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À medida do cliente

A Distinção – Uma Crítica Social da Faculdade do Juízo (em francês: La distinction. Critique sociale du jugement) é um estudo sociológico de Pierre Bourdieu publicado em 1979, sobre a cultura e os gostos em França, resultado de uma investigação empírica promovida entre 1963 e 1968. / Em 1998, a Associação Internacional de Sociologia nomeou-o como um dos dez livros de sociologia mais importantes do século vinte (https://en.wikipedia.org/wiki/Distinction_(book))

Bernard Chatelat “especializou-se a partir de 1972 no estudo das tendências das evoluções sociais dos estilos de vida privados e profissionais / Copromotor, com a equipa do CCa, de estudos de Prospetivas e Socio Estilos de Vida, cuja metodologia publicou. Este método apresenta a originalidade de reunir num mesmo inquérito quantitativo um conjunto de cerca de 3000 variáveis psicológicas e comportamentais sobre a vida privada, os valores e convicções, a sociedade e a política, os lazeres e os centros de interesse, a cultura e os médias, os consumos; um processamento estatístico de estruturação dos dados permite revelar uma tipologia de Socio-Estilos de Vida. A repetição destes inquéritos, de 1972 a 2010, tornou possível identificar e ponderar “Socio-Trends” (https://fr.wikipedia.org/wiki/Bernard_Cathelat)

Sexídio e calças de ganga

Pablo PIcasso – Figuras à beira mar (O beijo). 1931, Museu Picasso de Paris

São apenas palavras à solta, desatinadas, escritas no mesmo dia, 19 de julho, há uma dúzia de anos, em 2014, junto à praia, com o mar pasmado.

Pesca à linha

Deus pesca as almas à linha, Satanás pesca-as com rede. (Alexandre Dumas)

O mundo é grande, transborda de línguas e vozes. Afortunadamente, não existe peneira que o tape. Para o desvendar, importa demandar outros mares, respirar outros ares.

Programas como o The Voice têm contribuído para esta pesca à diversidade. Permitem, por exemplo, descobrir sereias em pequenas ilhas, tais como a Córsega. Battista Acquaviva é um encanto. Seguem três vídeos musicais, dois ao vivo no The Voice francês, o terceiro, a versão oficial do primeiro. Impressionante!

P. Picasso. Sardane de la paix. 1953

Battista Acquaviva – Psaume de David. Les chants de liberté. 2015. Ao vivo no The Voice France 2015.
Battista Acquaviva – Prituri (canto tradicional búlgaro). Ao vivo no The Voice : La Plus Belle Voix. TF1.
Battista Acquaviva – Psaume de David. Les chants de la liberté. 2015. Direção: Carole Mathieu Castelli

Vai uma aula? Versão alargada do vídeo Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo

À barca, à barca, senhores!
Oh! que maré tão de prata!
Um ventozinho que mata
E valentes remadores! …
À barca, à barca segura,
Barca bem guarnecida,
À barca, à barca da vida!
(Gil Vicente)

Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo é o meu vídeo mais extenso e, porventura, predileto. Também é aquele a que mais me entreguei. Cristaliza anos de estudo e investigação. Não está perfeito, mas dou por encerrado o capítulo. Cada novo retoque implica horas de renderização. Esta versão aumentada inclui, no início, a curta-metragem Destino, idealizada por Salvador Dalí e Walt Disney, e, no fim, a apresentação Maniera: A Arte do Artista, entretanto produzida. Trata-se da minha rosa mais recente. Com pétalas, folhas e espinhos. Não é uma mercadoria mas possui o seu valor, e está ao alcance de todos e de ninguém em particular.

Incorporei este vídeo com a qualidade que o WordPress permitiu. Parece-me mais conseguida a visualização disponível no seguinte link da Clipchamp: https://clipchamp.com/watch/DmbfFtHuPz8. A versão reduzida, apenas com a conversa e respetivas apresentações, está acessível em HD no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=1LM9SLzHzIA&t=18s.

Antepassados do surrealismo: o maneirismo (versão alargada). Albertino Gonçalves. Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, Braga. 27 de maio de 2023

Antepassados do surrealismo: o maneirismo (vídeo da conversa)

Após quatro meses de esforços e contratempos, o vídeo com a conversa Os antepassados do surrealismo: os maneiristas está disponível na Internet. Exigiu tanta dedicação que se tornou numa das minhas rosas. Não ouso convidar a assistir às quase duas horas. Quando muito, um breve relance, de preferência a uma das seis apresentações incorporadas. Sei que todos andam ocupados a cuidar de outros jardins.

O vídeo ganha em ser visualizado em alta resolução (1980p).

Antepassados do surrealismo: o maneirismo, por Albertino Gonçalves. Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga, 27 de maio de 2023.

A universidade sofreu uma viragem no crepúsculo do segundo milénio. Os novos modos e as novas metas dos circuitos académicos não condizem nem com a minha formação nem com a minha vocação. Entre outros aspetos, incomoda-me ter que pedir, senão pagar, a estranhos para publicar. Nesses termos, perdi o interesse em publicar. Continuei a escrever mas relatórios de investigação/ação ou por convite, sem esquecer os apontamentos no blogue Tendências do Imaginário, um monstro híbrido de cultura e lazer, criado em 2011.

Não deixei, contudo, de investigar. Pelo contrário. Gosto de comunicar e ensinar, mas prefiro descobrir e aprender. A vida é um bom mestre. Ensinou-me, entretanto, que sou mortal. Tomei consciência de que boa parte dos conhecimentos que fui amealhando, dispersos em discos digitais, arriscam desparecer comigo. Pequeno ou grande, trata-se de um desperdício.

Capacitei-me da responsabilidade de cuidar da partilha. Optei, quase exclusivamente, por duas vias (alternativas aos blogues Tendências do Imaginário e Margens): a publicação de livros e a comunicação oral. Os livros são obras de Santa Engrácia. As comunicações costumo não as repetir, nem sequer as apresentações de livros. Em suma, grande vontade mas parcos os meios: para cada assunto, uma única comunicação, num dado local e data, perante um público reduzido. A passagem de testemunho reduz-se, portanto, a um momento pouco participado.

Posso não aderir a todas as mudanças, mas não me estimo retrógrado. Procuro aproveitar as novas tecnologias, designadamente, de informação e comunicação, que proporcionam um arremedo de solução para o afunilamento da partilha: filmar as conversas e disponibilizá-las na Internet. Assim sucedeu com  as conversas O Olhar de Deus na Cruz: o Cristo Estrábico (29-11-2022) e Vestir os Nus: Censura e Destruição da Arte (18-02-2023), embora com insuficiente qualidade. Com um pouco mais de profissionalismo, resultou mais cuidado o registo desta última conversa.

Estou a chamar as minhas cabras

Cabra-montês. Castro Laboreiro. Fotografia de Norberto Esteves. Fonte: Melgaço, Portugal começa aqui.

Volvidos quarenta anos, reencontrei uma amiga graças ao Tendências do Imaginário e ao Facebook. Publicou livros de poesia. Retenho o poema “Estou a chamar as minhas cabras”, humano e cósmico, um apelo e uma voz das raízes num imaginário que lembra Castro Laboreiro.

estou a chamar as minhas cabras
o dia fecha-se
um canto de pássaro já levanta as sombras
a cancela range

pesa-me o silêncio
por isso chamo as minhas cabras

os aloendros trazem -me aquele aroma
veio a coruja
e os lamentos a açoitar o vento

vou chamar as minhas cabras
conto os grãos aligeiro os medos
levo-te na minha cesta
envolto no pão com passas
para oferecer àquele penedo

são as águias que já lá vêm
e as colinas tombam
é tudo um segredo

chamarei as minhas cabras
quando a noite cantar
e trouxer consigo a lenda
dos lobos brandos e montanheiros

foge-me a voz
alongo o ouvido em quebranto

iria chamar as minhas cabras
na ventania errante

e a música alisando as fragas
as luas rodopiando
os silvos cortam o ar
chamando

são as minhas cabras
dançando
os montes sulcando à procura de mim

fui chamada pelas minhas cabras
a noite abre-se
a memória do mundo ecoou no tempo
e o silêncio vive

é uma flor
que chama pelas minhas cabras
elas me levaram

no monte me deitarei
eu e as minhas cabras

(Almerinda Van Der Giezen)

Galeria de imagens: Caprinos (carregar nas figuras para as destacar).

História de um melro que morreu por ser feliz

Pablo Picasso. Visage de la paix IV. 1950.

Um melro costuma fazer ninho no quintal. Atarefado, tem-se saído bem com os gatos. Pior destino teve “o melro” do Guerra Junqueiro, vítima da vingança do Velho Padre Cura, num extenso conto em verso que o meu avô recitava de cor. Segue a digitalização do poema “O Melro” a partir da segunda edição ilustrada do livro A Velhice do Padre Eterno (1ª edição: 1885). Segue o respetivo pdf,

Quem fala em melros, pode falar em rouxinóis. Porque a opressão e a maldade não têm pouso exclusivo. Ao melro raptaram-lhe os filhos; ao rouxinol da Cantilena de Francisco Fanhais cortaram quase tudo.

Francisco Fanhais. Cantilena. 1969. Poema de Sebastião da Gama.

Com imagens pode dizer-se muito. Com poucas imagens pode, por vezes, dizer-se ainda mais. Na curta-metragem dos bauhouse, sopra-se no medo e na esperança até que explodem como tiros e bombas. Porque as nossas asas são tão frágeis como as dos pássaros.

bauhouse. Momentum 2015 – Video Installation. 2015. Curta-metragem.

Os especialistas do gosto

Pablo Picasso. Girl before a Mirror. 1932.

Quem gosta mais de ti do que tu? Quem gosta mais do que tu gostas? Quem te estuda e prevê? Centros de investigação, empresas de marketing, agências de publicidade, políticos, sociólogos, psicólogos, semiólogos… A missão? Conhecer para seduzir, conhecer para antecipar. Bernard Cathelat e o CCA (institut d’étude des Socio-Styles de Vie)) são um bom exemplo : dedicam-se à cartografia e à infografia dos comportamentos e das tendências sociais. E vendem os resultados (Cathelat, Bernard, Socio-Life Styles Marketing, the new science of identifying, classifying and targeting consumers, Probus Publishing, Chicago, 1994). O livro A Distinção (1979), de Pierre Bourdieu, oferece-se como uma bíblia do estudo dos gostos e dos estilos de vida.

 Num catálogo online, os produtos piscam-te o olho, parecem escolhidos a pensar em ti. Numa loja de roupas, há peças que estão à tua espera. Parece bruxedo, uma nova espécie de “feiticismo da mercadoria” (Karl Marx, O Capital, 1867). Jean Baudrillard fala em “estatuto miraculoso do consumo” (A Sociedade de Consumo, 1970). O Youtube sugere alternativas, “expressamente para nós”. Os cookies ajudam. Já dizia a rainha santa Isabel: “são bolachas, Senhor!”. Que conforto haver especialistas capazes de gostar por nós. Nada novo sob o sol da inteligência, trata-se de uma verdade gasta, mais gasta do que as calças de um cowboy. Ferrugem da sociologia litúrgica. Ninguém esconde, ninguém disfarça. O anúncio espanhol ADN, da empresa Adolfo Dominguez, proporciona uma ilustração desinibida. A verdade despida.

“ADN combina dos tipos de inteligencia. Un algoritmo que crea un perfil con tu estilo al completar un test online. Y un equipo de estilistas que saben lo que te queda bien”.

Marca: Adolfo Dominguez. Título: ADN. Agência: China. Espanha, Julho 2020.

Picasso a pintar em directo

Na aula de Sociologia e Semiótica da Arte, dedicada ao processo de criação em arte, referi um filme que acompanha Picasso enquanto este desenha: Le Mystère de Picasso, realizado por Henri-Georges Clouzot, em 1955. Segue o filme.

Le Mystère de Picasso. Realização: Henri-Georges Clouzot. 1955.