A evolução da espécie

Christie Potato Thins. Handsfree.Feliz por estar de volta! A intensidade da ergoterapia diminuiu. Por um tempo. Aguarda, impaciente, a mezinha do costume (candidaturas, defesas, avaliação, escrita e actos administrativos). As “férias”, sem subsídio, estão com vontade de ir a banhos. Mesmo disfarçado no sobe e desce das ondas, não há excesso sem ironia: será que todo este zelo ergoterapeutico  contribui, estupidamente, para a dispensabilidade paraconstitucional da função pública? Uma das principais mutações genéticas da sociedade portuguesa. Enquanto dou pontapés à água, pasmo! Não me lembro de jovens (portugueses) e velhos (europeus) se entenderem tão bem. Deve ser coisa da astrologia: uma constelação extraordinária sob influência de um astro luminoso (neoliberalismo, tecnocracia, neocurialização…). Nunca o saberei. Cegueta como sou, já não enxergo bem as estrelas.

A evolução das espécies sempre gerou controvérsia: Lamarck, Darwin, Mendel… Hoje, em plena civilização do teclado, a hereditariedade joga-se nos polegares. Mas há quem contraponha os pés, para descanso das mãos. Tive ensejo de mencionar a subida da cotação dos pés no mercado simbólico: A emancipação dos pés (http://tendimag.com/wp-admin/post.php?post=6716&action=edit) e A redenção dos pés (http://tendimag.com/wp-admin/post.php?post=3018&action=edit). Há quem sustente que a grande mudança se prende com as próteses: os vindouros serão biomecanóides ou ciborgues. Vão nascer com implantes, silicones e outras proezas da salvação médica. Não sou biólogo, nem filósofo, mas também tenho uma pequena teoria. Todos aprendemos, com os nossos sábios responsáveis, que combater a dívida consiste em transferi-la de uns para outros. Não me perguntem de quem para quem, porque sabem a resposta. No limite, ao jeito de um processo markoviano, a dívida, esse pecado infernal, vai tocar a todos: até quem nos endividou vai ficar endividado. O legado da nossa geração será, portanto, o seguinte: todos nascerão endividados, uma nova espécie de pecado original. Depois do Homo habilis, do Homo erectus e do Homo sapiens, eis que nasce, na Lusitânia, o Homo pelintrus.

O calor mexe com os humores. Põe-nos de maus fígados. Mais agressivos do que o cão do vizinho. Há dois séculos, a panacéia seria uma sangria com sanguessugas. Olho para o mar, penso em Magritte, e vejo cérebros em forma de fralda a subir, subir, subir… Como balões de São João! Até que tocam ora numa epifania, ora numa santidade, ora numa misericórdia. Peca-se por pensamentos, palavras, actos e omissões. Também se peca por sonhos.

Marca: Christie Potato Thins. Título: Handsfree. Agência: UNION. Direção: Zach Math. Canadá, Julho 2013.

Tags: , , , , ,

Leave a Reply

Discover more from Tendências do imaginário

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading