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Diabolus in Musica

Guitarra com combustível.

Existem anjos que moram no purgatório. Impacientes, sobem e descem a escada: ora inalam enxofre ora respiram ar condicionado. Estes anjos conhecem tudo: o churrasco do inferno, o maná do céu e o fumeiro do purgatório. O Alberto conhece este mundo e os outros. Quando sinto falta de espanto procuro o Alberto. Pasme-se com uma guitarra elétrica cuja caixa é uma lata de combustível da Sacor, talhada para concertos infernais. Se as chamas desfalecerem, soltam-se uns pingos de gasolina. Com esta inspiração ainda vamos criar uma banda chamada Hellite.

Fiz, há meses, uma comunicação intitulada “Música do Inferno”, concentrada na Idade Média e no Renascimento. Mas existe música infernal na atualidade. Por exemplo, a música dos norte-americanos Slayer, acabados de acabar. Independentemente de gostar ou não da música, interessa-me o fenómeno. Não se ganha em virar a cara, porque pode a cabeça ficar torta. Segue um anúncio e uma música dos Slayer.

Anunciante: Slayer. Título: Giveaway: Enter to Win Repentless Hell-p. Agência: Kolle Rebbe. Alemanha, Janeiro 2020.
Slayer. Hell Awaits / The Antichrist. Hell Awaits. 1985. Live In Anaheim, CA / 2002.

David Gilmour. A guitarra e o saxofone.

David Gilmour.

David Gilmour e Roger Waters são diferentes. Talvez por esse motivo funcionaram bem juntos. Dos discos a solo de David Gilmour, escolhi três músicas: Love On The Air, do álbum About Face, de 1984, e Smile, do álbum On An Island, de 2006. A terceira música é um extra: David Gilmour toca um solo, não de guitarra, mas de saxofone (Red Sky At Night, On An Island, ao vivo, The Island World Tour 2007).

David Gilmour. Love On The Air. About Face. 1984.
David Gilmour. Smile. On An Island. 2006.
David Gilmour. Red Sky At Night. On An Island. 2006. The Island World Tour 2007

Heitor Villa-Lobos por Francisco Berény Domingues

Hoje, vou à terra, ao lançamento do livro de fotografias Quem Fica, de João Gigante, com um texto do Álvaro Domingues e outro meu. É sobre Prado, a minha freguesia natal. Por falar no Álvaro e em Prado, gostava de voltar a ouvir o Francisco Berény Domingues em Melgaço.

Choros Nrº1 (1920) – Heitor Villa-Lobos (1887-1959) played by Francisco Berény Domingues. Recorded live for Tübingen International Guitar Competition 2019.

A guitarra e o cavaquinho

Cavaquinho.

Fui ao berço. Setenta e cinco minutos de carro. À ida, música do tempo em que a guitarra eléctrica era rainha; à volta, música da terra em que o cavaquinho é rei.

George Thorogood & The Destroyers – Bad To The Bone. Bad To The Bone. 1982.
Raízes. Boiada. Raízes. 1983.

Maturidade

Não tenho tempo para amanhã, nem agora. Sejamos rápidos como o Lucky Luke: All Right Now é uma música estimulante. Foi um sucesso dos Free (1970). Paul Rodgers era o membro mais influente da banda. Fundou, mais tarde, os Bad Company. Quarentão, reinterpreta a canção All Right Now, acompanhado por três monstros da guitarra: Brian May, Steve Vai e Joe Satriani. Corria o ano de 1991. O concerto integrou o programa da Expo 92 em Sevilha.

Paul Rodgers (com Brian May, Steve Vai e Joe Satriani), All Right Now. Expo 92. Sevilha, 1991.

Electrocussão

12-Renaissance-Legacy-YouTube

Keith Refel.

Gosto de saber não só o que consumo mas também quem é o produtor. Na literatura, na música, em todos os domínios. Se algo me agrada, informo-mo sobre o autor. Conheço, porventura, mais histórias acerca dos sociólogos do que as respectivas teorias. Sem toque humano, a fonte seca. E “a força da água provém da fonte” (provérbio persa). Cativado pelo álbum lançado pelos Armaggedon em 1975, interessei-me por Keith Relf, vocalista e mentor da banda. Ingressou, em 1963, nos The Yardbirds, banda por onde passaram Jeff Beck; Jimmy Page e Eric Clapton. Funda, com Jim McCarty, em 1969, os Renaissance, com a irmã Jane Relf como vocalista. Em Maio de 1976, sofre um “acidente de trabalho”: morreu electrocutado enquanto tocava numa guitarra com deficiente ligação à terra. Estava em curso a criação de uma nova banda: Now. But Now is gone. Tempo para recordar os The Yardbirds, os Renaissance e os Armaggedon. Carregar nas imagens seguintes para aceder aos vídeos correspondentes.

Dazzede and confused

The Yardbirds. Dazed and Confused. Do programa “Bouton Rouge”, da Televisão Francesa, no dia 9 de Março de1968.

Renaissance Face of Yesterday

Renaissance. Face of Yesterday. Illusion. 1971.

Armaggedon. Buzzard. Argammedon. 1975.

A decomposição da realidade e a recomposição da ilusão

Giuseppe Arcimboldo. Flora Meretrix. 1590.

Giuseppe Arcimboldo. Flora Meretrix. 1590.

A arte de Giuseppe Arcimboldo (1527-1593) paira sobre a actualidade (ver https://tendimag.com/2012/01/22/comer-com-os-olhos-os-alimentos-em-arcimboldo/). Apraz-nos “decompor uma ordem e recompor uma desordem”, segundo a expressão de Severo Sarduy (Barroco, Paris, Ed. du Seuil, 1975). Esta recomposição de uma desordem gera um efeito, uma ilusão, de realidade. Pode ser complexa, como nos quadros de Arcimboldo, ou simples como no anúncio da Moe’s Southwest Grill: um pedaço de nachos funciona como corpo de uma guitarra elétrica.

Marca: Moe’s Southwest Grill. Título: Chip Guitars Rock. Agência: Focus Brands. Direcção: Chris Bailey. USA, Setembro 2015.

O site Culture Pub (http://www.culturepub.fr/) contempla uma categoria chamada “quand la musique est bonne”. Este anúncio é um sério candidato. Pete Townshend, guitarrista dos The Who, participa no anúncio. Pretexto para relembrar a banda: Baba O’Riley e Behind blue eyes, são duas canções do álbum Who’Next, de 1971.

The Who. Baba O’Riley. Who’s Next. 1971.

The Who. Behind blue eyes. Who’s Next. 1971.

Ponte dos Suspiros

Robin Trower. Bridge of SighsAlguém ouviu falar de Robin Trower? É nome de guitarra. A caminho dos setenta anos, acaba de publicar um novo disco: Roots and Branches. Fez parte dos Procol Harum. Em 1974, adquiri o recém-saído Bridge of Sighs. Soava a Hendrix. Este vídeo apresenta uma actuação do mesmo ano. Saudosismo? Um pouco. Há muito que não se faz desta música? E depois? Pior é quando se faz música que já se fez há muito. Dedico este artigo àqueles que calejaram os dedos em cordas de metal.