O Regresso de E.T.
O E.T. regressa 37 anos depois, em 2019, para visitar Elliot, não num filme do ainda ativo, e colaborador, Steven Spielberg, mas num anúncio natalício da Sky.
Auscultadores atléticos
Pelos resultados de exames, os médicos estimam que já tive um episódio cardíaco, mesmo sem dar conta (afinal, o que é que não tive) e algum canal parece estar algo entupido. Por um lado, receitaram uma aspirina crónica (alcancei a dúzia de comprimidos por dia), por outro, recomendam deixar de fumar e exercício físico quanto puder. Para já, vou adquirir uns auscultadores da marca Beats by Dr. Dre. Conseguem milagres!
Imitar ou igualar?

“Gostamos muito mais daqueles que tendem a imitar-nos do que daqueles que se empenham em igualar-nos. Porque a imitação é um sinal de estima e o desejo de ser igual aos outros um sinal de inveja” [Madeleine de Souvré, marquise de Sablé (amiga de Blaise Pascal). Maximes, 1678].
Imagem: Daniel Dumonstier – Portrait of Magdeleine de Souvre (1599-1678) Marquise de Sablé, 1621
O sucesso dos anúncios da John Lewis justificou “efeitos colaterais”. Tem inspirado versões alheias, autodenominadas Alternative John Lewis Adverts, que parodiam o seu estilo tradicional, independentemente do conteúdo da mensagem. Embora não pertençam à marca, criativas e esmeradas, evidenciam um sentido apurado de oportunidade. A invocação e eventual confusão com a marca oferecem uma embalagem deveras compensadora.
Seguem três exemplos: Send Me a Sign (2024); The GoKart (2022) e, mais antigo, Give Yourself (2019), que possui a virtude de enaltecer a reciprocidade.
O delírio da dádiva

“Accepter quelque chose de quelqu’un, c’est accepter quelque chose de son essence spirituelle, de son âme / Aceitar alguma coisa de alguém é aceitar qualquer coisa da sua essência espiritual, da sua alma” (Marcel Mauss, Essai sur le don, l’Année Sociologique, seconde série, 1923-1924).
Imagem: Marcel Mauss
Os anúncios de Natal da John Lewis, maravilhosos, mágicos, sentimentais e, eventualmente, nostálgicos, marcam a abertura da publicidade da época. Este ano, a estreia aconteceu anteontem, 14 de novembro.
Desta vez, sinto que exagerei a expectativa. The Gifting Hour resulta perfeito, belo e mágico, mas quanto ao resto… Falta, sobretudo, a lentidão propícia ao desenrolar vagaroso do encantamento. Assevera-se, porventura, mais realista, mais ajustado ao afogadilho atual. Os sentimentos aparecem como flashes de uma pulsação taquicardíaca. Como se já não houvesse tempo para, como diria Marcel Mauss, a alma se sedimentar na prenda!
Dominado pelo hábito, prefiro o anúncio do ano passado, The Perfect Tree, que, na linha do estilo tradicional da marca, logra aproveitar, in crescendo, compassadamente, os quatro minutos da praxe. Mas em casa há quem, com um olhar mais fresco, seja de outra opinião.
Amor de Perdição
Existem sereias anfíbias. São as mais perniciosas. Cuidado!
Doidos

Os italianos e os japoneses têm um traço em comum: como diria o Obélix, são doidos! Por massas, naturalmente. Seguem quatro anúncios a marcas de ramen escolhidos pelo nipófilo cá da casas com o intuito de relevar o cuidado com o acompanhamento sonoro, designadamente a qualidade das músicas, muitas vezes exclusivas, ou seja, produzidas ou adaptadas para o efeito.
The Tokugawa Cup Noodle Prohibition feat. Nenerobo & Mikudayo. Direção: Morii Kenshirou. 2017
R5volution

Há muito que não me surpreendia um novo anúncio do Bruno Aveillan, o meu realizador de publicidade predileto. Um artista total, com cerca de 40 anúncios no Tendências do Imaginário. Domina a arte de fazer e a arte de criar, em particular ao nível do intertextual e do subliminar. Nem a icónica baguette falta! Quanto ao resto, em equipa que ganha não se mexe: agência Publicis Conseil e produtora Quad.
Compensação

Tenho resistido a partilhar esta compilação de anúncios da marca de tabaco Hamlet. O meu grilo falante diz-me para não o fazer: na União Europeia, a publicidade ao tabaco está proibida desde 2005. Hoje, não lhe vou dar ouvidos: o sentido de humor, esse ainda não está proibido e há aproveitar enquanto é tempo. Os anúncios Hamlet têm um humor very british.
Declarações de amor pré-fabricadas
E viver sem amar não é realmente viver (Molière, La Princesse d’Élide, 1664).

Se quer arrastar a asa, mas, por qualquer motivo, prescinde da comunicação verbal ou gestual, diga-o não com flores, mas com letras. Existem declarações prontas a usar num minimercado perto de si. Haja desejo e inspiração! O anúncio “Lait drôle la vie”, do Monoprix, é lento como um caracol, mas ternurento como um coelho.
Imagem: Breviary of Renaud de Bar, Metz, 1302-1303. British Library
Acode-me a canção “Tu m’écris”, de Isabelle Mayereau, cuja letra parece um misto que sucede a Jacques Prévert e precede Mia Couto.

