Tempo é dinheiro: Benjamin Franklin
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Marca: Quyck Loans. Save your money. Train. Agência: Driven. Direcção: Craig Brownrigg. USA, Fevereiro 2014.
Benjamin Franklin é o protagonista deste anúncio da empresa financeira Quicken Loans. Em boa hora. Inventor do pára-raios, político, diplomata e pensador notável, foi um dos pais da independência dos Estados-Unidos. Referência mor da nação, a nota de 100 dólares ostenta o seu rosto. Na disciplina de Sociologia da Cultura, dedico-lhe alguma atenção. Por causa do livro de uma quinzena de páginas, com adágios e conselhos, intitulado O Sermão do Pai Abraão (The Way to Wealth), publicado em 1758. Deve haver poucos livros tão associados ao “espírito do capitalismo” e com tantos provérbios célebres por página. Segue uma pequena selecção de adágios, mais o pdf do livro em inglês.
“Tempo é dinheiro”
“Uma vida de lazer e uma vida de preguiça são duas coisas (distintas)”
“Obtenha o que puder e mantenha o que obtiver”
“Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”
“O olho do patrão fará mais que suas mãos”
“Cedo na cama, cedo levantar-se, faz um homem sadio, rico e sábio”
“Mulheres e vinho, jogos e fraude, / Fazem pequena a riqueza e grande a necessidade.”
A incomensurável leveza do beijo
Um amigo enviou-me este anúncio da Lacoste. A agência BETC tem destas coisas: um beijo à Matrix, capaz de rivalizar com o Shrek e a Fiona. Um beijo que vence o abismo, mais rápido e mais potente do que um teleférico ou um helicóptero. Ao mínimo toque, levitamos.
Marca: Lacoste. Título: The Big Leap. Agência: BETC, France. Direcção: Seb Edwards. França, Fevereiro 2014.
Capitalismo mendicante
Apraz-me noticiar mais um gesto de generosidade num anúncio publicitário:
“World Cancer Day will be marked on Tuesday, Feb. 4 to raise awareness of cancer and to encourage its prevention, detection, and treatment. Every year cancer kills more than 500,000 Americans and almost eight million people worldwide.
This week, Fifth Third Bank launched the “Pay to the Order of” campaign that drives donations for cancer research through new account openings. For each new customer who opens a checking account with direct deposit and makes three online bill payments, Fifth Third will give $150 to the customer and donate $150 to Stand Up To Cancer (SU2C).”
O homem de negócios actual pouco tem a ver com o empresário calvinista dos primórdios do capitalismo. Max Weber constata-o no século XIX. Com o tempo, a vocação e a ascese como que derreteram. E os conselhos de Benjamin Franklin, inflamados pelo espírito do capitalismo, também passaram de estação? Evoluir das promoções e dos sorteios para os donativos representa um pequeno passo? Um grande salto? Por vezes, a história parece cíclica. Na Idade Média, grassavam as ordens mendicantes. Hoje, exibe-se o capitalismo mendicante. Marketing! Marketing! Marketing! Mas bom marketing, com uma história bem contada, subtil, a reclamar várias leituras.
Marca: Fifth Third Bank. Título: Stand Up To Cancer MasterCard – Replacements. Agência: Leo Burnett. USA, Fevereiro 2014.
Princesinha
Às vezes, mergulhamos nas borras do ácido e esquecemos a doçura das nuvens. Mas, até nestes tempos de chuva pesada, a imaginação encontra modo de nos tirar a língua. É a nossa companheira. Íntima e fiel, como uma flor de Maio. Segue-nos por todo o lado. Com a crise, a publicidade regressou ao quadrado óbvio fisgado nos objectivos. Sofre a criatividade. Mas há portas que, uma vez entreabertas, não se voltam a fechar. A do sonho, por exemplo. Por entre tantas conquistas que nos oprimem, este anúncio da General Electric resgata a imaginação. Uma “princesinha” com uma rosa ao peito, voz de amor e olhos de sonho! “Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso” (Pablo Neruda, O teu riso). E a imaginação? “O que torna belo o deserto (…) é que ele esconde um poço nalgum lugar” (Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe).Tirem-me tudo, mas deixem-me a imaginação! Há anúncios que são poemas.
Marca: General Electric. Título: Childike Imagination. Agência: BBDO, New York. Direção: Dante Ariola. USA, Fevereiro 2014.
Fruto do acaso ou não, a EDP lançou em meados de 2012 um anúncio, “Pela Energia do Amanhã, com algumas semelhanças com este “Childike Imagination”, da General Electric. Merece ser recordado. Não deixa de ser curioso como mal se lida com um anúncio português se encontram logo limitações de incorporação, sobretudo em termos de qualidade.
Marca: EDP. Título: Pela Energia do Amanhã. Agência: BAR. Portugal, 2012.
Cento e cinquenta mil velas
O blogue Tendências do Imaginário ultrapassou as 150 000 visualizações. Mais de mil artigos em trinta meses. As visualizações cresceram, paulatinamente, rondando, nas últimas semanas, cerca de 300 por dia. Não é bom, nem é mau, é o que se arranjou. Tendências do Imaginário é um blogue com vocação universal em língua portuguesa. O contrário de um blogue paroquial em língua estrangeira. Esta vocação universal é, de algum modo, indiciada pela proveniência geográfica das visualizações. Como se pode observar na figura 1, nos últimos 365 dias, as visualizações provêm de quase todo o globo, com particular incidência nos países lusófonos (Portugal e Brasil) e nos países com forte emigração portuguesa (França, Estados Unidos da América e Alemanha). Três em cada dez (29,3%) visualizações provêm de Portugal. Entristece-me que este blogue seja improdutivo, sem efeitos na economia do País, nem na minha. Antes pelo contrário! Muito embora… Neste momento, uma pesquisa por imagens no Google acerca da Domus Aurea, de Roma, revela que nas primeiras quarenta e quatro imagens oito são deste blogue. Terá isso efeito algum económico? E educativo? Não sei! Só perguntando aos produtores de produtivos.
À semelhança da dama do anúncio da Ferrero Rocher, apetece-me colocar algo, algo especial. Algo, ao mesmo tempo, diferente e igual. A chave para estes oxímoros costuma descansar na memória. O primeiro vídeo, um anúncio da BASF, data de finais dos anos setenta. Uma vez visto, fica a piscar no cérebro como um boneco teimoso. O segundo, The Piano, foi a primeira curta-metragem colocada no blogue Tendências do Imaginário (em 03/09/2011). Marca um estilo.
Marca: BASF. Título: Play it again John! Direção: Tony Williams. Nova Zelândia, 1979.
Música: Jean Sheppard, Dear John. Letra:
Dear John, Oh how I hate to write.
Dear John, Oh how I miss you so, tonight.
But my love for you has gone,
So I’m sending you this song.
Tonight I’m with another.
You’ll like him John,
He’s your brother.
So adieu to you forever.
Dear John.
Aidan Gibbons: The Piano. Música de Yann Tiersen.
Amor prevenido
O controlo automático de distância não se aplica apenas aos automóveis e respectivos peluches. Também separa os seres humanos. Aproximam-se, afastam-se, mas não se encontram. Como dois pólos magnéticos iguais. Uma tragédia shakespeariana na era da técnica! Com pequenas coisas se fazem grandes anúncios. A medida é o ser humano.
Marca: Volkswagen. Título: A Teddy Tragedy. Agência: adam&eveDDB. Direção: Matteo Pellegrini. UK, Fevereiro 2014.
O bom e o mau ladrão
Os discursos do poder sobre a ciência lembram-me duas passagens da Bíblia; o bom e o mau ladrão no Calvário e a parábola do trigo e do joio.
Habituámo-nos a diversas classificações das ciências: nomotéticas e ideográficas; dedutivas e indutivas; duras e moles; experimentais e não experimentais; cosmológicas e noológicas; formais e factuais… Confrontamo-nos agora com um mandamento novo: produtivas e não produtivas. São prestáveis as ciências com impacto no crescimento económico. As demais são imprestáveis. As primeiras merecem investimento público adicional. As demais, nem uma esmola. Não é fácil discernir a fronteira entre as duas ciências. Recorro, por isso, à catequese pela imagem.
Desde Aristóteles, não se vislumbra distinção tão profunda e orgânica como esta entre cientistas produtivos e cientistas não produtivos. Como se pode comprovar na figura 1, a diferença radica no próprio cérebro: uns são produtivos, outros não. Uma tumografia pode ajudar a identificar um cientista produtivo.
Os efeitos das ciências produtivas são observáveis na própria fisionomia do cientista (ver figura 2). Existem sinais exteriores de cientificidade produtiva. A antropologia Física pode ajudar a classificar os cientistas
O cientista imprestável desperdiça, em contrapartida, o dinheiro público, que tanto custa a sacar aos cidadãos, em investigação inútil do ponto de vista do crescimento económico (ver figura 3). As Ciências do Espírito podem ajudar a caracterizar o perfil comportamental das diversas figuras de cientistas.
Misericórdia a martelo
Estes três anúncios são, fruto da época, misericordiosos. Também são chocantes. Convocam catástrofes e acidentes. O primeiro, A toonie is all it takes to fill a hungry tummy, canadiano, mostra imagens de catástrofes reais (cheia, tornado, desabamento de terras, incêndio) para terminar com um pedido de ajuda destinada a crianças com fome. No segundo, Heart Attack, peruano, uma mulher tem um ataque cardíaco ao ver o custo das suas compras. No terceiro, Get out from under, canadiano, uma mulher, submersa, é salva do afogamento pela mão de uma instituição bancária. Esta série de anúncios lembra-me Thomas Müntzer (1490-1525), um teólogo do séc. XVI que, radical, se afastou de Lutero e esteve associado à Guerra dos Camponeses que incendiou a Europa Central. Friedrich Engels dedicou um pequeno livro às Guerras Camponesas na Alemanha (1850) e Ernst Bloch escreveu um longo ensaio sobre o próprio Thomas Müntzer (Thomas Müntzer, O Teólogo da Revolução, 1921). Thomas Muntzer, decapitado aos 35 anos, tinha a particularidade de assinar os textos que colocava nas portas das igrejas do seguinte modo: “Thomas Müntzer, à martelada”. Esta leva de anúncios generosos com terapia de choque também se podia apelidar, independentemente da respectiva bondade, “misericórdia à martelada”.
Anunciante: Toonies for Tummies. Título: A toonie is all it takes to fill a hungry tummy. Agência: Capital C. Canadá, Fevereiro 2014.
Marca: Hipermercados Tottus S.A. Título: Heart Attack. Agência: Circus, Lima. Perú, Fevereiro 2014.
Marca: Credit Canada. Título: Get Out From Under. Agência: Reason Partners. Direção: Steve Gordon. Canadá, Fevereiro 2014.
Meter medo a um susto: catástrofes
No meu tempo de juventude, cunhava-se a expressão “meter medo a um susto”. Alguns anúncios actuais assustam. Pelos vistos, se não vamos pela razão, vamos pelo medo. De limite em limite. Converter pelo medo é um reflexo humano. A história está repleta de exemplos. É certo que o terramoto, o tsunami e a erupção vulcânica aparecem nestes anúncios como termo de comparação. Servem para enfatizar o número vítimas. Mas também para convocar o terror e acentuar a sensação de calamidade. Para ilustrar o volume de vítimas, bastava um estádio, um cruzeiro ou uma praça qualquer. O medo parece ser uma aposta crescente dos anúncios de consciencialização social. Dentro destas coordenadas, estes três anúncios do Ministério de Transporte y Obras Publicas, do Uruguai, estão muito bem concebidos e conseguidos. São excelentes.
Anunciantes: Ministério de Transporte y Obras Publicas, do Uruguai. Título: Tsunami. Agência: Amén, Montevideo. Direção: Nacho Vallejo, Gabriel Lista. Uruguai, Fevereiro 2014.
Anunciantes: Ministério de Transporte y Obras Publicas, do Uruguai. Título: Earthquake. Agência: Amén, Montevideo. Direção: Nacho Vallejo, Gabriel Lista. Uruguai, Fevereiro 2014.
Anunciantes: Ministério de Transporte y Obras Publicas, do Uruguai. Título: Volcano. Agência: Amén, Montevideo. Direção: Nacho Vallejo, Gabriel Lista. Uruguai, Fevereiro 2014.
Falar verdade a mentir
Este anúncio australiano pôs-me a pensar em marcar uma consulta psiquiátrica. Ando a estranhar demasiado a realidade. Uma pesquisa rápida reconfortou-me. É possível que o anúncio seja uma brincadeira viral. A entidade promotora (Learn for Life Foundation WA) tem uma página elíptica com ares de organização fantasma (http://www.learnforlifewa.org.au/). As farsas acontecem. Algumas tornam-se famosas. Este Set Yourself Free colheu mais de 3 milhões de visualizações no You Tube em dois dias! Sobre este anúncio, está disponível informação mais detalhada na página http://www.watoday.com.au/wa-news/perth-agency-makes-hoax-of-deathly-charity-ad-20140131-31rwe.html. Na realidade, as bases de anúncios que costumo consultar assumem este vídeo como um anúncio efectivo (nem fake, nem hoax). Uma boa alma não publicava este anúncio, por estar a acrescentar mais um elo a uma eventual cadeia viral impostora. Não sou uma boa alma. Fraude ou não, segue um anúncio chocante e desmiolado.
Marca: Learn for Life Foundation Western Australia. Título: Set Yourself Free. Agência: Direct. Direção: Aaron McCann. Austrália, Janeiro 2014.








