Loucura e insensatez numa nau sem destino

Eu já tenho um pé na cova,
Mas permaneço louco até o fim.
(Sebastian Brant, La nef des fous, 1494)
O artigo Michel Foucault e a Nave dos Loucos, colocado em 29 de julho de 2014, propõe uma mera junção de excertos, extensos, do livro História da Loucura na Idade Clássica (1ª edição, Folie et Déraison, 1961), de Michel Foucault. O seu primeiro livro publicado e, porventura, o meu preferido. O meu contributo resume-se à seleção dos excertos e à ilustração com as gravuras.
Capuchinho Vermelho nas Redes Sociais

O lobo estende o tapete vermelho. Aquilo que resta do Capuchinho Vermelho (Charles de Leusse, Respire, 2004).
“É proibido proibir” era uma das palavras de ordem de Maio de 1968. Hoje, sobram poucas dúvidas, porventura, apenas de grau: “É permitido proibir” ou “proibido permitir”? Apontam nesse sentido os artigos Capuchinho vermelho na era digital (21.07.2012) e É proibido proibir (21.07.2015).
Não vem a propósito, mas entre a floresta musgosa da imagem anterior e o labirinto viscoso dos artigos seguintes, aproveito para introduzir os 10 CC no Tendências do Imaginário.
Negro escuro. Goya

Acontece-me, embora raramente, produzir um ou outro artigo mais sério e encorpado. Afundo-me. É o caso de A cor do abismo, colocado em 20 de julho de 2017, e Um silêncio de morte: Goya, ambos dedicados a Francisco de Goya, artista que muito aprecio. Convém digeri-los sentado, de preferência, com bom audiovisual. Não forçosamente hoje, mas quando se proporcionar.
Imagem: Cartaz de Os fantasmas de Goya. De Miloš Forman, 2006
Umbigos

Segundo Sigmund Freud, à fase oral, segue-se a fase anal; pelos vistos, há quem fique bloqueado entre as duas, ao nível do umbigo, na fase umbilical (a partir de Guy Bedos)
Junto os artigos Umbilicados, narcisistas e egoístas (16.07.2018), Avatar narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016).
Diagonalização do Poder

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)
O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

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Sonho envenenado

No artigo Ama-te a ti mesmo como nunca te amaste, de 13 de julho de 2017, continuo a escrever com língua bífida, como a das serpentes.
Para o ler, convém usar luvas e óculos de proteção como os dos serralheiros e metalúrgicos; para perceber, aventurar-se nas entrelinhas; para apreciar, dispensar encostos.
Imagem:
Hieronymus Bosch ou discípulo – Cristo carregando a cruz. Detalhe. Entre 1510 e 1535. Museu de Belas Artes de Gante
Farsa trágico-marítima

Se o dia 11 de julho foi fértil em artigos memoráveis, o 12 mostra-se avaro. É preciso recuar mais de uma década. Inicio com Caravelas do século XXI, de 2013. Ácido, discorre sobre a conjunção “se” como alavanca ou muleta do pensamento. Conjetura ainda se não somos exímios na arte de urdir teias para enredar as nossas próprias caravelas. Naquele dia, devo ter tomado fel ao pequeno almoço. Valem os Pink Floyd.



