Agonia

Luis de Morales. Piedad (c. 1560)

Luis de Morales. Piedad (c. 1560).

Imagens de impotência em situação de emergência. Aflitivas. A realidade e a ficção combinam-se para aumentar o efeito de verdade. Um efeito mais real do que o real. Uma criança brinca na companhia da mãe num espaço doméstico: amor, prazer, segurança. Um acidente, altamente improvável, ocorre: a criança salta para a piscina, escorrega numa prancha de surf e bate com a nuca no rebordo. Toda esta acção ocupa os 10 primeiros segundos do anúncio, montados com minucioso realismo. Segue-se o desespero e a agonia da mãe: 50 segundos, agora, de hiper-realidade. A agonia da mãe perante a perda do filho actualiza uma figura matricial do imaginário cristão. Impotente, a mãe, impotente, o espectador. Não há modo de ultrapassar a barreira. Tal como existem pecados por omissão, também existe impotência por omissão: incapacitação imprevidente. Um curso de primeiros socorros, eis a falha! Bastante cru, quase cruel, eventualmente chocante.

Anunciante: St John Ambulance Foundation. Título: Break the barrier. Agência: The Brand Agency. Direção:  Grant Sputore. Austrália, Abril 2014.

PS. A tradição judaico-cristã ainda está para dar e para durar. Os mestres da palavra continuam a pensar que a consciencialização carece ser regada com uma boa dose de sentimento de culpa

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2 responses to “Agonia”

  1. beatrizmartins.artes@gmail.com says :

    No limite!E, o sentimento de culpa, persegue e fragiliza!

  2. Marco Costa says :

    Agonia… O que sinto constantemente,Querida Amiga! Fique com Deus. Date: Sat, 19 Apr 2014 21:34:07 +0000 To: mpccosta1970@hotmail.com

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