Da “Banda Desenhada” Medieval à “Animação Abstrata” Contemporânea
No século XII, já se produziam histórias dispostas em séries de pequenos quadrados ilustrados. Aparecem, por exemplo, no Livro de Salmos de Canterbury, manuscrito entre 1155 e 1160.

Cerca de 850 anos depois, o videoclip The Kandinsky Effect (2010), de Manu Meyre, pode ser entendido como um exemplo de animação abstrata contemporânea, na medida em que converte os elementos geométricos e cromáticos da Composition VIII (1923), de Wassily Kandinsky, numa composição visual em movimento, articulada ritmicamente com a música Girl/Boy Song.
Imagem: Wassily Kandinsky, Delicate Tension No. 85, 1923
Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.
Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.
A Lenda da Cerveja Aloirada

O artigo Loiras com malte, de 2014, inclui dois anúncios criativos, ambos para a cerveja australiana Pure Blonde: “Pardon”, de 2010, que culmina com um arroto de cerveja que provoca a queda de um paraíso; e “A River of Blonde”, de 2013, que recorre a uma solução algo frequente: multidões a formar fluídos. O exemplo clássico deste tipo de efeito é o anúncio viral “Big Ad”, de 2005, da cerveja, também australiana, Carlton Draught.
Imagem: Giuseppe Arcimboldo (atribuído a) – Herodes, ca. 1566
Música para a Arte

A arte e a música dão-se bem juntas, mas não é muito corrente música composta para obras de arte. É todavia o caso, na Rússia do século XIX, da suite Quadros de uma exposição (1874), do Modest Mussorgsky (1839-1881), inspirada numa mostra póstuma de pinturas do amigo arquiteto e pintor Viktor Hartmann (1834-1873).
Ramalhete de músicas portuguesas

“Em período de férias, aumentam as festas (…) A minha praia anda demasiado ruidosa. Anteontem, os metal, ontem, os indie, hoje os tecno. Apetecem-me outras músicas. Dedico este ramalhete de músicas ‘tradicionais’ portuguesas aos visitantes dos demais países. A selecção é arbitrária, incompleta e a meu gosto.”
Nascer na publicidade hipermoderna

Comparando as imagens do parto medieval com os vídeos actuais, constata-se uma mudança do olhar. As iluminuras medievais são sérias e realistas, os vídeos são fictícios e cómicos. Na Idade Média, o parto não dava vontade de rir. O parto bem-disposto é apanágio da Modernidade Avançada (…) Na Idade Média, tinha-se medo de não ter filhos e temia-se a morte durante o parto. Na modernidade, tem-se receio de ter filhos e os riscos de mortalidade durante o parto são ínfimos…
Seguem quatro anúncios deveras delirantes no artigo O parto na Modernidade Avançada, colocado no dia 18 de agosto de 2015.
Poder e debilidade do riso

Todas as sociedades têm alvos predilectos de riso colectivo. Na nossa, as “loiras” funcionam como pára-raios da toxicidade humorística socialmente aceite. Estou à espera do primeiro anúncio censurado por atentar contra o bom nome das “loiras”. É só para rir! Mas o riso não é inócuo. “O riso é um prazer maligno” (Nietzsche). A única piada que não agride é aquela que se destina a outrem. Enfim, o riso não presta vassalagem à razão, o que deixa mais indefesas as vítimas. No limite, contra o riso não há argumentos. (Loiras sem malte).
Mas esta potência do riso pode também ser sinal de debilidade. Atente-se nos anúncios “Chips” e “Eggs” no artigo Loiras sem malte (18.08.2014).



