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A Pega

Pega

Criança, partilhei com o Álvaro uma pega amestrada. Era, como se costumava dizer, mansa, muito mansinha.Vinha quando chamada, pousava no braço e acordava-nos com bicadas na janela. Com ela empoleirada no ombro, parecíamos um Rolls-Royce. Tinha os seus vícios. Adorava ir ao café. O pouso predilecto era o chapéu do padre. Escorripichava tudo quanto era copo de vinho distraído. Na aldeia, todos estavam prevenidos: convinha resguardar tudo quanto fosse miudeza reluzente. Era genético: pegava e escondia. Sempre receámos que um dia lhe desse para levantar voo e não voltar… Não foi bem assim: um caixeiro-viajante raptou-a. Levou-a para o Porto. Em dois dias, a pega morreu. Era uma pega livre, se era! Estava apenas presa pelo coração.

A pega mais conhecida é, provavelmente, La Gazza Ladra (A Pega Ladra), de Gioachino Rossini (1817). Mas atendendo aos menos pacientes, começo com a versão abreviada incluída na banda sonora do filme A Laranja Mecânica (1971).

The Thieving Magpie. The Clockwork Orange. 1971.

Gioachino Rossini. La Gazza Ladra. 1817.

 

A Importância da Rosa

“- As crianças passam 44 horas por semana frente a um ecrã.
– 93% das crianças não cumprem as sete horas recomendadas de actividade física semanal.
– As crianças têm cada vez menos interacção social com cada vez menos pessoas.
-Hoje, as crianças têm uma esperança de vida mais curta do que a dos seus pais.
– Que tal se focássemos a nossa energia nas coisas que são realmente importantes?”

Anunciante: YMCA of Greater Vancouver. Título: What Really Matters. Agência: Station X Vancouver. Canadá, Outubro 2012.

“- Que quer dizer “cativar”?
– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
– Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?
– Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
– Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
– Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…”

Para ver a totalidade do capítulo XXI de O Principezinho de Saint Exupéry: http://triplov.com/walkyria/saint_exupery/capitulo21.htm.