Ter o Diabo no Corpo

No imaginário medieval, os demónios eram expulsos pela boca. Pareciam morcegos ou répteis voadores envoltos em fumo.
Entre os santos exorcistas, dois sobressaem: São Bento e São Francisco. São Bento não era meigo com os endemoninhados. Arreava-lhes umas bofetadas e umas pauladas.
Mil anos depois, São Francisco retoma o exorcismo colectivo característico de São Bartolomeu. Cidade onde este santo entrasse, não demorava demónio. (A Fuga dos Demónios, 08.08.2014)
Em 8 de agosto de 2014, escrevi o artigo A Fuga dos Demónios. Três anos volvidos, retomei-o no artigo Exorcismos, de 15 de agosto de 2017, acrescentando-lhe outro texto: Esqueletos vampiros. Recoloco o artigo Exorcismos, mais completo, acompanhando-o com duas canções do Pedro Abrunhosa: “Diabo no corpo” e “Momento”, ambas de 2002.
À maneira do sociólogo. Os públicos da arte


No âmbito da avaliação de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, coordenei dezenas de inquéritos locais. Muitos dos resultados permanecem por explorar.
Segue uma breve reflexão caraterística do sociólogo que cada vez me esforço menos por parecer.
Aos mortos

No que respeita ao interesse e à diversidade dos artigos, o primeiro de agosto manifesta-se fértil. Prodiga músicas, anúncios, sexo… Faltam os mortos, esqueléticos ou não. Os artigos Minimalismo corporal, de 2017, e Carta aos mortos, de 2018, vêm colmatar essa falha.
Loucura e insensatez numa nau sem destino

Eu já tenho um pé na cova,
Mas permaneço louco até o fim.
(Sebastian Brant, La nef des fous, 1494)
O artigo Michel Foucault e a Nave dos Loucos, colocado em 29 de julho de 2014, propõe uma mera junção de excertos, extensos, do livro História da Loucura na Idade Clássica (1ª edição, Folie et Déraison, 1961), de Michel Foucault. O seu primeiro livro publicado e, porventura, o meu preferido. O meu contributo resume-se à seleção dos excertos e à ilustração com as gravuras.
À medida do cliente


A Distinção – Uma Crítica Social da Faculdade do Juízo (em francês: La distinction. Critique sociale du jugement) é um estudo sociológico de Pierre Bourdieu publicado em 1979, sobre a cultura e os gostos em França, resultado de uma investigação empírica promovida entre 1963 e 1968. / Em 1998, a Associação Internacional de Sociologia nomeou-o como um dos dez livros de sociologia mais importantes do século vinte (https://en.wikipedia.org/wiki/Distinction_(book))
Bernard Chatelat “especializou-se a partir de 1972 no estudo das tendências das evoluções sociais dos estilos de vida privados e profissionais / Copromotor, com a equipa do CCa, de estudos de Prospetivas e Socio Estilos de Vida, cuja metodologia publicou. Este método apresenta a originalidade de reunir num mesmo inquérito quantitativo um conjunto de cerca de 3000 variáveis psicológicas e comportamentais sobre a vida privada, os valores e convicções, a sociedade e a política, os lazeres e os centros de interesse, a cultura e os médias, os consumos; um processamento estatístico de estruturação dos dados permite revelar uma tipologia de Socio-Estilos de Vida. A repetição destes inquéritos, de 1972 a 2010, tornou possível identificar e ponderar “Socio-Trends” (https://fr.wikipedia.org/wiki/Bernard_Cathelat)
Descorar

La Mélancolie
C’est un’ rue barrée
C’est c’qu’on peut pas dire
C’est dix ans d’purée
Dans un souvenir
C’est ce qu’on voudrait
Sans devoir choisir
La mélancolie
C’est un chat perdu
Qu’on croit retrouvé
C’est un chien de plus
Dans le mond’ qu’on sait
C’est un nom de rue
Où l’on va jamais
La mélancolie
(Léo Ferré)
A Melancolia
É uma rua bloqueada
É aquilo que não pode ser dito
São dez anos de massagem
Envoltos numa recordação
É aquilo que desejaríamos
Sem ter de escolher
A melancolia
É um gato perdido
Que se acredita ter reencontrado
É mais um cachorro
No mundo que se sabe
É um nome de rua
Onde nunca se vai
A Melancolia
(Tradução livre)
O voo da monstruosidade interior



Colocado entre A cor do abismo, no dia 20, e Um silêncio de morte: Goya, dia 28, Leveza e turbulência na pintura de Goya, no dia 25, completa a tríade de artigos substantivos dedicados a Goya no mesmo mês de julho de 2017. Um indício provável do estado de espírito, e do corpo, em que me encontrava então mergulhado.
Imagem:
Goya – Autorretrato , ca. 1796. The Metropolitan Museum of Art



