Archive | Agosto 2015

Apontamentos escatológicos II. Criatividade.

logo_adelaide-zoo_www-infront-com-auevtzoopops-au-1Nem todos os anúncios escatológicos são grosseiros. Alguns mostram algum refinamento. Creio ser o caso deste Lion, do Zoo de Adelaide (Austrália), galardoado em Cannes. Curto, quase minimalista. Natural…

Marca: Royal Zoological Society of South Australia Zoo Poo Fertilizer. Título: Lion. Agência: Escape Plan / Anifex, Adelaide. Direcção: Michael Kusack. Australia, 2002.

Prometi, no artigo precedente, uma segunda anedota escatológica:

Sentado no meio do caminho, Zéquinha entretem-se com um monte de bosta.
Vem o padre que, incomodado, lhe pergunta:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Estou a fazer um padre, responde Zéquinha.
O padre afasta-se ofendido.
Vem a professora que pergunta horrorizada:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Estou a fazer uma professora.
A professora afasta-se indignada.
O padre e a professora apressam-se a contar o desaforo ao polícia.
O polícia dá uma volta e encontra o Zéquinha mais o monte de bosta no caminho. Com voz grossa, pergunta:
– Zéquinha, o que estás a fazer?
– Não sei!
O polícia, presumido, prossegue a conversa:
– Pensei que estavas a fazer um polícia.
O Zéquinha explica de imediato:
– Para fazer um polícia era preciso mais bosta.

Apontamentos escatológicos. Rebaixamento.

Caricatura de Alonso (1871-1948), do primeiro quartel do século XX.

Caricatura de Alonso (1871-1948), do primeiro quartel do século XX.

A Eduarda enviou-me um anúncio que considera de “um mau gosto atroz”. Não sei o que sucede, mas parece-me que o anúncio está a ser retirado de circulação. Será fake? Será flop? Será banned? No momento em que escrevo este artigo, ainda está acessível no seguintes endereços: http://www.dailymotion.com/video/x32bgk9; ou http://www.culturepub.fr/videos/dude-wipes-plip-and-plop/. De qualquer modo, os anúncios escatológicos não são raros. Só na base de dados da Culture Pub, os anúncios com excrementos são às dezenas. A “coisa”, por incrível que pareça, compensa. Regenera: rebaixa e fertiliza. A coisa é convocada em festas e rituais. Na linguagem, é exuberante. Na literatura, Pantagruel envia ao pai uma extensa lista com as técnicas cientificamente testadas de limpar o rabo. O caricaturista Alonso desenha um penico a transbordar de políticos. Muniz Sodré e Raquel Paiva (O império do grotesco. Rio de Janeiro, Mauad, 2002) alongam-se sobre o grotesco escatológico, que consideram um géneros do grotesco.

point defiance

Marca: Point Defiance Zoo & Aquarium. Título: Joggers. Agência: Wongdoody. USA, 2002.

O anúncio Plip and Plop “estreou” há dias. Joggers estreou há treze anos (http://www.culturepub.fr/videos/point-defiance-zoo-aquarium-grosse-merde/). Neste anúncio, a coisa é enorme. Prenda de dinossauro, capaz de cobrir um ser humano adulto! A propósito da coisa, acodem-me duas anedotas. Ambas mostram como a coisa é talhada para rebaixar. Segue a primeira. No próximo artigo, conto a outra.

Um inglês passeia, de fato e guarda-chuva, na Avenida dos Aliados, no Porto. A um dado momento, surpreende-se com uma coisa estranha no chão. Observa, observa… e conclui.
– Isto parece merda, mas merda no Porto não pode ser!
Com a ponta do guarda-chuva mexe e remexe. E diz para os seus botões.
– Isto é mole como merda, mas merda no Porto não pode ser!
Com a ponta do guarda-chuva, pega numa pequena amostra e cheira.
– Isto cheira a merda, mas merda no Porto não pode ser!
Pega num pequeno pedaço e prova.
– Que horror, isso é mesmo merda, por pouco não pisei.

As minhas desculpas ao Porto e ao inglês, mas foi assim que, já lá vão quarenta anos, me contaram a anedota.

O parto na Modernidade Avançada

Frida Kahlo. Henry Ford Hospital. 1932.

Frida Kahlo. Henry Ford Hospital. 1932.

A comunicação audiovisual é para a actualidade aquilo que as iluminuras foram para a Idade Média. Umas e outras compõem a nossa paisagem sensorial e simbólica, convocam a vida e constroem a realidade. Comparando as imagens do parto medieval com os vídeos actuais, constata-se uma mudança do olhar. As iluminuras medievais são sérias e realistas, os vídeos são fictícios e cómicos. Na Idade Média, o parto não dava vontade de rir. O parto bem-disposto é apanágio da Modernidade Avançada. Contanto que o homem medieval fosse mestre na arte do riso e do absurdo. Os gracejos (droleries) nas margens dos manuscritos (marginália), bem como as festas tresloucadas, rivalizam com as fábricas de humor dos nossos dias. Na Idade Média, tinha-se medo de não ter filhos e temia-se a morte durante o parto. Na modernidade, tem-se receio de ter filhos e os riscos de mortalidade durante o parto são ínfimos. Uma característica une, no entanto, a Baixa Idade Média e a Modernidade Avançada: constituem dois picos históricos de propagação da imagem.

Marca: Volkswagen. Título: Delivery. Agência: Red Urban. Direcção: Curtis Wehrfritz. Alemanha, 2013.

Concentremo-nos na representação do parto na Modernidade Avançada. Selecionei quatro anúncios, que dizem pouco sobre o parto e muito sobre a nossa bússola semiótica.

Marca: XBOX. Titulo: Champagne. Agência: BBH. Direcção: Daniel Kleinman. UK, 2002.

Autores como Paul Virilio e David Harvey consideram a “velocidade” e a “compressão do espaço e do tempo” expressões-chave do nosso modo de ser e de estar no mundo. No anúncio da Volkswagen, graças ao poder de aceleração do automóvel, o trabalho de parto é quase instantâneo. Dispensa tempo e espaço. No anúncio da Xbox, o bebé passa, em 45 segundos, do ventre da mãe para a sepultura, num processo de envelhecimento vertiginoso. No anúncio da MTS, a criança tem um crescimento físico e intelectual acelerado. No anúncio da B!, da Compal, o pai grávido dá à luz uma filha já adolescente.

Marca: MTS. Título: Internet Baby. Agência: Creativeland Asia. Índia, 2014.

A dependência das máquinas constitui outro traço relevante da Modernidade Avançada. No anúncio da Volkswagen, a parteira é o automóvel. No anúncio da XBOX, a mãe lembra um canhão e o filho, um projétil. No anúncio da MTS, as máquinas digitais recebem um bebé viciado em comunicação e Internet.

A desmaterialização fascina-nos. No anúncio da Volkswagen, o parto resulta virtual. No anúncio da MTS, só falta substituir o cordão umbilical por um dispositivo sem fios.

Marca: B! Abacaxi. Título: É uma menina. Agência: Brandia Central(Lisboa). Portugal, 2007.

Estes anúncios têm um ar barroco a descair para o grotesco. Tudo se oferece estranho e excessivo: o parto assistido pelo automóvel; o disparo do bebé que voa em direcção à morte; o bebé que nasce viciado em Internet. E, por último, o anúncio português, grotesco e barroco até não poder mais. Um anúncio profuso! Tal como a sociedade. E se a sociedade, para além de líquida, hipermoderna, hiper-real, pós-moderna, acelerada e desmaterializada, também se configurasse como uma sociedade da profusão? Profusão de bens, de cenários, de símbolos, de desejos, de identidades, de contradições e de frustrações. Mais que uma sociedade de consumo, do espectáculo ou da abundância, participamos numa sociedade da profusão! Ou talvez não. Ouvi falar de um reino que visa poupar nos partos e no apoio às crianças. Para além da poupança com tantos jovens e adultos que vão criar os filhos além fronteiras.

O parto na Idade Média

Birth of Esau and Jacob (illumination circa 1475–1480 by François Maitre.

Birth of Esau and Jacob (illumination circa 1475–1480 by François Maitre.

Há 25 anos, numa praia alentejana, um amigo brincou com o teste de gravidez: “Que vais fazer a Odemira? Urina em água com camarões; se morrerem, estás grávida!” Assim se arremedavam as artes de divinação do Antigo Egipto, cujo teste consistia “em urinar durante alguns dias para cima de sementes de trigo ou de cevada, se a cevada crescesse nasceria um rapaz, se crescesse o trigo, seria uma rapariga. Se não crescesse nada era porque a mulher não estava grávida” (http://apontamentoshistoriamedieval.blogspot.pt/2010/10/gravidez-na-idade-media.html).

The Rosegarden for Pregnant Women and Midwives, written by Eucharius Rosslin, early 1500s.

The Rosegarden for Pregnant Women and Midwives, by Eucharius Rosslin, early 1500s.

Na Idade Média, também existiam “testes de gravidez”. Tão infalíveis como o dos camarões. A fecundidade era um valor prezado pela sociedade, sendo mais desejado um rapaz, um varão, do que uma rapariga. A ausência de filhos era uma falta próxima do pecado. A culpa era sempre da mulher. Não faltavam as mezinhas, mais ou menos mágicas, para engravidar. Por exemplo, deitar-se rodeada de bonecas.

Chaise obstétricale, A. Paré, Œuvres, 1585.

Chaise obstétricale, A. Paré, Œuvres, 1585.

A gravidez era encarada como uma situação excepcional, de ordem sagrada. Isentava a mulher grávida de obrigações, tais como assistir às cerimónias religiosas ou ser citada, ou castigada, em justiça.

N. Senhora do Ó, ou da Expectação. Portugal, séc. XIV. Museu Nacional de Arte Antiga

N. Senhora do Ó, ou da Expectação. Portugal, séc. XIV. Museu Nacional de Arte Antiga

Eram correntes os partos em posição sentada. Por vezes, a parturiente permanecia de joelhos ou, eventualmente, de pé. (http://www.racontemoilhistoire.com/2014/09/02/devenir-mere-au-moyen-age-croyances-rituels/). Havia cadeiras próprias para o efeito. Durante a gravidez era habitual a devoção a Nossa Senhora do Ó, a “Virgem barrigudinha” (http://silentstilllife.blogspot.pt/2010/05/o.html). Esta devoção justificava-se. Naquele tempo, era mais arriscado parir do que guerrear. A mortalidade era elevada, para a mãe e para o filho.

Com as orelhas na cabeça

“Ciência sem consciência não passa de ruína da alma” (François Rabelais)

Unknown artist, Surgeon Conducting a Trephination in Guy of Pavia’s Anatomia, c. 1345.

Unknown artist, Surgeon Conducting a Trephination in Guy of Pavia’s Anatomia, c. 1345.

Quando crescer, quero ser cientista. Daqueles que têm sentido de humor e inventam descobertas absurdas, daquelas que só eles entendem e as revistas científicas disputam. Mas estes atributos da ciência têm a idade do Homem. Na Idade Média, salvaguardando a electricidade, abriam-se os crânios com técnicas cirúrgicas semelhantes às actuais.

Medieval Surgeons. Surgery in the 14th century

Medieval Surgeons. Surgery in the 14th century

Não me recordo de um vídeo tão rabelaisiano como este. Não admira, François Rabelais era médico, ria e fazia rir.

Marca: Science&Vie. Título: L’Opération. Produção: Scarfilm. Direcção: Phillippe Geus. França, 2015.

Touros com rodas

Audi Q3

Já faltava um bom anúncio a um automóvel. Graças à sequência de imagens, ao texto, à música, à divisa e a uma boa composição global, o anúncio All conditions are perfect conditions é excelente. O Audi Q3 é sensual e robusto. Trata-se de um todo-o-terreno, preparado para “qualquer condição”. O Audi Q3 parece obra dos deuses. Sem menosprezar o Lamborghini, lembra um touro mítico cretense.

Pasifae. Vilanova i la Geltru. Espanha.

Pasifae. Vilanova i la Geltru. Barcelona. Espanha.

Zeus apaixonou-se por Europa. Avistando-a na praia, aproximou-se, transformado num touro branco com chifres e cascos de prata. Confiante, Europa montou no touro que a levou mar adentro até Creta.
Minos, filho de Zeus e Europa, casou com Pasifae. Na qualidade de rei de Creta, faz um pacto com Poseídon, prometendo-lhe sacrificar o melhor touro. Minos não cumpre a promessa. Sacrifica um touro vulgar. Sentindo-se enganado, Poseídon pede o auxílio de Vénus, que, durante a noite, implantou no coração de Pasifae, um desejo irresistível por um touro. Incapaz de se conter, Pasifae pede a Dédalo para lhe construir uma armadura em forma de vaca de modo a poder aproximar-se do touro (a versão bovina do cavalo de Tróia). O desejo foi satisfeito.
Da relação de Pasifae, mulher de Minos, com o touro, nasceu o Minotauro, um ser humano com cabeça de touro. Resultado de uma concepção anómala, o Minotauro envergonhava Minos e aterrorizava os cretenses. Minos encomenda a Dédalo a construção de um labirinto, de onde fosse impossível sair, para encarcerar o Minotauro.
Minos conquista Atenas, de cujo povo leva semanalmente sete rapazes e sete raparigas virgens para alimento do Minotauro. Teseu, filho do Rei de Atenas, junta-se a um destes grupos com o intuito de matar o Minotauro. Em Creta, Teseu conhece Ariadne que, apaixonada, lhe dá o novelo de lã para o ajudar a sair do labirinto. Teseu matou o Minotauro. Consta que a parte humana ficou na terra e a parte animal foi para o céu formando a constelação Touro.

O rapto de Europa. Mosaico. Byblos. Séc. III A.D. Beirute.

O rapto de Europa. Mosaico. Byblos. Séc. III A.D. Beirute.

O texto do anúncio inspira-nos um misto taurino de sexo e poder: esculpir, adrenalina, excitação… Esta é a alquimia de muitos anúncios a automóveis. Impressiona, contudo, que este chamamento seja o oposto dos anúncios de prevenção rodoviária. Adrenalina e excitação não é o que se espera de um condutor previdente. Como avaliam as altas autoridades os anúncios publicitários? Há uns tempos, espantei-me com a proibição de uma anúncio da Rexona por causa de três raparigas que dançavam no banco de trás de uma carrinha sem cinto de segurança (https://tendimag.com/2011/11/29/zelai-por-nos/). Se calhar, as Altas Autoridades atendem mais ao conteúdo do que à forma. Elas lá sabem! Foram nomeadas para impedir erros alheios de alto efeito. Alta Autoridade é um nome que cria urticária ideológica. Mais alto do que uma alta autoridade, só uma alta alta autoridade ou uma altíssima autoridade. As altas autoridades pegaram de estaca neste nosso húmus democrático. Soam a retro, soam talvez aos anos trinta.

Marca: Audi Q3. Título: All conditions are perfect conditions. Agência: Ogilvy & Mather, Cape Town. Direcção: Rob Malpage. África do Sul, Agosto 2015.

Texto do anúncio e tradução.

  This is not a road, it’s an invitation

This is not driving, this is carving.

These aren’t bad conditions, as there is no such thing.

This is not a flash flood. It’s a source of adrenalin.

Ok, this is treacherous. But so what?

This is not tension, this is excitment.

This is not a mountain, this is the next level.

All conditions are perfect conditions.

The new Audi Q3

Isto não é uma estrada, é um convite

Isto não é condução, isto é “esculpir”

Estas não são más condições, pois não existe tal coisa.

Isto não é uma enxurrada, é uma fonte de adrenalina.

Ok, isto é desleal. E então?

Isto não é tensão, isto é excitação.

Isto não é uma montanha, isto é o próximo nível.

Todas as condições são condições perfeitas

O novo Audi Q3-

Um século de fotografia

Leica100_01A Leica faz 100 anos. Para celebrar, evoca 35 fotografias num vídeo de extrema qualidade. 35 fotografias recompostas que somos convidados a identificar. Não é o primeiro anúncio com este formato. Recordo o Icons, do The Sunday Times (https://tendimag.com/2014/02/13/a-espera-dos-icones/). Estes 100 anos dão, porém, um salto em frente.

Marca: Leica Gallery São Paulo. Título: “100”. Agência: F/Nazca Saatchi & Saatchi São Paulo. Direcção: Jones + Tino. Brasil, Outubro 2014.

Turismos

BookingcomJapan_HerestotheExplorers15A comparação é uma excelente forma de obter conhecimento. Assim o entende, por exemplo, Max Weber. Há situações em que a comparação é uma tentação. A Booking.com lançou, este ano, dois anúncios. Um na Holanda (ocidental), o outro no Japão (oriental). A agência é a mesma: a Wieden+Kennedy. Marca e agência iguais, localização distinta. Apetece comparar, não apetece? Para sentir o pulso à globalização: será o globo redondo e liso, como uma bola de futebol? Ou torto e enrugado, como uma bola de trapos? São apenas dois casos. Não dá para extrapolar. Mesmo assim, vou comparar, a não ser mais para treinar a comparação. Não quer treinar, também?

Marca: Booking.com. Título: Booking Hero. Agência: Wieden+Kennedy Amsterdam. Direcção: Dante Ariola. Holanda, Fevereiro 2015.

Marca: Booking.com. Título: Here’s to explorers. Agência: Wieden+Kennedy Tokyo. Direcção: Matthew Swanson. Japão, Agosto 2015.

Pêlo sim, pêlo não

BicNão há tréguas na guerra dos pêlos. Agora, o pomo da discórdia é a barba. Lembra os cabelos compridos dos anos sessenta. Naquele tempo, ouviam-se rumores alusivos à feminilidade e à androginia dos cabeludos: Mick Jagger, David Bowie, New York Dolls… Ressurgiu, entretanto, a moda dos cabelos compridos. Uma opção de pouca duração. E se quem deixou crescer o cabelo é o mesmo que deixa crescer agora a barba? Um cocktail simbólico de género? Além de emblema, a barba pode ser um estigma, um sinal de marginalidade e de descuido de si. É nesta tecla que aposta o anúncio “The Hipstervention”, uma paródia de anúncio de sensibilização, promovido pela Bic, empresa a quem a moda masculina não corre de feição. Importa desbarbear-se: Shave the beard. Save the world.

Marca: Bic. Título: The Hipstervention. Agência: McCann Erickson Melbourne. Direcção: Aaron Wilson / Airbag. Austrália, Agosto 2015.

Triangulação

” Pour le parfait flâneur, pour l’observateur passionné, c’est une immense jouissance que d’élire domicile dans le nombre, dans l’ondoyant dans le mouvement, dans le fugitif et l’infini. Etre hors de chez soi, et pourtant se sentir partout chez soi ; voir le monde, être au centre du monde et rester caché au monde, tels sont quelques-uns des moindres plaisirs de ces esprits indépendants, passionnés, impartiaux, que la langue ne peut que maladroitement définir” (Charles Baudelaire, Le Peintre de la vie moderne, 1ª ed. 1863).

 Vadiando, também se descobre. Por exemplo, em bases de dados estrangeiras, anúncios portugueses nacionalmente eclipsados. Este Adultério (2002), da Câmara Municipal da Maia, para promoção do teatro, conta uma história, em ritmo acelerado, que não é simples. Um concentrado de humor que adultera o adultério. Uma farsa de triângulo amoroso.“O riso é quem mais ordena” (José Leitão: http://cultura.maiadigital.pt/eventos/festival-internacional-de-teatro-comico). Para aceder ao anúncio carregar na imagem.

Adultério

Anunciante: Câmara Municipal da Maia. Título: Adultério. Agência: McCann Erickson. Portugal, 2002.