Música para filmes. The Cinematic Orchestra

Mudemos de disco, retomando os britânicos Cinematic Orchestra (ver A Caverna dos Fantasmas de Estimação. The Cinematic Orchestra, 17.01.2023).
En 2001 los organizadores del festival Porto Capital Europea de la Cultura se pusieron en contacto con ellos solicitándoles un nuevo score para la película soviética muda de Dziga Vertov de 1929 Man with a Movie Camera (en castellano, El hombre de la cámara), para ser interpretada en directo durante su proyección. Este trabajo se distinguió de las composiciones habituales de la banda debido a la obligación de ser interpretado en directo, descartando la labor de posproducción que estaba presente en Motion. The Cinematic Orchestra estuvo de gira con esta obra para, a continuación, lanzar el álbum del mismo nombre (Wikipedia em espanhol, 20.05.2026).
Sem palavras
Mimos

De domingo a terça, estive em Melgaço. Reuni com o presidente da junta de Prado, onde vou fazer, no respetivo salão, uma conferência, sexta, 29 de maio, às 21 horas, a cerca de uma centena de metros da casa onde cresci.
De regresso, ocupei-me a não fazer nada, excepto escutar música e afagar memórias. Nem cinco linhas escrevi no blogue. Planei como os paraquedas que outrora construía com um plástico fino, fio do norte e um pedaço de batata; à mínima brisa, em vez de descer, subiam, acabando por se enrolar nos fios de eletricidade. Entretanto, amainada a brisa, começo a aterrar.
Prado – Melgaço. Fonte: https://www.facebook.com/prado.freguesia
Pavlov’s Dog foi uma banda norte-americana, brilhante mas ofuscada, dos anos 70′. Pampered Menial [criado mimado], de 1975, é um dos meus álbuns de eleição. Curiosamente, o Tendências do Imaginário contempla quase todas as canções do álbum seguinte, At The Sound Of The Bell, de 1976 (ver O Sino da Liberdade, 07.01.2022), mas apenas três, por sinal, dispersas, do Pampered. Recoloco duas, “Julia” e “Song Dance”, e acrescento outras trantas, “Episode” e “Of Once and Future Kings”.”.
Quando ofereço algo, sigo dois critérios: eu gostar e o destinatário não conhecer. Pampered Menial foi das prendas que mais ofereci.
Fantasias

Tenho afazeres, mas não me apetece cumpri-los. Ficam para depois. Não sei se esta alergia a obrigações é ónus ou bónus da idade. Entretanto, entrenho-me a ver anúncios, por exemplo da agência de publicidade francesa BETC. Nada como o sonho e a imaginação.
Imagem: Betc – Agence de Publicite, global advertising agency. BIS Publishers. 2008
Raia do amor

Na próxima semana vou a Melgaço. Estou a precisar. Com esta perspetiva e as canções “Love is Not Enough” e “The Uncarved Block, do Tom Baxter, desfruto o entardecer. O compositor e cantor inglês Tom Baxter, pouco visualizado, justifica alguma curiosidade, em particular pela guitarra e pela gestão dos silêncios. Coloco apenas estas músicas para deixar a porta aberta à exploração.
*****
Sim, os silêncios…Magistral! E o dedilhar das cordas em suspensão, ânsia, urgência, melodia.
Quando ouvimos a parte instrumental de Love is Not Enough, sentimos o contrário. As primeiras notas, a espera, a expectativa do encontro a crescer dentro de nós, e depois, com toda a mestria, o turbilhão interior das notas em cadência de amor crescente…e quando as palavras chegam, salvam-nos? da esperança que não basta.
Em The Uncarved Block, a guitarra sobrepõe-se. Como se as palavras fossem um sussurro, como um rio que flui. Ele canta:
“Desvenda-me na página, sente os meus dedos flertando,
Tease me open on the page, feel my fingers flirt,
dei o meu melhor em uma noite como esta.
I put my best foot forward on a night like this.”
Adoro a letra, tão genuína quanto a guitarra que ele sustém.
“Devolve-me ao bloco não esculpido,
Return me to the uncarved block,
devolve-me a minha inocência
return me to my innocence
Devolve-me aos campos de cevada de ouro
Return me to the barley fields of gold”. (Minda, 07.05.2026)
Coro de bocejos. Dumb waiters

É um desconsolo terminar a leitura de um artigo muito referido sobre um tema de interesse com a impressão de não ter aprendido nada. Uma experiência deveras rotineira.
A alergia está a tornar-se fisiológica: abro a boca e fecho os olhos.
Ninguém morreu; apenas poesia
Pouco ou nada parece passar-se. Entretanto, o YouTube entende sugerir, de St. Vincent a Saint Saviour, músicas menos estreladas.
Fogo, Fumo e Cinzas

Fumar é atividade que ganha cada vez mais em ser relegada para a intimidade. Em público, acenam com a morte. O cigarro tornou-se o memento mori do século XXI: “mais um prego no caixão”; “fumar mata!”. Trata-se de uma sentença ritual bem-intencionada. Aliás, penso que se acredita que com boas intenções não se enche o inferno, mas se sobe a escada de Jacob. Apetece pedir também com amizade: “Já que vou morrer, deixem o prazer”. Mas contenho-me e agradeço com um sorriso penitente. Não me tenta incomodar os outros.
*****
Número e proporção de óbitos por algumas causas de morte, Portugal, 2023 e 2024 (Fonte INE)




Incontinência da violência

Se precisar da entrega ao domicílio de um volume de tabaco resulta difícil. Tenho que me deslocar, até numa cadeira de rodas, a espaços cada vez menos acessíveis. É pormenor de somenos consideração. Os missionários do bem entendem tutelar-me. Mas já a intrusão da violência, esteja onde estiver, dispensa qualquer pedido. Copiosa, insinua-se por todos os canais.
Com o anúncio / videoclip “Reward The Scars”, concluo esta incursão centrada no tema da violência. Temo enfartar! Não viro a página, apenas me disponho a saltar algumas.
A propósito, conhece o Renaud? Ainda vamos a tempo…
Vamo-nos deixando

Marianne Faithfull, nascida em dezembro de 1946, faleceu faz um ano, em janeiro de 2025. Continua a agradar-me, sem qualquer sombra de pecado.
Estranhamente, o Tendências do Imaginário contempla apenas duas canções dela: “As tears go by”, de 1964, e “This littel bird”, de 1965 (Marianne Faithfull). Acrescento “It’s All Over Now Baby Blue”, “Scarborough Fair”, “The Ballad Of Lucy Jordan”, “Guilt” e “She Moved Thru’ The Fair”.
