Archive | Setembro 2012

Pássaros Raros

Este é um artigo de que ninguém vai gostar. Ideia puxa ideia, e sai asneira. Os Rare Bird têm nome de pássaro e canções que voam. Há dias, num intervalo entre filmagens, abordou-se a especificidade das bandas alemãs (Can, Tangerine Dream, Triumvirat) no panorama musical dos anos 60 e 70. Os Rare Bird podiam ser alemães, sobretudo pelo papel atribuído às teclas. Mas não, são britânicos de gema. Por acaso, foi um casal alemão que, na ex-Jugoslávia, me falou desta banda. Adquiri este LP (As your mind flies by, 1970) baratinho, graças a um defeito na capa. Os Rare Bird não são conhecidos. Nem agora, nem sequer nos anos 70. A sua música, e esta canção em particular, concentra as virtudes e os defeitos do rock progressivo: criativo e excessivo. Segue a canção que dá nome ao álbum, sem enfeites especiais.

Rare Bird. As your mind flies by. 1970.

Da necessidade de voar

Convocar gaivotas e música dos anos setenta com um vídeo pasmado e escuro é, na opinião de um amigo, um desconsolo. Importa dar vida e asas à canção Seagull, dos Bad Company (19739, de um modo mais animado. Quando o horizonte anda por baixo, voar é preciso. E quanto mais asas, melhor! Mesmo que sejam tão místicas como o Be de Neil Diamond (álbum Jonhatan Livingston Seagull,1973).

Bad Company. Seagull. Bad Company. 1973

Neil Diamond. Be. Jonhatan Livingston Seagull. 1973

René Magritte

Gaivota

Não cortaram o bico ao rouxinol, mas o galo está a ficar sem milho. Não me importava ser gaivota, uma gaivota de outros tempos: Fernão Capelo, “asas de vento, coração de mar”… Como a Seagull dos Bad Company (álbum Bad Company, 1973).

Esquisito

Esquisito?  “1.  que tem esquisitices; estranho; fora do vulgar; 2. extravagante; 3: delicado; elegante; primoroso; 4. raro; 5 impertinente” (Porto Editora). Estes anúncios da Smythe parecem ser esquisitos. Rebuscados. Como é tendência no mundo do estilismo e na publicidade de moda.

Marca: Smythe. Título: Woods Select. Agência: Open. Direção: Christina Hodnet. Canadá, Setembro 2012.

Marca: Smythe. Título: Fish. Agência: Open. Direção: Christina Hodnet. Canadá, Setembro 2012.

Magia

As ideias simples são como sementes de diamante: puras, cristalinas e brilhantes. O mundo da publicidade é dos mais ávidos em criatividade. É, porventura, aquele que, todos os dias, mais criatividade consome. Alguns dos melhores anúncios decorrem de ideias simples bem exploradas. Como este anúncio da Wideroe que lembra, bastante, o anúncio Passage, da Air France, realizado por Michel Gondry (http://tendimag.com/2011/09/15/um-voo-sem-asas/).

Marca: Wideroe. Título: Grandpa´s Magic Trick. Agência: McCann Oslo. Direção: Marius Holst. Noroega, Setembro 2012.

Guarda-chuva

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Magritte. Les Vacances de Hegel. 1958.

Magritte. Les Vacances de Hegel. 1958.

O guarda-chuva não é um objecto qualquer. Consagrado por René Magritte, o guarda-chuva é bom para a imagem e para o imaginário: protege-nos dos céus.

Muitos anúncios recorrem à figura do guarda-chuva, nomeadamente no âmbito de coreografias. É o caso deste novo anúncio da Yoplait.

Tanto guarda-chuva e nenhum preto! Black is the color of my true love’s hair.

 

Marca: Yoplait. Título: Umbrellas. Agência:  Saatchi & Saatchi New York. Direção: Eli Sverdlov. EUA, Setembro 2012.

 

Aqui há gato!

Eis dois anúncios publicitários que lembram os gatos de Edgar Allan Poe. De qualquer modo, como este autor repara, “a ciência ainda não nos provou se a loucura é ou não o mais sublime da inteligência”.

Marca: Cravendale. Título: Catnapped. Agência: Wieden + Kennedy London. Reino Unido, Setembro 2012.

Marca: Cravendale. Título: Cats with Thumbs. Agência: Wieden + Kennedy London. Reino Unido, Junho 2011.

À Cabeçada

Humor retorcido mas inspirador. Conheço, por exemplo, um país que quanto mais usa a cabeça maior é a sua cotação no estrangeiro. Será o efeito galo?

Anunciante: International Radio Festival Zurich. Título: Post. Agência: TBWA\ZÜRICH, Zurich. Direção:  Karim Huu Do. Suíça, Setembro 2012.

Com o Estado às Costas

Quando observamos, obcecamos. A realidade dança com os nossos fantasmas. Depois de aquecer o olhar com alguns cartoons (ver galeria), o que vislumbramos no anúncio Carry, da Adidas (2004)? O trabalhador português sobrecarregado com taxas e impostos?

Marca: Adidas. Título: Carry. Agência: TBWA\CHIAT\DAY, USA, San Francisco, Direção: Chuck McBride. EUA, 2004.

O Grande Bebedor

A coletânea “ cápsulas de emoções”, integrada na exposição Vertigens do Barroco (Mosteiro de Tibães, 2007), contemplava anúncios publicitários neobarrocos sensacionais e emocionantes. É difícil encontrar anúncio mais barroco, mais exorbitante, do que o  Big Ad, da Carlton Draugh (2005). Lembrete: carregar em HD no canto superior direito.