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Pelas alturas

Por mais alto que algo seja lançado é à terra que regressa (provérbio africano)

Ando saído, surpreendendo-me atraído pelas alturas. O que dá que pensar… Depois do planalto de Castro Laboreiro, a subida ao cume do Monte de Santa Tecla. Seja qual for o ponto cardeal, surpreendem-nos paisagens fantásticas sobre o vale e o estuário do rio Minho e a orla marítima a perder de vista, tanto para o lado de Moledo como de Laguardia. Acompanhado pela Rosa, pelo Agostinho e pelo Daniel Noversa, as fotografias são da autoria deste último.
Aproveito para acrescentar uma dezena de fotografias da viagem a Castro Laboreiro, desta vez da autoria do Américo Rodrigues e do José Domingues.

Imagem: Monte de Santa Tecla visto de Moledo

Galeria 1: Vistas a partir do Monte de Santa Tecla

Galeria 2: Castro Laboreiro

Vangelis – Ask the mountains. Voices, 1995
Manfred Mann’s Earth Band – Visionary Mountains. Nightingales & Bombers, 1975

São João da Idade

Passei o São João com pessoas da mesma idade. Ou próxima. Um dia no arraial do Centro Social da Paróquia de Gualtar; o outro em passeio por terras do Laboreiro.

No arraial, com a vitalidade e a animação dos mais velhos numa festa cuja organização foi da responsabilidade da Filipa, aluna de uma aluna minha.

A visita a Castro Laboreiro requereu mais energia. Há anos, prefiro não os contar, que não ensaiava uma saída de casa tão longa: 12 horas. Para lograr tamanha proeza, só graças ao Laboreiro, ao São João, ao solstício de verão e, sobretudo, à companhia (dois homens da montanha, o Américo Rodrigues e o José Domingues, e dois “plicas” urbanos, o Eduardo Pires de Oliveira e o Alberto Gonçalves). Recomendo a experiência da transição, quase abrupta, da verticalidade do vale, com desfiladeiros, cumeadas, fragas improváveis, pontes e carvalheiras para a horizontalidade do planalto, a roçar o céu, apaziguador e enigmático, com vegetação rasteira, uma ou outra cotovia, ave de rapina ou lebre, bastantes bovinos e garranos, mamoas e dólmens, e horizontes a perder de vista. “Brutal”!

Seguem duas galerias de imagens: a primeira com fotografias do arraial do Centro Social da Paróquia de Gualtar, disponibilizadas por este Centro; a segunda com fotografias da visita a Castro Laboreiro, todas da autoria do Alberto Gonçalves.

Galeria 1: Arraial de São João no Centro Social da Paróquia de Gualtar

Galeria 2: Passeio por terras do Laboreiro (fotografias de Alberto Gonçalves)

Zodíaco do Antigo Egipto. Entre o sonho e a realidade

Templo de Khnum, deus com cabeça de carneiro, em Esna, no Alto Egito. Detalhe

“Dói-te alguma coisa?
Dói-me a vida, doutor.
E o que fazes quando te assaltam essas dores?
O que melhor sei fazer, excelência.
E o que é?
É sonhar.”
(Mia Couto, O fio das missangas. Caminho, 2003)

Sonho, logo insisto! No palco de um teatro grego, a Universidade retira a máscara clássica e anda de mãos dadas com a Farsa, enquanto, devagar e sorrateiro, se aproxima o Trágico. Dou um esticão nos neurónios e catapulto-me para o outro lado do Mediterrâneo. No que resta do Templo de Khnum em Esna, no Alto Egito, a 50 quilômetros ao sul de Luxor, a poeira de séculos e as inconveniências das aves ocultam relevos magníficos e pinturas prodigiosas.

Oportuna, uma equipa de arqueólogos da universidade alemã de Tübingen empenha-se numa lenta e longa limpeza, sistemática, profunda e cuidada das colunas, paredes e tetos. À semelhança dos frescos e mosaicos de Pompeia, o que cobre acaba por preservar. Oferece-se uma policromia extraordinária, quase intacta, de deuses híbridos e figuras astrológicas, incluindo um zodíaco da era ptolemaica, motivo raro importado dos babilónios ou dos romanos, que, milenar, nos interpela. Um tesouro insuspeito de cores vivas. O Egipto não se cansa de nos surpreender!

E flutuo, lúdico, a ensaiar identificar os signos: sagitário, escorpião, leão, balança, gémeos… Eis que, de súbito, esferas animadas dançam na noite escura do ecrã. Estremeço, belisco-me, esfrego os olhos… Afinal, não são sonhos, senhor(a), mas realidades!

Galeria: Fotografias do Templo de Khnum em Esna, no Alto Egipto

Pós-Graduação em Património Cultural Imaterial

Está aberta, até ao 19 de julho de 2024, a 1ª fase de candidaturas ao curso de Pós-Graduação em Património Cultural Imaterial da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, projeto em que estou envolvido e empenhado desde a sua criação.

Segue em anexo um folheto de divulgação da Pós-Graduação, sendo que o edital de concurso e o formulário de candidatura podem ser consultados em: https://www.ese.ipp.pt/cursos/editais/pos-graduacoes.

Para saber mais sobre o curso, estão disponíveis duas sessões de esclarecimento online:

1.ª sessão, 7 de Maio de 2024, pelas 18h00

ID da reunião: 879 5473 8580

2.ª sessão, 26 de Junho de 2024, pelas 19h00

ID da reunião: 879 5473 8580

Apresentação de dois livros: Festas de São João de Sobrado / Mosteiro de Tibães

Sexta, dia 15 de março de 2024, pelas 21H00 no Centro de Documentação da Bugiada e Mouriscada, em Sobrado, Valongo, decorrerá a apresentação do livro “São João De Sobrado: A Festa da Bugiada e Mouriscada”, da autoria de Rita Ribeiro, Manuel Pinto, Albertino Gonçalves, Alberto Fernandes, Luís Cunha e Luís António Santos. Os promotores são a Comissão de Festas do São João de Sobrado 2017 e a Associação São João de Sobrado.

Sábado, dia 16 de março de 2024, às 15 h, na Sala do Capítulo do Mosteiro de Tibães, decorrerá, promovida pelo Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães, GAMT, a apresentação do livro “Para uma interpretação do mosteiro: Tibães do espaço à vivência, da materialidade à simbólica”. A publicação será apresentada pelo Professor José Carlos Miranda, da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (UCP – Braga).

Pós-Graduação em Património Cultural Imaterial

Encontra-se aberto o concurso para admissão de candidatos à frequência do Curso de Pós-Graduação em Património Cultural e Imaterial, na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto, em cuja docência terei o gosto de colaborar. O respetivo Edital está acessível no seguinte endereço: https://www.ese.ipp.pt/cursos/editais/copy_of_Edital.Pos.Graduacao.Patrimonio.Cultural.Imaterial.2023_signed.pdf.

Para mais informação sobre o curso, carregar no seguinte endereço: https://www.ipp.pt/ensino/cursos/pos-graduacao/ese/907.

Avaliação dos impactos económicos e sociais da Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura. Relatórios

O blogue Margens acaba de publicar uma análise das repercussões da Capital Europeia da Cultura em 2012 no desenvolvimento do concelho de Guimarães, volvidos dez anos, da autoria de Samuel Silva, que integrou a equipa, que coordenei, do Instituto de Ciências Sociais responsável, a seu tempo, pela avaliação dos impactos sociais e culturais do evento. Pelo interesse, oportunidade e lucidez, recomendo o artigo E tudo se transforma? (https://margens.blog/2023/04/15/e-tudo-se-transforma/).

Aproveito o ensejo para partilhar dois relatórios, em português e inglês, da avaliação dos impactos económicos e sociais da Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, publicados em 2012 e 2013: intercalar (fevereiro de 2013) e final (setembro de 2013).

Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura. Impactos Económicos e Sociais. Relatório Intercalar – Fevereiro 2013 – Universidade do Minho:

Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura. Impactos Económicos e Sociais. Relatório Final – Setembro 2013 – Universidade do Minho:

Queima-santos

Alumiada a São Tomé. Penso. Melgaço. 20.12.2022

Ontem à noite vi o filme Diamantino (2018), de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, que uma colega amiga, a Isabel Macedo, teve a gentileza de me proporcionar. Mais um caso em que o humor e a fantasia se insinuam como via de acesso à realidade! Quase premonitório.

No rescaldo do Mundial de Katar, surpreendi-me a cogitar sobre o poder do pontapé. Um único pontapé é capaz de consagrar ou humilhar, de promover um jogador, ou uma equipa, a herói divino ou reduzi-lo a figurante desgraçado. No Mundial, foram muitos, demasiados, os jogos decididos por desempate por grandes penalidades. Até a final! Manifesta-se assombroso o alcance planetário de um simples pontapé! Pontapé na bola; pontapé no mundo! Resulta resplendor ou apagamento, anjo ou besta. Fenómeno pouco lógico, porventura mágico-religioso. Em verdade vos digo, a sensatez humana não vale um tostão.

Diamantino. Trailer oficial. Direção: Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt. Portugal, 2018

Eutirox é um medicamento incómodo. Tomado de manhã em jejum, convém aguardar meia hora até ao pequeno almoço. No intervalo, acontece recostar-me a ouvir música e voltar a adormecer. Momento propício a sonhos que o acordar costuma recordar.

Diamantino. Excerto. Cannes 2018

Hoje, em sonho, regressei à infância, irritado com a nomeada de queima-santos atribuída aos residentes de Prado (São Lourenço), minha terra natal. Desviado o olhar para o mapa, os limites da freguesia começam a expandir-se até coincidir com o País, Portugal (Santa Maria), agora travestido de “mátria” de queima-santos! Novo salto até à Alumiada a S. Tomé, na freguesia de Penso, em Melgaço. Fachos de palha de centeio incendeiam a noite (ver vídeo 3). Os participantes acabam por se juntar numa fogueira colossal (vídeo). Mas, em vez de São Tomé, aparecem São Cristiano e São Fernando, consumidos pelas chamas como o boneco, também de palha, do “entroido” de Castro Laboreiro. Tomados por uma fé avessa a falhas (pecados? traições?), atentos aos profetas da comunicação social, os queima-santos sentam-se à volta da fogueira, à espera de novas epifanias, novos êxtases e novas santificações.

Acordei envergonhado com o meu subconsciente.

Freguesia de Penso alumia a São Tomé e cumpre tradição antiga | Altominho TV. 21.12.2022

Há vinte anos escrevi um artigo dedicado ao futebol. Desde então muita água correu; o texto permaneceu enxuto. Permito-me recolocá-lo.

A Ponte dos Suspiros

Ponte dos Suspiros. Veneza

Impressiona a quantidade e a diversidade de discos que adquiri em Paris. Em livros, discos e viagens gastava quase todo o meu salário do Banco Pinto & Sotto Mayor. Somando o convívio emigrante, a universidade e os amores, a pouco mais se resume o currículo entre os 16 e os 23 anos, 1976 e 1982. Resistente à plena integração, nunca resolvi plenamente o regresso a Portugal. Oscilo como o asno de Buridan, atravessado numa “ponte de suspiros”.

Em Veneza. 1978

Jovem, viajava quase sempre só, pouca bagagem, travelers cheques da American Express na carteira e destino mal definido. A ausência de companhia tem uma vantagem: abrimo-nos mais aos outros e os outros abrem-se mais a nós. Em finais de agosto de 1978, terminado o trabalho no banco, parti rumo à Jugoslávia. Veneza era ponto de paragem. Chegado, não consegui hotel. Tudo lotado. Não costumava reservar hotéis. Não sabia os dias de chegada nem de partida. Consoante se proporcionava. Por exemplo, demorara mais tempo do que previsto na Suíça. Retomo caminho rumo a Trieste. Veneza ficaria para o regresso. No comboio, conheci duas jovens. Convidaram-me a pernoitar em Portogruaro, a umas dezenas de km de Veneza. Decorria um festival jazz. Deixei-me hospedar durante quase duas semanas. Conheci Veneza como poucos. Uma das jovens, professora de biologia, foi uma excelente guia. Prossegui para a Jugoslávia, com duas semanas de atraso. Regressei a Paris no fim de outubro, tinham começado as aulas há quase um mês. Assim era naquele tempo.

Hoje, deparei com o LP Bridge of Sighs, estreado em 1974. Guitarra potente, desenvolta e expressiva, com remanescências de Jimi Hendrix, interpretada por um antigo membro dos Procol Harum: Robin Trower. Viro o disco e toca outra música, talvez apenas apreciada por alguns amigos, os nostálgicos dos anos setenta.

Ao ver o Robin Trower, com 76 anos, a tocar com tanta agilidade, apetece retomar a aprendizagem adolescente da guitarra. Tenho a Fender Stratocaster do meu filho, basta comprar uma acústica. Só preciso de um mestre. Infelizmente, o primeiro, o John, está demasiado longe, no Canadá (ver https://www.youtube.com/watch?v=xH6EaTuavJk e https://www.youtube.com/watch?v=W0qsuGpJHqI).

Robin Trower. Bridge of Sighs. Bridge of Sighs. 1974. Ao vivo: Tops of the Pops BBC, 1974.
Robin Trower. Daydream. Twice Removed from Yesterday. 1973. Ao vivo, 2013.
Robin Trower. Birdsong (Official Video). No More Worlds to Conquer. 2022

Noite dos Medos

Chuva de gente na Noite dos Medos em Melgaço. Segue a reportagem da Altominho.tv acompanhada por uma galeria de imagens do concurso na Casa da Cultura, da procissão pelas ruas da Vila e da concentração na Torre de Menagem (fotografias da página do Município de Melgaço no facebook: https://www.facebook.com/search/top?q=munic%C3%ADpio%20de%20melga%C3%A7o).

Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo com a reportagem da Altominho.tv.

Altominho.tv. Noite dos Medos. Melgaço. 29 de novembro de 2022