Archive | Música RSS for this section

Distração Fatal e Smartphone

SMARTPHONE ADDICTION by Arend Van Dam

A WordPress passou a facultar-me a lista dos artigos publicados na mesma data nos anos anteriores. Alguns pedem restauro (e.g. completar o que desapareceu), outros revisão (e.g. aprimorar ou corrigir). Quase todos testemunham que, com o tempo, o blogue foi perdendo qualidade ou, pelo menos, abrangência. Agora limito-me quase a publicar conteúdos (sobretudo, músicas, anúncios, imagens) que me chamam a atenção; outrora, partilhava também pensamentos e sentimentos (pessoais). O que mudou? O auge do blogue coincidiu com os anos de isolamento: o blogue mantinha-me à tona e permitia-me alcançar as pessoas; hoje, regressei ao convívio com os outros. A vida e o papel do blogue mudaram.

Desde 2016, coloquei cinco artigos no dia 6 de junho. Retomo, restaurado e revisto, “Distracção fatal”. Complemento-o, acrescentado o artigo “Smartphone” do mesmo mês, mas do ano seguinte, 2017.

De Maria em Maria

Da Virgem Maria, com o filho no colo, à Maria Carta, com a Sardenha na voz, insinua-se um pequeno atalho irresistível.

Maria Carta (Sardenha, 1934; Roma, 1994), foi uma cantora, atriz e poetisa italiana que explorou as múltiplas facetas da música tradicional da Sardenha, em especial o cantu a chiterra (um tipo de canção folclórica). Soube atualizar a tradição, acrescentando um toque pessoal.

Seu belo rosto, o orgulho e a graça de sua postura, mais do que um símbolo, são a personificação da Sardenha intangível e selvagem que sempre amei. Quando a sua voz calorosa e poderosa se eleva e preenche o espaço, horizontes infinitos se abrem, mergulhando na história. Tendo conhecido Maria Carta, afirmo mais uma vez que os únicos grandes homens da Sardenha foram mulheres” (Giuseppe Dessi, Apresentação do LP Delirio, 1974).

Maria Carta – Ave Maria. Ave Maria, 1974. Com Angelo Branduardi, em Paris, 1982
Maria Carta – Diglielo al tuo Dio. Música de Ennio Morricone. Tema do Filme Moisés, de 1975
Maria Carta – A fitzu meu / Fizu, su coro. Sonos de memoria, 1981
Maria Carta – Non potho reposare. Umbras, 1978. Teatro G. Verdi Sassari 30/04/1983
Maria Carta – Attitu. Paradiso in Re, 1971

Pulsações

Quem escuta os Dire Straits, Mark Knopfler ou John Illsley lembra-se de J.J. Cale, uma idiossincrasia dos anos setenta. As minhas pulsações andavam então nos noventa; desceram, entretanto, para os sessenta.

J. J. Cale – After Midnight. Single de 1966. Naturally, 1971. Paradise Studio Session, 1979
J. J. Cale – I’d Like To Love You Baby. Okie, 1974
J. J. Cale – Sensitive Kind. Live at Cain’s Ballroom, Tulsa, 1975 (FM Radio Broadcast). Retomado em 5, 1979
J. J. Cale – Cocaine. Troubadour, 1976

Nave perto da fronteira

Saudades dos britânicos Dire Straits? John Illsley foi fundador e baixista da banda. Além dos 6 álbuns com o grupo, publicou 10 álbuns a solo. Começou como pintor aos 15 anos, mas acabou por optar pela música. Desfeita a banda, retoma a pintura. Junto 4 quadros e 5 canções, cujas letras merecem atenção.

Imagem: John Illsley. Steph. Belgaravia Gallery

John Illsley – It’s A Long Way Back. VIII, 2022
John Illsley – In The Darkness. Long Shadows, 2016
John Illsley – Ship Of Fools. Long Shadows, 2016
John Illsley – When God Made Time. Testing the Water, 2014
John Illsley – Close to the Edge. Long Shadows, 2016
Broken stones and broken bones
Broken hearts and broken homes
Nothing left except your pride
When all this energy collides
Pedras partidas e ossos partidos
Corações e lares partidos
Nada resta senão o teu orgulho
Quando toda esta energia colide

Flor de Carvalho

A conversa “Com o Filho no Colo” em Prado foi uma iniciativa que não logrou envolver os melgacenses. Afortunadamente, sem repercussão no défice do Município.

Proporcionou-se, assim, um ambiente de intimidade. Valeu o interesse dos presentes e sobrou a vontade de continuar. Agradeço o acolhimento generoso da Junta de Freguesia.

Apetece ouvir música para flautim composta pelo Vivaldi.

Antonio Vivaldi – Concerto No. 3 in D Major, RV 428 “Il gardellino”: II. Cantabile · Michala Petri. Vladimir Spivakov · Moskow Virtuosi. 1996
Antonio Vivaldi – “La Notte”, Flute Concerto in G minor, RV 439, I. Largo. Dorothee Oberlinger.  Bremer Barockorchester. 2020
Antonio Vivaldi – Concerto in C Major, RV 444: II. Largo. Dan Laurin · Drottningholm Baroque Ensemble. 1993

Cosmático

De origem romena, nascido em 1940, Vladimir Cosma é um dos mais destacados e, certamente, o mais prolífico dos compositores da história do cinema francês. Compôs centenas de bandas sonoras para filmes e séries de televisão. Retenhamos o arranjo da ária “La Wally” (1892), de Alfredo Catalani, para o filme Diva, de 1981; o “Thème de Jeanne”, do filme Les Fugitifs, de 1986; e o “Thème de Nadia”, da série televisiva Michel Strogoff, de 1975.

Vladimir Cosma (arranjo) – La Wally (de Alfredo Catalini). Voz de Wilhelmenia Wiggins Fernandez. London Symphony Orchestra. Banda sonora do filme Diva, 1981
Vladimir Cosma – Thème de Jeanne. LAM Philharmonic Orchestra. Filme Les Fugitifs, 1986
Vladimir Cosma – Thème de Nadia. Série TV Michel Strogoff, 1975

Com o Filho no Colo em Melgaço

Tenho colaborado em muitos eventos e projetos no município de Melgaço. Que me lembre, nenhum da minha iniciativa pessoal. Atividades paralelas ou circunstanciais.

“É preciso a chuva para florir”. Esperei pelos 66 anos de idade para apresentar em Prado, freguesia onde nasci, obra da minha lavra e interesse, resultado da minha própria investigação.

Vou retomar, adaptada, uma conferência, bem acolhida, em Braga, em novembro de 2025, e em Guimarães, em março de 2026. Abordarei, com alguma originalidade, as imagens, prodigiosas, da Virgem Maria com o filho no colo, ainda menino ou já morto: o princípio e o fim de Cristo feito homem, da Encarnação. Concentrar-me-ei nos séculos XIV e XV, recuando mais de quinhentos anos. O tema não é caseiro. Abriga-se na alma e ultrapassa a cristandade. A escala é a humanidade e a mensagem sempre atual.

Esperar tem custos. O mundo e a vida não param. Muitos que desejava que assistissem e que penso que gostariam de o fazer já não podem. Vou falar para os conterrâneos contemporâneos. Se conseguir, ao seu jeito.

Deixo o convite para a próxima sexta-feira, 29 de maio, com início às 21 horas, no salão da junta de freguesia de Prado. Mais do que uma conferência, poderá proporcionar-se, também, um reencontro. A promoção de mais iniciativas do género depende do modo como esta semente ou enxerto pegar.

Almir Sater – Tocando em Frente. Compositores: Almir Sater e Renato Teixeira. 1ª interpretação: Maria Bethânia, 1990. Ao vivo no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura, em 2012

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente (…)
(Almir Sater e Renato Teixeira, Tocando em Frente)

Purgar ou mandar às urtigas

No artigo de ontem, “Ramo de estrelas maduras”, publiquei uma série de canções da Tanita Takiram. Quando queremos destacar uma, ora a colocamos em primeiro, ora em último, ora à parte. Receando que “Women Who Cheat On The World”, que sobressalta, passasse despercebida ou se perdesse na noite, deixei-a para a manhã seguinte. Sobrou uma pergunta: por que só as mulheres?

Tanita Takiram – Women Who Cheat On The World. Lovers In The City, 1995

*****

Oh, my
When you are not all together
And you feel your face is a fiery place
For many tears
Who looks upon a picture and really feels a thrill
Oh, not me
Who looks into their past and feels they could leave

And you’d think by looking at his soul
That it really is his woman who’d cheat on the world
Who’d cheat on the world

Oh, my
When you are not really moving
And you feel your feet have been put to sleep
For many years
Who looks into a city
And really feels at home
Oh, not me
Who looks into the dark
And yearns to be free

And you’d think by looking at his soul
That it really is his woman who’d cheat on the world
Who’d cheat on the world

Boy,
A lot of things are very simple
A lot of things are logical
When held into your hands
Boy,
A lot of things are very simple
A lot of things are very simple
And they fall apart
When they fall apart

Oh, my
When you are not really living
And you feel your heart
Is the biggest part of all your fears
Who looks upon a lover and really feels desire
Oh, not me
Who looks into themselves and likes what they see

And you’d think by looking at his soul
That it really is his woman who’d cheat on the world
Who’d cheat on the world
Who’d cheat on the world
Who’d cheat on the world
Who’d cheat on the world
Who’d cheat on the world

“Ramo de estrelas maduras”

Fotografia: Almerinda Van Der Giezen. Maio 2026

Para enquadrar esta fotografia, segue uma mão cheia de canções da viragem do milénio com a voz grave e a guitarra da autora e compositora britânica Tanita Tikaram.

Tanita Takiram – Twist In My Sobriety. Ancient Heart, 1988
Tanita Takiram – Preyed Upon. Ancient Heart, 1988
Tanita Takiram – My Love Tonight. Lovers in the City, 1995. 2024 remaster.
Tanita Takiram – Lovers in the City. Lovers in the City, 1995
Tanita Takiram – Play me Again. Sentimental, 2005

Música para filmes. The Cinematic Orchestra

The Cinematic Orchestra

Mudemos de disco, retomando os britânicos Cinematic Orchestra (ver A Caverna dos Fantasmas de Estimação. The Cinematic Orchestra, 17.01.2023).

En 2001 los organizadores del festival Porto Capital Europea de la Cultura se pusieron en contacto con ellos solicitándoles un nuevo score para la película soviética muda de Dziga Vertov de 1929 Man with a Movie Camera (en castellano, El hombre de la cámara), para ser interpretada en directo durante su proyección. Este trabajo se distinguió de las composiciones habituales de la banda debido a la obligación de ser interpretado en directo, descartando la labor de posproducción que estaba presente en Motion. The Cinematic Orchestra estuvo de gira con esta obra para, a continuación, lanzar el álbum del mismo nombre (Wikipedia em espanhol, 20.05.2026).

The Cinematic Orchestra – Time and Space. Ma Fleur, 2007
The Cinematic Orchestra – Transformation. Banda original do filme Les Ailes Pourpres: Le Mystère Des Flamants, 2008
The Cinematic Orchestra – Familiar Ground. Ma Fleur, 2007