Bailado em Fafe
Francis Bacon, o pintor, parece que passou por Fafe. Mas não! Nem passou, nem me levou. Uma pena! A Cidade das Artes apresentou “O Tempo Pergunta ao Tempo”, um espectáculo de bailado pela Companhia ACASO, do Brasil, e pela Escola de Bailado de Fafe. Restam as imagens.
- Francis Bacon. Three Studies form the Human Body, 1967
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo
- Portrait of Isabel Rawsthorne 1966 by Francis Bacon 1909-1992
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo.2
- Francis Bacon – Study for a nude 1951
- Fafe. O tempo perguntou ao tempo.3
Azul e Preto
Há bons anúncios com fluídos em câmara lenta. Mas este, do Chelsea, não desmerece, sobretudo, pelo apuramento estético. Azul é agora a cor do José Mourinho; preto é a cor dos cabelos do verdadeiro amor da canção de Nina Simone.
Marca: Adidas. Título: It’s Blue, What else matters? Agência: TheCorner, London. Reino Unido, Julho 2013.
Nina Simone. Black is the color of my true love’s hair.
As Folhas Mortas
Há experiências que vão e voltam, mas não nos largam. As Feuilles Mortes, traduzidas para inglês como Autumn Leaves, regressam, agora, pela mão do trabalho de um aluno sobre “o saxofone e a música contemporânea”. Já tinha “postado” a canção, mas o link foi desactivado. A internet está repleta de vazios digitais com epitáfio: “Este vídeo não está disponível porque a conta YouTube associada a este vídeo foi encerrada”. São folhas mortas de um outro género. Um destes dias vou dedicar-me a catar estes zombies electrónicos. Seguem um pequeno excerto, em português, da letra da canção Les Feuilles Mortes, a versão saxofone de Stan Getz e a interpretação de Yves Montand. Sem esquecer o quadro de Remedios Varo (1908-1063).
As folhas mortas recolhem-se com uma pá
Tu vês, não me esqueci…
As folhas mortas recolhem-se com uma pá
As recordações e os remorsos, também
E o vento do norte leva-os consigo
Na noite fria do esquecimento.
Stan Getz. Autumn Leaves
Yves Montand à l’Olimpia. Les Feuilles Mortes.
Cliquemania
Há quem encare a oração como a voz da fé. A esta luz, o post, o follow , o like e o link são contas do rosário digital. A reza separa as águas e move cavalos. Há revoluções rezadas. Os cliques vitaminam a seiva comunicacional. Ambos convocam a magia. Já Montaigne escrevia no séc. XVI: “Parece, na verdade, que nos servimos das nossas orações como de um jargão, à semelhança daqueles que empregam palavras santas e divinas em feitiçarias e efeitos de magia” (Montaigne, Essais, cap. XXI).
Pelos vistos, os “likes” não curam à distância, nem concorrem para a cura (vídeo 1). À telemedicina falta-lhe ainda esse milagre. Mal não seja, os “likes” animam os internautas enredados. Um clique para ti, um clique para mim… E a vida sorri! (vídeo 2). Entretanto, vale a pena atender a este provérbio africano: “E enquanto você reza, vá fazendo!” Uma boa divisa para o apelo dos Médicos sem Fronteiras.
Anunciante: Doctors without borders. Título: Jonas. Agência: Kommunikationsbureauet København, Copenhagen. Dinamarca, Julho 2013.
Olá. Um corneto para ti, um corneto para mim. Portugal, anos 80.
A evolução da espécie
Feliz por estar de volta! A intensidade da ergoterapia diminuiu. Por um tempo. Aguarda, impaciente, a mezinha do costume (candidaturas, defesas, avaliação, escrita e actos administrativos). As “férias”, sem subsídio, estão com vontade de ir a banhos. Mesmo disfarçado no sobe e desce das ondas, não há excesso sem ironia: será que todo este zelo ergoterapeutico contribui, estupidamente, para a dispensabilidade paraconstitucional da função pública? Uma das principais mutações genéticas da sociedade portuguesa. Enquanto dou pontapés à água, pasmo! Não me lembro de jovens (portugueses) e velhos (europeus) se entenderem tão bem. Deve ser coisa da astrologia: uma constelação extraordinária sob influência de um astro luminoso (neoliberalismo, tecnocracia, neocurialização…). Nunca o saberei. Cegueta como sou, já não enxergo bem as estrelas.
A evolução das espécies sempre gerou controvérsia: Lamarck, Darwin, Mendel… Hoje, em plena civilização do teclado, a hereditariedade joga-se nos polegares. Mas há quem contraponha os pés, para descanso das mãos. Tive ensejo de mencionar a subida da cotação dos pés no mercado simbólico: A emancipação dos pés (http://tendimag.com/wp-admin/post.php?post=6716&action=edit) e A redenção dos pés (http://tendimag.com/wp-admin/post.php?post=3018&action=edit). Há quem sustente que a grande mudança se prende com as próteses: os vindouros serão biomecanóides ou ciborgues. Vão nascer com implantes, silicones e outras proezas da salvação médica. Não sou biólogo, nem filósofo, mas também tenho uma pequena teoria. Todos aprendemos, com os nossos sábios responsáveis, que combater a dívida consiste em transferi-la de uns para outros. Não me perguntem de quem para quem, porque sabem a resposta. No limite, ao jeito de um processo markoviano, a dívida, esse pecado infernal, vai tocar a todos: até quem nos endividou vai ficar endividado. O legado da nossa geração será, portanto, o seguinte: todos nascerão endividados, uma nova espécie de pecado original. Depois do Homo habilis, do Homo erectus e do Homo sapiens, eis que nasce, na Lusitânia, o Homo pelintrus.
Marca: Christie Potato Thins. Título: Handsfree. Agência: UNION. Direção: Zach Math. Canadá, Julho 2013.
O Cabo dos Trabalhos
Tenho andado um pouco arredado do blogue. Sendo um vício, tem-me custado. Um dos responsáveis é este relatório sobre os impactos económicos e sociais de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Pode aceder e fazer download carregando na imagem ou através do seguinte endereço: http://www.guimaraes2012-impactos.pt/.
Venha uma coca-cola bem fresca!
A Estranha Erótica do Álcool
Southern Comfort é um licor secular que, pelos vistos, desencadeia vagas de prazer descontraído. Este anúncio, com música de Lou Johnson (Beat, 1971), mostra como, com boa vontade e algum engenho criativo, tudo merece ser esteticizado (ou, se preferir, erotizado), incluindo uma lavagem pasmada (ou, se preferir, voluptuosa) de cabelo. Sobra, no fim, uma dúvida de somenos importância: Southern Comfort é marca de shampoo ou de licor? Certo é que este esquema de uma estranheza vagarosa foi concebido para toda uma campanha (ver, por exemplo, o anúncio precedente: http://tendimag.com/2012/08/08/grotesco-imparavel/). Provavelmente, outros anúncios deste tipo se seguirão.
Marca: Southern Comfort. Título: Shampoo Whatever’ s Comfortable, Agência: Wieden + Kennedy, New York. Direção: Tim Godsall. EUA, Junho 2013.
Os olhos da puberdade
As crianças têm as suas travessuras. E as brincadeiras evoluíram. Já não são como as do filme O meu tio, de Jacques Tati. Agora, convocam outras técnicas e perseguem outros objetivos: preparam-se cedo para o futuro da espécie. Uma aprendizagem à distância com toque digital.
Marca: M tel. Título: Appeler pour voir. Áustria, 2003.
Marca: Stratos. Título: The Woman Next Door. Agência: New Deal DDB. Noruega, 2000.










