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Trabalhar até doer a vontade

Jordi Savall.

Estou a pensar na reforma. Ando a sentir náuseas. Admito que não sejam laborais; talvez esteja grávido. Vou investir numa tasquinha com música global e produtos regionais. Convido o Jordi Savall e o Ensemble Musica Narrans para tocar cravo, violino e viola de arco e provar bife de presunto e lampreia escalada, mais umas roscas de Monção e uns charutos dos Arcos. A reforma, se passarem as náuseas, vai ser um regalo, uma folia.

Ensemble MUSICA NARRANS. Folia – Variations by Arcangelo Corelli, Alessandro Scarlatti and Marin Marais. 2014.
Jordi Savall. Folias de España. Festival de Lanvellec en el año 2002.

A Folia de Vivaldi

Vivaldi, un prince à veniseVi, vezes sem conta, nas aulas, Vivaldi, Un Prince à Venise (2006), de Jean-Louis Guillermou. Um filme pedagógico sobre a vida de Antonio Vivaldi (1678-1741). “O padre vermelho” torna-se famoso e admirado na Europa. Mas nos últimos anos de vida conhece dificuldades, hostilizado por parte do clero, ultrapassado pela moda e criticado por poetas e compositores, entre os quais Goldoni e Marcello. Vivaldi vê-se constrangido a vender parte das partituras e, com 63 anos, deixa Veneza rumo a Viena, onde, passados poucos meses, morre, sendo sepultado numa campa sem nome. A própria música entrou em hibernação. A maior parte do seu repertório foi (re)descoberta nos anos 1920’ e divulgada nos anos 1950’. A vida é assim feita: tudo que sobe pode descer e vice-versa, como as calças de ganga, o rugby, os tacões e os lenços de namorados.

Antonio Vivaldi compôs uma folia, música e dança de origem portuguesa (ver https://tendimag.com/2013/08/02/folia-portuguesa/). Ver e ouvir, na medida do possível, até ao fim.

Antonio Vivaldi. La Folia. Interpretação: Apollos’s Fire

A Dança dos Cus

A. Dürer desenhou este rinoceronte sem nunca ter visto um especímen. Baseou-se no relato de um português. O bicho fazia parte da embaixada, de 1515, ao papa Leão X. Seguiu embarcado para Itália. Houve um naufrágio e o rinoceronte afogou-se antes de chegar ao Vaticano.

A. Dürer desenhou este rinoceronte sem nunca ter visto um especímen. Baseou-se no relato de um português. O bicho fazia parte da embaixada, de 1515, ao papa Leão X. O barco que o transportava naufragou. O rinoceronte afogou-se antes de chegar ao Vaticano.

O assunto é sério, mas, hoje, apetece-me escrever disparates. Muito antes da festa da colonoscopia islandesa, já existia, em Portugal, a “dança dos cus”, designadamente no carnaval de Cabanas do Viriato.

“Manda a tradição que saia à rua a “dança dos cús” e que ao som da valsa que se repete ao longo de todo o percurso os participantes vão dançando em duas filas e que cruzem no centro batendo com os traseiros uns nos outros”.

Tive o ensejo, no século passado, de falar na televisão acerca desta dança, que inspirou os islandeses. No século XVI, o nosso rei Venturoso fez uma viagem à Islândia para desfrutar das termas quentes com gelo e, sobretudo, para assegurar uma rena para a embaixada ao Papa Leão X. Fez-se acompanhar por um grupo de saltimbancos (vem de longe esta praxe diplomática), que interpretaram danças camponesas, entre as quais a folia portuguesa e a dança dos cus. Os islandeses quase nos superam na dança dos cus. Por outro lado, consta que existe na Islândia uma canção de taberna que é uma versão da folia portuguesa. Glory days! Escrevo em inglês para melhor compreensão por parte dos ilustres conterrâneos. This text is nothing but a joke! Um arremedo.

Anunciante: Icelandic Cancer Society. Título: Save your ass. Agência: Brandenburg. Direcção: Samuel & Gunnar. Islândia, Março 2015.

PS: Anuncio que vou escrever disparates no artigo. Termino com a confissão de que se trata de uma brincadeira. Mas a forma como está escrito pode induzir os leitores em erro. Contém inverdades. E quanto mais absurdas forem as mentiras mais as pessoas se mostram propensas a lhes dar crédito. O rei D. Manuel I não foi à Islândia à procura das termas ou de renas. Tão pouco houve saltimbancos a interpretar, na Islândia, danças camponesas portuguesas. Este anúncio não foi influenciado pela dança dos cus do Carnaval de Cabanas do Viriato. O resto, quanto sei, é verdade. Sorry!

Casas pintadas

Evora

A RTP2 transmitiu, no programa Visita Guiada (II), um excelente documentário sobre “casas pintadas em Évora” (03.11.2014):

“Dos inícios do séc.XVI, as chamadas Casas Pintadas, em Évora, são um conjunto de frescos nas paredes de um alpendre a dar para um jardim. O mais antigo e mais bem preservado exemplar de pintura profana que se conhece em Portugal. Tanto mais surpreendente quanto estas delicadas pinturas são no exterior – o alpendre integra agora instalações que pertencem à Fundação Eugénio de Almeida.
O historiador de arte Joaquim Caetano é o nosso guia nesta visita à cultura estética do Renascimento português. Estas pinturas “falavam” com os seus contemporâneos como hoje os títulos de jornais falam connosco” (RTP2).

É raro em Portugal o acesso ao património abrigado. Felicito a RTP2. Creio, porém, que a abordagem da “casa pintada” não perdia se evidenciasse um nada menos os comentadores e um nada mais os frescos. Fiquei, por exemplo, com a curiosidade suspensa a propósito dos grotescos da parte inferior dos frescos, quase sempre filmados como fundo. Na música, a folia é um encanto..

Ao vídeo do programa da RTP2, acrescenta-se um documentário produzido pela Fundação Eugénio da Almeida: Jardim das Casas Pintadas em Évora (2010?).

RTP évora

Visita Guiada (II). Casas Pintadas. RTP2. 03 de Novembro de 2014.

Fundação Eugénio da Almeida: Jardim das Casas Pintadas em Évora (2010?).

 

O Papel e o Digital

Pedro H. da Sila e Lúcia Caruso

« Quando se trata não apenas de saber o que seja o método positivo, mas de ter dele um conhecimento bastante nítido e profundo para usá-lo efectivamente, é mister considerá-lo em acção (…) O método não é susceptível de ser estudado separadamente das investigações em que se emprega; ou, ao menos, este é apenas um estudo morto, incapaz de fecundar o espírito que a ele se entrega. Tudo o que se pode dizer de real, quando o tomamos abstractamente, se reduz a generalidades de tal modo vagas que não poderiam ter qualquer influência sobre o regime intelectual (…) É por ter desconhecido esse fato essencial que nossos psicólogos foram conduzidos a tomar por ciência seus próprios sonhos, acreditando compreender o método positivo por ter lido os preceitos de Bacon ou o discurso de Descartes » (Auguste Comte, Curso de Filosofia Positiva, 1830).

Perguntam-me o motivo por que, em casos como o do texto da folia, opto pelo blogue em detrimento da publicação em revista de papel. Lograria outro estatuto. E contaria para a avaliação, incluindo as instituições de que sou membro. É verdade que não se augura que os órgãos de avaliação se apressem a contemplar os artigos de blogue no cardápio dos valores. O dispositivo da avaliação assenta numa mistura sui generis de burocracia e aristocracia com pouca disponibilidade para a diversidade e para a novidade. Tudo indica que, em termos da avaliação, um artigo publicado num blogue é menos que lixo.

Como se justifica um investimento que, do ponto de vista institucional, não acrescenta valor?

1)      A maior parte dos artigos de blogue nunca teriam visto a luz do dia como artigos de revista. Os artigos de revista requerem tempo e agendamento, condições cada vez mais raras. Um artigo de blogue pode escrever-se no momento e em pouco tempo, sem prejuízo do conteúdo.

2)      Para publicar um artigo de revista, não basta o substrato, convém acrescentar ingredientes teóricos e molho metodológico. Mesmo que o substrato pouco ou nada beneficie com o acrescento. O mundo científico é cioso dos seus rituais. Num artigo de blogue, a teoria e o método ganham em ser « considerados em acção », como sustenta Auguste, mais acto do que aparato.

3)      Redigir um artigo é apostar na comunicação. Há artigos do blogue que atingiram milhares de visualizações. Duvido que um artigo meu numa revista tenha recolhido tantas leituras.

4)      O blogue tem mais recursos de expressão do que uma revista em papel. Uma coisa é referir a folia de Manuel Machado ou um anúncio da Durex, outra é ver e ouvir ambas.

5)      As possibilidades de participação são incomparáveis. A interacção no blogue é mais imediata, mais variada e mais fácil. A longevidade suscita, contudo, mais reservas : um artigo de um blogue corre o risco de ser mais efémero.

Apesar deste balanço, vou aproveitar estas férias para escrever um artigo de fundo (a publicar em revista electrónica). A não ser mais, para o gosto de ser avaliado, sem ser lido.

A responsável por estas letras gongóricas é a Ana Barros, uma amiga, que, na sequência do artigo Folia Portuguesa (https://tendimag.com/?s=folia+portugues), me enviou estes vídeos com jovens músicos portugueses que compõem folias interpretadas com guitarra portuguesa. Escrevi artigos em revistas que, uma vez editados, pouco retorno tiveram, ou seja, pouco aprendi graças eles. Publico um artigo no blogue e, volvidos alguns minutos, começam a chegar contributos. Um artigo, mais do que uma prova, é um acto de conhecimento.

Pedro H. da Silva & Lucia Caruso. La Folia. Piano e Guitarra Portuguesa.

Pedro H. da Silva & Lucia Caruso. La Folia. Cravo e Guitarra Portuguesa.

Folia Portuguesa

Hoje, vou falar da folia, um produto criativo de sucesso, mas pouco conhecido, de origem nacional. Ando há meses para publicar este artigo mas tive que aguardar pelas férias para o conseguir.

“A história da folia reparte-se por dois períodos. A primeira folia, de origem portuguesa, caracterizada por Salinas em 1577, adquire popularidade em Espanha, e é exportada para Itália por volta de 1600” (Hudson, Richard, The Folia Melodies, Acta Musicologica, Vol. 45, Fasc. 1 (Jan. – Jun., 1973), pp. 98-119, p. 98).

A folia, “um dos fenómenos mais notáveis da história da música” (La Folia- A Musical Cathedral: http://www.folias.nl/html1.html), remonta a finais do século XV. Com raízes campestres ligadas a rituais de fertilidade, a folia, música e dança, estende-se a outros públicos: tanto ocorre nos ajuntamentos populares como nas festas da corte. Garcia de Resende, na Crónica do Rei D. João II, de 1545, refere várias vezes a folia:

“E toda a gente da cidade foi posta com muita brevidade em danças e folias, com infindas tochas na praça e no Terreiro dos Paços, e por todas as ruas principaes, e tanta gente honrada e nobre, e assi a do povo, que não cabia, nem se viu nunca tanto alvoroço e alegria, e muitos velhos e velhas honradas com sobejo prazer foram juntos cantar e bailar diante de El-Rei e a Rainha, cousa de que suas edades os bem escusavam” (Chronica de ‘L Rei D. João II, Bibliotheca de Classicos Portuguezes, Lisboa, 1902, p. 64).

Gil Vicente foi o primeiro escritor a mencionar a folia. O Auto da Sibila Cassandra, de 1511, inclui a letra de uma folia cantada por quatro figuras bíblicas:

“Traz Salomão Esaias e Moyses e Abrahão , cantando todos quatro de folia a cantiga seguinte:

Que sañosa está la niña!
Ay Dios, quien le hablaria!
En la sierra anda la niña
Su ganado á repastar;
Hermosa como las flores,
Sañosa como la mar.
Sañosa como la mar
Está la niña;
Ay Dios, quien le hablaria!”

(Gil Vicente, Auto de Sibila Cassandra, Obras de Gil Vicente, Tomo I, Officina Typográphica de Langhoff, Hamburgo, 1834, p. 46).

Manuel Machado. La Folia Dos Estrellas le Siguen. Séc. XVII.

Em pleno reinado dos Filipes, Sebastián de Covarrubias define, no Tesoro de la lengua castellana (Madrid, 1611), a folia nos seguintes termos:

“é uma certa dança portuguesa, muito barulhenta; porque comporta muitas figuras a pé com chocalhos e outros instrumentos, homens mascarados carregam aos ombros rapazes vestidos de mulher, que com as manlgas de ponta se contorcem e, às vezes, dançam. E também tocam pandeiros: e é tão grande o ruído e o som tão apressado, que parecem estar uns e outros sem juízo. E assim deram à dança o nome de folia, da palavra toscana ‘folle’, que significa oco, louco, insano, aquele que tem a cabeça vazia”.

No livro De Musica libri septem (Salamanca, 1577), Francisco de Salinas, cego desde os dez anos, organista e catedrático da Universidade de Salamanca, caracteriza a composição das “canções populares que os portugueses chamam Folias”. Apesar do amplo reconhecimento da origem portuguesa das folias, em vários países, são conhecidas por folias de Espanha. Por exemplo, em França e, pelos vistos, no Brasil. Uma tese de doutoramento em música, defendida por Flávio Apro, em 2009, na Universidade de São Paulo, tem o seguinte título: Folias de Espanha: O Eterno Retorno. Para esta deslocação da “patente” contribuiu, porventura, a contingência de a expansão das folias na Europa ter coincidido com o eclipse da nossa independência nacional entre 1580 e 1640.

“O padrão musical da Folia ibérica consistia numa linha de baixo ostinato (ou ground), sobre a qual se escreviam discantus e improvisavam-se variações, chamadas na época de diminuições (…) A moldura harmónica (…) costuma ser apresentada no tom de Ré menor: Dm | A7 | Dm | C | F | C | Dm | A7 | Dm | A7 | Dm | C | F | C | Dm A7 | Dm (Flávio Apro, pp. 15 e 32). A figura 1 apresenta uma das partituras mais antigas de uma folia.

Anónimo, partitura de folia, copiada por Valderrábamo, Silva de Sirenas, Valladolid, 1547, reproduzida em Giuseppe Fiorentino, Música Española del Renacimiento entre Tradición Oral y Transmisón Escrita, tese de doutoramento em História e Ciências da Música, Universidade de Granada, 2009, p. 390.

Anónimo, partitura de folia, copiada por Valderrábamo, Silva de Sirenas, Valladolid, 1547, reproduzida em Giuseppe Fiorentino, Música Española del Renacimiento entre Tradición Oral y Transmisón Escrita, tese de doutoramento em História e Ciências da Música, Universidade de Granada, 2009, p. 390.

“A melodia fácil e as possibilidades que oferecia à improvisação foram qualidades que não passaram desapercebidas entre os músicos instrumentistas do barroco” (Juan Luis de la Montaña Conchina, Apuntes sobre “las folias de España”: http://filomusica.com/filo7/cdm.html). A folia distingue-se como uma composição que, embora de raiz popular, conseguiu conquistar a corte. Estes dois traços, a adopção pela corte e a abertura ao improviso e a variações, concorreram tanto para o seu sucesso como para a sua longevidade.

Arcangelo Corelli. Violin Sonata in d minor La Follia Opus 5 no.12 (1700): theme and 23 variations.

A folia não se resume à música e à dança, comporta texto e animação. Estes quatro  elementos dotam a folia de uma carga envolvente vertiginosa que raia a loucura. É uma prática típica do grotesco carnavalesco de raiz medieval (Mikhail Bakhtin, A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais, São Paulo/Brasília, Hucitec/Editora Universidade de Brasília, 2008).

A popularidade da folia era tal o que próprio Dom Quixote bailou esta dança em Barcelona, em casa de D. António Moreno (Miguel Guerol Galvadá, La música en la obra de Cervantes, Madrid, Ediciones del Centro de Estudios Cervantinos, Madrid, 2005, p. 140). Em Portugal, a folia mantém-se, séculos a fio, como uma das principais atracções da procissão do Corpo de Deus. Não é raro uma procissão incorporar várias folias (Francisco Marques de Sousa Viterbo, Artes e Artistas em Portugal, Lisboa, Livraria Ferin, 2ª  ed., 1920).

A partir do séc. XVI, muitos músicos compuseram folias, ou as inseriram nas suas obras: Arcangelo Corelli (vídeo 2), Jean Baptiste Lully, Marin Marais, Antonio Vivaldi, Domenico Scarlatti, Antonio Salieri, Niccolò Paganini, Hector Berlioz, Franz Liszt, Sergei Rachmaninov… Trata-se apenas de uma pequena amostra. A página La Folia – A Musical Cathedral (http://www.folia.tk/), que procede a um inventário de folias, estima que “mais de 150 compositores em mais de 330 anos conceberam inúmeras variações brilhantes”.

Jan Johansson. Sinclairvisan. Musik Genom Fyra Sekle. 2008.

Nas sociedades ditas pós-modernas ou líquidas, ainda há lugar para a folia? “No presente, as Folias continuam a assombrar o nosso imaginário musical” (Lutin d’Ecouves: http://fr.wikipedia.org/wiki/Discussion:Folia). O cruzamento de géneros tem sido uma propensão das últimas décadas. E a folia alinha. No cinema, consta da banda sonora de filmes tais como Barry Lyndon (1975), de Stanley Kubrick, ou 1492 A Conquista do Paraíso (1992), de Ridley Scott. Karl Jenkins (Adiemus) compôs uma La Folia (http://www.youtube.com/watch?v=UIHHT0NXdsw). O jazz, a seu jeito, também se deixou tentar. Vários grupos e artistas tocam folias. Permito-me relevar Jan Johansson, pianista expoente do jazz sueco, falecido em 1968 (ver vídeo 3; Sinclairvisan – La Folia). Inesperada é porventura a presença da foliano mundo dos videojogos. Final Fantasy, distinta referência no género, inclui, na banda sonora do Final Fantasy IX, uma folia, composta por Nobuo Uematsu (Vamo’ Alla Flamenco, vídeo 4).

Final Fantasy IX OST. Vamo’ Alla Flamenco. Compositor: Nobuo Uematsu.

Os espanhóis prestam atenção e dão valor à folia. O mundo, também. E nós, os portugueses seus criadores? Deparei-me com uma obra notável: um cd intitulado O Lusitano – Portuguese Vilancetes, Cantigas e Romances, pelo ensemble Circa 1500 e Gérard Lesne, com direção de Nancy Hadden, impresso na Alemanha pela Virgin Classics,em 1992. Tudo nomes aparentemente estrangeiros… Tropecei com o seguinte comentário sobre este cd no blogue Assédio: “Se nós não investimos e não investigamos a nossa música, há quem o faça e lhe dê o real valor que tem, e que é muito! Aqui está a prova: a nossa música do século XVI” (http://assedio.blogspot.pt/2006/04/portugal-circa-1500.html). Foi, contudo, neste cd, O Lusitano, que ouvi pela primeira vez a folia de minha eleição: La Folia Dos Estrellas le Siguen, do português Manuel Machado (c. 1590-1646), compositor que se formou em Lisboa, mas que migrou, como muitos conterrâneos, em 1610, para Madrid, onde foi músico, primeiro, da Capela Real e, em seguida, no palácio de Filipe IV de Espanha. Quase  todas as partituras que compôs foram destruídas pelo terramoto de 1755.

Nós, portugueses, sabemos o que valemos?