Todo o mundo à porta; ninguém à janela.

Passa tanta gente à minha porta. E a solidão cá dentro.

A canção francesa, em tempos universal, está em vias de relocalização. Regressa às caves do Boulevard Saint Germain. Entretanto, uma língua e três ou quatro culturas particulares universalizam-se. O resto relocaliza-se, inventaria-se, resiste ou desiste. Hoje, (re)produz-se à moda dos coelhos: vai ser tão bom, não foi? Com tamanha velocidade não há lugar para a solidão. Não? E, contudo… Nos resíduos dos quatro cantos, toca o sino de Wall Street. Sempre há quem se pendure nas calças dos gigantes; e os abutres indígenas, omnívoros, atiram-se a qualquer porcaria com molho de cifrão. A solidão acompanha a dança; faça-se de conta que não é connosco.
O tema da solidão é caro à canção francesa. Escute-se, por exemplo, Georges Moustaki e Léo Ferré.

Georges Moustaki. Ma Solitude. 1969

Léo Ferré. La Solitude. 1971.

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Sociólogo.

One response to “Todo o mundo à porta; ninguém à janela.”

  1. beatrizmartins.artes@gmail.com says :

    A solidão no interior

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