Repetição e variação

Quando a paisagem humana se encolhe e se repete, o melhor é recorrer ao que pode variar. Por exemplo, a música. Seguem duas interpretações do California Guitar Trio: o medley Ghost Riders on the Storm, a partir dos Shadows e dos Doors; e o cover de Echoes, dos Pink Floyd.
Uma pausa na travessia

Cheguei a um impasse na investigação dedicada às imagens de Cristo. Encontro-me numa encruzilhada: os historiadores de arte não se entendem e pressinto que, desossado, vou ter que inventar o caminho. Não ando inspirado: dói-me pensar e entorpece-me escrever. Entretanto, releio artigos e ouço música. Tenho que ultrapassar esta obstrução pasmada. Por enquanto, acarinho os sentidos. Por exemplo, com a música The Journey, emoldurada com imagens, no primeiro vídeo, pelo realizador francês Bruno Aveillan e interpretada, no segundo vídeo, pelo próprio compositor, Gustavo Santaolalla.
Dinossauros sem cauda

J.J. Cale, falecido em 2013, é um compositor, vocalista e guitarrista norte-americano cuja carreira começou em 1958. O primeiro álbum, A Trip Down The Sunset Strip, foi lançado em 1966. Pioneiro do Tulsa Sound, J.J. Cale é um dinossauro. Um dinossauro cuja cauda ninguém enxerga. Algumas das suas músicas brilharam nos covers de Eric Clapton (Cocaine ou After midnight) ou dos Lynyrd Skynyrd (Call me the breeze ou I got the same old blues). A Cocaine original não desmerce a reinterpretação do Eric Clapton. Assim com existem dinossauros com e sem cauda, também existem dinossauros ora com amplificadores, ora sem amplificadores. Comprova-o uma pesquisa na Internet: uns têm links, vídeos e alta resolução, outros originalidade e inspiração. O Tendências do Imaginário já contempla três músicas de J.J. Cale: Cocaine (https://tendimag.com/2014/01/12/saudades-caseiras/), Call me the breeze e Magnolia (https://tendimag.com/2015/12/19/a-sanita-e-a-cocaina/). Acrescento Crying e After midnight (ao vivo com Eric Clapton).
Ana Popovic

De vez em quando, faz bem uma pessoa desviar-se. Para as margens do mainstream, dos estereótipos e do gosto sedentário. É reparador extraviar-se longe do centro. Ana Popovic nasceu em Belgrado, na Sérvia, fez carreira na Holanda e acabou por fixar residência nos Estados-Unidos. É vocalista e guitarrista, com muita garra. Segue a interpretação ao vivo de Blues for M.
O avião de Carlos Paredes

Há notícias felizes: a TAP batizou, em 2019, um avião, um Airbus novo, com o nome de Carlos Paredes. Anos antes, Carlos Paredes tinha gravado um álbum em homenagem à TAP: Asas Sobre o Mundo (1989). Seguem o vídeo de homenagem da TAP e duas músicas de Carlos Paredes: Verdes Anos e Medley: Coimbra e o Mondego.
Entre duas águas

A cabeça na almofada e o corpo na jangada. A cama é um rio. Água, duas águas, águas turvas, águas mil. O mesmo, o outro, os outros a nadar no mesmo. Metecos ( méta significa, em grego, “no meio de, entre, com”). Todos somos metecos. Vogamos, dentro e fora, em águas incertas.
Luzia é uma música, um monumento musical, que Paco de Lucia dedica à mãe, Luzia Gomes, portuguesa de Castro Marim. Entre dos aguas é o título de um dos grandes e mais antigos sucessos de Paco de Lucia. Estava a faltar música flamenga no Tendências do Imaginário.
David Gilmour. A guitarra e o saxofone.

David Gilmour e Roger Waters são diferentes. Talvez por esse motivo funcionaram bem juntos. Dos discos a solo de David Gilmour, escolhi três músicas: Love On The Air, do álbum About Face, de 1984, e Smile, do álbum On An Island, de 2006. A terceira música é um extra: David Gilmour toca um solo, não de guitarra, mas de saxofone (Red Sky At Night, On An Island, ao vivo, The Island World Tour 2007).
Heitor Villa-Lobos por Francisco Berény Domingues
Hoje, vou à terra, ao lançamento do livro de fotografias Quem Fica, de João Gigante, com um texto do Álvaro Domingues e outro meu. É sobre Prado, a minha freguesia natal. Por falar no Álvaro e em Prado, gostava de voltar a ouvir o Francisco Berény Domingues em Melgaço.
A guitarra e o cavaquinho

Fui ao berço. Setenta e cinco minutos de carro. À ida, música do tempo em que a guitarra eléctrica era rainha; à volta, música da terra em que o cavaquinho é rei.

