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Goyesco

Ecce Homo, original de Elías García Martínez restaurado por Cecilia Jiménez, em 2012. Santuário da Misericórdia de Borja, Espanha

O Uber Eats estreou na Espanha sua nova campanha de marca, intitulada “Peça Quase Tudo”, em parceria com a agência Ogilvy e estrelada pelo ator Antonio Banderas. Natural de Málaga, o artista interpreta a si mesmo em uma narrativa divertida e caótica, na qual um pedido aparentemente simples acaba resultando em um “Goya inesperado (…)
A nova campanha do Uber Eats também aposta na irreverência ao incorporar elementos da cultura popular e da história da arte espanhola. Com toques de humor, o filme faz referência a obras icônicas de Francisco de Goya — como O Três de Maio de 1808, O Cão Meio Afundado e A Maja Vestida. A campanha ainda inclui uma citação divertida ao célebre “Ecce Homo” restaurado de forma desastrosa, agora reinterpretado como uma intervenção artística surreal.” (Acontecendo Aqui: https://acontecendoaqui.com.br/propaganda/quando-o-goya-chega-no-delivery-antonio-banderas-vive-momento-surreal-com-uber-eats/).

Marca: Uber Eats. Título: Goya Inesperado. Agência: Ogilvy / Madrid. Direção: Damien Shatford. Espanha, setembro 2025

Repassagem

Si vis vitam, para mortems. Si tu veux pouvoir supporter la vie, soit prêt à accepter la mort [Se queres poder suportar a vida, está pronto a aceitar a morte] (Sigmund Freud, Essays de Psychanalyse, Payot, 1927, p. 264)

Sem despedidas protocolares, mergulha-se, subitamente, mais resignado que resistente numa plataforma mais despojada que desolada. Deambula-se, letargicamente, numa estranheza que não se estranha. Talvez um providencial sopro ínfimo conduza a um portal de escape. Uma experiência insólita, que nem os muitos fantasmas da psicanálise conseguem elucidar. Um resgate despoletado por um caprichoso motivo insuspeito. Por exemplo, o cheiro apelativo a frango frito desossado.

Imagem: Francisco Goya. O Cão. 1819-23. Museu do Prado

Marca: Chicken Licken. Título: The Homecoming. Agência: Joe Public/Johannesburg. Direção: Peter Pohorsky. África do Sul, maio 2025

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Profundo e insuperavelmente leve!
“Já alguém sentiu a loucura de vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
….
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem nem resignação


Almada Negreiros (excerto de “Reconhecimento à loucura”)
Dizem que o cheiro é a nossa primeira memória, assim o cheiro a casa queima barreiras. Regressa-se. Não importa se um perfume ou frango frito. É a maravilhosa ironia do estar vivo.

(Almerinda Van Der Giezen, 14/06/2025)

Crise da reflexividade crítica e autodestruição

A quem nunca tem dúvidas e raramente se engana

Francisco de Goya. Episódio na guerra da independência espanhola, ca. 1810

El sueño de la razón produce monstruos (Francisco de Goya)

Preocupam algumas dinâmicas e tendências atuais. Em particular, a crescente mobilização em termos raciais, étnicos, religiosos, nacionalistas… com pretensas estirpes naturais, “antropológicas” e “biológicas”. Por exemplo, vários maniqueísmos tais como filias e fobias sionistas e islamistas.

“Hegel observa em algum lugar que todos os grandes fatos e pessoas da história mundial acontecem, por assim dizer, duas vezes. Ele esqueceu de acrescentar: uma vez como tragédia, a outra como farsa” (Karl Marx, O 18 Brumário de Luís Bonaparte, 1ª ed. 1852). Nada impede, porém, que se repitam como tragédias, eventualmente maiores.

Imagem: Francisco de Goya. Visión fantasmal, ca.1801

Parece estar em curso um eclipse do propriamente político e do espírito (auto) crítico. O regresso à identificação e ao pensamento automáticos e estereotipados. Convém recordar o mundo e, especialmente, a Europa antes da primeira e da segunda guerras mundiais.

Imagem: Francisco Goya (atribuído a). O colosso. Após 1808

Para complicar, a história também revela que a mera razão não é suficiente para enfrentar o delírio simbólico. Sem o sustento e o fermento do imaginário e do emocional pouco consegue. O racional carece de uma centelha irracional para se manter aceso, para motivar e mover os seres humanos.

Existem anúncios de consciencialização que se propõem, e podem, ajudar. É o caso do anúncio “The 100th Edition”, do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung. Foi galardoado com vários prémios, entre os quais o Grande Prémio, na categoria “impresso”, no âmbito dos 2024 New York Festivals Advertising Awards.

Imagem: Francisco de Goya. Pátio de um manicómio. 1794

Hegel e Marx podem estar certos. É plausível que a história se repita de um modo cíclico ou em espiral. Mas existe uma realidade que não obedece a este retorno. Não só não recua como não para de avançar: a capacidade humana de autodestruição.

Anunciante: Frankfurter Allgemeine Zeitung. Título: The 100th Edition. Direção:  Scholz & Friends. Alemanha, junho 2024

Estou a chamar as minhas cabras

Cabra-montês. Castro Laboreiro. Fotografia de Norberto Esteves. Fonte: Melgaço, Portugal começa aqui.

Volvidos quarenta anos, reencontrei uma amiga graças ao Tendências do Imaginário e ao Facebook. Publicou livros de poesia. Retenho o poema “Estou a chamar as minhas cabras”, humano e cósmico, um apelo e uma voz das raízes num imaginário que lembra Castro Laboreiro.

estou a chamar as minhas cabras
o dia fecha-se
um canto de pássaro já levanta as sombras
a cancela range

pesa-me o silêncio
por isso chamo as minhas cabras

os aloendros trazem -me aquele aroma
veio a coruja
e os lamentos a açoitar o vento

vou chamar as minhas cabras
conto os grãos aligeiro os medos
levo-te na minha cesta
envolto no pão com passas
para oferecer àquele penedo

são as águias que já lá vêm
e as colinas tombam
é tudo um segredo

chamarei as minhas cabras
quando a noite cantar
e trouxer consigo a lenda
dos lobos brandos e montanheiros

foge-me a voz
alongo o ouvido em quebranto

iria chamar as minhas cabras
na ventania errante

e a música alisando as fragas
as luas rodopiando
os silvos cortam o ar
chamando

são as minhas cabras
dançando
os montes sulcando à procura de mim

fui chamada pelas minhas cabras
a noite abre-se
a memória do mundo ecoou no tempo
e o silêncio vive

é uma flor
que chama pelas minhas cabras
elas me levaram

no monte me deitarei
eu e as minhas cabras

(Almerinda Van Der Giezen)

Galeria de imagens: Caprinos (carregar nas figuras para as destacar).

Arca de Noé

1. Yuuki Morita. Thinking Man. 2019.

“Esta manhã, ocorreu-me, pela primeira vez, a ideia de que meu corpo, este fiel companheiro, este amigo mais seguro, mais meu conhecido do que a minha alma, não é senão um monstro manhoso, que acabará por devorar seu próprio dono. Paz… Gosto do meu corpo, serviu-me muito e bem” (Marguerite Yourcenar, Memoires d’hadrien, 1951).

“O inferno somos nós”. Não me lembro quem escreveu este disparate, mas é um exagero! Importa aliviar a auto-flagelação. Olhar o espelho pelo canto do olho. Na verdade, somos apenas um ninho de monstros (imagem 2) ou um bestiário ambulante (imagem 1). Por outras palavras mais vantajosas: somos uma arca de Noé sonhadora.

Fernando e Albertino

2. Francisco de Goya. O sonho da razão produz monstros. 1797–1799.

Potentes, prepotentes e impotentes

Francisco Goya. Now One, Now Another, Los Caprichos plate 77 (1799)

01. Francisco Goya. Now One, Now Another, Los Caprichos plate 77 (1799)

Há pouco tempo, olhava-se em redor, só se viam prédios em construção. Agora, olha-se em redor, só se vêem hierarquias. Zelo do Homo Hierarchicus (Dumont, Louis, 1966). A igualdade é folha caída. Rankings, concursos, orgânicas, burocracias, protocolos, paradas… A cada um as suas asas de cera, mais o seu ninho de poder. Parafraseando Francis Bacon, o poder, a exemplo da aranha, tece a teia com a sua própria substância, quem nela cai raramente se levanta. Quanto mais resiste, mais se enreda.

 

Leveza e turbulência na pintura de Goya

 

Goya. Bruxos no Ar. 1797-8

Goya. Bruxos no Ar. 1797-8

“O teu voo é uma libertação, ou é um rapto?” (Bachelard, Gaston, 1943, L’air et les songes, Livre de Poche, Paris, p. 29).

A leveza e a turbulência sempre perseguiram a humanidade. Sonhamos, com frequência, que voamos ou levitamos (Duvignaud, Jean et al, 1979, La Banque des Rêves, Payot, Paris). O tema  aparece nos frescos de Pompeia, nas iluminuras medievais, nos painéis dos juízos finais, nos quadros de Bosch, Pieter Bruegel, Jacques Callot, Marc Chagall ou Max Ernst. Insinuam-se nos pesadelos e nas telas de Goya. Principalmente nas mais sombrias (CaprichosDesastres da Guerra e fase negra), voam e levitam bruxas e bruxos, parcas, demónios, touros, pessoas e seres híbridos, homens corujas e homens morcegos.

Pompeia. Fresco. Pormenor. Séc. I.

Pompeia. Fresco. Pormenor. Séc. I.

A leveza turbulenta não é exclusiva de Goya. A turbulência é, por exemplo, uma característica das pinturas da Tentação de Santo Antão, de Michelangelo a Marten de Vos, passando por Hieronymus Bosch. Vertiginosos, são também os voos nos juízos finais e nos infernos. Iludem-nos as turbulências nos tectos e nas cúpulas das igrejas barrocas. Goya é, e não é, diferente.

 

Tentação de Sto Antão por Michelangelo, Hieronymus Bosch e Marten de Vos

Touros rodopiam nas alturas, híbridos, demónios e bruxas sulcam os ares, com ou sem vassoura, sós ou acompanhados. Não são temas sagrados, nem consagrados, mas inquietam os seres humanos. Não integram a catequese, mas o mundo. Mas não radica nesta fantasmagoria a originalidade de Goya. Os voos de Goya parecem fadados a aterrar no túmulo, convocam a morte.

Goya. Chuva de Touros, circa 1815

Goya. Chuva de Touros, ca 1815

As parcas são divindades da mitologia grega que decidem a “hora da nossa morte” . Um casal de bruxos, ou o demónio Asmodeus e uma mulher, consoante as leituras, sobrevoam a mortandade de uma cena de guerra. Os morcegos, nocturnos, duplos, nem rato, nem ave, são animais de mau agouro, associados à morte e ao inferno. Os touros, esses, são touros de morte, das touradas a que Goya tanto se dedicou. No quadro Voo de bruxos (1797-8), três bruxos seguram, no ar, uma vítima (?), abocanhando o seu corpo, segundo uns, para lhe soprar ar, segundo outros, para lhe dar bicadas como os corvos ou, acrescentaria, para lhe sugar o sangue.

Goya. Disparate n.º 13. Modo de volar. 1815-1823.

Goya. Disparate nº 13. Modo de volar. 1815-1823.

O voo e a levitação estão no vento. Mas a versão preponderante não se inspira em Goya. Tópicos de eleição, por exemplo, da publicidade, o voo e a levitação são desejados, libertam, soltam as amarras da condição humana. Impõem-se como a quintessência da vontade e do movimento. Atente-se no clássico Odissey (2002), da Levi’s (ver https://wordpress.com/post/tendimag.com/297).

Goya. Asmodea. 1820-1823.

Goya. Asmodea. 1820-1823.

Esta tendência não obsta à forte presença dos voos à Goya no panorama contemporâneo. Recorde-se, por exemplo, os vídeos musicais The Otherside, dos Red Hot Chili Peppers (Californication, 1999), ou o vídeo Frozen, da Madonna (Ray of Light, 1998).

Goya. Atropos ou As Parcas. 1820-1823

Goya. Atropos ou As Parcas. 1820-1823

Goya não é um missionário da morte. Tampouco a advoga ou recomenda. É um profeta da desgraça, um visionário disfórico. Pressente, testemunha, teme e, segundo Lisón Tolosana, exorciza o mal:

“A través de los Caprichos y la pintura negra Goya descubre e ilumina las presencias horripilantes y repulsivas que anidan en el interior de cada uno de nosotros y hacen patente la desolación y el frenesí humanos. […] Descubre la bruja oculta en lo más primario y volcánico de nuestro ser y lucha contra ella. Al exorcizar a la bruja con la potencia de su pintura reveladora y purificadora, Goya exorciza el Mal” (Lisón Tolosana, Carmelo, 1992, Las brujas en la historia de España, Madrid, Temas de Hoy, pp. 267-268).

Goya não receia o monstro mas o homem. Onde estão os monstros? Estão dentro de nós. Nós somos os monstros.

 

Goya. Gravuras da série Caprichos.

A cor do abismo

“Sempre linhas e nunca corpos. Mas aonde encontram eles as linhas na natureza? Eu apenas vejo corpos iluminados e corpos que não são, planos que avançam e planos que recuam… O meu olho nunca percepciona nem delineamentos nem detalhes… O meu pincel não deve ver melhor que eu” (Francisco de Goya, citado Roy, Claude, 1987,  L’Amour de la peinture, Paris, Ed. Gallimard).

31. Goya. Desastres da guerra. Nº 71. Contra o bem geral, c. 1814-15

Goya. Desastres da guerra. Nº 71. Contra o bem geral, c. 1814-15

“Chegamos às salas dedicadas a Goya. Ali vemos Saturno devorando seus filhos, ou os esboços para os tapetes murais; ou, ainda, folheamos os ciclos dos Caprichos ou dos Desastres da Guerra (…). Eis numa estampa do ciclo dos Desastres da Guerra – que se intitula Contra o bem público – aparece acocorado  uma espécie de jurisconsulto , escrevendo fria e indiferentemente num livro. Trata-se ainda de um ser humano? Os dedos terminam em garras, os pés em patas e, em vez de orelhas, lhe cresceram asas de morcego. Mas tampouco é ser pertencente a um mundo onírico, puramente fantástico: no ângulo direito da gravura, grita e se contorce o desespero das vítimas da guerra – é o nosso mundo em que o monstro horripilante ocupa seu lugar dominante. Muita coisa nas estampas de Goya é apenas caricatura, sátira, tendência amarga – mas tais categorias não bastam para a interpretação. Nessas gravuras, ao mesmo tempo, um elemento lúgubre, noturno e abismal, diante do qual nos assustamos e nos sentimos atônitos, como se o chão nos fugisse debaixo dos pés” (Kayser, Wolfgang, O grotesco: configuração na arte e na literatura, São Paulo, Ed. Perspectiva [1957], 1986, pp. 15-16).

Goya. El Aquelarre, Sabat das bruxas. 1819-1823

Goya. O Aquelarre, Sabat das bruxas. 1819-1823

Na história da arte, não há negro mais negro do que as pinturas negras dos últimos anos de vida (1819-1823) de Francisco de Goya (1746-1828). O sonho da razão, gerador de monstros, insinua-se cedo na sua obra. Durante décadas, Goya desancorou a humanidade e pendurou-a no ar em noite de bruxedo, com tons obscuros e corrosivos. No entendimento de Wolfgang Kayser, Goya é o expoente do grotesco. Abriu portas à arte dos séculos XIX e, sobretudo, XX. Teve uma vida atormentada. Como Rembrandt, Vivaldi, Beethoven, Van Gogh ou Nussbaum. Os génios também sofrem!

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Francisco Goya’s The Pilgrimage of St. Isidro (detail) 1821-23

A chamada fase negra de Goya destaca-se como a mais obsessiva, perturbadora e sombria da sua vida. Como a mais original e a mais visionária. Figuras descentradas, desequilibradas, excessivas, desnorteadas, em ambientes nocturnos ou crepusculares, turbulentos e violentos. As pinturas negras, aparentemente inacabadas e com contornos indecisos, assemelham-se às últimas pinturas de Rembrandt, como, por exemplo, A Conspiração dos Batavos sob Claudius Civilis (1666), encomendada e devolvida pela Prefeitura de Amesterdão. Ecoam na pinturas negras de Goya o medo, a morte e a descida aos infernos. “O vazio dos céus” (Rose-Marie & Rainer hagen, 2004, Francisco de Goya, Taschen), p. 64).

Rembrandt. A Conspiração dos Batavos sob Claudius Civilis, 1666 (National Museum, Estocolmo)

Rembrandt. A Conspiração dos Batavos sob Claudius Civilis, 1666.

As pinturas negras tiveram como suporte as paredes dos dois pisos da sua derradeira residência, conhecida por Quinta del Sordo, perto de Santo Isidro. Pintadas nas paredes das paredes da Domus Aurea, já não com a técnica do afresco, mas com a técnica de óleo al secco sobre a superfície de reboco. Uma espécie de graffiti de interior, difícil de deslocar, logo, de vender. As pinturas negras de Goya não foram concebidas para o mercado. Talvez nem ele soubesse qual era a função e destino.

18. Goya. Saturno. 1820-1823

Goya. Saturno. 1820-1823

Apresentamo-nos e revemo-nos mediante desvios e comparações. Não gostava de ser professor como Leonardo da Vinci, o enigmático, Holbein, o teórico,  Rembrandt, o perfeito, ou Jacques-Louis David, o teatral. Gostava de arremedar o Bosch, das tentações, o Bruegel, “dos infernos”, o Bernini, dos êxtases, o Rodin, da potência ou o Magritte, da magia. Gostava, sobretudo, de ensinar como Goya pintou. De qualquer modo, ambos detestamos ser iguais ao original.

Goya inspirou inúmeras obras e estudos. Sugiro duas: O filme Os Fantasmas de Goya (2007), de Milos Forman, e o documentário Goya: Crazy like a Genius (2007), escrito e apresentado por Robert Hughes, dirigido por Ian MacMillan, produzido pela Kultur (http://www.freedocufilms.com/player.php?title=Goya:%20Crazy%20Like%20A%20Genius).

Segue o vídeo A cor do Abismo, com quadros de Goya e música de Adrian Willaert (Vecchie Letrose, sec. XVII) e Aguaviva (La ciudad es de goma, 1971). “Sempre que ouço os Aguaviva, convenço-me que são tetranetos do Francisco de Goya: um tom negro de sofrimento revoltado” (https://tendimag.com/2015/12/22/negro-que-te-quero-negro/). O vídeo data de 2012, mas foi revisto em 2017. Acresce uma galeria com pinturas de Goya.

A cor do abismo: Goya. Albertino Gonçalves, 2012.

A cor do abismo: galeria de imagens.

Maus tratos

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Francisco Goya. Capricho 25. Si quebró el Cantaro. 1797-1799.

Na era da velocidade, dezoito anos significam, paradoxalmente, muito tempo. Em 1999, poucas empresas se aventuravam na publicidade de consciencialização e a campanha contra os maus tratos a crianças ainda estava a aquecer. Sin Cinturón, da Solido Khakis, é um anúncio duro. Desentranha-se. São imagens que molestam os valores e os símbolos instituídos: a paternidade, a infância, o caixão, o túmulo, o morto e a morte. Espanhol, o anúncio lembra Goya. Uma criança é vítima de maus tratos, com um cinto, por parte do pai. Falecido o pai, a criança não resiste a dar umas cinturadas no caixão. O cinto perdura, de geração em geração. Sin Cinturón é um anúncio ousado: foi proibido em muitos países.

Marca: Sólido Khakis. Título: Sin Cinturón. Agência: Ruiz Nicoli. Direcção: Sebastian Grosset. Espanha, 1999.

Negro que te quero negro

Sempre que ouço os Aguaviva, convenço-me que são tetranetos do Francisco de Goya: um tom negro de sofrimento revoltado. Segue duas canções dos Aguaviva: Pon tu cuerpo a tierra (Poetas Andaluces de Ahora, 1975) e No nos dejan cantar (Apocalipsis (1971). Acresce uma selecção de gravuras da série Los Desastres de la Guerra (1810-1815), de Francisco de Goya.

Aguaviva. Pon tu cuerpo a tierra. Poetas Andaluces de Ahora. 1975.

Aguaviva. No nos dejan cantar. Apocalipsis. 1971.

Galeria: Francisco de Goya. Los Desastres de la Guerra. 1810-1815.