A Bela e a Música. Monica Bellucci
A Bela e a Música ou a Música e a Bela? Monica Bellucci é um caso à parte: sedutora, consegue despertar todo o sistema neuronal.
Monica Anna Maria Bellucci (Città di Castello, 30 de setembro de 1964) é uma atriz e modelo italiana, conhecida internacionalmente por seus filmes na Europa e em Hollywood, e também pela sua carreira iniciada como modelo de grandes desfiles de moda europeus e grifes sofisticadas como Dior e Dolce e Gabbana, nos anos 1980 e 90. É considerada pela revista norte-americana Variety como “o último mito erótico” e a herdeira de divas italianas do cinema como Sofia Loren, Gina Lollobrigida, Claudia Cardinale e Silvana Mangano. (…) Fluente em italiano, inglês e francês, com bom conhecimento do espanhol e razoável português (…), em 2016 comprou um apartamento no histórico bairro do Castelo, em Lisboa (Wikipedia, 03.02.2026).
Para variar, seguem quatro vídeos com a Monica Belluci.
Pontos quase invisíveis num coração de mercúrio
Numa poltrona ampla, perto de uma lareira abençoada, pode-se viajar, no inverno, até ao infinito (Hippolyte Laroche)
Em janeiro de 2023, escrevi:
Há anos que não me expunha assim, tão fora de casa e tão fora de mim. Deixei o mundo penetrar até aos ossos e a expressão soltar-se. Como desfecho, sinto-me massajado, amassado e moído. Surpreendo-me, por drástica que tenha sido a vacina, a desejar o torpor cálido da caverna. Com a visita desta frente nórdica, frio apenas tolero o da música, compassada, suave, minimalista… Etérea!
Por exemplo, a trompete do norueguês Nils Peter Molvær.” (A Caverna dos Fantasmas de Estimação. The Cinematic Orchestra. 17.01.2023)
Apesar desta menção, o Tendências do Imaginário ainda não contempla nenhuma obra do trompetista norueguês Nils Petter Molvær, pioneiro da fusão do jazz com a música eletrónica. Aproveito esta vaga gélida para reparar o esquecimento.
Nils Petter Molvaer soa diferente, mas ser diferente, mormente pioneiro na diferença, merece apreço. Nada como ensaiar entranhar, de preferência com a ajuda do crepitar da lenha na lareira.
Começo com o belíssimo vídeo oficial de “Nearly Invisible Stitches”, do álbum de estúdio mais recente Stitches (2021). Prossigo com “Mercury Heart”, do álbum Baboon Moon (2011). Por último, regresso a duas músicas do primeiro álbum, o meu preferido, Khmer (1996): “Song of Sand II” (ao vivo em 2001) e “Khmer”.
Múm. A música que vem do frio

Tive uma colega islandesa “bela de morrer”, com cabelos brancos impressionantes. Da Islândia, não vêm só alvuras, frentes frias e massas polares. Também distinta música, com vagas melódicas, arranjos boreais, ritmos quebra-gelo, músicos versáteis e vozes lde “sereia”. É o caso da banda Múm, fundada em Reykjavík em 1997; sonoridades etéreas, efeitos eletrónicos e instrumentos invulgares.
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Lindíssimo! É incrível como a geografia extrema, como no caso da Islândia, se traduz nos sons, nas vozes, e sobretudo no silêncio.
Quando comecei a ouvir a primeira música, senti vibrações do interior da terra gelada, onde depois a voz suave como que desliza suavemente sobre a superfície.
As vozes sempre contidas, alongadas, com essa lonjura por vezes, ou simultaneamente, cortada por batimentos rítmicos quase cíclicos. A excepção “A Little Bit, Sometimes”, onde a música cria um espaço de liberdade maior. Mas, como diz a letra,
“Você está diante dos meus olhos,
um pouquinho, um pouquinho às vezes. Às vezes. Às vezes.” Pergunto-me se esta frase não será dirigida à terra.
Adorei! Uma História do Silêncio, onde o longe e o tempo se interligam intimamente. (Almerinda Van Der Giezen, 11.01.2026)
A guitarra de jeff Beck e a voz de Imelda May
Ao escutar o álbum Emotion & Commotion, a guitarra do Jeff Beck voltou a lembrar-me, de algum modo, um violino. Pedi o parecer à IA, que anexo no fim. Selecionei 4 faixas: 1 – Corpus Christi Carol; 7 – Lilac Wine (ft. Imelda May); 8 – Nessun Dorma; e 10 – Elegy for Dunkirk (ft. Olivia Safe). Acrescento 2 canções ao vivo de Jeff Beck e Imelda May durante a homenagem a Les Paul (uma performance a não perder).
Jeff Beck e o Violino
“Dito por si:
Até que ponto se pode sugerir que a forma como Jeff Beck compõe e toca guitarra o aproxima frequentemente da sonoridade do violino?
Dito pelo ChatGPT:
Pode-se sugerir com bastante fundamento que Jeff Beck frequentemente aproxima a guitarra da sonoridade e da expressividade do violino, embora isso não seja um objetivo literal ou constante, mas sim uma consequência do modo como ele pensa a melodia, o fraseado e o timbre.
Essa aproximação acontece em vários níveis:
- Fraseado essencialmente “cantabile”
Beck raramente toca como um guitarrista “de notas”. Ele pensa em linhas melódicas contínuas, muito próximas da lógica de instrumentos de arco ou da voz humana.
Assim como um violinista:
• Ele evita ataques excessivamente percussivos
• Prioriza legato, frases longas e curvas melódicas
• Trabalha com respiração musical, deixando espaços expressivos
Isso fica muito claro em peças instrumentais como “Where Were You”, “Cause We’ve Ended as Lovers” ou “Brush with the Blues”.
- Uso extremo da alavanca como substituto do arco
A alavanca é talvez o elemento mais “violinístico” do Beck:
• Ele a usa constantemente, não apenas para efeitos
• Controla micro-variações de afinação, vibrato contínuo e portamentos
• Cria a sensação de nota sustentada e moldada no tempo, como um arco passando pela corda
Isso se aproxima muito da maneira como um violinista controla pressão e velocidade do arco para dar vida à nota.
- Vibrato orgânico e não padronizado
O vibrato de Jeff Beck não é:
• Regular
• Mecânico
• Sempre igual
Ele varia em:
• Largura
• Velocidade
• Intensidade emocional
Isso é típico de instrumentos de arco, nos quais o vibrato é expressivo, não decorativo. Muitas vezes, Beck inicia uma nota “reta” e só depois introduz o vibrato — exatamente como um violinista faria.
- Ataque suave e controle do timbre
Beck frequentemente:
• Usa os dedos em vez da palheta
• Controla o volume da guitarra o tempo todo
• Evita distorção excessiva
O resultado é um ataque menos abrupto, mais próximo da entrada gradual do som de um violino do que do ataque seco de uma palheta.
- Harmonia implícita em linhas simples
Assim como um violinista solista em música clássica ou jazz:
• Beck sugere a harmonia com uma única linha melódica
• Explora tensões, resoluções e cromatismos
• Não depende de acordes para criar contexto
Isso reforça a sensação de um instrumento melódico “líder”, não rítmico.
Limite da comparação
É importante dizer que:
• Beck não soa como um violino
• Ele não tenta imitar tecnicamente o instrumento
• A guitarra continua sendo claramente uma guitarra elétrica
A semelhança está no pensamento musical, não na imitação tímbrica literal.
Conclusão
Pode-se afirmar que Jeff Beck está entre os guitarristas que mais transcenderam a lógica tradicional da guitarra, aproximando-se da expressividade de instrumentos de arco — especialmente o violino — através de:
• Fraseado contínuo
• Controle microtonal
• Sustentação expressiva
• Uso da alavanca como “arco”
Mais do que tocar guitarra, Beck “esculpe” o som no tempo, o que é justamente o coração da linguagem violinística.” (IA, Chat-GPT).
Atom Heart Mother. Um Tesourinho Persistente

O YouTube surpreendeu-me com uma interpretação memorável de um dos meus tesourinhos persistentes, o Atom Heart Mother (1970), obra sui generis demasiado ignorada dos Pink Floyd, pela Orchestre Philharmonique de Radio France, num concerto no Théâtre du Chatelet, em fevereiro de 2012, sob a direção de Jean-Jacques Justafré, que conclui, comovido, quase em lágrimas.
Para quem tiver, como eu, algum tempo a “perder”, seguem três vídeos:
- O primeiro é uma gravação de uma homenagem ao Pink Floyd “Primitive Mother” ao vivo no Chicken George, Kobe, Japão, 27 de outubro de 2016. Duração: 15:39;
- O segundo é interpretado pela Orchestre Philarmonique de Radio France, no Théâtre du Chatelet, em 2012, com uma duração de perto de 30 minutos;
- O terceiro contempla o lado A completo do LP, de 1970, remasterizado em 2011.
Fogo de Artifício
Nunca vi tanta gente a lançar tanto fogo de artifício! Até apetece começar o ano a cantar, a cantar “Mes Emmerdes” com o Charles Aznavour:
Les canulars
Les pétards
Les folies
Les orgies
Les jours du bac
Le cognac
Les refrains
Tout ce qui fait
Je le sais
Que je n’oublierai jamais
Mes amis, mes amours, mes emmerdes(Charles Aznavour, Mes Emmerdes, 1976)
Voz de Lama
No Natal, algumas lâmpadas fundem. Não se repara. Como é de esperar, brilham e apagam-se. Estas perdas de luz não desiludem, a época é de indesilusão. E luz por Luz! Não, não se repara, nem se substitui. Por elas não seja! Talvez para o ano, se houver Natal.
Junto três canções (de luzes fundidas?): “Je voudrais tant que tu sois là”, de Serge Lama, “L’Indifférence”, de Gilbert Bécaud (com Serge Lama), e “Ce soir mon amour”, de Georges Moustaki.
Mel
Não partilho algumas músicas por as considerar sobejamente conhecidas. Acabei de comprovar que afinal não é o caso de “Honey” de Bobby Goldsboro.




