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Virados do avesso

Kate MacDowell. Daphne. 2007.

Kate MacDowell. Daphne. 2007.

Quem rejeita desencontros como este?
O anúncio da Interflora é uma bela parábola.
Diferença, aproximação, devir.
O gótico torna-se clássico, e vice-versa.
Tu não és apenas o que és mas o que podes ser.
Contraditorial, é atributo do homem poder virar-se do avesso.

Marca: Interflora. Título: Odd love. Agência: Brandhouse. Direcção: Martin Werner. Dinamarca, Fevereiro 2015.

A Marca da Consagração

shaolin_pepsiEnquanto o Mundial de Futebol seca a publicidade, vale a pena revisitar as relíquias. Este anúncio da Pepsi Cola é genial: exotismo, Oriente, monges, kung fu, “solidariedade mecânica”, humor e, por último, a MARCAção do escolhido. Não parece, mas é um anúncio francês.

Marca: Pepsi Cola. Título: Kung Fu. Agência: CLM BBDO. Direcção: TARSEM. França, 2002.

Ser ou não ser cão

O2. Be more dog.

Se não gosta da sua identidade, faça uma actualização. Este anúncio da O2 é uma delícia.

Marca: O2. Título: Be more dog. Agência: VCCP. UK, 2013.

Se chove, que chova

Se chove, que chovaOs meus avós paternos eram galegos. Na aldeia, da janela do quarto vejo a Galiza e oiço o comboio galego.

Este anúncio dispensa palavras: “São necessários dois anos para aprender a falar e sessenta para aprender a calar” (Ernest Hemingway).

Um abraço, Ludo! És a mais galega das minhotas!

Marca: Supermercados Gadis. Título: Se chove, que chova. Espanha, 2013.

Espelho

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“Chapéus há muitos, seu palerma!” (Vasco Santana, Pátio das Cantigas). Identidades, também! Fragmentadas, líquidas, múltiplas, híbridas, virtuais, camaleónicas… Neste anúncio francês, a identidade desafia o espelho. Não fosse a idade, seria mais um apontamento para a teoria do estádio do espelho.

Marca: Nestlé – Extrême. Título: Le reflet. Agência: JWT Paris. Direcção: Sébastien Grousset. França, Maio 2014.

 

O Mesmo e o Outro (Vincent Descombes)

NOMAD zepplin

A publicidade consta entre os segmentos de actividade mais dinâmicos e mais criativos da actualidade. Houve tempos em que o protagonista do anúncio era o produto que absorvia quase todo o conteúdo. Ao produto deu-lhe, entretanto, para se esconder à sombra da marca. O diálogo entre a marca e o conteúdo passou a predominar. Mas sempre subsistiu um vértice no poliedro publicitário: o espectador, o consumidor ou público, como se lhe queira chamar. O público, eventualmente alvo, nunca foi meramente passivo. Mas sê-lo-á cada vez menos. Não se reduz a uma questão de interacção. O público tende a fazer parte do anúncio. O anúncio apresenta o produto, propõe o conteúdo, promove a marca, mas também caracteriza o público. O anúncio diz as qualidades do produto, da marca e do consumidor, do público alvo. Cabe ao espectador aproximar-se ou afastar-se, proceder a uma montagem identitária com as peças do puzzle incluídas no anúncio. O segredo reside nesta montagem que pressupõe, para além de uma identificação, uma participação, um sujeito, e não um mero receptor, do outro lado do ecrã. Esta leitura resulta de conversas vadias com o Carlos Nascimento. Pertence-lhe. Tem como pretexto a campanha Respect, da Nomad, uma empresa espanhola de pranchas de skateboard, implantada em 22 países. A campanha desdobra-se por três anúncios alusivos a três profissões: cientista, violinista e polícia. Não é o melhor exemplo para ilustrar o triângulo composto pela marca, pelo conteúdo e pelo público alvo. Mas essa geometria transparece, por momentos, de um modo tão luminoso que vale a pena destacar a campanha.

“Los tres spots de LOLA para Nomad Skateboards, realizados por Diana Kunst de Garlic Producciones, reflejan el paralelismo que existe entre diferentes profesiones y el mundo del skate, a través de una serie de reflexiones que nos hacen ver que entre estos mundos no hay tanta diferencia. Un científico trabaja e investiga hasta conseguir los resultados deseados, al igual que un patinador. Un violinista practica hasta depurar su técnica con un instrumento construido con madera y el patinador también. Por último, un policía, que a pesar de parecer tan diferente a un skater, comparte con él la dedicación por lo que hace.

Juan Sevilla, Director Creativo de la marca y creador de la campaña, explica: “Llevamos años trabajando con Nomad y la relación que tenemos con el cliente, con Iván e Itziar para ser más exactos, es muy buena. El contacto que tenemos con ellos y su equipo de skaters nos ha hecho entender dónde está el mundo del patín en este momento.” Sevilla asegura que “Nomad es una marca que conoce muy bien su target y por eso nuestras campañas intentan estar siempre cerca de él. Buscamos ideas que conecten con ellos y que partan de insights del mundo del patín pero que, además, cualquiera pueda entender.

Por su parte, Chacho Puebla, Director Creativo Ejecutivo y Socio de LOLA, asegura que “estamos muy contentos con el lanzamiento de esta campaña y estamos convencidos de que les ayudará en su objetivo de abrirse aún más al mercado internacional”. Para Iván Moreno Puché, Socio y Fundador de Nomad Skateboard, “trabajar con LOLA nos ha abierto la mente a otras formas de comunicación dentro de la industria del skateboarding. Nomad está en una fase de “renacer” y, por lo tanto, de poder comunicar bajo nuevos estilos, ajenos a los clásicos marcados por la industria, es un reto que, sin duda, me apasiona”. Queremos madurar con la marca, darle una personalidad y un concepto diferenciador y estas campañas, sin duda, contribuyen. Creo que, además, abren nuevos horizontes en la manera de comunicar y promover el skateboarding en general. Estamos rompiendo muchos estereotipos” (http://www.programapublicidad.com/lola-lanza-respect-para-nomad-skateboards/#.U1U-ffldV8F).

No conjunto, a campanha é uma procissão de valores, artes e traços identitários, um dispositivo de reconhecimento e demarcação:

– Somos como os cientistas, mas somos diferentes
– Somos como os violinistas, mas somos diferentes
– Somos como os polícias, mas somos diferentes
– Somos surfistas, mas somos Nomad
– We are the same, We are different

“Mais do que nos outros dois, o anúncio do polícia confunde-nos, levando-nos a pensar que o auto-retrato seria dele e não, como nos apercebemos no final, do skater que fecha o filme. Este é sem dúvida o mais bem conseguido desta trilogia. Se no caso do cientista e do violinista o anúncio termina com uma proposta de analogia, valendo isso o que vale, a correcção no desfecho do anúncio do polícia chega-nos por um subtil momento de tensão assumindo tratar-se efectivamente de contrários. O testemunho pertence, afinal, a quem está do outro lado da barricada. Na verdade, há dois intervenientes que dizem o texto: aquele que julgamos que o diz e aquele que, constatamos, o diz efectivamente. Mas, dizê-lo por empréstimo é menos nobre do que dizê-lo como proprietário. Na boca do verdadeiro dono o texto dilui-se e o que passa apenas a contar é o sujeito, aquele que é diferente porque afirma que ele e o seu oposto são iguais” (Carlos Nascimento).

Nos vídeos, carregar em HD.

Marca: Nomad Skateboards. Campanha: Respect. Título: Police. Agência: Lola / Lowe & Partners. Direcção: Diana Kunst. Espanha, Abril 2014.

Marca: Nomad Skateboards. Campanha: Respect. Título: Violinista . Agência: Lola / Lowe & Partners. Direcção: Diana Kunst. Espanha, Abril 2014.

Marca: Nomad Skateboards. Campanha: Respect. Título: Cientifico. Agência: Lola / Lowe & Partners. Direcção: Diana Kunst. Espanha, Abril 2014.

A Terra e a Gente

mitti-anthem-for-national-population-registerEste hino, a anunciar o próximo recenseamento da população da Índia, é esplêndido. A vários títulos: ideia, luz, sequências, ritmo, música, envolvimento. Os indianos despertam-se uns aos outros lançando terra do solo pátrio. Reavivam, assim, o sentimento de territorialidade e de identidade de um povo.  Por cá, “neste país que é o meu”, a terra é poeira. Para os olhos.

Anunciante: Office of the Registrar General. Título: Mitthi (soil of the Nation). Agência: DDB Mudra Group, Mumbai. Índia, Fevereiro 2013.

Expressão

Um momento de boa disposição, em especial para os amantes de histórias bem contadas! Quase sem palavras… O paradoxo da individualização em grupo. Desde o recorte inicial do espelho até à montagem da anamorfose final, este anúncio lembra, sequência a sequência, a microssociologia de Georg Simmel.

Marca: Philips. Título: Exprésate todos los días. Agência: Phantasia, Lima. Perú, Agosto 2012.

O sushi e a identidade líquida

Existe a ambivalência das máscaras, bem como o interminável strip-tease da pessoa, mas no caso do  sushi a identidade tem que ser garantida.

Marca: Gin no Sara. Título: Dog. Agência: Dentsu (Tokyo). Japão, 2012.

O olhar e a identidade

O camaleonismo identitário é uma tentação para a publicidade. Mas este anúncio encerra alguma originalidade: assume que a diferença (ou a parecença) reside menos nas qualidades do identificado e mais no olhar de quem identifica. “Quem classifica, classifica-se” (Gonçalves, Albertino, 1996, Imagens e clivagens, Porto, Afrontamento). Este anúncio tem o selo da Argentina e, sobretudo, de Augusto Gimenez Zapiola, seu diretor. Para ilustrar esta afirmação, retomo dois anúncios argentinos dirigidos por Augusto Gimenez Zapiola, também eles centrados na importância do corpo e da comunicação não verbal na interacção humana.

Anunciante: DIRECT TV. Título: Look Alikes. Agência: Young & Rubicam, Buenos Aires. Direção: Augusto Gimenez Zapiola. Argentina, Maio 2012.

Marca: Sol. Título: Pep Talk. Agência: DDB Argentina. Direção: Augusto Gimenez Zapiola , Argentina, Março 2009

Produto: H2oh! Drink. Título: Braids. Agência: BBDO Argentina. Direção: Augusto Gimenez Zapiola. Argentina, Junho 2011.