Não são páginas, são vidas
Às vezes, abuso deste blogue. Transformo-o numa ferramenta de e-learning. Seguem, para eventual download, dois artigos:
“Emigração e envelhecimento num concelho do Minho Interior” (in Migrações: História, Economia e Encontro de Culturas, Actas das Quintas Jornadas de História Local, Câmara Municipal de Fafe, 2004, pp. 61-71);
“Envelhecimento e saúde no concelho de Melgaço” (Boletim Cultural, nº4, 2005, Câmara Municipal de Melgaço, pp. 91-104).
Nas aulas de análise de dados, importa frisar que mais importante do que as técnicas são as ideias e os modos. Estes dois artigos ilustram como os resultados se alcançam graças às técnicas, mas também para além delas.
Ambos os artigos estão associados à implementação da Rede Social no concelho de Melgaço. Contribuíram para a elaboração do Diagnóstico Social e do Plano de Desenvolvimento Social. Foi eleito como eixo principal o envelhecimento. Quem ler os artigos percebe o motivo. Em 2003, foi promovido um inquérito, mediante amostragem aleatória simples, a um quarto da população residente com 60 e mais anos de idade. Foram entrevistadas 866 pessoas. Os resultados, alguns vertidos nestes artigos, concorreram para o desenvolvimento de uma política, financeiramente sustentada, de apoio aos idosos. Uma investigação-acção com consequências positivas. Parafraseando a Rainha Santa Isabel: não são páginas, senhor, são vidas!
Os artigos foram publicados no sítio certo, no momento certo, com alvo certo. O primeiro integrou uma obra coletiva editada pela Câmara Municipal de Fafe. Um pequeno passo na cooperação entre Melgaço e Fafe, concelhos com espaços museológicos dedicados à emigração. Torna-se grato surpreender Melgaço e Fafe a organizar uma exposição conjunta em Viana do Castelo, por ocasião da Comemoração dos 50 anos da Emigração para França, em Novembro de 2011. Acresce a exposição sobre o fotógrafo Gérard Bloncourt, facultada por Fafe, a pretexto do evento Filmes do Homem 2014: Festival de Documentários de Melgaço.
Estes artigos têm efeitos que outros que publiquei em revistas indexadas nem sequer sonham! Condizem com aquilo que estimo ser a missão do sociólogo e do professor universitário.
Estes artigos não foram indexados. Se calhar, valia a pena tentar. Os temas prestam-se: envelhecimento, emigração e saúde; e os resultados são minimamente originais. Só faltavam umas sessões para aprender a escrever artigos para revistas indexadas e, naturalmente, um voo de cuco sobre ninhos de excelência. A vida é estranhamente irónica. Os artigos decorrentes da atividade junto das redes sociais locais não foram indexados. Mas eu quase fui. Por causa destas matérias, andei de cadeira em cadeira, incluindo em reuniões da União Europeia.
À luz da nova nomenclatura, estes artigos não prestam. São lixo sem asas. Nada de novo, nem de admirável. Robert K. Merton (1910-2003) é um autor clássico da sociologia. Com ampla projeção internacional, dominou, com Talcott Parsons e Paul Lazarsfeld, a sociologia norte-americana dos anos quarenta e cinquenta. Um dos seus estudos intitula-se “Types of Influentials: The Local and the Cosmopolitan” (Social Theory and Social Structure, 1968, New York, The Free Press, pp. 447-474). O texto tem mais de meio século, mas vem mesmo a calhar. Vale a pena ler, para se rever. Quanto ao resto, que se indexe. Vou mas é subir ao Castelo de Castro Laboreiro.
Labirinto de Amor e Morte
Marta Carvalho é actriz de teatro associada ao projecto Fafe, Cidade das Artes. Também é aluna do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, da Universidade do Minho. Labirinto de Amor e Morte é um monólogo talhado à sua medida. Teve a gentileza de o representar no Simpósio Olhares sobre o Teatro, na Universidade do Minho, no dia 8 de Maio de 2013. Encontra-se em digressão por terras do Brasil, com merecido sucesso, como se pode comprovar nesta reportagem do Programa Diversidade, da TV ITARARÉ. Carregar aqui TV IRARÉ. Marta Carvalho ou na imagem.
Bailado em Fafe
Francis Bacon, o pintor, parece que passou por Fafe. Mas não! Nem passou, nem me levou. Uma pena! A Cidade das Artes apresentou “O Tempo Pergunta ao Tempo”, um espectáculo de bailado pela Companhia ACASO, do Brasil, e pela Escola de Bailado de Fafe. Restam as imagens.
- Francis Bacon. Three Studies form the Human Body, 1967
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo
- Portrait of Isabel Rawsthorne 1966 by Francis Bacon 1909-1992
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo.2
- Francis Bacon – Study for a nude 1951
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo.3
FAFE CIDADE DAS ARTES – Convite
Fafe Cidade das Artes é uma iniciativa que visa “projetar o município de Fafe como exemplo de Cidade das Artes, do Teatro, da Dança, da Música, da Literatura, da Cultura”. Aposta na criação de oficinas de formação teatral, de residências artísticas temporárias e de intercâmbios com criadores de todo o mundo, nomeadamente do Brasil.
O projeto Fafe Cidade das Artes será apresentado, e discutido, com a participação de alguns dos seus promotores, no dia 23 de Abril, às 18 horas, na Sala de Atos do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade do Minho. Haverá ainda oportunidade para uma conversa com o encenador Marcelo Bones e a atriz Ângela Mourão, do teatro brasileiro Andante, bem como com o encenador Moncho Rodriguez e a atriz Marta Carvalho, a propósito do espetáculo teatral “Labirinto de Amor e Morte”.
Não quer vir? Tem lugar reservado.
Labirinto de amor e morte – foto de Manuel Meira














