta” deveras interessante.
Permito-me chamar a atenção para os minutos 46 e seguintes em que Maria Beatriz Rocha-Trindade sustenta que, em Portugal, o único museu da emigração “que realmente existe é o de Melgaço (…) acho que esse é realmente o que existe “, precisando que outros municípios manifestaram a intenção ou estão a desenvolver o projeto, tais como Fafe, Matosinhos, Sabugal, Vilar Formosos ou Fundão, mas, até ao presente, só Melgaço conseguiu dar esse passo. Há mais de 15 anos.
Impuro



Não sou religioso, pelo menos na aceção corrente da palavra. Não significa que não seja crente. Acredito em tanta coisa tão pouco óbvia. Prezo, aliás, a fé e quem a possui, em particular aqueles que, perante um deus que não se manifesta nem é demonstrável pela razão (o “Deus Oculto” de Blaise Pascal), apostam e vivem apostados na sua verdade e existência..
Imagens: Capela Imaculada. Seminário de Nossa Senhora da Conceição. Braga
Sinto a falta desse sentimento inspirador de obras cuja aura demando e deixo ressoar dentro de mim. Estou convencido que não há vocação mais honesta do que abrir-se ao outro e relativizar-se a si mesmo.
Margens. Passo a passo

Pé ante pé, o blogue Margens lembra a neta: de ensaio em artigo, começa a andar. Devagar, para não cansar, vai plantando um pomar de ideias, uma horta de novidades, com alguns morangos silvestres a insinuar-se nas bordas dos regos de água. Sem chavões, sem palas, sem filtros, sem revisões cegas… Mas com nervo, fibra e autoria assumida. Folhas soltas que ressoam num espelho d’água danças envolventes que lembram uma folia portuguesa. “A coisa prometendo”, aguarda-se, com alguma ansiedade, a estreia, a pegada pioneira, dos demais autores deste pequeno círculo, um ninho de iniciativas, dedicado à cultura, à arte e ao imaginário.
O artigo mais recentes, Viúvas de Braga… sem filtros, da Anabela Ramos, é uma delícia. Abre o apetite, dá vontade de experimentar comer viúvas. E mais não digo! Está acessível no seguinte endereço: https://margens.blog/2023/04/20/viuvas-de-bragasem-filtros/.
Curiosidades do Primeiro de Abril
Pela mão do historiador de arte Eduardo Pires de Oliveira, o Tendências do Imaginário tem a oportunidade e o privilégio de divulgar seguintes documentos, deveras fabulosos, respeitantes à escadaria do Santuário do Bom Jesus do Monte de Braga: uma imagem de meados dos anos 1970 e uma fatura por serviços prestados nas capelas no ano 1785.

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Uma factura fantástica que tem sido atribuída ao Santuário do Bom Jesus do Monte
Entre a realidade e a fantasia não há diferença mensurável. Hugo Pratt, através do seu fantástico herói tão profundamente sonhador e humano que é Corto Maltese, deu-nos, melhor do que qualquer outro, a noção exacta dessa diferença: a diferença entre a realidade e o sonho está no simples acto de abrir ou fechar os olhos!
Mas será essa uma diferença real? Não sei responder porque, na verdade, não sei em que mundo quero viver: se no mundo em que sou obrigado a andar com os olhos abertos e em que vejo continuamente coisas que nunca imaginei ver (atropelos de toda a espécie, mesmo pelas pessoas que nunca pensei que o pudessem vir a fazer, etc.); ou se no meu mundo interior em que o sonho comanda a vida, e em que ao não querer ver a “realidade” estou, talvez, a desrespeitar os outros.
Na história também acontece o mesmo. Ciclicamente chega-nos às mãos o conhecimento dos mais incríveis factos, que uns acreditam ser realidade e que outros sabem logo ser mentira. Mas, mesmo aqueles factos que facilmente percebemos ser mentira, podem lentamente tornar-se realidade se forem continuamente dados a conhecer, ou se a sua transmissão for feita por alguém que nós respeitamos e admiramos.
Mas a que propósito vem este relambório, perguntará o leitor. Explico-lhe já.
Por mais do que uma vez fui confrontado com a existência de uma factura fantástica que durante anos correu impressa e agora anda na net, sobre pequenas obras efectuadas no figurado das capelas da via-sacra do Bom Jesus do Monte. Como o espaço não dá para mais, vejamos apenas duas dessas cópias.
Uma foi-nos dada a conhecer pelo incansável bibliófilo Cândido de Sousa (“Diário do Minho”, 1 de Novembro de 1956: Velharias bracarenses. Uma factura… “roubada”?), infelizmente já há muito desaparecido do mundo dos vivos. A outra chegou-me há dias entre as brincadeiras que quotidianamente recebo pela net.
Uma, a de Cândido de Sousa, intitula-se
CÓPIA DA FACTURA APRESENTADA PELO ARMADOR À CONFRARIA DO BOM JESUS DO MONTE DE BRAGA, POR VÁRIOS SERVIÇOS EXECUTADOS NAS CAPELINHAS DA ESCADARIA NO ANO DE 1785
a outra tem um título similar mas que, se analisarmos bem, apresenta imensas diferenças e, desde já o digo, é muito mais inverosímil
CÓPIA DA FACTURA QUE UM MESTRE-DE-OBRAS APRESENTOU EM 1853 PELA REPARAÇÃO QUE FEZ NA CAPELA DO BOM JESUS DO MONTE DE BRAGA (Do original arquivo da Torre do Tombo)
Analisemos a possível plausibilidade de ambas:
Em 1785, o Bom Jesus estava num momento de charneira. Tinha uma obra maior, imensa, que lhe absorvia quase todo o dinheiro possível e impossível de obter: a construção da nova igreja, iniciada precisamente no ano anterior. Se lermos a excelente e minuciosa tese de Mónica Massara, logo descobriremos que nesse ano as despesas estavam todas vocacionadas para aquela obra maior.
Em 1853, a confraria do Bom Jesus do Monte não tinha obras excepcionais a fazer, embora estivesse a correr um trabalho de certa monta: a construção da capela da Elevação.
Reparemos agora na pessoa que é apresentada como responsável pelas obras: é-nos dito que em 1785 foi um armador que ficou com o encargo; e em 1853 um mestre-de-obras.
Ora, não nos parece plausível que um ou outro destes homens pudesse ter tomado à sua conta estes pequenos “remendos”. Um armador aceitava o trabalho de preparar festas, procissões, ornamentações fúnebres, etc.; um mestre-de-obras encarregava-se de trabalhos de pedra, raramente de carpintaria, e nunca de pequeninas reparações de figurado.
A verdade é que nesta data o trabalho escasseava, mesmo numa cidade extremamente importante do ponto de vista religioso como era o caso de Braga. E como a urbe era pequena, rapidamente os artistas sabiam da necessidade de se fazer estes retoques e acorriam a oferecer-se, sobretudo aqueles que tinham um menor nome no mercado e que, confessemos, eram perfeitamente aptos para executar este tipo de trabalhos.
Vejamos agora o local onde teriam sido feitas as obras: para um, foi nas capelas da via-sacra, o que nos parece plausível. Para outro, na capela; mas qual capela, perguntamos nós?
E não se esqueça que enquanto um nada nos diz sobre o local onde se guarda a factura original, o outro informa-nos que está na Torre do Tombo. E a minha pergunta será: porque carga de água na Torre do Tombo? Nem na Torre do Tombo nem no Arquivo Distrital de Braga! Um papel desses, a existir, guarda-se nos arquivos da confraria.
Por último, devemos dizer que enquanto o primeiro dos relambórios tem 14 parcelas, o outro tem 16. E enquanto um apresenta um total de 16$760 réis, o outro dá-nos apenas o valor de 2$545 réis, um preço perfeitamente irrisório, tanto mais que havia algumas obras que, embora fossem menores, não eram assim tão baratas.
Naturalmente, não vamos apresentar aqui os dois relambórios. Daremos apenas conta do que nos parece ser mais plausível, o de 1785:
1 – Por corrigir os dez mandamentos, embelezar o Pôncio Pilatos, mudar-lhe as fitas e limpar o nariz 1$700 réis
2 – Um rabo novo para o galo de S. Pedro e pintar-lhe a crista $500 réis
3 – Lavar o criado do Sumo-sacerdote e pintar-lhe as suissas 1$000 réis
4 – Dourar e pôr asas novas no lado esquerdo do Anjo da Guarda e botar-lhe vinho no cálice 1$000 réis
5 – Tirar as nódoas ao filho de Tobias 2$000 réis
6 – Uns brincos novos para a filha de Abraão $930 réis
7 – Avivar as chamas do Inferno, pôr um rabo novo no diabo e fazer vários concertos nos condenados 2$400 réis
8 – Renovar o purgatório e pôr-lhe almas novas 1$830 réis
9 – Limpar o fato e a cabeleira de Herodes e retocar-lhe o bigode 1$000 réis
10 – Meter uma pedra nova na funda de David e empastar a cabeça de Gulias (sic) e alargar as pernas de Santo Saúl 1$400 réis
11 – Adornar a arca de Noé e compor a túnica do filho pródigo, limpar-lhe a orelha esquerda e lavar os pés $600 réis
12 – Renovar o céu, arranjar as estrelas e limpar a lua 1$400 réis
13 – Pôr umas barbas novas no Padre Eterno e pintar a pomba do Espírito Santo 1$000 réis
14 – Cortar o cabelo e comprar um lenço novo para assuar (sic) o nariz do rapaz da cesta dos pregos
Importa a presente em dezasseis mil setecentos e sessenta réis.
E por ser cópia e conforme, peço a todos quantos a lerem a façam cumprir e cumpram tão fielmente quanto eu.
Braga, ano de N. S. J. C. de 1785, aos 28 de Fevereiro
- Jeremias Anastácio Rei
F.S.M.
Ressalta logo aos nossos olhos que esta factura é de todo inverosímil. Se lermos com atenção, veremos que falta a conta da última parcela, e que mesmo assim a soma total bate certa!
E o que é que nos diz a sabedoria imensa de Cândido de Sousa? Precisamente isso mesmo! Sem tirar nem pôr!
Ou seja, que já vira esta factura publicada na “Revista da Semana”, do Rio de Janeiro, ano 18, nº 35, de 6 de Outubro de 1917 e que a redacção desta revista carioca indicava que por sua vez a encontrara num jornal francês de que não indicava o nome, onde era dada a conhecer uma conta curiosa apresentada às autoridades eclesiásticas de uma povoação da Bélgica pelo artista que fora encarregado de executar diversos trabalhos numa velha igreja. E, de seguida, apresentava uma tradução dessa factura, em tudo semelhante à que acima transcrevemos.
Quer dizer: da Bélgica foi para a França, da França para o Brasil, do Brasil para o Bom Jesus do Monte!!! Quase me parece aquelas lengalengas infantis…
Claro que ainda ficou muito por dizer, mas nem o meu espaço no jornal é elástico (apenas uma página que deverá ser “temperada” por uma gravura), nem o tempo para me ler é eterno. O leitor já tem dados suficientes para poder analisar mais calmamente a factura e sorrir. Pelo que me fico por aqui. Até uma próxima oportunidade.
Diário do Minho, Braga, 5 de setembro de 2005
Eduardo Pires de Oliveira
(re)encontro

O Departamento de Sociologia da Universidade do Minho, a Câmara de Melgaço e o Centro de Ciências em Comunicação entenderam por bem dedicar-me um momento de convívio na próxima terça, dia 29 de novembro, às 17:30, no museu D. Diogo de Sousa, em Braga. Suspeito que será mais uma festa do que uma cerimónia, menos fim de percurso e mais uma nova fase: “o primeiro dia do resto da vida”. Estou, em boa hora, aposentado, mas não arrumado. Intervêm Carlos Veiga, Manoel Batista, Madalena Oliveira e, em particular, Moisés de Lemos Martins, Álvaro Domingues, Rita Ribeiro, o Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço e Francisco Berény Domingues. Alice Matos e António Joaquim Costa aceitaram moderar. Pelo meio, ensaiarei corresponder com um pequeno arremedo de aula para enganar saudades. Após a apresentação do livro Sociologia Indisciplinada, será servido um alvarinho de honra, com roscas de Melgaço.


Venha! Se é antigo aluno, traga, propiciando-se, um docinho para saborear o reencontro: um charuto, de Arcos de Valdevez; uma queijada, de Barcelos; uma sameirinha ou uma tíbia, de Braga; um miguelito, de Cabeceiras de Basto; um caminhense ou cerveirense, de Caminha ou Cerveira; uma passarinha ou um sardão, de Guimarães; uma fatia de bucho doce, de Melgaço; um biscoito de milho, de Paredes de Coura; um magalhães, de Ponte da Barca; uma castanhola, de Ponte de Lima; uma rocha do pilar, da Póvoa de Lanhoso; um beneditino, de Terras do Bouro; um sidónio ou uma bola de Berlim, de Viana do Castelo; uma broinha de amor, de Vila Verde… Com alvarinho, tudo cai bem!
O vento e o barro
O vento tudo leva, mas endurece o barro (frase obtusa)

“Em Novembro de 2022, Lisa Gerrard e Jules Maxwell (…) irão apresentar ao vivo, pela primeira vez, o seu aclamado álbum Burn. Os sete espetáculos terão todos lugar em Portugal”. No Porto, dia 23, às 21 horas, na Casa da Música. Em Braga, dia 29, às 21:30, no Theatro Circo. Neste dia, à tarde, tenho outro evento a que não posso faltar. Seguem as duas últimas faixas do álbum Burn.

