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Ver a cara a Deus

Tulipán. Verle la cara a Dios. Argentina, setembro 2025

Ainda é domingo. Deixo o comentário do anúncio argentino “Verle la cara a Dios”, da Tulipán, para outros, mais entendidos.

“Tulipán insiste en recordar que el placer importa, merece un lugar central y debe vivirse con respeto y cuidado. Debido a que el lanzamiento llega en un momento donde conviven la hipersexualización, la sobreexposición y el acceso ilimitado a porno con poca educación sexual. Paradójicamente, el deseo parece a la baja: menos ganas, más apatía.
Victoria Kopelowicz, directora de la marca, expresó: “‘Verle la cara a Dios’ es la forma más argentina de describir el máximo placer, y es exactamente eso lo que queremos transmitir con nuestra nueva línea de productos.” (Adlatina: Preestreno: Zurda y Tulipán anuncian una nueva colección de juguetes sexuales para “Verle la cara a Dios” )

Marca: Tulipán. Título: Verle la cara a Dios. Agência: Zurda Agency. Direção: Carmen Rivoira. Argentina, setembro 2025

Embalagem fálica

 

PerrierA Perrier tem marcado a história da publicidade. Recorde-se, por exemplo, La Femme et le Lyon (1990), La Fête (1997), Le Train (2003), Melting (2009) e The Drop (2012). Bouteille Phallique, de 1976, tornou-se um clássico. O conceito é simples: uma garrafa e uma mão feminina; a garrafa cresce à medida que é acariciada, culminando a acção num jorro da água mineral. A garrafa é, naturalmente, associada a um falo e o jorro de água, a um orgasmo (ver A mulher, o homem e o objecto). A Perrier recorreu, várias vezes, a este conceito. No anúncio Une Nouvelle Forme de Plaisir, de 2014, a marca retoma, volvidos quarenta anos, a associação entre recipiente e falo, água e satisfação, jorro e orgasmo. Algumas imagens são, aliás, citações do anúncio de 1976. Mas os dois anúncios são distintos. A simplicidade deu lugar à exuberância. A câmara, inquieta, salta de personagem em personagem, captando confissões, subentendidos e mal-entendidos alusivos ao sexo, ao falo e ao prazer.

Este anúncio foi muito criticado. Porquê? Problema de conteúdo ou de forma? Uma questão de estética? A estética pode funcionar como bálsamo e cosmético? A mudança de focagem do sentido da visão para o ouvido é tão decisiva quanto se estima? Uma série de falas curtas compõem uma variação ou uma cacofonia? Quarenta anos é muito tempo, mudou a nossa tolerância face à expressão da sexualidade? Ou será que a expressão da sexualidade se vulgarizou até aborrecer?

Marca: Perrier. Título: Une nouvelle forme de plaisir. Agência: Ogilvy. França, 2014.

A culinária do orgasmo

Enquanto o antibiótico se mantém preguiçoso, entretenho-me a ver sombras na caverna.

Blaise Pascal (1623-1662) é uma sub-rotina do meu pensamento. Pierre Bourdieu também não se cansa de o citar, tendo-lhe dedicado um livro (Meditações Pascalianas, 1997). Quanto a mim, apraz-me citar Pascal a propósito do prazer:

“Os princípios do prazer não são firmes nem estáveis. São diversos em todos os homens, e variáveis em cada caso particular com uma tal diversidade, que não há nenhum homem mais diferente de outro que de si próprio nos diversos momentos da vida. Um homem tem prazeres diferentes de uma mulher; diferentes são os de um rico e os de um pobre; um príncipe, um militar, um mercador, um burguês, os velhos, os jovens, os sadios, os doentes, todos variam; os mínimos acidentes os alteram” (Pascal, De l’Art de Persuader).

Para abrir este vídeo, carregue na imagem ou aceda a http://www.culturepub.fr/videos/kabanossi-saucisses-les-plaisirs-de-la-table?hd=1.

Kabanossi. Salsichas. O prazer da mesa. Finlândia, 2003.Marca: Kabanossi. Título: Os Prazeres da Mesa. Finlândia, 2003.

O próximo anúncio foi proibido, tendo circulado viralmente. Para aceder, carregar na imagem.

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Marca: New England. Título: A Adolescente. Agência: Howell Henry Chadelcott. Direcção: Klaus Witting. UK, 1992

A gula e a luxúria são os dois pecados capitais mais propensos a namorar entre si. Thomas Munzer (1490-1525) diria, na sua prosa suculenta, que fornicam em conjunto. Erotizar alimentos é uma velha receita da publicidade. O cúmulo consiste em sugerir que o prazer do consumo alimentar é equiparável a um acto sexual com orgasmo à vista (vídeos 1 e 2). Aprendemos, entretanto, que os alimentos podem ter sexo (vídeo 3): o gelado, a salsicha e o queijo são, pelos vistos, masculinos. Um queijo? Sem dúvida, tresanda a homem. E combina força e ternura. Pena que os alimentos não engordem a natalidade.

Para abrir o próximo vídeo, carregue na imagem ou aceda a http://www.culturepub.fr/videos/coeur-de-lion-camembert-force-et-tendresse?hd=1.

Coeur de lion. Force et Tendresse. France. 1994.

Marca: Coeur de lion. Título: Force et Tendresse. Agência: FCB. França, 1994.