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Chamem os palhaços!

Jean Clarke. Send In The Clowns. Uploaded on July 20th, 2016.

É raro estar calado! Por defeito, falo. Desfaço-me em palavras, salvo quando escuto boa música. Composta por Stephen Sondheim, a canção Send in the Clowns (A Little Night Music, 1973) foi interpretada, entre outros, por Frank Sinatra, Kenny Rogers, Judy Collins, Lou Rawls, Barbra Streisand e Sarah Vaughan.

“O título refere-se a uma suposta frase do jargão circense e do teatro vaudeville, usada quando acontecia algum evento inesperado durante a apresentação (normalmente, desastres como a queda de um acrobata ou um número excepcionalmente mal-apresentado). Para distrair a atenção do público, enquanto o problema era resolvido, os palhaços entravam em cena. A mesma “diversão” (literalmente falando) ainda é usada hoje em dia pelos palhaços de rodeio, quando o vaqueiro leva uma queda e a montaria precisa ser distraída enquanto ele se põe a salvo” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Send_in_the_Clowns).

A interpretação de Bernardette Peters é acompanhada ao piano pelo próprio Stephen Sondheim, que aproveita a ocasião para sublinhar que “teaching is a sacred profession and art is a form of teaching”.

Bernardette Peters, acompanhada por Stephen Sondheim, “Send in the Clowns, A Little Night Music (1973), Southern Mthodist University, 1994.

Ouvir a dobrar nem sempre é perda de tempo. Judi Dench é uma das maiores actrizes britânicas do pós-Guerra. Conquistou inúmeros prémios, entre os quais um Óscar. Na comemoração dos 80 anos de Stephen Sondheim, interpreta a mesma canção, Send in the Clowns, mas com uma voz e uma sensibilidade diferentes. Nem sempre é possível comparar técnica e sentimento.

Judi Dench. Send in the Clowns. Sondheim at 80. BBC Proms 2010.

Variações

António Variações (1944-1984)

No anúncio Llegá, da empresa petrolífera YPF, as pessoas vão chegando animadas por emoções tranquilas. Trata-se de um anúncio de Pucho Mentasti, um dos melhores realizadores da América Latina.

Anunciante: YPF. Título: Llegá. Agência: Ogilvy Argentina. Direcção: Pucho Mentasti. Argentina, Jul 2011

Em Never Stop, da Universidade de Auckland, as pessoas avançam aceleradas rumo ao topo. O registo desta fábrica de sucessos é futurista. No anúncio Llegá, as pessoas chegam ao lugar desejado, um cais de sentidos e sentimentos. O tempo abranda. O registo é romântico.

Na canção Estou Além, do António Variações, nem se parte, nem se chega. Uma travessia sem ancoragem. O registo é, agora, trágico: “Vou continuar a procurar / A minha forma / O meu lugar / Porque até aqui eu só: / Estou bem onde eu não estou / Porque eu só quero ir / Aonde eu não vou” (António Variações, Estou Além”).

António Variações. Estou além. Anjo da Guarda. 1983.

António Variações. Estou além (letra)

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar
Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu nao estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou.

Andróide

androide-3Anunciam-se tempos em que mais vale dar ouvidos a um andróide do que a um humano. Com vontade mas sem sensibilidade.

“I am faster than you, stronger than you. Certainly I will last much longer than you. You may think that I am the future. But you’re wrong. You are. If I had a wish, I wish to be human. To know how it feels. To feel, to hope…”.

Marca: Johnnie Walker. Título: Human (Android). Agência: BBH London. Direcção: Dante Ariola. Reino Unido, 2006.

Alergia

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Ernest Bieler. Les Feuilles Mortes. 1899.

War é um anúncio que põe à prova o amor à natureza. Contra a moléstia biológica, não há defesa possível. Os pólenes são agressores ubíquos e impercetíveis. Quem adormecer ao sol no jardim, arrisca-se a ter, ao acordar, um dente-de-leão a crescer no umbigo. Uma pessoa inala estas micro fertilidades sem dar conta… Disparate? Sabe bem dizer disparates. Devia ser embaixador do disparate, ministro, presidente ou comentador, mas falhei a vocação. Desgraçadamente, por altura do chamamento, devia estar a passar pelo túnel da Avenida da Liberdade. O anúncio da Benadryl é primaveril. Poliniza os espíritos.

Marca: Benadryl. Título: War. Agência: JWT London. Direcção: Steve Cope. Reino Unido, 2009.

Neste anúncio, as plantas dançam. Lembram (os descaminhos da memória são insondáveis) a canção Les feuilles mortes (versão original francesa: https://tendimag.com/?s=montand). Existem muitas interpretações em inglês (Autumn Leaves): Natalie Cole, Eva Cassidy, Chet Baker, Miles Davis, Paula Cole… Recentemente, Eric Clapton. Opto por Nat King Cole (álbum Nat King Cole Sings For Two In Love, 1955). Para terminar, uma confidência: há momentos e lugares em que as folhas caem com mais sentimento.

Nat King Cole. Autumn Leaves. Nat Kin Cole Sings For Two In Love. 1955.

O sabor dos sentimentos

A Coca-cola tem um novo slogan. Após sete anos a borbulhar felicidade, é a vez de Taste the Feeling (na campanha brasileira, “sinta o sabor”). Acabam de sair seis anúncios. Um acontecimento no mundo da publicidade. Ainda é cedo para tomar o pulso. A tendência aponta para os laços, os sentimentos e as sensações. O que atrai e o que separa as pessoas. O amor sucede à felicidade. Subsistem aspectos que pouco ou nada mudaram: no planeta Coca-cola só vivem jovens. São tão queridos! Tão gostosos! “So very tasty”. Os adultos ou não existem ou são dispensáveis.
Carregar nas imagens para aceder aos vídeos.

CocaCola_Supermarket16Marca: Coca-cola. Título: Supermarket. USA, Janeiro 2016.

Under PressureMarca: Coca-cola. Título: Under pressure. Agência: Ogilvy & Mather. USA, Janeiro 2016.

Pedagogia do amor

“How one generation loves / the next generation loves”. A sensibilidade oriental no que respeita à relação entre gerações neste anúncio de Singapura galardoado com vários prémios internacionais.

Anunciante: Ministry of Community Development. Título: Father & Son. Agência: Leo Burnett Singapore. Direção: David Tsui. Singapura, Junho 2011.