Amigos do peito

Divindades irregulares

Depois das aberrações (Arte indigesta), dos humanóides e dos hinos (A resistência dos humanoides), da devoção (Internet, Humor e Estilos de Vida) e da oração (Oremos! Religião, Desporto e Jornalismo), proporciona-se a música de Kevin Penkin, recomendada pelo Fernando.
Kevin Penkin (Perth, 22 de maio de 1992) é um compositor australiano.[1] Ele é conhecido por ter sido o compositor da adaptação para anime do mangá Made in Abyss, que ganhou a categoria de “melhor anime do ano” na edição de 2017 do Crunchyroll Anime Awards.[2] Penkin atualmente compõe trilhas sonoras para jogos eletrônicos e animes. (Wikipedia, 17.08.2026)
O beijo da lua ao sol

Nos artigos O Beijo e Voz extrema, ambos de 12 de agosto de 2013, encontra uma imagem do “Beijo” (1888-89) de Rodin e o anúncio “Kiss” (2009) da Topline, que pode acompanhar com as canções “Sanvean” (1994) de Lisa Gerrard e “Der Nussbaum” (1983) de Klaus Nomi.
Gostos bárbaros

“Considero o gosto, o bom e o mau, o maior inimigo da arte”. (Marcel Duchamp)
É difícil evitar comentários humorísticos próprios do gosto dito bárbaro perante a criatividade pura de obras de arte contemporânea.
Segue o artigo Públicos da arte, colocado em 19 de julho de 2016.
Imagem: Marcel Duchamp e a sua Roda de Bicicleta (1913)
A reincidência do grotesco

A publicidade parece desinibir-se, revisitando uma vocação excêntrica algo esmorecida. Seguem 4 anúncios exemplares: uma metamorfose (Bing your saturday to live), uma disformidade (Chocolate Like Nobody’s Watching), uma paródia (Beers To Come True) e uma alegoria (Care You Can Count On).

Véus de vidro
Aqueles que têm mais consciência são quem tem maiores pesadelos (atribuído a Gandhi)
Entre a sexta do sacrifício e o domingo da vitória, a descida ao limbo e a subida às alturas, talvez se proporcione a sonoridade dos Glass Beams: “uma fusão hipnótica de rock psicadélico, funk, surf rock australiano e música clássica indiana. A banda utiliza escalas orientais, riffs cíclicos e polirritmias que evocam uma atmosfera cósmica e meditativa” (ChatGPT, 19.04.2025).
O misterioso trio de Melbourne Glass Beams é um dos mais recentes fenómenos deste globo cada vez mais pequeno (…) / Com as suas máscaras exóticas, uma identidade secreta e um universo musical em permanente polenização entre o oeste e o oriente mágico, o segredo parece ser a alma deste fantástico trio. / O pouco que sabemos sobre os Glass Beams é que se fundaram em torno de Rajan Silva, um filho de emigrantes, com evidentes raízes portuguesas, que no final da década de 70 emigrou da Índia para a Austrália com uma colecção de discos na bagagem que se estendia entre Bollywood, Ravi Shankar, George Harrison e Muddy Waters. A formação de Rajan Silva bebeu por isso dessa intersecção entre a música clássica indiana e uma fusão de estilos ocidentais do rock ao funk, entre o passado e o futuro (https://www.oxigenio.fm/glass-beams-mahal/).
Os Glass Beams atuaram em agosto de 2024 no festival de Paredes de Coura. Vários trechos lembram-me os Camel da primeira metade dos anos setenta.
Prazer gutural

Amanhã, segunda 3, pelas 22 horas, vou animar uma tertúlia sobre o Carnaval, na Observalícia (Rua Nova de Santa Cruz, 369, lj18, Braga). Convocarei, principalmente, resultados de estudos que empreendi. Entretanto, enquanto preparo imagens, escuto música.
O canto é fonte de múltiplos prazeres, de ouvintes e intérpretes. Nos últimos, relevo o prazer que designo como gutural. Remete para a respiração, para a sensação do ar na garganta. A propósito da infância, Jean-Louis Tristani chega a avançar a noção de um “estádio do respiro” (ver De cortar a respiração).
Afigura-se-me existirem cantores que apostam nesse efeito.
Não conhecia. Gostei e disfrutei. Ele usa a voz praticamente em modo de sussurro, com uma poderosa união ao instrumental, em que persiste uma batida de fundo, como o bater do coração. Na segunda, de modo ainda mais complexo, a orquestra eleva a cadência, juntando um instrumento de cada vez, até a uma linha curta mas contínua, como se fora o lugar do êxtase, para depois docemente voltar à batida do coração, sossegando. Apela a todos os sentidos, expirando toda uma sensualidade que, se não invoca, pelo menos roça o erótico. É perfeito para escutar com os olhos fechados numa união com os elementos. Howling, Uivando, se não à lua, para dentro do peito. Meu Deus, como me surgiu tudo isto. O melhor é mesmo sentir… (Almerinda Van Der Giezen)



