Da “Banda Desenhada” Medieval à “Animação Abstrata” Contemporânea
No século XII, já se produziam histórias dispostas em séries de pequenos quadrados ilustrados. Aparecem, por exemplo, no Livro de Salmos de Canterbury, manuscrito entre 1155 e 1160.

Cerca de 850 anos depois, o videoclip The Kandinsky Effect (2010), de Manu Meyre, pode ser entendido como um exemplo de animação abstrata contemporânea, na medida em que converte os elementos geométricos e cromáticos da Composition VIII (1923), de Wassily Kandinsky, numa composição visual em movimento, articulada ritmicamente com a música Girl/Boy Song.
Imagem: Wassily Kandinsky, Delicate Tension No. 85, 1923
Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.
Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.
Música para a Arte

A arte e a música dão-se bem juntas, mas não é muito corrente música composta para obras de arte. É todavia o caso, na Rússia do século XIX, da suite Quadros de uma exposição (1874), do Modest Mussorgsky (1839-1881), inspirada numa mostra póstuma de pinturas do amigo arquiteto e pintor Viktor Hartmann (1834-1873).
Varas há muitas

“Segundo uma tradição antiga, depois da morte de São Joaquim, Maria teria chegado à idade de casar. Os pretendentes teriam sido chamados ao Templo, levando cada um uma vara. A vara de José teria milagrosamente florescido, enquanto as outras permaneceram secas. Esse prodígio teria sido interpretado como sinal da escolha divina de José para esposo de Maria. Daí vem a representação de São José com uma vara ou cajado florido, normalmente com flores brancas.
Imagem: Josefa de Óbidos – São José e o Menino, 1670. Museu Nacional de Arte Antiga
Em Portugal, a flor pode aparecer identificada com a açucena/lírio, símbolo de pureza e castidade (…) Com o passar do tempo, a vara florida tornou-se praticamente um atributo iconográfico de São José. O lírio branco passou a representar a sua pureza, mas também a sua dignidade e santidade. Por isso é frequente encontrar São José representado com o Menino Jesus num braço e uma vara florida na outra mão. (ChatGPT, 16.08.2026).
Mas nas pinturas contempaladas no artigo A vara do noivo, colocado no dia 16 de agosto de 2014, a vara aparece com uma pomba branca. Porquê?
Dar à luz na “idade das trevas”

Em 16 de agosto de 2015, publiquei o artigo O parto na Idade Média. Volvidos dois anos, em 2017, recoloquei-o revisto. Um bom exemplo de como uma revisão pode tornar-se recriação.
O novo artigo, O parto na Idade Média (revisto), é, até hoje, o segundo mais consultado do Tendências do Imaginário: desde 3 de setembro de 2017, soma 15615 visualizações (a primeira versão: 3985; as duas: 19600). Recoloco-o a pensar em quem possa ter interesse em ver ou, eventualmente, rever com outros olhos.
Por uma Sociologia da Beleza

Por que motivo não existe uma sociologia da beleza? A sociologia engloba tantas especialidades: o corpo, a moda, o lazer, o desporto, o quotidiano, a família, o género, a educação, a arte, a cultura, o poder, as desigualdades, o envelhecimento, a comunicação, as minorias… E não sobra um lugar para uma sociologia da beleza.
Sinto a falta de uma sociologia da beleza. Ajudaria a perceber, por exemplo, o anúncio “Encontro”, da empresa brasileira Marisa (…) Tanta beleza! Só beleza. Com preguiça mental, deduzo que aquela roupa exibida pelos modelos se destina a mulheres igualmente belas. Será que a beleza das modelos influencia a escolha das pessoas? Por toque de beleza? Um “não-sei-quê” que faz a diferença? Por magia? A beleza é dúctil como o ouro.
Humanos e animais: afinidades fisionómicas e morais

Hoje, 15 de agosto, é dia da Assunção. No Tendências do Imaginário, assiste-se, depois de alguma dormição, a uma ascensão da arte a tema de eleição. Colocados no mesmo dia, com um ano de intervalo, os artigos Arquitectura de Paisagem na Geometria Maneirista, de 2013, e Chuteiras bestiais, de 2014, dialogam entre si incluindo obras de arte dos séculos XVI e XVII.

Após uma breve desconversa ritual, o artigo Chuteiras bestiais entrega-se a duas operações a que, sempre que se proporcione, raramente resisto:
1) Cotejar realidades distintas e distantes. Neste caso, a publicidade do século XXI e a pintura dos séculos XVI e XVII;
2) Rasgar horizontes, abrindo “portais” (links) para entidades diversas. Neste caso, o anúncio, fantástico, “Instinct takes over”, da Adidas, acaba por convocar mestres da pintura e da gravura, tais como Giambattista della Porta (1535-1615), Ticiano Vecellio (c. 1485-1576), Peter Paul Rubens (1577-1640) e Charles Le Brun (1619-1690.
O resultado manifesta-se deveras curioso.
Pneus futuristas

No próximo ano letivo projeto abordar o movimento futurista na disciplina de Estéticas Contemporâneas e Sociologia do Imaginário, na Academia Sénior do Município de Braga. O artigo Pneus Olímpicos /Futurismo poderá servir como introdução.
Santa Luzia dos meus amores

O culto a Santa Luzia (ou Lúcia) é antigo. Existem indícios de remontar ao século IV em cujo início terá sido martirizada (por volta de 304).
Foi condenada pelo cônsul romano Pascásio a ser conduzida a um bordel para que fosse estuprada por libertinos. Mas o Espírito Santo intervém, tornando o corpo de Luzia totalmente imóvel e impossível de transportar. Nem mesmo com uma equipa de inúmeros homens e bois é possível movê-la. Enfurecido, Pascásio ordena que se despeje sobre ela piche, resina e óleo ferventes e, em seguida, manda cercá-la com uma pira que é incendiada. Contudo, as chamas não lhe causam dano algum, e ela continua a cantar louvores a Cristo no meio ao fogo. Então, uma espada é cravada em sua garganta, mas ela não morre imediatamente. Um sacerdote vem ministrar-lhe a Comunhão; só então expira.

Outras fontes [datadas do século XIV) especificam que seus olhos foram arrancados. (Ou, alternativamente, que, quando seu noivo lhe disse que a amava tanto por causa de seus olhos, ela mesma os arrancou e os levou até ele em uma bandeja, tateando o caminho.) Diz-se que, depois disso, a Virgem lhe trouxe olhos ainda mais belos. É por isso que ela é frequentemente invocada para curar doenças oculares e retratada por pintores carregando seus olhos em uma bandeja ou em uma taça. Outros recorrem a ela em busca de alívio para dores de garganta. (Wikipedia, em francês, 14.08.2008).

