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Whiskey sábio

Conferência  de Solvay - 1927.

Conferência de Solvay – 1927.

Auguste Piccard

Auguste Piccard

Nada escapa à voracidade da publicidade. Nem sequer a ciência. O anúncio ao whiskey Hennessy reconstitui a primeira ascensão estratosférica em balão. Proeza de Auguste Piccard, físico, inventor e explorador suíço, fonte de inspiração para a personagem do Professor Tournesol, de Hergé. Cientista reputado, “cujas experiências não cabiam nos laboratórios”, consta, em cima à esquerda, da fotografia da Conferência de Solvay, em 1927, na companhia de, entre outros, Werner Heisenberg, Niels Bohr, Max Planck, Marie Curie e Albert Einstein.
Pergunto-me como, naquele tempo, sem rankings, nem factores de impacto, estes sábios conseguiram conhecer-se e encontrar-se.

Conferência  de Solvay - 1927. Com identificação.

Conferência de Solvay – 1927. Com identificação.

Se Auguste Piccard subiu mais alto, o filho, Jacques Piccard desceu mais baixo! Foi o primeiro a atingir, em 1960, o ponto mais profundo do planeta: a fossa das Marianas (11 034 metros). O neto de Auguste Piccard , Bertrand Piccard, empreendeu, em 1999, o primeiro voo de balão à volta do mundo sem escalas (ver documentário sobre a família Piccard).
O que tem o whiskey Hennessy a ver com os Piccard? Nada, logo tudo! A publicidade é espantosa, não é?

Marca: Hennessy V.S.. Título: The Piccards. Agência:

Contudo, ela move-se

Science-can-change-the-world-these-unsung-heroes-prove-2Este tipo de anúncio sobre a actividade científica está a tornar-se raro. Um imagem da ciência quixotesca, perseverante e, proporcionando-se, gratificante. Não convoca fundações, nem agências certificadoras, nem fundos, nem feiras de ideias, nem rankings, nem indexações. Apenas a ciência que se faz enquanto se faz. Sem os píncaros da ciência da ciência, nem derivados tóxicos. Há cientistas que formulam e resolvem problemas, longe do carnaval do poder.

A handful of inspirational people – that you’ve probably never heard of – are proving that science doesn’t just change the game. It can change the world for the better. They have devoted their time and energy to solve challenges such as Malaria outbreaks in Tanzania or how to provide food for 9 billion people in 2050. Thanks to their commitment it is possible to turn harmful methane gas into biodegradable plastics and for disabled people to walk again . Meet our unsung heroes of science.

Anunciante: Royal DSM N.V. Título: Unsung Heroes of Science. Agência: 1Camera. Direcção: Hugo Keijzer. Holanda, Junho 2015.

A ciência, a bicicleta, a cigarra e a formiga

“Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”(Albert Einstein).

Albert Einstein

Albert Einstein

Como foi possível, em menos de uma geração, a ciência tornar-se tão pavloviana? Do lado canino, naturalmente. Balizas, estímulos, recompensas… A distribuição avassala a produção e a autonomia desfaz-se sem eufemismos. Pacotes financeiros, candidaturas, prémios, encontros, intercâmbios, publicações, burocracia, cargos, missões, júris, peritagens, deslocações…. E a investigação? A investigação é a folle du logis. Sobra para quem começa ou se demora na base. A actual divisão do trabalho científico presta-se a estas proezas. Uns investigam e os outros fazem ciência. Uma questão de autoridade. A este propósito, vale a pena consultar os apontamentos de Robert K. Merton sobre a oposição entre “locais” e “cosmopolitas” (Social Theory and Social Action,1949). Se calhar, a fábula da cigarra e da formiga carece revisão. Nos centros de investigação e no ensino superior, quem pedala melhor? A cigarra ou a formiga?

Este anúncio macedónio é uma espécie de catequese da ciência mitigada com religião : o jovem Einstein rebate a argumentação do professor com recurso à ciência e em nome da religião.

Anunciante: Ministry of Education and Science of the Republic of Macedonia. Título: Religion. Does god exist? Macedónia, 2008.

O papel dos videojogos

ChangyouQuando o senso comum se torna ciência e a ciência, senso comum, todos os argumentos são verosímeis. Estes anúncios chineses explicam, a pais e a filhos,que quando existem problemas comportamentais em casa, a razão pode não decorrer dos videojogos.

Marca: Changyou. Título: Mother. Agência: Saatchi & Saatchi Greater China. Direcção: Nico Perez Veiga. China, Maio 2015.

Marca: Changyou. Título: Little Girl. Agência: Saatchi & Saatchi Greater China. Direcção: Nici Perez Veiga. China, Maio 2015.

Gulliver na Academia

Grandeville. Gulliver's travels. Séc. XIX,

Grandeville. Gulliver’s travels. Séc. XIX,

Gosto de livros clássicos que conjugam humor e utopia. As viagens de Gulliver tem passagens de rara sabedoria. O episódio da visita à Academia de Lapúcia é um bom exemplo (Capítulos V e VI, da Terceira Parte do livro; junto o pdf do capítulo V: Gulliver Academia). Creio que faltam dois apontamentos da visita à Academia. Gulliver perdeu-os em Lisboa na viagem de regresso. Foram reencontrados na Feira da Ladra (mentira). Passo a transcrever:

“A seguir ao quarto da cura da cólica, entrei numa divisão cheia de membranas e tubos com fluídos. O responsável era um cientista de topo. A missão era proceder a uma diálise conceptual. A experiência mostra que os investigadores tendem a empregar certos conceitos na investigação empírica e outros na apresentação dos resultados. Uns, operatórios; outros, retóricos. Para maior leveza de espírito, a diálise conceptual visa separá-los. Assim, em vez de um dicionário de conceitos, haverá dois: um para os conceitos operatórios; outro, para os conceitos retóricos.

Capa Gulliver boa

O quarto seguinte, dedicado à pastelaria universitária, é o mais amplo e o mais iluminado. Todas as altas autoridades nele têm assento. Para a confecção do bolo, a cada especialidade corresponde uma medida: 1/21; 1/18, 1/13 e por aí adiante até 1/4. À semelhança dos carros: consoante o número de cavalos, assim o desempenho e o sustento. Misturada e batida, com o corpo docente pesado às postas, a massa vai ao forno. O bolo universitário costuma sair torto e esburacado. Nada a lamentar, o que importa é respeitar o quantum sufficit e a régia vontade”. Em suma, uma fantasia zelosa e repetidamente aplicada chega a parecer verdade.”

Criação e recriação

kia-optima-blake-griffin-fighter-pilotHá criação e recriação. Alguém disse que o que é bem pensado voltará a ser pensado. O anúncio Fighter Pilote, da Kia, retoma a papel químico o anúncio de Jacques Séguéla, Porte avion, para a Citroën (1985). Em suma, há recriação por todo o lado. Na publicidade, na ciência e na arte, expulsa-se a “folle du logis” (a imaginação). É substituída pela “follie ménagère” (a arrumação).

Marca: Kia. Título: Fighter Pilote. Agência: David&Goliath. Direção: Stacy Wall. USA, Fevereiro 2015.

Marca: Citroen. Título: Porte avion. Direcção: Jacques Séguéla. França, 1985.

A obesidade do Pai Natal

Pai Natal

Pai Natal

O Alexandre Basto partilhou um anúncio da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Focas, que, como muitos, me escapou. O anúncio adopta a forma de uma reportagem ao estilo da National Geographic. Os barrigudos aparecem como seres vivos que, atendendo ao local e à disposição, se assemelham a focas, senão a elefantes marinhos. “Não praticam actividade física e não têm cuidado com o que comem”. “A nossa missão é salvar os barrigudos”.

Achile Talon

Achille Talon

Obélix

Obélix

A sociedade actual é acometida por sobressaltos mais ou menos apocalípticos: a exposição solar, o tabaco, a poluição urbana, o álcool, a camada de ozono, a Coca-cola, a gripe das aves, os acidentes rodoviários, a toxicodependência, a imigração, o vírus de Ébola, a pedofilia, o terrorismo, a corrupção, a obesidade… Consoante os ventos, ora se foca nuns, ora se foca noutros. Obsessivamente. Há ciclos, com duração e intensidade variáveis. O ciclo do tabaco parece já ter conhecido o auge, o da obesidade está em plena pujança.

Na maioria dos riscos sociais, a mão da ciência e da medicina tem-se revelado decisiva. O que a ciência e a medicina sabem, o Estado pode. Os argumentos da ciência e da medicina sustentam os dispositivos de poder. Não é novidade. Há tempos, não muito distantes, era o emagrecimento que justificava apreensão; agora, é a obesidade, com sólida certificação técnica e científica. A gordura faz mal às veias, ao coração, ao pâncreas… Faz mal a tudo! Morre-se por tudo quanto é corpo. Sem margem para dúvidas! As estatísticas e as probabilidades não enganam, falam por si.

A profilaxia e a terapia, além de médicas, têm uma ancoragem social. A própria cura também é social. A obesidade configura um desvio cujo controlo é sistémico. Tudo e todos, a qualquer momento, podem assumir-se agentes da luta contra a obesidade. O gordo está permanentemente exposto à “salvação”. É uma “espécie em risco. Estamos perante um fenómeno totalitário. Para bem do obeso, não há insignificância que escape.

Homer Simpson

Homer Simpson

Expande-se, entretanto, o mercado do emagrecimento e a estética do fio de azeite: produtos dietéticos, nutricionistas, ginásios, caminhadas… Em todo este arrebatamento, estranho que a obesidade ainda não pague impostos. Os consumidores de tabaco e de álcool contribuem como reis magos. O imposto aos obesos até podia ser progressivo, variar consoante o “perímetro abdominal”. Estranho, também, que o Pai Natal continue, ano após ano, avantajado. Precisamos de um Pai Natal magrinho, para dar o exemplo. Se o Luke Lucky perdeu o cigarro, o Pai Natal também pode perder peso.

Anunciante: Fundação Portuguesa de Cardiologia. Título: Focas. Agência: Partner. Portugal, Maio de 2006.

Cabeças com semáforos

Quino. Mesmidade

Quino. Hombres de bolsillo.

 

Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu
Não, não sou o único
Não, sou o único a olhar o céu Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ouvir os conselhos dos outros
E sempre a cair nos buracos
A desejar o que não tive
Agarrado ao que não tenho
Não, não sou o único
Não sou o único a olhar o céu E quando as nuvens partirem
O céu azul ficará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
Vais ver, o sol brilhará
(Xutos e Pontapés)

Tanta gente inteligente com tanto semáforo na cabeça! Não gosto da expressão “estudar para burro”. Mas já me aconteceu mudar de opinião. Até os políticos mudam…

A Ana Barros enviou-me este artigo sobre A doença da “normalidade” na universidade . “Não sou o único”. O que reconforta. Pode aceder ao artigo carregando na imagem ou a partir do seguinte endereço: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/a-doenca-da-normalidade-na-universidade.html.

Normose

A discriminação dos obesos

Nos séculos XV a XVIII, em plena Idade Moderna, perseguiram-se, exilaram-se e executaram-se judeus, árabes, bruxas, tolos… Quinhentos anos depois, perseguem-se outros seres humanos. Os obesos não são exilados, nem executados, mas são perseguidos, rebaixados e estigmatizados. Continua no vento a intolerância fanática. Uma gorda no governo, nem pensar! No Ministério da Saúde, cruzes! Pelos vistos, é obesidade doente. Assim sendo, não é pecado, mas é defeito. Há quinhentos anos, a perseguição fundamentava-se em derivações religiosas; agora, fundamenta-se em derivações científicas. Religião como ciência e ciência como religião. Em ambos os casos, razão delirante. A discriminação social sempre me interessou. Atento à discriminação dos obesos, não aguardava uma notícia tão crua como esta do Courrier International: Une personne obèse peut-elle être ministre da la Santé? A caça ao gordo é caça ao homem. E a caça ao homem é atributo dos monstros. O sono da razão continua a produzir monstros (Francisco Goya).

Courrier International

Courrier International. 13 Octobre 2014

Antitabagismos. Uma nota histórica parcelar

Não é você que acaba com ele… Ele acaba com você.

01. Campanha anti-tabaco nazi: “Não é você que acaba com ele… Ele acaba com você”. 1941.

O blogue Tendências do Imaginário tem dedicado alguma atenção às campanhas antitabagistas. Por que não alargar os horizontes no espaço e no tempo. Existiram campanhas contra o tabagismo no passado? Com que contornos? As primeiras pesquisas proporcionaram duas surpresas.

A primeira surpresa prende-se com a antiguidade das medidas contra o tabagismo. O tabaco foi introduzido na Europa no séc. XVI. Em 1642, o Papa Urbano VIII emite uma bula segundo a qual “qualquer pessoa que use tabaco pela boca ou nariz, tanto em peças inteiras, desfiado, em pó, quanto fumado em um cachimbo, nas igrejas da Diocese de Sevilha, recebe a pena de excomunhão latae sententiae(http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/idade-media/moral/640-a-igreja-catolica-e-o-tabagismo-uma-revisao-historica).

O Par Capital Tabaco. 1941

02. Campanha anti-tabaco nazi: O Par Capital Tabaco. 1941

Em  1650, o Papa Inocêncio X estende a pena às igrejas de São João de Latrão e de São Pedro, em Roma. A razão revela-se prosaica: evitar que a decoração das igrejas fosse manchada com suco de tabaco e fumaça. Há santos e papas consumidores de tabaco. À luz da Igreja Católica, fumar pode ser nocivo e inconveniente e até condicionado, mas não é pecado. “Um jesuíta foi questionado se era lícito fumar um charuto enquanto orava, e sua resposta foi um inequívoco “não”. No entanto, o jesuíta sutil rapidamente acrescentou que, embora não fosse lícito fumar um charuto enquanto orava, era perfeitamente lícito rezar enquanto fumava um charuto” (http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/idade-media/moral/640-a-igreja-catolica-e-o-tabagismo-uma-revisao-historica).

2 milhões de carochas reduzidos a cinzas

03. Campanha anti-tabaco nazi: 2 milhões de carochas reduzidos a cinzas

No centro e no norte da Europa, sob influência do protestantismo, as reacções contra o tabaco são mais duras: várias cidades da Alemanha e da Áustria tomaram medidas drásticas contra o tabaco: “No final de 1600, a proibição do fumo foi instituída na Baviera, em Kursachsen e em certas partes da Áustria. O tabagismo foi proibido em Berlim, em 1723, em Königsberg, em 1742, e em Stettin, em 1744. As penalidades por violar tais proibições podiam ser severas. Em Luneberg, em 1691, a pessoa que fumasse o tabaco dentro dos muros da cidade poderia ser condenada à morte. Em outras regiões, a violação das leis do tabaco podia levar a multas (50 moedas de ouro ou “guldens” em Colônia, por exemplo), espancamentos, expulsão, recrutamento para trabalho forçado ou marcação do corpo com ferro em brasa” (http://estomatologista.blogspot.pt/2012/03/guerra-nazista-contra-o-tabaco-primeira.html).

O terreno já estava preparado quando eclodiu a campanha nazi contra o tabagismo no início dos anos trinta. Esta é a segunda surpresa! Foi a primeira campanha nacional contra o tabagismo promovida pelo Estado, de forma consistente e sustentada.

Germany had the world’s strongest antismoking movement in the 1930s and early 1940s, supported by Nazi medical and military leaders worried that tobacco might prove a hazard to the race“ (Proctor, Robert N., The anti-tobacco campaign of the Nazis: a little known aspect of public health in Germany, 1933–45; http://www.bmj.com/content/313/7070/1450).

Cartaz nazi de 1941

04. Cartaz nazi de 1941

O governo alemão fundou organizações específicas dedicadas à luta contra o tabagismo, tais como o Gabinete contra os Perigos do Álcool e do Tabaco e o Instituto para a Pesquisa dos Perigos do Tabaco.

Os cientistas alemães reconheceram a associação entre o consumo de tabaco e o cancro dos pulmões (ver figura 5). A história corrente diz que a descoberta foi feita por cientistas norte-americanos e britânicos nos anos cinquenta! Os cientistas alemães identificaram o impacto do tabaco nas doenças cardíacas, incluindo o enfarte do miocárdio. Assinalaram o risco de redução da fertilidade e a presença de nicotina na lactação. Foi avançada, nessa altura, a noção de fumo passivo (Passivrauchen).

Cartaz nazi comparando a incidência do cancro do pulmão no homem e na mulher

05. Cartaz nazi comparando a incidência do cancro do pulmão no homem e na mulher

Quais foram as principais medidas antitabaco adoptadas pelo governo nazi?

– Educação sanitária, relações públicas e propaganda;
– Imposição de restrições à publicidade do tabaco: foram proibidos os anúncios que advogassem o carácter inofensivo do tabaco ou que associassem o tabaco à virilidade.
– Proibição de fumar em transportes, escolas e instituições de saúde. Esta proibição estende-se, progressivamente, a vários organismos e espaços públicos;
– Proibição de fumar em público a menores de 18 anos;
– Focalização nas mulheres. Nos anos quarenta, as mulheres grávidas, bem como as mulheres com menos de 25 anos e mais de 55, não tinham direito a cartões de ração para tabaco. As mulheres assumiam um papel chave na reprodução da raça. Frigidez, infertilidade, quebra da fecundidade, poluição na amamentação e a exposição durante a gravidez representavam pontos sensíveis. A fixação na pureza da raça explica o leitmotiv do Presidente da Associação Médica da Alemanha: “as mulheres alemãs não fumam!”

“Mães, deveis evitar absolutamente o álcool e a nicotina durante a gravidez e a lactância de vossos filhos. Estes elementos dificultam, danificam e destroem o curso normal da gravidez. Beber suco de frutas”. 1942.

06. Campanha anti-tabaco nazi: “Mães, deveis evitar absolutamente o álcool e a nicotina durante a gravidez e a lactância de vossos filhos. Estes elementos dificultam, danificam e destroem o curso normal da gravidez. Beber suco de frutas”. 1942.

A campanha contra o tabagismo ganha em ser encarada à luz da ideologia e da política de raça. O tabaco é considerado como uma ameaça à pureza e à continuidade da raça. Um obstáculo à perfeição. Segundo a propaganda nazi, o vício do tabaco remonta aos africanos. Foi introduzido e é comercializado pelos judeus. Tem mão do capital internacional e do estilo de vida liberal decadente. O tabaco é um intruso que urge combater.

As campanhas contra o tabagismo não têm cor política cativa. Existem, naturalmente, diferenças, principalmente de foro civilizacional.

Imagem nazi. Cada cigarro é um tiro no coração.

07. Imagem nazi. Cada cigarro é um tiro no coração.

Para concluir, duas provocações desmioladas.

As campanhas contra o tabagismo convergem no que respeita aos resultados: costumam ser modestos. Meios e argumentos parecem bater em ventre mole. Na Alemanha nazi, o consumo subiu durante a década de 1930. Sem campanha comparável, os resultados foram melhores em França.

Segundo disparate, de cariz anedótico. Durante a Segunda Grande Guerra, dos três líderes da extrema-direita, Hitler, Mussolini e Franco, nenhum era fumador. Do outro lado, Churchill, Roosevelt, Estaline e Charles de Gaulle, todos fumavam.