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Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

As coisas que temos de aprender antes de fazer, aprendemo-las fazendo-as – por exemplo, os homens se tornam construtores construindo, e se tornam citaristas tocando cítara; da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos, moderados agindo moderadamente, e corajosos agindo corajosamente (Aristóteles. Ética a Nicômacos. Livro II, 1103b. Trad. de Mário da Gama Kury. Brasília, Editora Universidade de Brunia, 1985).

Dos temas para o cortejo histórico de Melgaço de 2024, a lenda da Senhora da Orada foi o primeiro a surgir, tendo sido adotado sem hesitação.
Convocava, antes de mais, um notável património cultural imaterial exclusivo do concelho.
Mas também envolvia vários elementos importantes do património histórico material local. A inserção no cortejo permitiria divulgá-los.

Fotografia – Miguel Bandeira

Por outro lado, reunia potencialidades de caraterização, encenação e interpretação suscetíveis de interessar, atrair e entusiasmar tanto os participantes como os espetadores.

Por último, tanto a distribuição por determinadas freguesias como a respetiva adesão e empenho não comportavam incertezas e obstáculos relevantes.

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

Antiga, a lenda da Senhora da Orada tem raízes seculares. Remete para um surto de peste ocorrido no século XVI. Embora associada à respetiva capela em Melgaço, o enredo envolve populações de outros concelhos.

Segue uma reprodução integral da lenda, precedida por um breve resumo:

Em 1569, grassava a peste. Tomé, alcunhado o Vira-pipas por andar sempre alcoolizado, cuidava da capela da Senhora da Orada. Certa manhã, surpreendeu-o a ausência da imagem da Senhora. Tê-la-iam roubado? À noitinha, voltou com um amigo para testemunhar o incidente; a Senhora estava, para sua surpresa, no seu lugar. O Vira-pipas até deixou de beber, mas o fenómeno repetia-se: a Senhora ausentava-se de madrugada e regressava ao anoitecer. Temendo o ridículo, guardou segredo.
Entretanto, a uma vintena de km, em Riba do Mouro, apareceu uma dama que se empenhava a cuidar dos doentes. Vinha de manhã e despedia-se ao anoitecer. Passada a epidemia, constatou-se a inexistência de vítimas na freguesia e reconheceu-se a semelhança entre a dita dama e a imagem da Senhora da Orada.
Os testemunhos do Vira-pipas e de Riba de Mouro cruzam-se. Tudo aponta para a intercessão milagrosa da Santa. Como agradecimento, o povo de Riba de Mouro compromete-se a vir todos os anos em clamor à capela da Senhora da Orada.

Lenda da Senhora da Ourada

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Esta lenda envolve um património material histórico notável.
Em primeiro lugar, a capela, um monumento nacional de estilo tardo-românico, cuja construção teve início em 1245, em local onde, presumivelmente, já existia um eremitério, referido em documento de 1220. Em 1166, a Orada já é mencionado numa “doação a favor do Mosteiro de Fiães pela Condessa Froila [Fronilla]”:

Fotografia: Miguel Bandeira

A Condeça Dona Fronilla deu a este Mosteiro, & ao seu Abbade João em Janeiro do anno 1166, a quinta de Cavalleiros junto de Melgaço, cousa boa, particularmente de vinhas : & entendemos que com ella lhe daria tambem a Igreja de Nossa Senhora da Oráda alli pegado, que os Frades dizem foy Mosteiro de S. Bento, & fundado quando se edificou o de Feaens, de que veyo a ser Priorado : outros dizem (o que tenho por mais certo, & alguns sinaes mostra para isso) que foy de Cavalleiros Templarios, de que esta quinta tomou o nome, & era passal seu. Pouco ha se lhe vião ruínas de cellas, claustros, & canos de pedra, pelos quaes lhe vinha agua  (P. Antonio Carvalho da Costa, Corografia Portugueza, e Descripçam Topografica do Famoso Reyno de Portugal,Tomo Primeiro, 1ª edição em 1706, 2ª edição, Braga, Typographia de Domingos Gonçalves Gouvea, 1868. p. 259).

Válter Alves, a propósito da proveniência e significado do nome Orada, releva um número apreciável de referências à palavra em documentos dos séculos XII e XIII [As origens da Orada (Melgaço) – algumas notas para discussão, Melgaço, entre o Minho e a Serra: https://entreominhoeaserra.blogspot.com/2023/08/as-origens-da-orada-melgaco-algumas.html%5D.

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

Próximo da capela, com uma vista ampla sobre o rio Minho, ergue-se o Cruzeiro da Orada: “Datado de 1567 ele é um ex-voto dos melgacenses daquela era, ali colocado naquele ano de peste, para agradecer a Deus ter poupado Melgaço aos seus horrores ou a pedir um Pai nosso por alma dos ceifados por ela nestas redondezas” [Obras completas de Augusto César Esteves. Vol. I. Tomo 2. Melgaço: Câmara Municipal de Melgaço, p. 552]. Repare-se que a construção deste cruzeiro precede dois anos a data apontada na lenda.

Perto, situa-se a pequena capela de São Julião. “As primeiras referências ao edifício datam da primeira metade do século XIII e indicam que, neste local, ou anexo a ele, existia uma gafaria, que funcionava como local de acolhimento no caminho entre a vila de Melgaço e a ermida de Nossa Senhora da Orada” (https://servicos.dgpc.gov.pt/pesquisapatrimonioimovel/detalhes.php?code=73898). Destinado a leprosos (denominados também gafos ou lázaros), ter-se-ia chamado Hospital de São Gião (A Gafaria de Melgaço. melgaçodomonteàribeira, 06.04.13: https://iasousa.blogs.sapo.pt/99284.html).

Por razões práticas e simbólicas, os edifícios religiosos e as gafarias costumavam localizar-se junto a nascentes e cursos de água. Entre as capelas da Nossa Senhora da Orada e de São Julião existe uma nascente cuja importância justificou a construção de uma fonte imponente na segunda metade do século XVIII. Terminada em 1780, foi financiada por João Pedro de Sá, juiz de fora de Melgaço, com o apoio de vários donativos de famílias aristocráticas locais. Com uma planta retangular e corpo de cantaria de granito, o espaldar, de estilo barroco, apresenta-se generosamente decorado. Conhecida como fonte de São João, foi transferida em 1903 para a atual Praça da República.

Trilho entre a Fonte de S. João e a Capela da Orada. A partir de Wikiloc. Camiñando por Melgaço (Portugal)

O antigo e o atual lugares da fonte de São João, a capela de São Julião, a capela e o cruzeiro da Orada estão interligados por um percurso curto, fácil e agradável, que ganharia, no meu entendimento, em ser promovido como um trilho temático.

A devoção à Nossa Senhora da Orada estende-se de Norte a Sul de Portugal, do Alto Minho ao Algarve. Existem, por exemplo, santuários em Vieira do Minho e São Vicente da Beira, igrejas em Sanfins, Sousel e Borba, capelas em Cabeceiras de Basto e Ferreira do Zêzere e uma ermida em Albufeira. A capela da Senhora da Orada de Melgaço é, contudo, a mais antiga.

Fotografia – Município

Também coexistem diversas lendas. Mas muito distintas da lenda de Melgaço. Por exemplo, Vieira do Minho e São Vicente da Beira partilham uma mesma lenda, que envolve meninas inocentes e serpentes:

Uma jovem surda-muda que de um dia para outro começou a crescer-lhe a barriga, tudo fazendo crer que estava grávida (…) Como não era casada, a jovem foi fortemente condenada pela comunidade e pelos pais, que não hesitaram em castigá-la severamente. A jovem, que por ser muda, não se podia defender, foi expulsa de casa dos seus pais e levada para um bosque fora da povoação, onde se situa hoje o santuário da Senhora da Orada. Neste degredo e perante o desespero, a jovem suplicava noite e dia pela proteção divina. No meio desta angustiante súplica de oração, apareceu-lhe Nossa Senhora que mandou a jovem procurar um recipiente e um pouco de leite e se debruçasse sobre ele. Nesse instante saiu pela boca uma enorme cobra, que tinha sido ingerida pequenina quando a jovem bebeu água num riacho. (…) Para a jovem, e depois para a comunidade, isto foi considerado um milagre. A rapariga foi perdoada e regressou para casa. Querendo saber como poderia agradecer tal benesse, Nossa Senhora voltou a aparecer à jovem surda-muda e pediu-lhe que lhe construíssem uma capela onde tinha acontecido o milagre (José Carlos Ferreira, Francisco de Assis, Património de Vieira, Vieira do Minho, Câmara Municipal de Vieira do Minho e Empresa do Diário do Minho, Lda, 2007, pp. 212 – 213).

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

Na Festa das Papas de Gondiães, em Cabeceiras de Basto, a narrativa que justifica a celebração resulta homóloga à da Senhora da Orada de Melgaço. O motivo é o mesmo, a salvação da peste, também se admite a intercessão divina e se assime um compromisso anual. Só que o santo é outro, São Sebastião, por sinal o mais invocado contra a peste. Por outro lado, o enredo resulta pobre, praticamente inexistente, e a ação de graças consiste, em vez de um clamor, num banquete, ao ar livre, oferecido a todos aqueles que comparecem no dia do santo, 20 de janeiro. Em Ferreira do Zêzere, no dia da festa da Senhora da Orada também se oferecia um jantar, custeado pela confraria, mas limitado aos pobres.

Em suma, a lenda da Senhora da Orada, além de original, vincula-se a um contexto e a um património histórico e cultural singulares, únicos.

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município
Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Texto do clamor

Curiosamente, a lenda da Senhora da Orada de Melgaço alude explicitamente apenas à freguesia de Riba de Mouro. Se é verdade que esta população honrou o compromisso, cumprindo ano após ano, século após século, a promessa (até meados dos anos cinquenta), este destaque pode induzir em erro. Como o reconhece o Padre Bernardo Pintor, pároco da freguesia, já naquele tempo, os clamores à Senhora da Orada abundavam dentro e fora do concelho de Melgaço.

À Senhora da Orada afluíam clamores de penitência de várias freguesias. (…)
No primeiro quartel do nosso século ainda se realizavam os clamores das freguesias mais próximas da vila. Com várias intermitências vieram a terminar durante o segundo quartel deste século.
De todos esses antigos clamores, houve um que ultrapassou o meio deste século. Foi o de Riba de Mouro, freguesia do antigo concelho de Valadares e agora de Monção.
As freguesias de Melgaço realizavam os seus clamores na Quinta Feira da Ascensão, dia santo de guarda e feriado municipal, e Riba de Mouro sempre teimou em ir à Senhora da Orada na Segunda Feira do Espírito Santo com o seu clamor independente, a que se associava muita gente da vila em gesto de simpatia.
No mesmo dia realiza-se em Rouças a festa de Santa Rita, cujo santuário se desenvolveu nos últimos tempos atraindo o povo da Vila. Riba de Mouro, terra distante, começou em 1954 a fazer o clamor da Senhora da Orada no Santuário de Santo António de Val-de-Poldros, da mesma freguesia, continuando ainda a promovê-lo, embora em data diferente.´
A peste a que se refere Frei Agostinho de Santa Maria deve ser qualquer das epidemias da segunda metade do século XVI.
Três grandes epidemias grassaram em Lisboa e se estenderam ao país inteiro: a de 1568-69 que deu origem à festa da Senhora da Saúde que ainda se realiza em Lisboa com carácter oficial, a de 1579 e a de 1598-99 que de novo se ateou no fim de 1599 e se prologou até 1602.
De todas a maior foi a primeira e a menor a segunda.”
(P.e M. A. Bernardo Pintor, Melgaço Medieval, s.l., [Comp. e imp. nas ofic. gráf. Augusto Costa & C.a, L.da], 1975, pp. 117-118)

A peste não era, naturalmente, o único motivo para a realização de clamores. Os santos costumam prestar-se a diversos usos. São polivalentes.

“A Imagem da Senhora (…) que agora exise he muito devota, & de perfeytissima escultura, tem ao Menino Deos sobre o braço esquerdo, & tem cinco palmos de estatura; he de madeyra com as roupas estofadas de outo. He muito milagrosa, & como tal he buscada, & invocada da devoção dos fieis, os quaes por sua intercessão alcanção de seu Santissimo Filho, o que justamente pretendem. A este Santuario, desde o dia da Ascenção do Senhor até a festa do Espirito Santo vão em romarias as mais das Freguesias da Villa de Monçaõ, & do seu termo, a offerecer o residuo do cirio Paschal, & acompanha a procissão ao menos huma pessoa de cada Casa, com os seus Parochos, & isto por voto antigamente fizeraõ em tempo de huma grande peste, de que ficou preservada a mesma Villa, & as Freguesias do seu termo, as quaes fizeraõ o referido voto; & tambem muytas Freguesias do termo de Valadares, & todas as do termo de Melgaço , vaõ em procissaõ à Senhora e no mesmo tempo, humas por devoçaõ, & muytas por voto, com clamores, & procissaõ ao mesmo Santuario, para implorar da Senhora favores do Ceo. E tambem em tempo que se necessita de Sol, ou de chuva, vaõ muytas Freguesias em procissaõ com ladainhas, a pedir à Senhora os soccorra; o que com evidencias experimentão, porque esta misericordiosa Senhora lhes alcança logo os bons despachos de tudo o que pedem” (Frei Agostinho de Santa Maria (1712) – Santuário mariano, e história das imags milagrosas de Nossa Senhora… Tomo IV, Oficinas de António Pedrozo Galram, Lisboa, 1712, p. 251).

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

Esta devoção e esta polivalência observada por Frei Agostinho de Santa Maria em 1712, prossegue, como sustenta Válter Alves, nos séculos seguintes:

“Diga-se que a devoção à Nossa Senhora da Orada continuava viva e socorremo-nos de alguns episódios que o comprovam. Em anos de crise agrícola, o concelho vinha em procissão à capela pedir proteção e implorar socorro divino. Assim aconteceu em 1760, devido ao rigor da chuva, bem como em 1768, ou em 1778 por causa da estiagem. Lá foi também depois do sismo de 31 de Março de 1761, onde toda a comunidade foi descalça, com cordas ao pescoço e coroas de espinho na cabeça” (As origens da Orada (Melgaço) – algumas notas para discussão: https://entreominhoeaserra.blogspot.com/2023/08/as-origens-da-orada-melgaco-algumas.html).

Na primeira metade do século XX, ainda era concorrida a romaria. Por vezes, os ânimos exaltavam-se em demasia, como aconteceu nesta espécie de “luta sacerdotal pelo pálio” durante um clamor proveniente da freguesia de Roussas.

António Augusto Gonçalves Ribeiro. Recordações de Melgaço. Os Clamores da Ascensão. Notícias de Melgaço. Ano 21, nº 918, 04.12.1949

Apesar da proibição formal pelo governo desde 1940, os clamores continuaram a realizar-se nas áreas mais rurais e tradicionais. Em 1950, o clamor de Riba de Mouro à Senhora da Orada ainda é notícia. Digna de nota é, neste contexto, a prévia autorização da realização de clamores no ano seguinte por parte do Arcebispo Primaz de Braga (reproduzo a página inteira do jornal porque inclui dois temas passíveis de interessar: “Apreensão do rebanho de Portelinha” e “Pelo Hospital”; carregar na imagem seguinte para aumentar).

Notícias de Melgaço. Ano 22. Nº 935. 11 de Junho de 1950. p. 2

Entre os séculos XIV e XVIII, os dois cavaleiros do Apocalipse mais proeminentes foram a Peste e a Morte. Como cantam os Aguaviva, a Morte era a única a vencer a Peste. Um “castigo de Deus” que só a interferência sagrada podia aliviar. O ser humano nunca viveu tão rodeado e obcecado pela Morte. Aliás, o medo da Morte chegou, porventura, a ofuscar o do Diabo. Assim o revela, pelo menos, a arte daquela época.

Aguaviva. La peste e La niña de Hiroshima. Apocalipsis. 1974

Tal como as fotografias e os postais constituíram o principal recurso para caraterizar ambientes, personagens, adereços e atividades respeitantes às Termas do Peso, no caso da lepra e da peste socorremo-nos de pinturas e gravuras da época.

Galeria com imagens da peste

Sobre a peste e a lepra pouco há acrescentar que estas imagens não expressem: promiscuidade, desespero e triunfo da morte. Algumas até o cheiro pestilento, nauseabundo e inevitável, conseguem sugerir. O último grande surto de peste, a “gripe espanhola” (a variante pneumónica), ocorreu há um século, em 1918 e 1919. A peste e a lepra ainda existem em alguns países, mas já são curáveis.

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

No cortejo histórico praticamente nada faltou. Incluiu leprosos e pestíferos, de todos os feitios, géneros e idades; médicos e curandeiros; guardas, clérigos e devotos; transeuntes, carregadores, condutores e cadáveres. Com carroça para transporte das vítimas, defumadores e ervas, amuletos, crucifixos e livros sagrados

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

A caraterização dos corpos degradados e da indumentária andrajosa não podia ser mais apropriada e expressiva. Acrescem os movimentos, as posturas e os gestos: deriva dos leprosos, condução penosa da carroça, vigilância dos guardas, cuidado dos monges e dos médicos, marcha arrastada dos pestíferos, queda de um idoso, curas, milagres, súplicas e um clamor devoto, adaptado pelo padre Rogério Rodrigues.

Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

E a Santa, a Senhora da Orada? Um regalo do céu. Imaculada, graciosa e misericordiosa, zela pelo aflitos, imperturbável, sob um tórrido sol pagão. Com o Menino no colo, encantador, muito compenetrado e bem-comportado. À espera ou em movimento, sempre no momento e no sítio certos, discretos e atenciosos, a Mãe e o Filho iluminam o caminho e apaziguam as almas.

Lenda da Senhra da Orada. Cortejo Histórico de Melgaç 2024. Fotografia – Ana Macedo

Quando sobra brio, vontade e inspiração, os desafios tornam-se estímulos e a obra faz-se. As juntas da União das Freguesia da Vila e Roussas, da União das Freguesias de Chaviães e Paços e da freguesia de Cristoval entraram com o pé direito nesta nova versão do Cortejo Histórico.

Por seu turno, os participantes souberam identificar-se com a lenda da Senhora da Ourada e partilhá-la. Incorporaram e vestiram as respetivas personagens como se estivessem mergulhados no flagelo de uma fatalidade irreversível. Apenas uma nota dissonante, por sinal gratificante: um brilho de alegria nos olhos e um sorriso de satisfação nos lábios. Quando se junta uma pitada de profissionalismo com a frescura voluntariosa do amador costuma soprar uma brisa agradável.

Despeço-me com uma galeria de fotografias e a convicção de que a maior recompensa de um autor, especialmente de um artista, é a sua obra.

Galeria com fotografias da Lenda da Senhora da Orada. Cortejo Histórico de Melgaço 2024

A festa da Bugiada e Mouriscada de S. João de Sobrado

Sobrará, ainda em férias, alguma disponibilidade para dar uma vista de olhos a um documentário extenso?

Fiz parte da equipa do projeto Festivity, coordenado pela Rita Ribeiro, que concretizou, em 2023, um livro e, em 2024, um documentário, ambos dedicados à festa da Bugiada e Mouriscada, que ocorre na véspera do S. João, na freguesia de Sobrado, concelho de Valongo. Trata-se de uma festa grandiosa e incrível, ímpar do ponto de vista estético e da adesão popular.

Seguem o documentário Bugiada e Mouriscada de Sobrado: a festa e quem a faz e o capítulo “Os serviços da tarde na Festa de S. João de Sobrado: A bênção escatológica num mundo às avessas”, do livro São João de Sobrado. A festa da Bugiada e Mouriscada.

Bugiada e Mouriscada de Sobrado: a festa e quem a faz. Silvana Torricella. Projeto Festivity do CECS da Universidade do Minho. Janeiro 2024

Casamento nos anos setenta. Cortejo Histórico de Melgaço 2024

A. Cerimónia do casamento. Cortejo Histórico de Melgaço. Fotografia – Ana Macedo

O tema do casamento nos anos setenta foi o segundo a surgir para o Cortejo Histórico de Melgaço de 2024, logo a seguir ao tema da lenda da Senhora da Orada. Entre outros aspetos, manifestava-se estimulante a possibilidade de incluir o vetusto carro dos Bombeiros Voluntários de Melgaço que chegou a ser utilizado para o transporte de noivos: um Buick vermelho modelo 1928.

B. Buick dos Bombeiros Voluntários de Melgaço

Sobre a história deste automóvel pode consultar-se o artigo de Manuel Igrejas, “O Carro dos Bombeiros Voluntários de Melgaço / Um lugar onde nada acontecia XI”, publicado no jornal Voz de Melgaço e retomado no blogue Melgaço, do Monte à Ribeira (https://iasousa.blogs.sapo.pt/o-carro-dos-bombeiros-voluntarios-de-240186).

Casamento. Anos oitenta. Vila de Melgaço

Não se regatearam esforços para restaurar o Buick de modo a que estivesse pronto para desfiliar no dia 10 de agosto. Lamentavelmente, não se logrou recuperar uma peça. Foi substituído por um Mercedes vintage.

D. Chegada das noivas. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Ana Macedo

Definido o tema, a implementação e concretização coube às juntas do Agrupamento de Freguesias de Parada de Monte e Cubalhão, da freguesia de Cousso e da freguesia da Gave. Contaram com o apoio da associação CUBO D’QUESTÕES, ASSOCIAÇÃO JUVENIL, de Parada do Monte, e, naturalmente, da equipa da Câmara Municipal.

F. Chuva de arroz. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

Abraçaram o desafio com entrega, criatividade e sentido de oportunidade. Previa-se, inicialmente, um cortejo com os carros dos noivos e dos convidados engalanados a preceito. Adicionou-se a encenação da própria cerimónia do casamento, com espera da noiva, padrinhos, meninas das alianças, celebração, beijo da noiva, chuva de arroz e arremesso do ramo. Nem sequer faltou a pose para as fotografias.

G. Baile. Casamento nos anos sessenta. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Produção: Ana Macedo

A apresentação culminou com o baile, uma valsa bem dançada, empolgante e envolvente, a que até o padre aderiu (sugere-se o vídeo publicado pela Voz de Melgaço: https://www.facebook.com/jornalvozdemelgaco/videos/1023897019126966?locale=pt_PT). Fechou, assim, com chave d’ouro o casamento nos anos setenta e, por coincidência, o próprio Cortejo Histórico.

H. Baile. Casamento nos anos setenta. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Produção: Miguel Bandeira

Além do entusiasmo e do espírito de iniciativa, convém sublinhar a criatividade e o sentido de oportunidade dos organizadores e dos participantes. Quando se aguardava um casal jovem, tipo Barbie e Ken, surgem vários casais perto das bodas de ouro, que, com à-vontade e alegria contagiantes, representaram, vestiram as personagens, com uma competência e um brio raros em muitos profissionais do teatro. Uma última palavra para o guarda-roupa, os adereços e a caraterização. vestuário e os adereços. Deveras adequados, em alguns casos configuravam autênticas relíquias.

I. Adereços da noiva. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

Os organizadores, os participantes e o público não esquecerão, certamente, tão cedo o casamento nos anos setenta em Melgaço. Ultrapassando as expetativas, consubstanciou uma iniciativa simpática, no sentido etimológico da palavra: teve a virtude de atrair, juntar e mover vontades.

J. Baile. Pormenor. Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Fotografia – Município

Seguem:

  • Uma galeria com fotografias provenientes, sobretudo, de Ana Macedo, Miguel Bandeira e Município de Melgaço
  • Um exemplo de notícia de casamento nos anos setenta;
  • O texto que serviu de base para a apresentação durante o cortejo;
  • Um artigo sobre os ritmos sazonais e os estilos de vida dos melgacenses residentes e emigrantes por volta dos anos setenta.

Galeria de imagens: Casamento nos anos setenta. Cortejo Histórico de Melgaço 2024

Notícia de casamento no jornal Voz de Melgaço de 1971

O casamento nos anos setenta. Texto para a apresentação durante o cortejo

Quem não conheceu Melgaço nos anos setenta dificilmente o conseguirá imaginar. Correspondeu a uma época de mudanças e excessos.
O concelho nunca antes teve tantos emigrantes. A partir de meados dos anos sessenta, aos homens juntaram-se as mulheres. Nesta conjunção, nunca vieram tantos emigrantes de férias, que, agora em família, Agora em família, se concentram no verão, principalmente no “querido mês de agosto”. A sua presença alcançou o auge de densidade, mobilidade e visibilidade.
Entretanto, Melgaço despedia-se de uma economia assente na agricultura, com as antigas hierarquias a descoser-se sem que novas as substituíssem claramente. Em termos de estrutura e organização, os anos setenta configuraram um período de transição propício à indefinição, à turbulência e à competição social.
O ciclo anual oscilava entre duas fases com tipos e ritmos de vida contrastados. Tudo crescia e acelerava no verão para abrandar e esmorecer abruptamente em seguida durante o resto do ano. Uma tempestade de verão! Tudo parecia rebentar pelas costuras: os bancos, as repartições, os comércios, as feiras, os cafés, as praças e as estradas. Agendam-se e afunilam-se os compromissos e os afazeres de todo o ano em meia dúzia de semanas: negócios, contratos, obras, atos religiosos, casamentos, batizados e até os namoros! Não havia dia ou noite sem festas nas proximidades. Depois de um prolongado e monótono inverno, o inverso, a inquietude. Tudo urge e se multiplica. Aspira-se à ubiquidade: estar em todo o lado ao mesmo tempo. Omnipresença, efervescência, aceleração e velocidade.
Entre as festividades, os convívios e as cerimónias, destacam-se os casamentos. Faustos e fartos, proliferavam. Propiciam um momento de reencontro de parentes e amigos, a residir dentro ou fora do concelho. Oferecem-se, ainda, como um palco apropriado para a afirmação, a distinção e a ostentação social, tanto dos noivos e das suas famílias como dos convidados, de preferência muitos e com prestígio. Tudo frisava o exagero: o vestuário, o cortejo, o banquete, as prendas… Criaram e cresceram empresas que não tinham mãos a medir: restaurantes, cabeleireiras, esteticistas, floristas… Até lojas especializadas em prendas!
Os casamentos impõem-se como um espetáculo notável. Registam-se, apreciam-se e comentam-se os convites, a cerimónia, as roupas, o vestido e o ramo de noiva, os padrinhos, o valor das prendas, as fotografias, o cortejo, a quantidade, qualidade e matrícula dos carros, o destino da lua-de-mel, o local, a ementa, a animação e a generosidade do banquete.
“Primeiro de agosto, primeiro de inverno”. Por volta da Nossa Senhora da Assunção, é altura de fazer as malas. Melgaço esvazia-se e entorpece. A agitação e a estúrdia cedem à contenção e à modorra.
Os anos setenta um intervalo no decurso de uma história que não se repete. Tudo o que sobe desce. Incha, desincha e passa. Tamanha excitação e extravagância são difíceis de sustentar. A situação, sobretudo, económica e financeira, do País foi periclita, a relação entre os emigrantes e a sociedade de origem altera-se e a demografia, principalmente o envelhecimento, não dá tréguas. Em suma, uma dinâmica que resulta menos de feição a excessos e euforias.

(Albertino Gonçalves)

Artigo sobre os ritmos sazonais e os estilos de vida dos melgacenses residentes e emigrantes por volta dos anos setenta

Cortejo Histórico em Melgaço. Colheita e o restolho

Penso escrever neste blogue um ou vários artigos, com fotografias, vídeos e textos, sobre o Cortejo Histórico do passado sábado, dia 10 de agosto, em Melgaço. Adianto esta galeria de fotografias, da autoria de Ana Macedo, colega e amiga bracarense, para apelar às pessoas que partilhem online as fotografias e os vídeos que eventualmente possuam. Embora a página do Município (https://www.facebook.com/municipiodemelgaco) já contemple acima de 120 fotografias, nunca serão de mais. Os UHF ou o Zé Amaro podem ser fotografados quase todos dias em muitos lugares. O Cortejo Histórico e os seus participantes, não! Trata-se de uma ocasião única.

Galeria. Cortejo Histórico em Melgaço 2024. Fotografias de Ana Macedo

No rescaldo do Cortejo Histórico, proporciona-se um pouco de música popular portuguesa. A Brigada Victor Jara é presença assídua no Tendências do Imaginário. Apraz-me acrescentar três canções: Rema, Charamba e São Gonçalo, do álbum Tamborileiro (1979).

Brigada Victor Jara – Rema. Tamborileiro, 1979
Brigada Victor Jara – “Charamba” (Açores). Tamborileiro, 1979
Brigada Victor Jara – São Gonçalo (Açores). Tamborileiro, 1979

Metamorfoses em Berço de Pedra

No dia 10 de agosto, em Sendim, inaugura uma exposição individual de escultura do Fernando Nobre. Orientador do seu mestrado na Faculdade de Belas Artes do Porto, aprecio a sua obra. Nota-se, aliás, na apresentação no desdobrável! Gosto de escrever textos assim: curtos, soltos, com aspiração literária e motivos que acarinho. Sem cabeça, tronco e membros, mas com alma e coração.

Não posso acompanhar o Fernando Nobre na inauguração da exposição. Apesar de dispor de bastante tempo livre, sobrevêm, caprichosamente, coincidências. Ocorre no mesmo dia, em Melgaço, o Cortejo Histórico, iniciativa ousada para cuja conceção contribuí. Espero, com alguma ansiedade, estar presente para ver o resultado e sentir o acolhimento. Irei outro dia a Sendim para, nascido num leito de ervas (Prado), experimentar o “berço de pedra”.

Seguem o desdobrável da exposição Metamorfoses e o link para um artigo do jornal Voz de Melgaço dedicado ao Cortejo Histórico.

Pelas alturas

Por mais alto que algo seja lançado é à terra que regressa (provérbio africano)

Ando saído, surpreendendo-me atraído pelas alturas. O que dá que pensar… Depois do planalto de Castro Laboreiro, a subida ao cume do Monte de Santa Tecla. Seja qual for o ponto cardeal, surpreendem-nos paisagens fantásticas sobre o vale e o estuário do rio Minho e a orla marítima a perder de vista, tanto para o lado de Moledo como de Laguardia. Acompanhado pela Rosa, pelo Agostinho e pelo Daniel Noversa, as fotografias são da autoria deste último.
Aproveito para acrescentar uma dezena de fotografias da viagem a Castro Laboreiro, desta vez da autoria do Américo Rodrigues e do José Domingues.

Imagem: Monte de Santa Tecla visto de Moledo

Galeria 1: Vistas a partir do Monte de Santa Tecla

Galeria 2: Castro Laboreiro

Vangelis – Ask the mountains. Voices, 1995
Manfred Mann’s Earth Band – Visionary Mountains. Nightingales & Bombers, 1975

São João da Idade

Passei o São João com pessoas da mesma idade. Ou próxima. Um dia no arraial do Centro Social da Paróquia de Gualtar; o outro em passeio por terras do Laboreiro.

No arraial, com a vitalidade e a animação dos mais velhos numa festa cuja organização foi da responsabilidade da Filipa, aluna de uma aluna minha.

A visita a Castro Laboreiro requereu mais energia. Há anos, prefiro não os contar, que não ensaiava uma saída de casa tão longa: 12 horas. Para lograr tamanha proeza, só graças ao Laboreiro, ao São João, ao solstício de verão e, sobretudo, à companhia (dois homens da montanha, o Américo Rodrigues e o José Domingues, e dois “plicas” urbanos, o Eduardo Pires de Oliveira e o Alberto Gonçalves). Recomendo a experiência da transição, quase abrupta, da verticalidade do vale, com desfiladeiros, cumeadas, fragas improváveis, pontes e carvalheiras para a horizontalidade do planalto, a roçar o céu, apaziguador e enigmático, com vegetação rasteira, uma ou outra cotovia, ave de rapina ou lebre, bastantes bovinos e garranos, mamoas e dólmens, e horizontes a perder de vista. “Brutal”!

Seguem duas galerias de imagens: a primeira com fotografias do arraial do Centro Social da Paróquia de Gualtar, disponibilizadas por este Centro; a segunda com fotografias da visita a Castro Laboreiro, todas da autoria do Alberto Gonçalves.

Galeria 1: Arraial de São João no Centro Social da Paróquia de Gualtar

Galeria 2: Passeio por terras do Laboreiro (fotografias de Alberto Gonçalves)

Zodíaco do Antigo Egipto. Entre o sonho e a realidade

Templo de Khnum, deus com cabeça de carneiro, em Esna, no Alto Egito. Detalhe

“Dói-te alguma coisa?
Dói-me a vida, doutor.
E o que fazes quando te assaltam essas dores?
O que melhor sei fazer, excelência.
E o que é?
É sonhar.”
(Mia Couto, O fio das missangas. Caminho, 2003)

Sonho, logo insisto! No palco de um teatro grego, a Universidade retira a máscara clássica e anda de mãos dadas com a Farsa, enquanto, devagar e sorrateiro, se aproxima o Trágico. Dou um esticão nos neurónios e catapulto-me para o outro lado do Mediterrâneo. No que resta do Templo de Khnum em Esna, no Alto Egito, a 50 quilômetros ao sul de Luxor, a poeira de séculos e as inconveniências das aves ocultam relevos magníficos e pinturas prodigiosas.

Oportuna, uma equipa de arqueólogos da universidade alemã de Tübingen empenha-se numa lenta e longa limpeza, sistemática, profunda e cuidada das colunas, paredes e tetos. À semelhança dos frescos e mosaicos de Pompeia, o que cobre acaba por preservar. Oferece-se uma policromia extraordinária, quase intacta, de deuses híbridos e figuras astrológicas, incluindo um zodíaco da era ptolemaica, motivo raro importado dos babilónios ou dos romanos, que, milenar, nos interpela. Um tesouro insuspeito de cores vivas. O Egipto não se cansa de nos surpreender!

E flutuo, lúdico, a ensaiar identificar os signos: sagitário, escorpião, leão, balança, gémeos… Eis que, de súbito, esferas animadas dançam na noite escura do ecrã. Estremeço, belisco-me, esfrego os olhos… Afinal, não são sonhos, senhor(a), mas realidades!

Galeria: Fotografias do Templo de Khnum em Esna, no Alto Egipto

Pós-Graduação em Património Cultural Imaterial

Está aberta, até ao 19 de julho de 2024, a 1ª fase de candidaturas ao curso de Pós-Graduação em Património Cultural Imaterial da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, projeto em que estou envolvido e empenhado desde a sua criação.

Segue em anexo um folheto de divulgação da Pós-Graduação, sendo que o edital de concurso e o formulário de candidatura podem ser consultados em: https://www.ese.ipp.pt/cursos/editais/pos-graduacoes.

Para saber mais sobre o curso, estão disponíveis duas sessões de esclarecimento online:

1.ª sessão, 7 de Maio de 2024, pelas 18h00

ID da reunião: 879 5473 8580

2.ª sessão, 26 de Junho de 2024, pelas 19h00

ID da reunião: 879 5473 8580

Apresentação de dois livros: Festas de São João de Sobrado / Mosteiro de Tibães

Sexta, dia 15 de março de 2024, pelas 21H00 no Centro de Documentação da Bugiada e Mouriscada, em Sobrado, Valongo, decorrerá a apresentação do livro “São João De Sobrado: A Festa da Bugiada e Mouriscada”, da autoria de Rita Ribeiro, Manuel Pinto, Albertino Gonçalves, Alberto Fernandes, Luís Cunha e Luís António Santos. Os promotores são a Comissão de Festas do São João de Sobrado 2017 e a Associação São João de Sobrado.

Sábado, dia 16 de março de 2024, às 15 h, na Sala do Capítulo do Mosteiro de Tibães, decorrerá, promovida pelo Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães, GAMT, a apresentação do livro “Para uma interpretação do mosteiro: Tibães do espaço à vivência, da materialidade à simbólica”. A publicação será apresentada pelo Professor José Carlos Miranda, da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (UCP – Braga).