Galináceos

Cow and Chicken.

Cow and Chicken.

Este artigo não acerta uma. É um disparate. Nem método  tem, só abre caminho. Não releva da doxosofia (Pierre Bourdieu), mas da metanóia (Philippe Tacussel). Assim se vê como se pode escrever caro e obscuro sem dizer nada de jeito. Chamo a isso o efeito da língua morta, como nas missas em latim (Mikhail Bakhtin). É uma arte que se aprende nas oficinas do saber. Este artigo é um albergue espanhol.
But I like it!

As galinhas da horta

Toca a esgaravatar! Esgaravatar com as patas inquietas e a crista a abanar… Que as asas só servem para correr rente ao chão.

Doidas, doidas, doidas, andam as galinhas
Para pôr o ovo lá no buraquinho
Raspam, raspam, raspam
P’ra alisar a terra
Bicam, bicam, bicam
Para fazer o ninho
Raspam, raspam, raspam
P’ra alisar a terra
Bicam, bicam, bicam
Para fazer o ninho…
(canção infantil  – excerto)

Em França,  existe uma canção infantil semelhante:

Une poule sur un mur
Qui picotait du pain dur
Picoti, picota,
Prends tes cliques et puis t’en va !

Psycho-Chicken Geocoin

Psycho-Chicken Geocoin

Esta canção infantil encerra boas lembranças. Olivier Revault d’Allonnes, falecido em 2009, foi um filósofo da estética do tempo de Lucien Goldman, Jean Duvignaud e François Châtelet. Revault d’Allonnes propôs aos alunos a interpretação do  texto desta canção, ensaiando diversas metodologias: a história literária tradicional, o estudo das fontes, a etnografia, o estruturalismo, a psicanálise, a crítica marxista… Resultou um texto incisivo e divertido: “Sur un art des “masses enfantines” (L’art de masses n’existe pas, Union génerale d’éditions, col. 10/18, Paris, 1974). Tive o livro, raro, mas emprestei-o. Procuro-o há anos, para sensibilizar, com criatividade e humor, os alunos para a diversidade de abordagens nas ciências sociais. Encontrei-o hoje, graças às galinhas, que andam doidas, doidas, doidas. Para aceder ao pdf do texto de Revault d’Allonnes, carregar aqui: Olivier Revault d’Allonnes. Sur un art des masses enfantines.

A galinha vai ao palácio

Mudando de género musical,convide-se a galinha ao palácio. La Poule, de Jean-Philippe Rameau (1583-1764), é contemplada com imensos vídeos na internet. Alguns com animação interessante. A interpretação de Grigory Sokolov alia a qualidade do artista a um movimento de mãos que dispensa qualquer outra forma de animação.

Jean-Philippe Rameau. La Poule. Piano: Grigory Sokolov.

 E o galo treme no poleiro

Na Quinta dos Animais, para além da galinha e dos porcos, vive, naturalmente, o galo, o dono dos ovos (Sérgio Godinho: O galo é o dono dos ovos – Pano-cru, 1978).

Sérgio Godinho. O galo é o dono dos ovos. Ao vivo no CCB. Lisboa.

Amalgamámos, num único artigo, música popular, música erudita e música de intervenção. Deveras inconveniente, senão de mau gosto. Mas é uma tentação aproximar o que está separado (comparare, comprehendere). Que se abrace quem tanto se afasta! Juntar o que está separado não é menos gratificante do que separar o que está junto (disparare, discernere).

 

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Sociólogo.

One response to “Galináceos”

  1. beatrizmartins.artes@gmail.com says :

    Adorei!Adora as doidas das galinhas que raspam, raspam, e resolvem situações!

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