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Comprar o arco-íris

Apple. Color Flood. 2018

Say it with colour! Resulta mais bonito e mais tentador. Há anúncios que são autênticas explosões de cores. Por exemplo, o Balls e o  Petals Volcano, da Sony Bravia (ver https://tendimag.com/2013/11/05/erupcao-de-cores/). O anúncio Big Ad, da Carlton Draugh (https://tendimag.com/2017/11/20/epico-de-massas/), é mais parecido com o anúncio do dia, o Color Flood, do iPhone XR da Apple. Nestes dois últimos anúncios, pessoas coloridas formam, como peças de um puzzle, massas dinâmicas. Ao Color Flood, acrescento um anúncio congénere da Sony Bravia: More Brilliance More Beauty. A publicidade consta entre as actividades mais coloridas do nosso tempo. Bom dia! Bom ano! A beleza vitaliza.  

Marca: Apple. Título: Color Flood. Direcção: Rupert Sanders. Estados Unidos, Dezembro 2018.
Marca: Sony. Título: Balloons. Agência: DDB (Berlim). Alemanha, Setembro 2016.

Reflexos

Apple

Hoje é Dia da Mulher. No anúncio, da Apple, uma mulher descobre  a  faculdade de alterar o espaço. E dança, não para de dançar. Só ou consigo mesma. Abre, simultaneamente, as janelas do espírito. E continua a dançar. A música e as imagens são notáveis. Eva? Maria? Madalena? Não, Alice, Super-Alice! O realizador é Spike Jonze. Ganhou o Óscar para o melhor roteiro original com o filme Her, de 2004. Foi considerado, com Chris Cunningham e Michel Gondry, um dos melhores realizadores de vídeos musicais. Cantora e bailarina, FKA Twigs enche o ecrã.

Acrescento três músicas de Francis Lai, dos filmes Un Homme et une Femme (1966), Love Story (1970 e Bilitis (1977).

Francis Lai, 124 Miles an Hour. Un Home et une Femme.1966.

Francis Lai. Theme from Love Story (Finale). Love Story. 1970.

Francis Lai. L’arbre. Bilitis. 1977.

Marca: Apple. Título: Welcome Home. Direcção: Spike Jonze. Estados Unidos, Março de 2018.

 

Sinais do tempo 2. De estigma a emblema

Aplle

Marca: Apple. Título: First dance. Agência: TBWA Sydney. Austrália, Fevereiro 2018.

Rufus Wainwright. Oh What a World. Want One. 2003.

Klaus Nomi. You Don’t Own Me. Klaus Nomi. 1981.

Carnaval brasileiro

O Carnaval é seu. Apple Brasil

Gostava de acompanhar estes dois anúncios da Apple brasileira com um texto antigo sobre o Carnaval. Mas… “És um palerma!”, costuma exclamar, afectuosamente, o meu amigo Moisés consternado com o meu desleixo proverbial. Escrevi vários textos sobre o Carnaval mas não encontro nenhum, exceptuando uma entrevista à Lusa (ver Carnaval é momento colectivo de esperança). Na verdade, aconteceu-me um percalço. Armazenei informação de vários anos num disco externo. Com o “pragmatismo” que me caracteriza, coloquei o disco no chão, à prova de quedas. Alguém, organizado, arrumou o disco sobre o computador; a gata recolocou-o no chão, com razão eterna: o computador era o seu divã ronronante. Dispensava tijolos! Ardeu, assim, ingloriamente, a maior parte do meu arquivo digital, incluindo os meus textos sobre o Carnaval.

Carnaval é cor, corpo e movimento. É deslumbramento, extravagância, irreverência e transfiguração. É pulsão, catarse, desejo, sexo e orgia. É o renascimento festivo da esperança. É a dança do tempo prenhe de futuro. Os dois anúncios da Apple brasileira captaram magistralmente o espírito do Carnaval.

Marca: Apple. Título: O Carnaval é seu. Agência: LewLara/TBWA Brazil. Brasil, Janeiro 2018.

Marca: Apple. Título: Meu bloco de rua. Agência: TBWA Brazil. Brasil, Fevereiro 2018.

O martelo da revolta

Hornbach

«En otro tiempo, se dejó de ver el sol duran te varios meses; un rey muy poderoso lo había capturado y encarcelado en la fortaleza más inexpugnable. Pero los signos del zodíaco acudieron a socorrer el sol; rompieron la torre con un gran martillo; así liberaron al sol y lo devolvieron a los hombres; este instrumento merece pues la veneración, por el cual la luz se devolvió a los mortales» (culto lituano antigo; Chevalier, Jean & Gheerbrant, Alain, 1986, Diccionario de los symbolos, Barcelona, Ed. Herder, pp. 797-798).

Aprecio os anúncios da empresa alemã Hornbach. Pautam-se pelos princípios da potência e da força de vontade em situações extravagantes. O anúncio Wir haben nie gesagt, dass es einfach ist (nunca dissemos que era fácil) não foge à regra. Apresenta, no entanto, a particularidade de a potência ser feminina. Lembra o anúncio 1984, da Apple: uma mulher atlética, com um martelo, combate a opressão. Lembra, também, os corpos das atletas do filme Olympia (1938) de Leni Riefenstahl: o mesmo lastro mitológico. Um a um, são destruídos, à martelada, os estereótipos da mulher servil e da mulher objecto. Estou, porém, em crer, com a perversidade do costume, que no protagonismo e nos gestos desta luta titânica contra os estereótipos do feminino paira o fantasma de um estereótipo do masculino.

Marca: Hornbach. Título: Wir haben nie gesagt, dass es einfach ist. Agência: Heimat (Berlin). Alemanha, Outubro 2017.

Marca: Apple. Título: 1984. Agência: ChiatDay. Direcção: Ridley Scott. Estados Unidos, 1984.

 

A magia do skate

Apple Roll

Saiu um novo anúncio da Apple: Roll. A fórmula é: juventude + desporto + movimento + adrenalina + levitação = libertação. Um bom anúncio. Destaque para a música, o aproveitamento do skate e a levitação colectiva.

Marca: Apple. Título: Roll. Estados Unidos, Setembro 2017

Natureza de bolso

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Perante estes momentos, que dizer? Que são bonitos e imponentes. Pressente-se a mão de Deus. Sentimo-nos infinitamente pequenos. E o rabo do Diabo, O Fausto tecnológico, consegue vislumbrá-lo? Somos suficientemente grandes para enfiar uma paisagem numa patela electrónica. Uma natureza de bolso! Andamos no mundo como quem come azeitonas: mastigamos a aparência e deitamos fora o caroço.

Marca: Apple iPhone. Título: Earth – Shot  on a iPhone. USA, Junho 2017.

O monstro e a boneca

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Por que motivo os humanos recorrem ao não humano para dizer o humano? Esta é uma pergunta repisada. Por quê convocar animais, bonecos, desenhos, marionetas, monstros, ciborgues? Na publicidade, no cinema, nos videojogos, nos vídeos musicais, na arte, na literatura… Será porque dão a ver, como diria o Principezinho, um esboço do essencial? Porque configuram uma alavanca para a imaginação? Estranha forma de olhar, estranha forma de espelho! Perante um monstro ou uma marioneta, somos compelidos, como diria McLuhan, a participar na comunicação. Passará o reconhecimento e a adesão pela ritualização fetichista da diferença? Qual seria o efeito emocional do anúncio da McDonald’s se a boneca fosse substituída por uma mulher? E se, no anúncio da Apple, Frankie fosse substituído por um modelo masculino?

Marca: McDonald’s. Título: Juliette the doll. Agência: Leo Burnett (London). Direcção: Gary Freedman. Reino Unido, Novembro 2016.

Marca: Apple. Título: Frankie’s Holiday. EUA, Novembro 2016.

Varinha mágica

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“Disse bizarro? ” Um anúncio a parodiar as artes… O mundo às avessas! Uma menina filma a mãe a cortar cebolas, com um iPhone 6s, a chave para o milagre. Se acredita em contos de fadas, a protagonista é a nova Cinderela. O filme trepa as escadas da fama: circula entre vizinhos e conhecidos; brilha na Internet; conquista universidades, galerias, agentes, mediadores e empresas de distribuição. Por último, a consagração: o prémio para o melhor filme, pelas mãos de Neil Patrick Harris, o apresentador do Óscar 2015. As gatas borralheiras e os príncipes sapo estão para durar. São figuras universais. Amanhã, vou à Escola da Primavera em Melgaço. Uma natureza abençoada, com cada vez menos gente. Dava jeito um iPhone 6s.

Marca: iPhone 6s. Título: Onions. Apple. USA, Abril 2016.

A Pedra Filosofal na Era Electrónica

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Acaba de sair um anúncio da Apple, Dreams, centrado na versatilidade e nas potencialidades do iPhone 5s. Trata-se de uma opção clássica. Pelos vistos, o iPhone 5s é mais do que um canivete suíço; é um canivete suíço electrónico. Se o MacGyver possuísse um iPhone 5s, os episódios da série seriam mais curtos. O anúncio culmina, porém, com uma frase banal que é um golpe de mestre: “You are more powerful than you think”!

Um capítulo do livro Vertigens (download em pdf: Dobras e Fragmentos) releva que muitos anúncios ganham em ser encarados como alegorias. Por outro lado, um artigo deste blogue (http://tendimag.com/2014/06/14/todos-tugas-chamamento/) chama a atenção para uma tendência recente na publicidade: o anúncio como chamamento. Mais do que o produto ou do que a marca, o anúncio pretende caracterizar o consumidor. “O anúncio não é teu, tu és o anúncio, mais precisamente, tu és o anunciado.”

Neste novo anúncio da Apple, o essencial não é, afinal, o canivete suíço versão iPhone 5s. O anúncio tem ares de pedra filosofal da idade electrónica. O anúncio é, mas não é, uma descrição do produto. O anúncio é, mas não é, uma alegoria da marca. O conteúdo é uma alegoria do consumidor. A marca é uma alegoria do consumidor. Ambos profetizam o que ele é e o que ele pode. O anúncio é, assim, uma alegoria do consumidor. A aura do produto e da marca adere à pele do consumidor, “mais poderoso do que imagina”.

Marca: Apple – iPhone 5s. Título: Dreams. Agência: TBWA / Media Arts Lab (Los Angeles). USA, Agosto 2014.