Tag Archive | música

Um dia lindo

Hoje está um dia particularmente lindo. Saí para tomar café com uma amiga. Oxalá se quebre o enguiço e estas saídas se multipliquem.

U2 – Beautiful Day. All That You Can’t Leave Behind. 2000.Live From Slane Castle, Ireland / 2001 / Remastered 2021
James Blunt – You’re Beautiful, Back to Bedlam. 2004. Live From Ibiza. 2008.

Sensualidade sombria

Dove Cameron. Boyfriend. 2022.

Lauren Sick, “escritora e realizadora que cresceu nas florestas escuras dos subúrbios” (IMDB), tem queda para o tenebroso. Constata-se no anúncio Scary Fast, para a Ford (ver Aflição fascinante: https://tendimag.com/2022/07/20/aflicao-fascinante/), confirma-o o vídeo musical para a canção Boyfriend, de Dove Cameron, “menina bissexual da Disney e da Apple”, com uma carreira no cinema e na música precoce e fulgurante, um talento em estúdio e ao vivo. Motivo para contemplar duas versões: o vídeo musical oficial e uma performance ao vivo.

Dove Cameron – Boyfriend (Vídeo oficial). Realização: Lauren Sick. Produção: Dreambear. Estreia: 31/03/2022.
Dove Cameron – Boyfriend. Ao vivo: The Ellen Show. Emissão: 03/05/2022.

Avalanche de imagens

Netflix. Resident Evil, Official Trailer. 2022.

Estou a ver A Roda do Tempo. Queixo-me ao meu rapaz: tudo passa muito depressa. Estás desfasado. Agora não é como dantes! Parodia, em câmara lenta, as cenas do Tarkovsky, do Bergman, do Fellini, do Kurosawa, do Oliveira… Mas condescende: o primeiro episódio é o mais concentrado, inicialmente estava previsto ser desdobrado em dois. Resisto: o Senhor dos Anéis é lento! Repara, o conjunto dos livros da trilogia dos Senhores dos Anéis tem cerca de 1 230 páginas e os três filmes duram 12 horas; os 14 volumes da Roda do Tempo têm mais de 11 000 páginas e a primeira temporada dura pouco mais de 7 horas. Parece um cocktail [um shot?] de economia e estética. A juventude hoje sabe tudo!

Sinto-me ultrapassado. Estranho estas avalanches de imagens aceleradas, densas, acentuadas e cortadas. Opto por me refugiar na publicidade. Estava longe de suspeitar o que me aguardava. Nem me apetece comentar.

“For the launch of their new horror series Resident Evil this week, global streaming platform Netflix installed a terrifying live installation on the streets of Santa Monica. Created by US creative agency, Founders, part of By The Network, the activation takes place on one of Santa Monica’s busiest streets. Played out by an actor, a man infected with the T-Virus (the virus from the series) is imprisoned in a huge glass cage and over the space of four hours turns into a Zero (the frightening infected creatures from the series) before breaking free from the cage and chasing into the crowd, thirsty for blood. The TikTok film has already attracted over 15 million views, and counting” (https://www.adsofbrands.net/en/ads/netflix-resident-evil/14451).

Marca: Netflix / Resident Evil Season 1. Título: Man Infected with T-Virus | Pedestrians React. Agência: Founders, NY. Direção: DIGBY. Estados-Unidos, julho 2022.
Marca: Netflix. Título: Resident Evil | Official Trailer. Estados-Unidos, julho 2022.

Mudo para uma base de dados francesa. Espera-me uma declaração de amor pátrio precipitada num carrossel de imagens fugidias e músicas sincopadas. Tamanha velocidade ultrapassa-me!

Marca: Renault / Nouveau SUV Renault Austral. J’aime la France. Agência: Publicis Conseil. Direção: Maud Robaglia. França, março 2022.

Embarque

Há precisamente um ano, na margem, o corpo à frente e a alma atrás, fui salvo por uma neurologista. Se estou neste mundo, devo-o a duas mulheres.

  • Diabo                À barca! À barca! andem já
  •                            que temos mansa maré!
  •                            Podem manobrar de ré!
  • Companheiro  Assim mesmo como está!
  • Diabo                Corre ali, seu Coisa-má
  •                            e acerta aquele atravanco
  •                            deixando livre esse banco
  •                            para a gente que virá
  •                            À barca! À barca! Seu nabo,
  •                            pois logo queremos ir!
  •                            Já é tempo de partir,
  •                            com louvores ao Diabo!
  •                            E puxa bem esse cabo,
  •                            põe logo o convés a jeito!
  • Companheiro  Será logo tudo feito!
  • (Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno, SWAI-SP editora, 2015)
Carl Orff. Carmina Burana. Reie. 1935-1936. Munich String and Percussion Orchestra. Madrigal Choir Munich. Conductor: Adel Shalaby.
Manuel de Falla. Siete canciones populares españolas. Nana. 1914. Violoncelo: Brinton Averil Smith. Piano: Evelyn Chen. Rice University’s Shepherd School of Music. 2011.

Falha técnica

Acordei desligado: uma falha no serviço da Internet. Razão acrescida para dedilhar os CD amontoados nos gavetões. Como de costume, retirei um punhado à sorte e escolhi um: What are you going to do with your life, dos Echo & The Bunnymen. Costumo escutar uma ou duas vezes e reter duas ou três música. Desta vez, não resisti a colocar o álbum completo. Não é fácil hierarquizar, possui uma marca própria e retalhá-lo seria um atropelo. Coloco-o para que alguém com uma falha na urgência quotidiana o possa apreciar

Echo & The Bunnymen. What are you going to do with your life. Full album. 1999.

Envelhecimento e novas tecnologias

Lenovo.Te haces viejo, te llenas de contenido. Julho 2022

“Envelhecer é como escalar uma montanha: enquanto se sobe as forças diminuem, mas a visão torna-se mais ampla” (Ingmar Bergman).

Nunca foi tão notório o alcance das condições, das dinâmicas e das relações sociais na configuração do comportamento humano. No entanto, afigura-se-me que a Sociologia, como ciência e como profissão, marca passo. Trata-se, certamente, de um problema de miopia de quem não salta de congresso em congresso nem elege como bússola os rankings. Como uma miopia nunca vem só, quer-me também parecer que a polifonia e as viragens de pensamento tendem a ser cada vez mais lideradas por fundações e empresas privadas, com ou sem “responsabilidade social”. Ao redor, prevalece a cacofonia.

A “luta contra o envelhecimento” foi cruzada que conheceu melhores dias. Por que não ser velho e viver, francamente, a velhice? Opor-se ao envelhecimento parece-me um contrassenso e um imperativo pugnar pela qualidade de vida na velhice. A agência de publicidade colombiana Fantástica assume esta “nova” relação com a idade na campanha Te haces viejo, te llenas de contenido, para a Lenovo.

” En el marco del Día Nacional de la Juventud en Colombia, Fantástica y Lenovo presentan Te haces viejo, te llenas de contenido, que da un especial valor al rol que tiene la tecnología en los adultos mayores. La iniciativa apuesta por un segmento de gran potencial, pero poco explorado en el mercado.
De acuerdo con el informe Global Consumer Trends 2022 de Euromonitor, tras la pandemia, los adultos mayores pasaron de la resistencia a la confianza en la adopción de tecnología y uso de plataformas digitales. La necesidad de concretar diligencias personales, comunicarse con sus familiares o simplemente tener un espacio de entretenimiento para sí mismos, los llevó a involucrarse con las redes sociales y familiarizarse más con el uso de dispositivos móviles y computadores.
La campaña nace de entender a los adultos mayores como digital seniors, personas que no solo están aprendiendo las nuevas tecnologías, sino que también están aportando sus conocimientos para enriquecerlas.
Para Juan David Suárez, gerente de mercadeo de Lenovo Colombia, algunas marcas se dirigen al segmento de adultos mayores con mensajes basados en un posicionamiento un poco sesgado: se asume que son personas en retiro, con intereses en categorías solo de salud y poco activos. “Desde Lenovo tenemos otra visión; creemos en la resignificación de este segmento, entender que son fuentes activas y dinámicas de historia y patrimonio oral e intelectual” (https://www.adlatina.com/publicidad/preestreno-fantastica-y-lenovo-revalorizan-el-uso-de-la-tecnologia-por-parte-de-los-adultos-mayores).

Marca: Lenovo. Título: Te haces viejo, te llenas de contenido – Angarita. Agência: Fantástica. CCO: Daniel Bermúdez. Colômbia, julho 2022.
Marca: Lenovo. Título: Te haces viejo, te llenas de contenido – Teresita. Agência: Fantástica. CCO: Daniel Bermúdez. Colômbia, julho 2022.

Tédio e lentidão

A um amigo que me ofereceu histórias de imagens, de Robert Walser.

A lentidão é um luxo, o tédio um tormento. Onde está a fronteira?

Regresso às “minhas” músicas; deixo os “tops of the pops” para outras oportunidades. Hoje, estive a ouvir o álbum Astral Weeks (1969), de Van Morrison. Coloco as três últimas faixas.

Van Morrison. Madame George. Astral Weeks, 1969
Van Morrison. Ballerina. Astral Weeks, 1969
Van Morrison. Slim Slow Slider. Astral Weeks. 1969.

Tops of the tops com rugas 2. The Beatles, Procol Harum e The Moody Blues

Continuo a dar-me música. Até aos cinquenta e treze.

The Beatles. Yesterday. Help. 1965.
Procol Harum. A whiter shade of pale. Procol Harum. 1967.
The Moody Blues. Nights in White Satin. Days of Future Passed. 1967.

A deserção do amor. The Kills II

Egon Schiele, Autoportrait en gilet, le coude droit levé, 1914

” La mort est plus aisée à supporter sans y penser, que la pensée de la mort sans péril” / É mais fácil suportar a morte sem pensar nela do que o pensamento da morte sem perigo” (Blaise Pascal, Pensamentos: Artigo XXI – Miséria do Homem: III).

  • Batem forte, fortemente,
  • Como quem pede por mim.
  • Será vida? Será morte?
  • A vida é, certamente
  • mas a morte também bate assim.
  • (A partir de Augusto Gil)

Seguem algumas pancadas eletrizantes dos Kills: Love Is A Deserter (2005); Future Starts Slow (2011); e Doing It To Death (2016).

The Kills. Love Is A Deserter. No Wow. 2005.
The Kills. Future Starts Slow. Blood Pressures. 2011.
The Kills. Doing it to death. Ash & Ice. 2016.

Descanso

Hoje não fiz nada! Como é costume, mas hoje empreendi um nada ainda maior. Escorreguei no pecado da negligência. Pasmei a ver documentários:  sobre as campanhas do MFA, em que, para surpresa, um tio intervém, ou sobre a festa de Nossa Senhora da Peneda, com mulheres a subir o escadório de joelhos. Entretive-me a fazer um post dedicado a um anúncio com mulheres sobre melões. Fazer um post resulta pior do que não fazer nada. Trata-se de um desperdício de alguma vontade à partida com nenhuma consequência à chegada. Alinhavei um projeto de atividade para Agosto em Melgaço. Deixei descarregar a bateria do telemóvel e fui umas dezenas de vezes à varanda para fumar e saudar os melros. E, recostado, ouvi música, rebatida, sem adormecer: David Bowie, Vivaldi e Dire Straits. O álbum de estreia dos Dire Straits foi uma autêntica pedrada no charco dos arrastados anos setenta. No CD, ainda consta o “preço de amigo”: 1995$00. Então, uma fortuna. Pior só o álbum em francos. Acabo o dia com um derradeiro nada irrelevante e inconsequente: mais um post. Seguem três canções:

Dire Straits. Down to the Waterline. Dire Straits. 1978. Ao vivo em 1979.
Dire Straits. Sultans of Swing. Dire Straits. 1978.
Dire Straits. Wild West End. Dire Straits. 1978.