Ecoturismo: Lazer e desporto equestre em Melgaço
À minha irmã, apaixonada por cavalos
A amplitude das oportunidades de turismo, lazer e desporto do concelho de Melgaço resulta surpreendente. A paisagem natural e humana, particularmente em Castro Laboreiro, presta-se a vários tipos de percursos e passeios, incluindo equestres (consultar oferta da Ecotura em: http://www.ecotura.com/ProgramasEquestres.htm). Agradeço o conhecimento deste vídeo à página Fãs de Melgaço (https://www.facebook.com/search/top?q=f%C3%A3s%20de%20melga%C3%A7o).
Para aceder ao vídeo, carregar na imagem seguinte (ligar o som).

Melgaço: Biodiversidade e valores naturais

Entre duas sardinhas, Carlos Viana falou-me da estreia do documentário dedicado à biodiversidade, produzido pela Associação AO NORTE para o Município de Melgaço. Um assombro! Segue o respetivo teaser. Existem maravilhas que só por milagre do homem. Graças a Deus!
Melgaço: Destino turístico sustentável
“Melgaço recebeu o selo Prata da EarthCheck – órgão acreditado pelo Global Sustainable Tourism Council – GSTC para certificar destinos turísticos, tornando-se assim destino turístico sustentável certificado.”
Inocêncio e Felicidade
Domingo de Páscoa fui a Melgaço. Reencontrei familiares e amigos, almocei na Tasquinha da Portela, pasmei no pátio de infância, visitei a casa paterna e trouxe comigo o aparelho de rádio em que escutava o programa Quando o Telefone Toca, do Rádio Clube Português. Recarreguei a alma e reforcei os laços! Nota-se, não nota? Menos porque “aqui começa Portugal”, também começa a Galiza, mas talvez porque na minha aldeia morou um senhor chamado Inocêncio e uma senhora chamada Felicidade.
Insisto em colocar imagens fantásticas de Melgaço radical. Desta vez, percursos fluviais, Canyoning, pela mão da Montes de Laboreiro Animação Turística LDA, uma empresa de desporto aventura vocacionada para as práticas de turismo de natureza, sedeada na Vila de Castro Laboreiro.
Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo. E ligar o som.

Kayak na cascata do rio Laboreiro

Imagens espetaculares da prática de kayak na cascata do rio Laboreiro, em Castro Laboreiro, Melgaço. “Posiblemente sea uno de los rios más espectaculares de Europa para practicar kayak”. Felicito a Slowmo Castro Lovin’, a Pistyll Productions e os desportistas pela realização deste vídeo fantástico. Agradeço ao Fred Sousa a partilha na página Melgaço, Portugal começa aqui.
Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo.

A BBC em Lamas de Mouro e Pomares (Melgaço)

ENCONTREI! Encontrei, finalmente, imagens das filmagens da BBC, no início de setembro de 1987, dedicadas à pastorícia em Lamas de Mouro e à feira de gado cavalar e muar, em Pomares. Integram o terceiro episódio da série Discovering Portuguese, dedicada ao ensino da língua portuguesa. As sequências são poucas e breves.
Cumpriu-me, a pedido de Mário Alves, ser o anfitrião: selecionar e contatar previamente as pessoas, escolher as atividades, os locais e os percursos. Veio uma equipa com uma dezena de profissionais. Cada pessoa entrevistava assinava os direitos e recebia uma quantia em dinheiro. Durante as filmagens, só atrapalhei. No episódio da passagem do gado na ponte de Lamas de Mouro, coloquei-me do outro lado a distância, aparentemente, mais que prudente. Mesmo assim, as cabras e as ovelhas, ao ver-me, estacaram. Nem para a frente, nem para trás. Foi preciso recuá-las e voltar a filmar. A manhã foi suficiente para acabar o trabalho. Almoçámos no restaurante Mané, em Monção. Durante a viagem, a Roberta Fox, apresentadora no vídeo, fez-me companhia no meu carocha 1500 cor-de-laranja, que tinha o vício, para além da gasolina, de, sempre que travava, guinar para a direita. A carta de condução ainda estava fresca. E ela estava com pressa. À tarde, iam filmar a festa de Nª Senhora da Bonança, em Vila Praia de Âncora. Acredito que esta viagem foi a maior aflição da sua estadia em Portugal.
Logo no início do vídeo, aparece a passagem do gado na ponte de Lamas e a feira do gado em Pomares, e, a partir do minuto 19’, a reunião do gado proveniente de várias cortes, característica da vezeira, e a entrevista à pastora. É pouco, mas sempre é uma ponta por onde se pode pegar para tentar aceder a outras partes então gravadas.
Este documentário não vale apenas pela presença de Lamas de Mouro e Pomares. Vale também pelas imagens de outras terras do Norte de Portugal e pelos testemunhos, entre outros, de José Saramago, após a publicação da Jangada de Pedra (1986), e Mário Soares.
Pós-modernidade avançada

Tudo no anúncio Get Out And See The Worlds, da Meow Wolf (https://meowwolf.com/), é grande. Grande a Meow Wolf, “uma empresa americana de artes e entretenimento que cria instalações de arte imersivas em grande escala, bem como produz conteúdo de streaming, vídeos musicais e festivais de arte e música” (https://en.wikipedia.org/wiki/Meow_Wolf); grande a agência de publicidade, a Wieden+Kennedy, uma das melhores do planeta; a produtora Biscuit Filmworks; e o próprio anúncio, dois minutos e meio de imaginação e efeitos especiais. Anuncia-se a inauguração de um gigantesco “parque temático” em Denver, a Convergence Station, com resmas de km2, cenários, artistas, performances, mundos paralelos, alta tecnologia, imersão e emoção. Lembra-me o comboio fantasma da minha infância. Estimo o anúncio e o projeto tão interessantes que, caso regresse às aulas, que penso passa-lo aos alunos como exemplo de recurso à tecnologia, ao fantástico e ao grotesco na era da pós-modernidade avançada.
ADN e relações internacionais

Como sublinhava Claude Lévi-Strauss (L’Identité, 1977), a identidade forja-se face aos outros. Frequentemente, é conflitual (Georges Balandier, Sens et Puissance, 1971). A relação entre o México e os Estados-Unidos tem sido problemática. Os anúncios da AeroMexico comprovam-no. Quando os teus vizinhos são preconceituosos, aproxima-os e dá-lhes um desconto (vídeo1). Quando são uma ameaça, firma posição e denuncia (vídeo 2). Dois anúncios geniais.
Simulacro de pensamento

Durante as férias, passo os dias na varanda, a fumar. Dá para observar os transeuntes. Alguns param, como quem escorrega, em frente à casa do António Pedro. Que fotografam os telemóveis? Uma placa de homenagem. E seguem caminho, entregando-se a um novo ofício: o turismo. A fumar, preparo as aulas. Por exemplo, sobre as noções de extensão do homem, de Marshall McLuhan (Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem, 1964), e de reificação, de Georg Lukács (História e Consciência de Classe, 1923) a Herbert Marcuse (O Homem Unidimensional, 1964). O telemóvel/câmara é uma mediação entre o ser humano e a realidade envolvente. Um terceiro olho junto ao corpo. Capacita-nos para o que nos é impossível. Numa situação limite, quem é, afinal, a extensão e quem é o sujeito, o extenso? Quem influencia quem? A extensão pode adquirir “vida” e efeitos próprios como os objectos de E.T.A. Hoffman (O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos, 1816) ou a mercadoria de Karl Marx (O Capital, Livro I, 1867). É um tópico corrente na ficção científica. O telemóvel/câmara é uma extensão do homem que interfere na sua relação com a realidade. Os postais ilustrados provocaram, no início do século XX, uma “postalização da experiência” (Martins, Moisés de Lemos (dir.), 2017, Os postais ilustrados na vida da comunidade, CECS). As paisagens, as cidades e as pessoas passam a enquadrar-se à luz do formato postal. Nunca, como hoje, a vida se aproximou tanto de um álbum de fotografias. “Mosaicos”! Dia a dia, dose a dose. O Facebook não engana!
Os teóricos da reificação, incluindo os sociólogos da Escola de Francoforte, nomeadamente Theodor W. Adorno (com Max Horkheimer, Dialéctica do Esclarecimento, 1944) e Jurgen Habermas (Técnica e Ciência como “Ideologia”, 1968), não se fariam rogados a falar, neste caso, em fetichismo. O turista tira uma fotografia à placa comemorativa na casa de António Pedro. Uma câmara, uma extensão do homem, capta uma placa comemorativa, uma inscrição do homem. Tudo se passa como se acção se processasse entre objectos que estão à superfície e no exterior do homem. Estamos num mundo de coisas, em que uma coisa, a mediação, a câmara, substitui o sujeito e outra coisa, a placa comemorativa, se sobrepõe ao todo, subsume a casa e o António Pedro. Eis a dança da reificação. A acção do turista resume-se a uma câmara e a uma placa. O resto são suportes.
Imaginemos! A imaginar aprende-se. Passam pessoas a falar ao telemóvel. Algumas gesticulam. Como se estivessem sob o olhar do interlocutor. Por quê? Por histerese do habitus, diria Pierre Bourdieu (Meditações Pascalianas, 1997). Habituadas à comunicação não-verbal na interacção presencial, as pessoas utilizam-na a propósito e a despropósito. O que é a histerese? Na Física, “a histerese é a tendência de um sistema de conservar suas propriedades na ausência de um estímulo que as gerou”. Por exemplo, quando alguém, como a “Maria Papoila” (1937), migra do campo para a cidade. Por um tempo, reage na cidade como se estivesse no campo. Admito que a gesticulação ao telemóvel não é uma histerese canónica. Pierre Bourdieu não a validaria. Mas um exemplo não precisa de ser verdadeiro para ser pedagógico. Imaginado ou não, este exemplo comporta falhas. A gesticulação ao telemóvel pode remeter mais para um automatismo do que para uma incongruência. Fale o que falar, como e com quem, a pessoa entrega-se a uma “coreografia” que lhe é natural. Acresce que a gesticulação pode relevar mais da esfera da emissão do que da esfera da recepção. Os gestos podem ser mais úteis ao emissor, para autogerir, por exemplo, emoções, do que ao destinatário. A linguagem corporal não é um complemento, faz parte da linguagem como um todo. Pierre Bourdieu teria razão, a gesticulação ao telemóvel pode não relevar de uma histerese do habitus. Para coroar este simulacro de pensamento, convenha-se que é raro as pessoas gesticularem enquanto falam ao telemóvel.
De qualquer modo, imaginar é importante. A maioria das descobertas científicas passa por fases decisivas de imaginação. No ranking dos livros de sociologia mais influentes no século XX, A Imaginação Sociológica (1959), de Charles Wright Mills, ocupa o 2º lugar. O livro de Martin Jay sobre a Escola de Francoforte tem o título A Imaginação Dialéctica (1973). A imaginação dialógica (1975) é o título de um livro de Mikhail Bakhtin.
Este texto é intragável. Começa barroco e acaba maneirista. É um desfile de autores. Ou se escreve um texto ou se faz uma vénia. É louvável subir aos ombros de um gigante, já não o é arrastar-se aos seus pés. Este texto é pedante? Não, pedante é quem o escreveu.

01. Marshall McLuhan 
02. Georg Lukács 
03. Herbert Marcuse 
04. E.T.A. Hoffmann 
05. Karl Marx 
06. Moisés de Lemos Martins 
07. Theodor W. Adorno 
08. Jurgen Habermas 
09. António Pedro 
10. Pierre Bourdieu 
11. Charles Wright Mills 
12. Martin Jay 
13. Mikhail Bakhtin


