E se regressasses antes de partir…

Jean-Jacques Goldman, ativo a solo desde os anos 1980, vendeu mais de 30 milhões de discos. Autor, compositor, intérprete, produtor e guitarrista é um dos músicos mais genuínos e populares da França. É mais avisado vê-lo e ouvi-lo do que comentá-lo. Segue o vídeo com a interpretação ao vivo da canção Puisque tu pars.
Filhos da Mãe: Les Enfoirés
“Les gens qui rêvent font des révolutions” (Les Enfoirés)
No bar do Instituto de Ciências Sociais, apenas os três funcionários. Com as memórias sentadas à minha volta, apetece-me sentir a nortada no rosto e a generosidade ao alcance dos dedos. Despeço-me rumo a Moledo. Caminho, pasmo e janto sardinhas com alface, tomates e pimentos colhidos na horta do Sr. João. No restaurante, apenas se ouve o zumbido da televisão que, como uma mosca, revolve o mesmo lixo: a comissão de inquérito para lamentar. Em casa, carrego baterias, as baterias da fé. Com os “filhos da mãe” (Les Enfoirés; motherfuckers).

Exemplo raro de generosidade, Les Enfoirés (http://www.enfoires.fr) é um coletivo de artistas criado em 1985 por Coluche com o objetivo de contribuir para a sua principal iniciativa de solidariedade: Les Restos du Coeur. Seguem quatro canções. Uma sequência com trinta interpretações dos Enfoirés está disponível no seguinte endereço: https://www.youtube.com/watch?v=XcmG2RZYxDs.
Coluche, por Catherine Wernette
Os dias melhores. Maxime Le Forestier

No decurso de uma conversa sobre a universidade, um colega precisa que podem existir memórias sem afeto mas não afetos sem memória. Cultivador de afetos com memórias, cuido rejuvenescer sentimentalmente ao convocar, aproximar, experiências longínquas. O quarto e último vídeo, Les Jours Meilleurs, de Maxime Le Forestier, fornece uma boa ilustração do fenómeno.
Primeiro os amigos
Existem mundos onde predominam as encostas. Os seus membros encostam-se uns aos outros formando montículos dispostos em redes de dependência pessoal. Quem não se encosta nem é encosto candidata-se ao papel de mosquito numa teia de aranha. A autonomia definha como uma quimera, um gesto raro e caro. Seguem quatro canções francesas sobre a parceria (os comparsas) e a diferença (os marginais).
Ecologicamente urbano

Maxime Le Forestier, em 1972, ”como uma árvore na cidade”. Canção ao vivo, com letra.
Gilbert Bécaud

Gilbert Bécaud partiu no dia 18 de Dezembro de 2001, há 20 anos. Um compositor e intérprete extraordinário, que “não se ouve muito nas ondas, o que, no fundo, parece miseravelmente uma falta de saber-viver e de reconhecimento” (https://soirmag.lesoir.be/263485/article/2019-12-06/gilbert-becaud-monsieur-100000-volts).
“L’important c’est la rose”. Mais “il est mort le poète”. “Et maintenant?” “T’iras pas au paradis”.
Saúde!

Viremos o disco. À parte as hegemonias e as audiências (estamos longe dos anos sessenta), a “canção francesa” sobrevive. Patrick Bruel é um cantor e ator, de origem argelina, com uma longa carreira iniciada em 1984. Publicou 11 álbuns de estúdio, 10 ao vivo e 6 em colaboração. Seguem duas canções recentes.
Paris. Yves Montand.

Vivi seis anos em Paris. Parte da minha juventude. Ainda me sinto parisiense. Admiro Yves Montand, ator e cantor francês memorável. Selecionei três canções. No vídeo da primeira, C’est si bon, aparece uma fotografia com Marilyn Monroe. Tiveram um caso, por ocasião do filme Vamo-nos amar (1960), de George Cukor. Arthur Miller acabou por se separar de Marilyn Monroe. A segunda canção é um hino a Paris. A terceira, Les feuilles mortes, um poema de Jacques Prévert, é uma canção especial.
Serge Lama. A quem não ama o suficiente

A França é o meu segundo País. Proporcionou-se assim. Aprendi a gostar da “chanson française”: La vie en rose, Les feuilles mortes, Ne me quitte pas… A “canção francesa” distingue-se pela melodia e, sobretudo, pela qualidade poética. Quando as letras não são de Verlaine, Aragon ou Prévert, são os próprios cantores poetas (Léo Ferré, Georges Brassens, Serge Gainsbourg). Serge Lama pertence a esta tradição. Escolhi três canções: Je voudrais tant que tu sois là (1977); Les ballons rouges (1967); e Je suis malade (1973). A primeira é interpretada pelo próprio Serge Lama. Nas seguintes optei pelas versões de Daniel Guichard e Lara Fabian. Sem desprimor para Serge Lama, Daniel Guichard e Lara Fabian emprestam-lhes mais raiva e dor.


