Embalagem fálica
A Perrier tem marcado a história da publicidade. Recorde-se, por exemplo, La Femme et le Lyon (1990), La Fête (1997), Le Train (2003), Melting (2009) e The Drop (2012). Bouteille Phallique, de 1976, tornou-se um clássico. O conceito é simples: uma garrafa e uma mão feminina; a garrafa cresce à medida que é acariciada, culminando a acção num jorro da água mineral. A garrafa é, naturalmente, associada a um falo e o jorro de água, a um orgasmo (ver A mulher, o homem e o objecto). A Perrier recorreu, várias vezes, a este conceito. No anúncio Une Nouvelle Forme de Plaisir, de 2014, a marca retoma, volvidos quarenta anos, a associação entre recipiente e falo, água e satisfação, jorro e orgasmo. Algumas imagens são, aliás, citações do anúncio de 1976. Mas os dois anúncios são distintos. A simplicidade deu lugar à exuberância. A câmara, inquieta, salta de personagem em personagem, captando confissões, subentendidos e mal-entendidos alusivos ao sexo, ao falo e ao prazer.
Este anúncio foi muito criticado. Porquê? Problema de conteúdo ou de forma? Uma questão de estética? A estética pode funcionar como bálsamo e cosmético? A mudança de focagem do sentido da visão para o ouvido é tão decisiva quanto se estima? Uma série de falas curtas compõem uma variação ou uma cacofonia? Quarenta anos é muito tempo, mudou a nossa tolerância face à expressão da sexualidade? Ou será que a expressão da sexualidade se vulgarizou até aborrecer?
Marca: Perrier. Título: Une nouvelle forme de plaisir. Agência: Ogilvy. França, 2014.
