Archive | Julho 2026

Sexídio e calças de ganga

Pablo PIcasso – Figuras à beira mar (O beijo). 1931, Museu Picasso de Paris

São apenas palavras à solta, desatinadas, escritas no mesmo dia, 19 de julho, há uma dúzia de anos, em 2014, junto à praia, com o mar pasmado.

Solidão em francês

Salvador Dali – Jeune fille à la fenêtre, 1925

Pró criativo. Futebol e natalidade

Ao basculhar o passado do blogue, constato, pela presença do tema do futebol, que julho costuma ser o mês do mundial. Não tenho relevado os artigos correspondentes, mas Futebol e natalidade merece distinção. Pela ponta de humor prazenteiro com que aflora um dos principais problemas do mundo ocidental: a baixa natalidade.

Dois pequenos cupidos ou vinte dedos pueris

Os anúncios “Ten Little Fingers” (Nas mãos de uma criança, 17.07.2013) e “Is Mankind?” (Revolução Digital, 17.07.2015) conseguem uma combinação rara de singeleza e encanto. Com dedos de bebés. Das mãos e dos pés. Quando penso em mãos, acodem-me Miguel Ângelo, Albrecht Dürer, Auguste Rodin e, agora, Bruno Aveillan. Quanto aos pezinhos, do anúncio da Airbnb, cito o comentário da iSpot:

No anúncio da nova campanha global da Airbnb, vemos um bebé a dar os seus adoráveis passinhos com as pernas arqueadas pelo corredor da sua casa, até à porta da frente. À medida que ele percorre esse caminho, ouvimos a voz off a fazer-nos perguntas reveladoras, como se o ser humano é bondoso e se nós somos boas pessoas. À medida que o bebé se aproxima da porta com janela e é envolvido por uma luz mais intensa, somos encorajados a sair para o mundo e a descobrir as respostas por nós próprios. Somos convidados a ir, ver e descobrir até que ponto a humanidade pode ser amável” (https://www.ispot.tv/ad/7vs6/airbnb-is-mankind. Consultado em 17.07.2026).

Chamar a música

Sara Tavares – Chamar a Música. Festival da Canção 1994

A par da imagem e do pensamento, a música constitui, desde o início, uma das apostas do blogue Tendências do Imaginário. Embora crucial, o principal critério de seleção não é nem o meu gosto nem o dos seguidores. O intuito decisivo consiste em mostrar a imensa diversidade de músicas notáveis (não necessariamente notórias) independentemente do género ou da proveniência. Espelha a insatisfação com as paradas, os intérpretes e os críticos que nos são servidos pela comunicação social predominante.

As músicas dos artigos The earth is my grave (de 17 de julho de 2014) e Vozes (de 17 de julho de 2019) são bastante diferentes. Identifico-me com o cantor norte-americano Don McLean e aprecio o compositor belga Nicholas Lens.

Umbigos

Salvador Dali. Metamorfose de Narciso, 1937. Tate Modern de Londres

Segundo Sigmund Freud, à fase oral, segue-se a fase anal; pelos vistos, há quem fique bloqueado entre as duas, ao nível do umbigo, na fase umbilical (a partir de Guy Bedos)

Junto os artigos Umbilicados, narcisistas e egoístas (16.07.2018), Avatar narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016).

Males do Mundo

Supertramp – Crisis? What Crisis? 1975

No Tendências do Imaginário, existem, na década de 2010, nove artigos de 16 de julho com interesse: Apelo (2012); Idolatria (2012); Chove na natalidade (2014); Sisifite (2015); Havemos de ir a Viana (2016); Sociedade de choque (2017); Umbilicados, narcisistas e egoístas (2018); e Simplesmente só (2019).

Pensei publicar hoje dois “pacotes”: 1) Miopia umbilical, com os artigos Umbilicados, narcisistas e egoistas(2018), a que acrescentava Avatar Narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016); 2) Solidões, com os artigos Simplesmente só (2019), a que acrescentava A solidão como companheira (19.11.2016) e Aspirar a solidão (21.02.2021).

Desisto do pacote Solidões. Fica para o ano. Substituo-o por outro pacote, Males do mundo, com os artigos Apelo (16.07.2012) e Sociedade de choque (16.07.2017). Não só porque condiz mais com a “miopia umbilical”. mas, sobretudo, porque ao procurar uma versão com melhor resolução da sequência de abertura, com direção da NoBrain, do filme Huit, só o encontrei na minha própria página do YouTube. Precise-se que o filme Huit teve a participação de oito realizadores, entre os quais Jane Campion, Gus Van Sant e Wim Wenders. Nestas circunstâncias, descarreguei a referida sequência de abertura, salvaguardando-a em triplicado: no disco duro, na página do YouTube e no Tendências.

Segue o pacote Males do Mundo com dois artigos, Apelo (2012) e Sociedade de Choque, com dois vídeos veras impressionantes: “Huit (2009) e “Article 13 – L’horreur ne prend jamais de vacances” (2017).

Comer com os olhos na cama de Shakespeare

Lurpak. Adventure awaits. 2014

Tenho que ser mais comedido na recolocação de artigos antigos. Vou passar a fazer uma seleção da seleção. Hoje, cinco artigos merecem resgate. Retenho apenas dois, ambos de julho de 2014. Os restantes ficam à espera de ser, eventualmente, colocados em 2027, se os deuses quiserem! Os anúncios “Adventure awaits”, da Lurpak, no artigo Comer com os olhos, e ” There’s no bed like home”, da IKEA, no artigo A cama de Shakespeare, são ambos espetaculares, sobretudo do ponto de vista estético.

À Descoberta da China. Daiqing Tana

Montanhas Huangshan. Província de Anhui. República Popular da China

O verdadeiro viajante não sabe para onde vai.
Um idiota que caminha chegará sempre mais longe do que dois intelectuais sentados.
(Provérbios chineses)

Adio o ritual do resgate de “anúncios do dia” para logo à noite. Apetece-me criar um artigo novo.

No ranking das visualizações do Tendências do Imaginário, a China ocupa o quarto lugar. Também deve aparecer no blogue. Prezo a reciprocidade.

Encaro os outros menos como cais de chegada e mais como pontos de partida. Cada um constitui um emaranhado de pontes que conduzem a outros outros. Deste modo, cada descoberta dá acesso a uma autêntica galáxia, distinta de nossa. O mundo resulta, assim, desmedido, praticamente sem fim.

Já conhecia a cantora e compositora Daiqing Tana (ver Música da Mongólia). Regressei pela mão da Nina Hagen, reputada pelas afinidades com o Oriente. Chinesa, de etnia mongol, nascida em Qingha, em 1983, Daiqing Tana é a vocalista principal da banda Haya, a que se juntou em 2006.

Segue uma cascata com cinco canções [as duas últimas são recolocadas]. Para provar. Se gostar, para continuar a escutar; e, eventualmente, explorar mais. Para apreciar este tipo de música, convém abrir o espírito, fechar os olhos e deixar a imaginação sonhar.

Haya – Dancer in the darkness (LIVE 2009). Daiqing Tana & Haya, Silent Sky, 2011
Daiqing Tana & HAYA – Snow Mountain (2009). Daiqing Tana & Haya, Silent Sky, 2011
Dai Qing Tana & HAYA – Qinghai Lake. Silent Sky, 2011
Daiqing Tana – Silent Sky (LIVE 2009). Daiqing Tana & Haya, Silent Sky, 2011
Daiqing Tana – Ongmanibamai. Daiqing Tana & Haya, Silent Sky, 2011

Diagonalização do Poder

Padrãodo Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Leste. Por Walrasiad

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)

O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

Padrão dos Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Oeste

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Michel Sardou – Le France. Michel Sardou, 1976