Cosmética pomífera. Maçãs, ideias e ilusões

“Se tens uma maçã [um dólar] e eu tenho outra; e trocamos as maçãs [os dólares], então cada um ficará com uma maçã [um dólar]. Mas se tens uma ideia e eu tenho outra, que partilhamos; então cada um terá duas ideias.” (A partir de George Bernard Shaw)
Imagem: George Bernard Shaw
Numa série de anúncios provenientes da Arábia Saudita, a Apple propôe-se contribuir para a (re)composição dos retratos e dos laços de família, designadamente no que respeita ao protagonismo e ao encanto dos membros atuais e futuros. Trata-se de uma gestão da imagem capaz de potenciar o desígnio de ilusionismo almejado, sobretudo, por tantas figuras públicas, ver políticas.
Auscultadores atléticos
Pelos resultados de exames, os médicos estimam que já tive um episódio cardíaco, mesmo sem dar conta (afinal, o que é que não tive) e algum canal parece estar algo entupido. Por um lado, receitaram uma aspirina crónica (alcancei a dúzia de comprimidos por dia), por outro, recomendam deixar de fumar e exercício físico quanto puder. Para já, vou adquirir uns auscultadores da marca Beats by Dr. Dre. Conseguem milagres!
O rinoceronte, o mosquito e o texugo

Potência e agilidade, robustez e leveza, não costumam namorar. Mas existe, porventura, uma mezinha, um segredo, que providencia o casamento. A crer no anúncio No Sweat, a Apple consegue a proeza da “força sem esforço”, graças ao novo microchip M4.
Walking in the (b)rain

Volta e meia, a Apple promove anúncios que visam a prevenção contra ameaças totalitárias. Por exemplo, “Data Auction” (https://tendimag.com/2023/01/08/pela-translucidez/) ou “1984” (https://tendimag.com/2017/10/30/o-martelo-da-revolta/). A maçã da sapiência contra o Big Brother! Na verdade, somos observados, filtrados e manipulados a toda a hora em qualquer lugar. No anúncio “Flock”, câmeras de vigilância metálicas substituem os corvos do filme de Hitchcock. É motivo para acrescentar: They are walking in the (b)rain.
Pai e filho

No anúncio brasileiro The Journey, da iPlace & Apple, o filho convida o pai para uma jornada rumo à memória e ao rejuvenescimento. Existem vários anúncios sobre a relação entre pai e filho. Alguns, excelentes. Ver, por exemplo: https://tendimag.com/2020/03/04/condicao-de-felicidade-o-efeito-de-idade/ e https://tendimag.com/2017/09/27/entre-geracoes-2/. Neste âmbito, a canção Father & Son, de Cat Stevens, é incontornável. Seguem duas versões: na primeira, gravada em junho, com 72 anos, a interpretação é simples e despojada (o vídeo foi colocado no YouTube pelo próprio Cat Stevens); a segunda versão corresponde à versão original no vídeo oficial.
Maçã electrónica. A publicidade é uma arma

A Apple é um gigante com apetite gigantesco. O que é polémico e gera conflitos. Por exemplo, a “revolta dos 30%” da Epic Games, empresa exímia em lucros, tão chinesa como se fosse chinesa. Em causa está a partilha dos lucros. O anúncio Nineteen Eighty-Fortnite é uma reacção à reacção da Apple: Epic Games has defied the App Store Monopoly. In retaliation, Apple is blocking Fortnite from a billion devices. Visit https://fn.gg/freefortnite and join the fight to stop 2020 from becoming “1984”. Uma paródia de um dos anúncios mais icónicos da Apple: 1984 (ver https://tendimag.com/2017/10/30/o-martelo-da-revolta/). Trata-se de uma boa paródia passível de lograr os efeitos desejados: denegrir e combater a Apple recorrendo aos seus próprios argumentos. A paródia como estilo pode ser hilariante, crítica, popular e, por vezes, criativa. Não costuma ser muito subtil. A publicidade, à semelhança da cantiga de José Mário Branco, é uma arma.
Trampolinar

Há coisas prodigiosas capazes de transformar as pessoal. Ora enfraquecem, como a kryptonita do Superman, ora revigoram, como os espinafres do Popeye. A publicidade também promete quimeras. E se andar na rua fosse pisar trampolins? Andar mais alto, mais longe e mais rápido, tudo em suavidade. Como ter “amigos de amigos” no bailado social. A chave: os auscultadores AirPods, da Apple. E se deslocar-se fosse “dancing in the streets”, num mundo recolorido a frisar o psicadélico? A chave: os auscultadores Airpods, da Apple. Os convidados de hoje são o David Bowie e o Mick Jagger.
David Bowie & Mick Jagger. Dancing in the streets.
Risoterapia. O consumo do riso

A cidade de Braga vai acolher, no dia 17 de janeiro, na Avenida Central, a partir das 11h00, uma sessão de risoterapia. A iniciativa, organizada pelo grupo de formadores ‘E na Prática?’, conta com o apoio do Município de Braga e pretende assinalar o Dia Internacional do Riso, que se celebra a 18 de janeiro (https://ominho.pt/braga-recebe-mega-sessao-de-risoterapia/).
Nada escapa ao riso. Nada? Nada o diminui? Talvez o Dia Internacional do Riso, a 18 de Janeiro. Quem abençoa, submete. Não é oportuno comemorar o riso? Sem dúvida, para quem gosta de embrulhar o riso com discursos, cercas e palmas de conveniência. O riso dispensa a atenção. Quanto mais solto e vigoroso, melhor.
Está na moda a risoterapia. Pelos vistos, o riso precede a fala. No bebé e na espécie humana, na ontogénese e na filogénese. Nascemos para rir! Precisamos, pelos vistos, de aprender a rir. A gargalhar, por exemplo. Aprender, sobretudo, a estimular o diafragma, acelerar os pulmões, contrair o abdómen e contorcer a face. Não se aprende, dizem os sábios, sem palavras. Neste caso, conceitos como endorfinas, neurónios e sinapses afirmam-se relevantes. Mais do que aprender a rir, precisamos de aproveitar o riso, torná-lo funcional. O riso tem virtudes que não devemos desperdiçar: deprime os ansiosos; excita os deprimidos; emagrece e rejuvenesce. Limpa por dentro e lava por fora.
Urge aprender a rir. Rir como a mulher do anúncio Inside Joke, da Apple, que vê para dentro (privado) e ri para fora (público). Acrescento um vídeo com uma lição de risoterapia, do Instituto Mongeral Aegon. Estou servido, vou eleger o anúncio da Apple como aula prática e a lição do Instituto Mongeral Aegon, como aula teórica.
P.S. Importa rir com moderação. O excesso de riso pode provocar hérnias e doenças graves. O riso constitui, de longa data, tema da publicidade. No anúncio Armchair (2005), da Paramount Comedy, o protagonista “morre a rir” (https://tendimag.com/2014/08/21/morrer-a-rir/).
A beleza da biodiversidade

Quando se aposta, com arte, na estética o resultado é compensador. O anúncio Don’t Mess With Mother, da Apple, é um hino à biodiversidade. Ao ritmo heavy metal da canção Last Rites dos Megadeth. Os autores do anúncio tiveram a sageza de dispensar a besta humana. Preferiram uma avalancha. Há marcas que são um expoente da publicidade.
Macnífico
“Académico já foi um adjectivo nobre. Anda mas é um pouco desgastado. Outros nomes se levantam, como Merceeiro e Patrulheiro. Quando batizei o primeiro filho cismei chamar-lhe Académico, mas no registo confundiram as letras e ficou Américo. Ainda agora tenho pena: gostava que o meu filho fosse Académico” (Anónimo).

Tantas estrelas, uma estrela: a maçã. Os utilizadores de Macs são o máximo. Desce uma espécie de aura sobre o consumidor: sou como os maiores, sou Mac. É macnífico! O consumo à frente, a produção atrás. Mais do que um consumidor, sou um utilizador de Mac. O importante, a rosa, sou eu mais aquelas estrelas todas: a Serena, o Bono, a Oprah… Creio que é uma fórmula de marketing antiga.
“The 60-second spot is composed of black-and-white still images featuring famous and not-so-famous people toiling away on their Macs: Serena Williams peering down at her screen, Paul McCartney in his studio, Kermet the Frog and Anna Wintour at their desks, Malala Yousafzai and Dave Grohl each engrossed in their work, Oprah and Bono collaborating. Interspersed are scenes of Mac users in cafes and school or out in the elements, studying, sleeping and browsing” (https://adage.com/creativity/work/apple-behind-mac-make-something-wonderful/955971).
