Não são páginas, são vidas

01. Castelo de Castro Laboreiro, indexado monumento nacional em 1944

Castelo de Castro Laboreiro, indexado monumento nacional em 1944

Às vezes, abuso deste blogue. Transformo-o numa ferramenta de e-learning. Seguem, para eventual download, dois artigos:

Emigração e envelhecimento num concelho do Minho Interior(in Migrações: História, Economia e Encontro de Culturas, Actas das Quintas Jornadas de História Local, Câmara Municipal de Fafe, 2004, pp. 61-71);

Envelhecimento e saúde no concelho de Melgaço” (Boletim Cultural, nº4, 2005, Câmara Municipal de Melgaço, pp. 91-104).

Nas aulas de análise de dados, importa frisar que mais importante do que as técnicas são as ideias e os modos. Estes dois artigos ilustram como os resultados se alcançam graças às técnicas, mas também para além delas.

Castelo de Castro Laboreiro. A entrada das alturas é estreita e íngreme

Castelo de Castro Laboreiro. A entrada principal

Ambos os artigos estão associados à implementação da Rede Social no concelho de Melgaço. Contribuíram para a elaboração do Diagnóstico Social e do Plano de Desenvolvimento Social. Foi eleito como eixo principal o envelhecimento. Quem ler os artigos percebe o motivo. Em 2003, foi promovido um inquérito, mediante amostragem aleatória simples, a um quarto da população residente com 60 e mais anos de idade. Foram entrevistadas 866 pessoas. Os resultados, alguns vertidos nestes artigos, concorreram para o desenvolvimento de uma política, financeiramente sustentada, de apoio aos idosos. Uma investigação-acção com consequências positivas. Parafraseando a Rainha Santa Isabel: não são páginas, senhor, são vidas!

Castelo de Castro Laboreiro: As escadas rumo ao topo

Castelo de Castro Laboreiro: Escadas rumo ao topo

Os artigos foram publicados no sítio certo, no momento certo, com alvo certo. O primeiro integrou uma obra coletiva editada pela Câmara Municipal de Fafe. Um pequeno passo na cooperação entre Melgaço e Fafe, concelhos com espaços museológicos dedicados à emigração. Torna-se grato surpreender Melgaço e Fafe a organizar uma exposição conjunta em Viana do Castelo, por ocasião da Comemoração dos 50 anos da Emigração para França, em Novembro de 2011. Acresce a exposição sobre o fotógrafo Gérard Bloncourt, facultada por Fafe, a pretexto do evento Filmes do Homem 2014: Festival de Documentários de Melgaço.

 

Castelo de Castro Laboreiro. Muralha.

Castelo de Castro Laboreiro. Muralha.

Estes artigos têm efeitos que outros que publiquei em revistas indexadas nem sequer sonham! Condizem com aquilo que estimo ser a missão do sociólogo e do professor universitário.

Estes artigos não foram indexados. Se calhar, valia a pena tentar. Os temas prestam-se: envelhecimento, emigração e saúde; e os resultados são minimamente originais. Só faltavam umas sessões para aprender a escrever artigos para revistas indexadas e, naturalmente, um voo de cuco sobre ninhos de excelência. A vida é estranhamente irónica. Os artigos decorrentes da atividade junto das redes sociais locais não foram indexados. Mas eu quase fui. Por causa destas matérias, andei de cadeira em cadeira, incluindo em reuniões da União Europeia.

Castelo de Castro Laboreiro. Deste lado, os locais; do outro, os cosmopolitas .

Castelo de Castro Laboreiro. Deste lado, os locais; do outro, os cosmopolitas .

À luz da nova nomenclatura, estes artigos não prestam. São lixo sem asas. Nada de novo, nem de admirável. Robert K. Merton (1910-2003) é um autor clássico da sociologia. Com ampla projeção internacional, dominou, com Talcott Parsons e Paul Lazarsfeld, a sociologia norte-americana dos anos quarenta e cinquenta. Um dos seus estudos intitula-se “Types of Influentials: The Local and the Cosmopolitan” (Social Theory and Social Structure, 1968, New York, The Free Press, pp. 447-474). O texto tem mais de meio século, mas vem mesmo a calhar. Vale a pena ler, para se rever. Quanto ao resto, que se indexe. Vou mas é subir ao Castelo de Castro Laboreiro.

 

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Sociólogo.

2 responses to “Não são páginas, são vidas”

  1. Beatriz Martins says :

    Ainda que envelhecido e com pouca vida, bonito!

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